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O Estudante de Medicina – Atividade para Ensino Fundamental

Estas são várias atividades propostas para fazer em turmas do ensino Fundamental, mas que podem ser facilmente adaptadas para uma turma do Ensino Médio. A partir de um texto bastante criativo, vamos falar sobre o uso dos verbos e de recursos coesivos bastante eficazes na construção de um texto dissertativo. Como esta é a folha do gabarito que usei nas minhas turmas, as respostas já estão junto com os exercícios. Caso você seja professor e queira usá-los, preste atenção nisso.

O ESTUDANTE DE MEDICINA

LÚCIA MACHADO DE ALMEIDA

Bem cedo, no dia seguinte, Alberto, metido num avental branco, trafegava de um lado para outro na enfermaria do hospital, em companhia de outros estudantes. Ajudado por um colega que usava óculos com aro de tartaruga, o rapaz começou a tirar sangue da veia de um indigente que deveria sofrer de anemia, tal a sua palidez.
-— Hemoglobinazinha ordinária, hem? disse Alberto, examinando e mostrando ao colega um sangue ralo e apenas rosado dentro da seringa. Vamos ver a contagem de hematias.
Os dois amigos dirigiram-se para o laboratório, onde os estudantes começavam a fazer as primeiras pesquisas clínicas.
Alberto adorava a profissão que escolhera. Talvez fosse por isso que o trabalho se lhe transformava quase que num prazer. Além do mais, o moço tinha forte atração pelo mistério, e a Medicina frequentemente lhe fazia lembrar um verdadeiro romance policial.
Sim, era preciso auxiliar o órgão atacado, descobrir o “culpado” através dos “vestígios” deixados, e depois guerreá-lo, vencê-lo, custasse o que custasse. Era preciso dominar a grande inimiga, a Morte, combatendo os seus cúmplices, aqueles terríveis seres minúsculos e invisíveis: os micróbios e os vírus. E havia também uma razão mais forte e mais profunda para que o moço gostasse da Medicina: ele sentia que a carreira o punha em contato com o sofrimento humano, proporcionando-lhe oportunidades de aliviá-lo. Sabia que era essa a mais íntima alegria que uma criatura pode ter, e que a dor deixa de ser triste quando nos aproximamos dela para a suavizar.
Era isso o que Alberto tentava em vão explicar a Rachel Saturnino. A moça irritava-se e repetia sempre:
— A vida é tão curta! O melhor é desfrutá-la e tirar dela o maior partido possível.
— Bem, tornava Alberto, a concepção de “aproveitar a vida” varia de indivíduo para indivíduo, é ou não é? O que para um significa prazer, para outro representa futilidade, desperdício de tempo e vice-versa.

(O escaravelho do diabo. 12. ed. São Paulo, Ática, 1985. p, 22 — Série Vaga-lume.)

VOCABULÁRIO

  • anemia – diminuição da hemoglobina do sangue
  • desfrutar – aproveitar
  • futilidade – coisa sem importância
  • frequentemente – quase sempre
  • hemoglobina – pigmento dos glóbulos vermelhos que fixa o oxigênio do ar e o cede aos tecidos
  • hematia – glóbulo vermelho do sangue
  • indigente – pessoa que não pode pagar o tratamento
  • íntima – própria da pessoa
  • suavizar – amenizar; tornar mais suave
  • vestígio – resto; marca

ESTUDO DAS PALAVRAS

1. Observe os sentidos da palavra romance nas frases:

Alberto gosta de romance policial.
Adolfo e Helena mantêm um romance há oito anos.

Como você pode ver, uma palavra pode ter vários sentidos, dependendo do contexto da frase. Agora, identifique o sentido com que a palavra partido foi empregada nas frases:

a. Rico, bonito, Solteiro, Carlos parece Um ótimo partido.

– bom para casar, por ter situação financeira boa.

b. Nossa equipe soube tirar partido da nova solução.

– vantagem

c. Ele foi eleito o presidente do nosso partido.

– grupo político

d. Na hora da confusão, ele tomou o partido do irmão.

– ficar do lado

e. O bolo foi partido em fatias bem pequenas.

– dividido

Com qual desses sentidos a palavra foi empregada no texto?

– Tirar vantagem.

2. Observe os sentidos da palavra ralo:

  • ralador
  • pouco espesso
  • parte do encanamento

Com que sentido essa palavra foi empregada no texto?

– Pouco espesso.

3.  Qual o significado da expressão “tentar em vão”?

– Tentar inutilmente

4.  Copie as frases, substituindo às palavras destacadas por antônimos:

a. Ele usava óculos com aro de tartaruga.

– sem

b. O sangue estava dentro da seringa.

– fora

c. O melhor é desfrutar a vida.

– pior

→ Caso queira  ter a base para fazer estas atividades, veja minha dica aqui.

ESTUDO DO TEXTO

1. O que faz Alberto pela manhã?

– Tira sangue de um indigente e o examina no microscópio.

2. Onde Alberto estuda?

– Na Faculdade de Medicina.

3. Como se sente Alberto em relação à profissão de médico?

– Ele adora a profissão que escolhera.

4. O texto apresenta uma comparação entre o trabalho médico e a tarefa do detetive. Nessa comparação, que papel representa a doença?

– A doença representa o culpado.

5. Quais são os agentes causadores das doenças?

– Os micróbios.

6. Qual é a razão mais profunda do amor de Alberto pela carreira médica?

– É ajudar a aliviar o sofrimento humano.

7.  Na sua opinião, como Alberto se relaciona com Rachel Saturnino? Por quê?

– (Resposta pessoal.)

8.  Entre Alberto e Rachel, com quem você concorda? Por quê?

– (Resposta pessoal.)

9.  A sociedade em que Alberto vive tem regras de conduta. No trecho que você leu, como ele se comporta em relação a essas regras?

– Aparentemente ele respeita as regras sociais.

10. A visão que Alberto apresenta da profissão médica será real ou idealizada? Por quê?

– Idealizada, já que não aparecem fatores negativos.

Expressão oral (caso você seja professor, faça com seus alunos)

1.  O que é aproveitar a vida, para você?

2.  O que, para você, representa uma futilidade?

3.  Que profissão você gostaria de exercer no futuro? Por quê?

4.  Você gosta de histórias policiais? Por quê?

PESQUISA

A visão que a personagem Alberto revela a respeito da profissão médica é muito idealizada. No “retrato” da profissão médica que aparece no texto só existem aspectos positivos.

Faça uma pesquisa em jornais e revistas sobre Medicina. Se você conseguir uma entrevista com um profissional da área de saúde — médico(a) ou enfermeiro(a) —, levante informações sobre os seguintes aspectos:

1.  Quais as enfermidades que mais afligem o povo brasileiro?

2.  Quais são as causas dessas enfermidades?

3.  Quais seriam as medidas mais eficazes para ajudar o povo brasileiro a não sofrer essas enfermidades?

4.  Quais são os cuidados que toda pessoa deve tomar com a própria saúde?

5.  Quais os problemas de saúde mais comuns na adolescência?

→ Curso de redação para o Enem.

TÉCNICA DE REDAÇÃO A NARRAÇÃO NA 3ª PESSOA

No texto: O estudante de Medicina, a narração é feita na 3ª pessoa, conforme indicam os verbos do texto: trafegava, começou etc.

Nesse tipo de narração, o narrador não participa dos fatos; ele apenas conta o que pode observar. Então, os fatos são contados do ponto de vista dele, isto é, da maneira como os observa.

Observando as personagens

É muito comum, nas narrações em geral, o narrador caracterizar suas personagens, mostrando seu modo de ser, de agir, seus sentimentos etc.

No caso das personagens do texto estudado, por exemplo, qual das duas desperta mais simpatia: Alberto ou Rachel?

Alberto é apresentado só com qualidades positivas; é jovem, estuda Medicina, ajuda aos pobres, luta contra as doenças e a morte, por ideal. É apresentado como herói. A personagem assim apresentada é chamada de protagonista.

Para Rachel, sobrou, neste texto, o papel antipático de opor-se aos desejos do herói, do protagonista. Note que ela é apresentada pelo narrador de modo a despertar a antipatia do leitor:

“Era isso o que Alberto tentava em vão explicar a Rachel Saturnino. A moça irritava-se e repetia sempre:

— A vida é tão curta! O melhor é desfrutá-la e tirar dela o maior partido possível”.

Rachel Saturnino é o contrário de Alberto. Revela-se pouco inteligente, não entende a explicação do moço e repete sempre às mesmas palavras. Além disso, revela-se muito egoísta: “A vida é curta”. A personagem assim apresentada chama-se antagonista.

ATIVIDADES

1.  Reescreva o texto “O estudante de Medicina na li pessoa, do ponto-de-vista de Alberto”. Para ajudá-lo, vamos fazer o comecinho:

Bem cedo, no dia seguinte, eu, metido num avental branco, trafegava de um lado para outro na enfermaria do hospital, em companhia de outros estudantes. Ajudado por um colega que usava óculos com aro de tartaruga, comecei a tirar sangue da veia…

(Agora é com você.)

2.  Escreva um texto narrativo na 3ª pessoa em que apareçam um protagonista e um antagonista.

TREINANDO A LINGUAGEM

1.  Observe:

Alberto trafegava na enfermaria do hospital.

Bem cedo, no dia seguinte, Alberto trafegava de um lado para outro na enfermaria do hospital.

Amplie as frases, empregando marcadores de circunstância, como no exemplo:

a.  O seu colega usava óculos com aro de tartaruga.
b.  Os dois amigos dirigiram-se para o laboratório.
c.  A Medicina lhe fazia lembrar um verdadeiro romance policial.
d.  Rachel repetia que a vida era curta.

2.  Observe:

Alberto adorava a profissão. Ele escolhera a profissão. Alberto adorava a profissão que escolhera.

Copie as frases numa só, empregando a palavra que:

a.  Ana gostava do rapaz. Ela namorava o rapaz.
b.  Plínio defendia o método. Ele adotara o método.
c.  Leonardo cuidava da horta. Ele cultivara a horta.
d.  Frei Eduardo sabia de cor o texto. Ele analisara o texto.

3.  Copie os verbos e escreva uma frase para cada conjunto, como no exemplo:

Alberto examina e mostra ao colega um sangue ralo. (examina — mostra)

a.   (dirigiam-se — começavam)

b.  (havia — gostasse)

c. (adorava — escolhera)

d. (é — tira)

4.   Copie as frases, substituindo a forma verbal simples pela composta. Veja o exemplo:

Manoel Geraldo adorava a profissão que escolhera.

Manoel Geraldo adorava a profissão que tinha escolhido.

a.   Clarissa gostava da boneca que comprara.

– tinha comprado

b.  Alfredinho resolvia o problema que sorteara.

– tinha sorteado

c.   Luciana cuidava dos peixinhos que adquirira.

– tinha adquirido

d.  Flávio sabia a lição que estudara.

– tinha estudado

Estratégias para fazer uma leitura eficaz

A leitura dos inúmeros gêneros textuais que circulam nos diversos domínios é uma atividade interativa desafiadora. Para interagir na vida social, precisamos encarar um desafio complementar: desenvolver competências relacionadas à produção textual.  Após ler o artigo sobre estratégias de leitura, recomendo a leitura desses outros aspectos importantes que devem ser empregadas para evidenciar:

1. Os aspectos discursivos

• Identificar o gênero textual e a tipologia do trecho lido;
• Reconhecer os propósitos comunicativos do texto;
• Perceber marcas de outros textos no texto analisado;
• Observar as condições de produção do texto (autor, local e data de produção, leitor);
• Identificar o tema tratado.

2. A organização da informação
• Observar títulos e subtítulos;
• Analisar ilustrações;
• Reconhecer elementos paratextuais (parágrafos, negritos, itálicos, sublinhados, enumerações, deslocamentos, legendas, quadros, gráficos, etc);
• Identificar palavras-chave;
• Marcar fragmentos significativos;
• Relacionar e integrar ideias-chave apresentadas em vários pontos do texto;
• Decidir se há necessidade de recorrer ao dicionário ou a outra fonte de consulta.

3. A coerência textual

• Ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema;
• Usar conhecimentos prévios sobre o contexto de situação em que o texto foi produzido;
• Identificar as relações de sentido existentes no texto.

4. O processamento do texto

• Construir paráfrases mentais ou orais dos fragmentos mais complexos;
• Substituir palavras complexas por sinônimos conhecidos;
• Reconhecer relações gramaticais (sintáticas e morfológicas) e lexicais (de sentido);
• Identificar/construir os principais sentidos do texto.

5. O “como se aprende” a conhecer o processamento da leitura

•  Propor objetivos pessoais e significativos para a leitura;
•  Controlar a atenção voluntária no objetivo da leitura;
•  Manter a consciência durante o processamento do texto, segmentando ou relacionando as unidades de significação;
•  Controlar o percurso, o ritmo e a velocidade da leitura, de acordo com os objetivos estabelecidos;
•  Detectar erros no processamento do texto;
• Autoavaliar continuamente a atividade e fazer as correções necessárias.

Para suas atividades de leitura e compreensão de diferentes gêneros textuais, aplique essas estratégias.

Estratégias de leitura – Aprenda a ler direito




A leitura dos inúmeros gêneros textuais que circulam nos diversos domínios é uma atividade interativa desafiadora. Para interagir na vida social, precisamos encarar um desafio complementar: desenvolver competências relacionadas à produção textual. Assim, ler e produzir textos funcionaria como uma avenida de mão dupla: ações simultâneas e ações complementares.
Na prática, toda leitura é situada em um contexto social, temporal e cultural específico. Quanto maior for a identificação sociocultural estabelecida entre o texto e seus interlocutores, tanto melhor será a construção de sentidos gerada por meio dele.

Para ajudá-lo a desenvolver estratégias discursivas de leitura que o tornem um leitor autônomo, capaz de construir sentidos a partir da interação leitor-texto-autor, apresentamos algumas perguntas e respostas para servirem como roteiro de análise:

1.Quem escreve?
Autor.

2. Para quem escreve?
Público específico ou geral.

3. Onde o texto é veiculado?
Suporte material ou virtual.

4. 0 autor escreve com que autoridade?
Papel social do autor.

5. Com qual objetivo?
Propósito do autor ou instituição representada.

6. O que já sei sobre o tema?
Conhecimentos prévios do leitor.

7. Quais são as ideias principais do texto?
Informações.

8. Que outros textos foram citados?
Intertextualidade.

9. Que partes do texto apresentam objetivos, definições, comparações, causas, consequências, conclusões?

10. Como essas partes se relacionam?
Estrutura textual.

11. Com que argumentos as ideias são defendidas?
Comprovação.

12. Onde e de que maneira a subjetividade está marcada?
Posicionamento explicitado.

13. Quais são as vozes presentes no texto além da voz do autor?
Responsabilidade compartilhada das ideias.

14. Quais são os exemplos citados?
Fatos, dados.

15. Quais são os testemunhos utilizados?
Depoimentos.

16. Como são tratadas as ideias contrárias?
Rebatimento ou antecipação de oposições.

Este texto é uma adaptação de: GARCEZ, Lucília H. do Carmo. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

UPDATE: Faça também a leitura da segunda parte deste artigo clicando aqui.

Introdução à Literatura – Exercícios com gabarito




Esta é uma lista de exercícios bastante singular porque muitos alunos se identificarão com as músicas usadas. É bem verdade que a Literatura se aproxima demais da música e que é possível usá-las, ainda que contemporâneas, nas aulas em que tratamos dos períodos literários. No Enem, a Literatura é vista sobretudo nas questões de interpretação de texto, mas as questões que tratam da Gramática e da Linguagem podem ser algo de abordagens usando os textos assim. Você, além dos exercícios abaixo, poderá ver o gabarito que traz algumas sugestões de respostas que podem variar conforme quem estiver fazendo ou mesmo a bagagem cultural que tiverem.

Lista de atividades de Literatura

QUADRO DE CONTEÚDOS

CONTEÚDOS/CAPÍTULOS QUESTÕES
Conceito de Arte / Conotação e Denotação 1, 2, 10 e 15.
Intertextualidade 5, 28.
Metalinguagem 6, 7, 29.
A palavra literária / Poesia e prosa 3, 8, 9, 35.
Figuras de Estilo 13, 14, 16, 23.
Gêneros => lírico, narrativo, dramático 4, 12, 17, 18, 19, 20, 37, 39.
Estilo Individual e estilo de época
Trovadorismo => Contexto de Época; Novelas de Cavalaria
Cantigas 21, 31.
Humanismo => Teatro de Gil Vicente 33, 34.
Poesia Palaciana / Fernão Lopes 36
Valores sociais e humanos do patrimônio literário nacional. 39.
Enunciado e enunciação no texto literário 40.

I. QUESTÕES OBJETIVAS

QUESTÃO 01 (Descritor: Refletir sobre a arte e seus sentidos a partir da comparação de duas pinturas e da análise das afirmativas.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: A arte e seus sentidos.

A arte é uma das formas de expressão humana. Sem um objetivo utilitário, causa prazer, choque, rupturas. Observe as duas telas abaixo: a primeira, “O Balcão” (1869), do pintor impressionista Édouard Manet (1832-1883); e a segunda, “Perspectiva II, O Balcão de Manet” (1950), do surrealista René Magritte (1898-1967).

magrite

Considere as imagens invertidas na hora de ler as alternativas. A primeira é “Perspectiva II (1950), a segunda é  o balcão de Manet” (1869).

A partir do conceito de arte, compare as duas imagens, analise as alternativas e assinale aquela cuja leitura é CORRETA.

a) Ao comparar as duas imagens, considerando-se que a primeira seja bela, pode-se afirmar que essa beleza desaparece perante a morbidez da segunda.

b) Nenhuma das duas imagens são reais. A Arte, por elas representada, é um simulacro do real, uma representação do que o artista vê da realidade.

c) Os elementos básicos da expressão dos pintores são diferentes, de acordo com o momento histórico em que se apresentam. Isso anula a relação entre elas.

d) O pintor René Magritte teve intenção de ofender Édouard Manet com a tela “Perspectiva II, o balcão de Manet”, o que explica a corrupção da imagem inicial.

e) Pode-se considerar que a natureza, primeira atração estética sentida pelo homem, invalida as pinturas apresentadas por não ser nelas retratada.

QUESTÃO 02 #ELIMINADA

QUESTÃO 03 (Descritor: Demonstrar o conhecimento do conceito de verossimilhança na interpretação do texto.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: verossimilhança.

De acordo com o livro da Coleção Pitágoras – 1ª série, Ensino Médio, a verossimilhança é o conceito no qual a “supra-realidade criada pelo autor precisa ser verdadeira” (p. X). Ou seja, é preciso que haja coerência entre os elementos que compõem o texto.

Pensando nisso, leia o fragmento a seguir, retirado do livro Alice no País das Maravilhas, escrito pelo inglês Lewis Carroll (1832-1898). Na obra, uma menina (Alice) chega a um país fantástico ao correr atrás de um coelho, que foge através do oco de uma árvore.

Nesse mundo maravilhoso, Alice toma chá com o Chapeleiro Louco e a Lebre de Março.

“Oba, vou me divertir um pouco agora!” pensou Alice. “Que bom que tenham começado a propor adivinhações.” E acrescentou em voz alta: ‘Acho que posso matar esta.”

“Está sugerindo que pode achar a resposta?” perguntou a Lebre de Março.

“Exatamente isso”, declarou Alice.

“Então deveria dizer o que pensa”, a Lebre de Março continuou.

“Eu digo”, Alice respondeu apressadamente: “pelo menos… pelo menos eu penso o que digo… é a mesma coisa, não?”

“Nem de longe a mesma coisa!” disse o Chapeleiro. “Seria como dizer que ‘vejo o que como’ é a mesma coisa que ‘como o que vejo’!”

“Ou o mesmo que dizer”, acrescentou a Lebre de Março, “que ‘aprecio o que tenho’ é a mesma coisa que ‘tenho o que aprecio’!”

(…)

“Dois dias de atraso!” suspirou o Chapeleiro. “Eu lhe disse que manteiga não ia fazer bem para o maquinismo [do relógio]!” acrescentou, olhando furioso para a Lebre de Março.

(…)

“Já decifrou o enigma?”, indagou o Chapeleiro, voltando-se de novo para Alice.

“Não, desisto”, Alice respondeu. “Qual é a resposta?”

“Não tenho a menor ideia”, disse o Chapeleiro.

“Nem eu”, disse a Lebre de Março.

CARROL, Lewis. Alice – edição comentada.Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002. p. 68-70.

A seguir, ANALISE as afirmativas abaixo:

I. “Dois dias de atraso!” suspirou o Chapeleiro. “Eu lhe disse que manteiga não ia fazer bem para o maquinismo [do relógio]!” acrescentou, olhando furioso para a Lebre de Março. => O trecho é totalmente inverossímil, porque ninguém colocaria manteiga em um relógio.

II. No final do texto, a conversa sobre o fato do Chapeleiro Louco e da Lebre de Março proporem à Alice um enigma cuja resposta eles desconheciam não compromete a verossimilhança do texto.

III. A verossimilhança interna do non sense do texto não compromete a verossimilhança externa, visto tratar-se de um país fantástico, “das Maravilhas”.

Está(ão) CORRETA(S):

a) apenas I e II.

b) apenas I e III.

c) apenas II e III.

d) apenas I.

e) I, II e III.

QUESTÃO 04 (Descritor: Analisar como os elementos da narrativa se apresentam no texto lido e julgar as alternativas.)




Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: elementos da narrativa.

Leia o texto a seguir com atenção:

Catalepsia

A notícia correu célere no vilarejo: “Seo” Oscar morreu.

O velório foi movimentado. Homem de muitos amigos e, dizem as más línguas, de “amigas” também. A casa ficou cheia.

“Seo” Joaquim, compadre e companheiro de muitas noitadas, custou a criar coragem para ir se despedir do amigo. Passou na venda do Alírio e comprou uns “pau-a-pique” para colaborar no café da meia noite

A primeira coisa que notou ao entrar na sala foi a falta do choro da viúva. Impassível ao lado do caixão; séria, mão no rosto, parecia alheia ao defunto. “Seu” Joaquim achegou-se, temeroso para cumprimentá-la.

Não se sabe se foi alergia ao cheiro das flores que cobriam o morto, mas o fato é que ele, embora tentasse segurar, deu um tremendo espirro. O defunto sentou-se no caixão, perguntando o que estava acontecendo.

Não ficou uma pessoa na sala. Aliás, ficaram duas: a viúva desmaiada e “Seo” Joaquim, cujas pernas falharam e ele não pôde correr.

“Seo” Oscar tivera um ataque de catalepsia. E por um bom tempo o coitado foi visto como um fantasma.

Os anos se passaram e um dia “Seo” Oscar morreu “de novo”. Armado o velório, “Seo” Joaquim foi se despedir do amigo.

Quando estava entrando na sala onde estava o corpo, foi violentamente retirado por uma mão que lhe tapava a boca e o nariz. Assustado, viu que era a viúva que foi logo lhe dizendo baixo:

– Compadre, não pode entrar aí. Se quiser espirrar vai fazer isso lá na rua.

Até hoje “Seo” Joaquim pensa:

– Será que o Oscar morreu mesmo?




ROCHA, Déa Rodrigues da Cunha. “Catalepsia”. In Os comes e bebes nos velórios das Gerais e outras histórias. São Paulo: Auana Editora, 2008. p. 59-60.

Levando o texto “Catalepsia” em consideração, e observando os elementos da narrativa, ANALISE as proposições abaixo, e ASSINALE a alternativa CORRETA.

a) As personagens do conto são rasas, sem profundidade psicológica, exceto “Seo” Joaquim”, que, ao ver a viúva, “achegou-se, temeroso, para cumprimentá-la.”.

b) Não se pode considerar que o conto tenha um espaço, visto que não há descrição do cenário onde a ação acontece (um “vilarejo” é um termo vago).

c) O tempo na narrativa é cronológico: acontece o primeiro velório, o “defunto” volta, os anos se passam, e o desfecho se dá quando acontece o segundo velório.

d) A intriga do enredo ocorre no início do conto, quando o narrador diz que as “más línguas” difamam “Seo” Oscar, falando de suas “amigas”.

e) A retaliação da viúva ao “Seo” Joaquim, no final do texto, decorre do fato de que ele era companheiro de noitadas do finado.

As questões 05 e 06 referem-se ao texto a seguir. Leia-o com atenção.

Fita Verde no Cabelo (Nova velha história)

Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.

Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.

Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dia: – “Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou.” A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.

(…)

ROSA, Guimarães. “Fita Verde no Cabelo (Nova velha história). In Ave, Palavra. 5ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. p. 81-82

QUESTÃO 05 (Descritor: Reconhecer o tipo de relação dialógica/intertextual que existe entre os textos).

 

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: intertextualidade.

A intertextualidade é uma forma de recontextualização. Considere que um texto carrega marcas de outros textos, anteriores a ele. Agora, leia “Fita Verde no Cabelo (Nova Velha História)”, conto de Guimarães Rosa, apresenta uma relação intertextual com um conhecido conto da literatura universal.

O tipo de intertextualidade que existe entre o fragmento lido e o texto anterior (“Chapeuzinho Vermelho”) é uma

a) citação.

b) paródia.

c) epígrafe.

d) paráfrase.

e) alusão.

QUESTÃO 06 (Descritor: Classificar os elementos da narrativa presentes no texto lido e julgar as alternativas.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: elementos da narrativa.

Analise os elementos da narrativa de “Fita verde no cabelo (nova velha história”), observe as alternativas e assinale a CORRETA.




a) narrador: personagem.

b) protagonistas: caçadores.

c) tempo: atemporal.

d) espaço: indefinido.

e) enredo: difícil ida da menina à casa da avó.

QUESTÃO 07 (Descritor: Reconhecer a discussão que os textos propõem acerca de sua própria produção.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: metalinguagem

Leia com atenção os três textos a seguir.

TEXTO I

“Se souberas falar também falaras,

também satirizaras, se souberas,

e se foras poeta, poetaras.

(…)

Permiti, minha formosa,

que esta prosa envolta em verso

de um Poeta tão perverso

se consagre a vosso pé,

pois rendido à vossa fé

sou já Poeta converso.”

Fragmento de MATOS, Gregório. In AMADO, James (ed.). Gregório de Matos: obra poética. 3ª ed. Preparação e notas de Emanuel Araújo . Rio de Janeiro: Record, 1992.

TEXTO II

“Longe do estéril turbilhão da rua,

Beneditino escreve! No aconchego

Do claustro, na paciência e no sossego,

Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!”

Fragmento de BILAC, Olavo. A um poeta. In www.jornaldepoesia.jor.br

TEXTO III

Queria te dizer coisas singelas e verdadeiras

Mas as palavras me embaraçam.

Estou triste, meu amor, mas lembre-se de mim com alegria.

Cacaso, In Poesia Marginal. Col. Para gostar de ler, 39. São Paulo: Ática, 2006. p.29.

Perceba como, nos três textos lidos, os autores fazem uso da linguagem para defini-la, discuti-la, descrevê-la… Ou seja, a linguagem “fala” da própria linguagem. Essa característica é chamada de

a) Intertextualidade

b) Denotação

c) Metáfora

d) Epígrafe

e) Metalinguagem

As questões 08 e 09 referem-se ao texto a seguir. Leia-o com atenção.

UFPB – PSS 2006

Romanceiro da Inconfidência

Romance LIII ou Das palavras aéreas

 

1 Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Ai, palavras, ai, palavras,

sois de vento, ides no vento,

no vento que não retorna,

e, em tão rápida existência,

tudo se forma e transforma!

8 Sois de vento, ides no vento,

e quedais, com sorte nova!

 

10 Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Todo o sentido da vida

principia à vossa porta;

o mel do amor cristaliza

seu perfume em vossa rosa;

sois o sonho e sois a audácia,

calúnia, fúria, derrota…

18 A liberdade das almas,

ai! com letras se elabora…

E dos venenos humanos

sois a mais fina retorta:

frágil, frágil como o vidro

e mais que o aço poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,

pelo vosso impulso rodam…

26 Detrás de grossas paredes,

de leve, quem vos desfolha?

Pareceis de tênue seda,

sem peso de ação nem de hora…

– e estais no bico das penas,

– e estais na tinta que as molha,

– e estais nas mãos dos juízes,

– e sois o ferro que arrocha,

– e sois barco para o exílio,

– e sois Moçambique e Angola!

36 Ai, palavras, ai, palavras,

íeis pela estrada afora,

erguendo asas muito incertas,

entre verdade e galhofa,

desejos do tempo inquieto,

promessas que o mundo sopra…

42 Ai, palavras, ai, palavras,

mirai-vos: que sois, agora?

44 – Acusações, sentinelas,

bacamarte, algema, escolta;

– o olho ardente da perfídia,

a velar, na noite morta;

– a umidade dos presídios,

– a solidão pavorosa;

– duro ferro de perguntas,

com sangue em cada resposta;

– e a sentença que caminha,

– e a esperança que não volta,

– e o coração que vacila,

– e o castigo que galopa…

56 Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Perdão podíeis ter sido!

– sois madeira que se corta,

– sois vinte degraus de escada,

– sois um pedaço de corda…

– sois povo pelas janelas,

cortejo, bandeiras, tropa…

64 Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Éreis um sopro na aragem…

– sois um homem que se enforca!

(MEIRELES, Cecília. Os melhores poemas de Cecília Meireles /seleção Maria Fernanda. 11. ed. São Paulo: Global, 1999, p. 143-146).

GLOSSÁRIO:

quedar: ficar, deter-se, conservar-se.

retorta: vaso de vidro ou de louça com o gargal, o recurvo, voltado para baixo e apropriado para operações químicas.

tênue: delgado, fino.

galhofa: gracejo, risada.

bacamarte: arma de fogo.

perfídia: deslealdade, traição.

aragem: vento brando, brisa.

08 (Descritor: Interpretar o texto e reconhecer a discussão que a palavra propõe acerca de si mesma.)

 

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: interpretação de texto e metalinguagem.

A leitura do poema sugere que as palavras, por serem aéreas,

a) retornam, sempre, com o vento.

b) não mudam jamais.




c) perdem a sua potência.

d) transformam-se ao sabor do vento.

e) nunca chegam ao seu destino.

QUESTÃO 09 (Descritor: Relacionar o texto literário à história do Brasil.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: literatura e realidade.

No poema, há uma relação entre a potência das palavras e um movimento de rebelião política ocorrido, no Brasil, no final do século XVIII. Essa relação aparece de forma mais evidente no seguinte verso:

a) “sois de vento, ides no vento,” (verso 4)

b) “sois a mais fina retorta:” (verso 21)

c) “– sois madeira que se corta,” (verso 59)

d) “– sois povo pelas janelas,” (verso 62)

e) “– sois um homem que se enforca!” (verso 67)

As questões 09 e 10 referem-se ao texto a seguir. Leia-o com atenção.

PASUSP: 25 de outubro de 2009

Na literatura, como na natureza, nada se ganha e nada se perde, tudo se transforma. Em Shakespeare está tudo o que nós, escritores, continuamos a utilizar nos dias de hoje, apenas embaralhamos as cartas e voltamos a dar. Os sentimentos profundos que movem a humanidade – o amor, o ciúme, a paixão pelo poder, as intrigas da corte –, a certeza de que as grandes histórias de amor continuam a ser as impossíveis, etc. Ainda que depois de Shakespeare não tivesse surgido mais nada, o essencial sobre a natureza humana já teria sido dito.

José Eduardo Agualusa. O Estado de S. Paulo, 23/04/2009. Adaptado.

QUESTÃO 10 (Descritor: Sintetizar o texto.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: “a palavra literária” => a essência do texto literário.

Assinale a alternativa que apresenta a ideia central do texto.

a) A obra de Shakespeare não apresenta valores humanos atuais.

b) O essencial da natureza humana está representado em Shakespeare.

c) As grandes paixões continuam sendo impossíveis.

d) A natureza imita os temas presentes na literatura.

e) Os temas sobre a natureza humana ainda não foram escritos.

QUESTÃO 11 (Descritor: Identificar os diferentes usos da palavra, em seus sentidos denotativo e conotativo.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: conotação e denotação.

Assinale a alternativa que contém a palavra que, no texto, é empregada pelo autor com dois significados diferentes.

a) Amor.

b) Ciúme.

c) Literatura.

d) Sentimento.

e) Natureza.

QUESTÃO 12 (Descritor: Interpretar o texto a partir do conhecimento dos elementos da poesia épica.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: poesia épica.

TEXTO I

Os Lusíadas

Luiz Vaz de Camões

As armas e os barões assinalados,

Que da ocidental praia Lusitana,

Por mares nunca de antes navegados,

Passaram ainda além da Taprobana,

Em perigos e guerras esforçados,

Mais do que prometia a força humana,

E entre gente remota edificaram

Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas

Daqueles Reis, que foram dilatando

A Fé, o Império, e as terras viciosas

De África e de Ásia andaram devastando;

E aqueles, que por obras valerosas

Se vão da lei da morte libertando;

Cantando espalharei por toda parte,

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio Grego e do Troiano

As navegações grandes que fizeram;

Cale-se de Alexandro e de Trajano

A fama das vitórias que tiveram;

Que eu canto o peito ilustre Lusitano,

A quem Neptuno e Marte obedeceram:

Cesse tudo o que a Musa antígua canta,

Que outro valor mais alto se alevanta.

TEXTO II

Jerusalém Libertada

Torquato Tasso

“As armas canto e o capitão piedoso,

Que libertou de Cristo a sepultura,

Afrontando os trabalhos valoroso,

Armado de prudência e de bravura:

Embalde o inferno o combateu raivoso,

E a Ásia se aliou à Líbia impura,

Que o céu lhe deu socorro, e os espalhados

Sócios juntou sob os pendões sagrados.

Ó Musa, tu que a fronte não coroas

No Hélicon de louros morredores,

Mas co’os seres angélicos povoas

O empíreo aureolada d’esplendores,

Faze que minhas rimas sejam boas;

Vem inspirar-me divinais ardores;

E revela se o falso em meu poema

Uno à verdade, e ao teu diverso tema;

Pois bem sabes que o mundo o que mais ama

É do Parnaso a lisonjeira gala,

E que ao mais rude coração inflama

A verdade, se em verso meiga fala.

Tal a criança enferma ao cálix chama

Doce licor, que foi para enganá-la

Nas bordas posto, e, enquanto o amargo bebe,

No próprio engano sua vida recebe.”

TEXTO I: CAMÕES, Luiz Vaz de. “Canto I”. In Os Lusíadas. São Paulo: Cultrix, s/d. p. 21.

TEXTO II: TASSO, Torquato. “Canto I”. In Jerusalém Libertada. Rio de Janeiro: Topbooks, 1998. p. 113




Sobre os fragmentos dos poemas épicos acima destacadas, considerando forma e conteúdo, assinale a alternativa INCORRETA.

a) A linguagem grandiloquente é fundamental na construção do clima heróico dos textos épicos.

b) O verso decassílabo e a oitava rima (ABABABCC) são alguns dos elementos que marcam o ritmo do poema.

c) A presença da mitologia comprova-se pelos termos “Netuno”, “Marte” (Texto I) e Parnaso” (Texto II).

d) No fragmento de Jerusalém Libertada, o eu lírico pede auxílio à Musa; em Os Lusíadas, esse auxílio é pedido aos lusitanos.

e) Uma relação de semelhança pode ser encontrada entre o primeiro verso de cada um dos poemas.

QUESTÃO 13 (Descritor: Reconhecer a figura de estilo presente no texto lido.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: figuras de estilo.

“Alma minha gentil, que te partiste

Tão cedo desta vida descontente,

Repousa lá no Céu eternamente,

E viva eu cá na terra sempre triste.”

(fragmento. “Alma minha gentil, que te partiste”. In CAMÕES, Luís Vaz de. Lírica. São Paulo: Cultrix, p.116.)

Na primeira quadra do soneto camoniano ESTÁ PRESENTE a figura de estilo

a) onomatopeia.

b) antítese.

c) pleonasmo.

d) sinestesia.

e) ironia.

As questões 14 e 15 referem-se ao texto a seguir. Leia-o com atenção.

UFPB – PSS 2009

Motivo

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

– não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

– mais nada.

 

MEIRELES, Cecília. Os melhores poemas de Cecília Meireles. 11. ed. São Paulo: Global, 1999, p. 11.

QUESTÃO 14 (Descritor: Aplicar os conceitos referentes ao estudo da linguagem dos elementos poéticos no texto lido.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: figuras de estilo, rimas, e metrificação.

Considerando a terceira estrofe do poema, identifique com V a(s) afirmativa(s) verdadeira(s) e com F, a(s) falsa(s):

( ) A estrofe apresenta idéias opostas, sob a forma de antíteses.

( ) A repetição da expressão “– não sei, não sei.” tem valor estilístico.

( ) A estrofe apresenta versos rimados, com o mesmo número de sílabas métricas.

( ) Os versos “Não sei se fico / ou passo.” expressam uma idéia de ironia.

A sequência correta é:

a) VVFV c) VFVF e) VVFF

b) FFVF d) FFVV

QUESTÃO 15 (Descritor: Ler e interpretar o poema.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: conceito de arte.

Considerando a quarta estrofe do poema, é correto afirmar:

a) O poeta é um ser imortal.

b) A canção, quando poética, é eterna.

c) Toda canção é fruto de uma criação poética.

d) O eu lírico não tem convicção de que é poeta.

e) Todo poeta e sua canção são imortais.

QUESTÃO 16 #ELIMINADA

QUESTÃO 17 (Descritor: Classificar os fragmentos de acordo com os gêneros literários.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: gêneros literários.

CLASSIFIQUE os fragmentos a seguir em lírico ( L ), narrativo ( N ) e dramático ( D ).

( ) “BRANCA: (Desce até o primeiro plano.) Não é verdade!

PADRE BERNARDO: Desavergonhadamente nua!

BRANCA: Vejam, senhores, vejam que não é verdade! Trago as minhas roupas, como todo mundo. Ele é que não as enxerga.

Padre sai, horrorizado.” (fragmento de O Santo Inquérito, de Dias Gomes)

( ) “Amo-te tanto, meu amor… não cante

O humano coração com mais verdade…

Amo-te como amigo e como amante

Numa sempre diversa realidade.” (fragmento do “Soneto do Amor Total”, de Vinícius de Morais)

( ) “Ora, disse cá comigo, está ali uma colocação que não terá muitos concorrentes; se eu capiscasse quatro palavras, ia apresentar-me. Saí do café e andei pelas ruas, sempre imaginar-me professor de javanês, ganhando dinheiro, andando de bonde e sem encontros desagradáveis com os “cadáveres”. Insensivelmente dirigi-me à Biblioteca Nacional. Não sabia bem que livro iria pedir, mas entrei, entreguei o chapéu ao porteiro, recebi a senha e subi.” (fragmento de “O homem que sabia javanês”, de Lima Barreto.

Agora, assinale a alternativa cuja SEQUÊNCIA está CORRETA.

a) D, L, N.

b) D, N, L.

c) N, L, D.

d) L, L, N.

e) D, N, N.

QUESTÃO 18 (Descritor: Analisar as composições e classificar os elementos do gênero lírico nelas existentes, bem como os tipos de textos que se apresentam.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: elementos do gênero lírico.

Os dois textos a seguir foram compostos por importantes artistas brasileiros. O texto I, por Tom Jobim (1927-1994) e Vinicius de Morais (1913-1980); o texto II, apenas por Vinicius de Morais. Leia-os com atenção.

TEXTO I

Eu Sei Que Vou te Amar

Composição: Tom Jobim / Vinicius de Morais

Eu sei que vou te amar

Por toda a minha vida eu vou te amar

Em cada despedida eu vou te amar

Desesperadamente, eu sei que vou te amar

E cada verso meu será

Prá te dizer que eu sei que vou te amar

Por toda minha vida

Eu sei que vou chorar

A cada ausência tua eu vou chorar

Mas cada volta tua há de apagar

O que esta ausência tua me causou

Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver

A espera de viver ao lado teu

Por toda a minha vida

http://letras.terra.com.br/vinicius-de-moraes/49269/ – Acesso em 03 de novembro de 2009.

TEXTO II

Soneto de Fidelidade

Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

http://www.releituras.com/viniciusm_fidelidade.asp – Acesso em 03 de novembro de 2009.

Sobre os textos lidos, ANALISE as assertivas a seguir e assinale a alternativa CORRETA.

I. Em ambos os textos há presença de rimas. No texto I, a ênfase se dá em rimas pobres (amar/chorar), enquanto no texto II, em rimas ricas (atento/pensamento).

II. Os versos do soneto são decassílabos, mas não existe essa medida em nenhum dos versos da canção, visto que são versos livres.

III. Enquanto “Eu sei que vou te amar” tem forma livre, o “Soneto da Fidelidade” apresenta forma fixa, com dois quartetos e dois tercetos.

Está(ão) correta(s):

a) apenas I e II.

b) apenas I e III.

c) apenas II e III.

d) apenas I.

e) I, II e III.

 

QUESTÃO 19 (Descritor: Perceber marcas de lirismo em uma canção contemporânea.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: lirismo.

Pode-se entender o lirismo como o caráter subjetivo da arte em geral. Ou seja, não é uma característica exclusiva da poesia: qualquer manifestação artística pode apresentar lirismo.

A canção a seguir, composta por Renato Russo (1960-1996), na época integrante da banda Legião Urbana, apresenta marcas de lirismo e elementos românticos.

Dezesseis

Renato Russo

João Roberto era o maioral

O nosso Johnny era um cara legal

Ele tinha um Opala metálico azul

Era o rei dos pegas na Asa Sul

E em todo lugar

Quando ele pegava no violão

Conquistava as meninas

E quem mais quisesse ter

Sabia tudo da Janis

Do Led Zeppelin, dos Beatles e dos Rolling Stones

Mas de uns tempos prá cá

Meio que sem querer

Alguma coisa aconteceu

Johnny andava meio quieto demais

Só que quase ninguém percebeu

Johnny estava com um sorriso estranho

Quando marcou um super pega no fim de semana

Não vai ser no CASEB

Nem no Lago Norte, nem na UnB

As máquinas prontas

Um ronco de motor

A cidade inteira se movimentou

E Johnny disse:

“- Eu vou prá curva do Diabo em Sobradinho, e vocês ?”

E os motores saíram ligados a mil

Prá estrada da morte o maior pega que existiu

Só deu para ouvir, foi aquela explosão

E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão

No dia seguinte, falou o diretor:

“- O aluno João Roberto não está mais entre nós

Ele só tinha dezesseis.

Que isso sirva de aviso prá vocês”.

E na saída da aula, foi estranho e bonito

Todo o mundo cantando baixinho:

Strawberry Fields Forever

Strawberry Fields Forever

E até hoje, quem se lembra

Diz que não foi o caminhão

Nem a curva fatal

E nem a explosão

Johnny era fera demais

Prá vacilar assim

E o que dizem é que foi tudo

Por causa de um coração partido

Um coração (5x)

Bye, bye bye Johnny

Johnny, bye, bye

Bye, bye Johnny.

http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/27/ Acesso em 27/12/09

Leia as alternativas a seguir e assinale a CORRETA.

a) A canção apresenta uma narrativa. Sendo pertencente, pois, a este gênero, exprime objetividade.

b) A voz narrativa do texto apresenta a personagem ora de forma idealizada, ora como um garoto comum.

c) “E o que dizem é que foi tudo / Por causa de um coração partido”. Estes versos explicitam o lirismo na canção.

d) As palavras do diretor são sentimentais e subjetivas. Portanto, no trecho referente a ele há lirismo.

e) O movimento dos alunos à saída da escola, cantando “Strawberry Fields Forever”, é um comportamento racional.

QUESTÃO 20 (Descritor: Analisar os elementos da narrativa.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: elementos da narrativa.

Leia o texto a seguir com atenção.

Rotina

Carlos levantou-se, escovou os dentes, fez a barba, vestiu seu velho e amarrotado macacão de todos os dias. O dono do posto em que trabalhava o advertiu pelo atraso como fizera desde que o havia empregado. Só restou a Carlos sorrir um sorriso amarelo. O chefe nunca ligara para sua vida medíocre. Dia de pagamento, recebeu o que lhe garantia a sua miséria.

O tempo passou. O olhar de Carlos estava diferente: chegou ao trabalho sem escovar os dentes, não sorriu, não recebeu salário, pegou um fósforo e explodiu o quarteirão. Desde pequeno gostava de fogos de artifício, sempre quis ver algo grande.

TRUZZI, Flávio Sales. “Rotina”. In Expresso 600. Edson Rossato (org.) São Paulo: Andross, 2006. p. 85.

A partir da leitura do texto, a análise dos elementos da narrativa está certa, EXCETO em

a) O narrador do conto é onisciente.

b) O comportamento do protagonista muda.

c) O espaço é físico, externo.

d) O enredo é inverossímil.

e) O tempo é cronológico.

QUESTÃO 21 (Descritor: Perceber que características de outros momentos artísticos, como o medieval, estão presentes em composições da atualidade.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: cantigas lírico-amorosas – características em canções contemporâneas.

Tanto as cantigas de amor quanto as de amigo são lírico-amorosas. Porém, divergem bastante uma da outra. Enquanto as de amor apresentam uma voz masculina que sofre muito, clamando por uma mulher inatingível, as de amigo apresentam outros ambientes, estruturas e intenções. Leia essa cantiga de amigo.

TEXTO I

“Non chegou , madr’, o meu amigo,

e oj’est (2) o prazo saido (3)!

ai , madre , moiro d’amor!

Non chegou , madr’, o meu amado

e oj’est o prazo passado!

ai , madre , moiro d’amor!

E oj’est o prazo saido!

Por que mentiu o desmentido?

ai , madre , moiro d’amor!

E oj’est o prazo passado!

Por que mentiu o perjurado?

ai madre, moiro d’amor!

Porque mentiu o desmentido

pesa-mi (4), pois per si é falido (5).

ai, madre, moiro d’amor!

Por que mentiu o perjurado

pesa-mi, pois mentiu a seu grado,

ai, madre , moiro d’amor!”

Vocabulário : 1-mãe ; 2-hoje está ; 3-vencido ; 4-pesa-me ; 5-liquidado , morto .

http://www.brasilescola.com/literatura/trovadorismo.htm – Acesso em 30 de novembro.

Agora, procure perceber, na leitura da canção “Esse Cara”, de Caetano Veloso, a presença de algumas características das cantigas de amigo.

TEXTO II

Esse Cara

Caetano Veloso

Ah! Que esse cara tem me consumido

A mim e a tudo que eu quis

Com seus olhinhos infantis

Como os olhos de um bandido

Ele está na minha vida porque quer

Eu estou pra o que der e vier

Ele chega ao anoitecer

Quando vem a madrugada ele some

Ele é quem quer

Ele é o homem

Eu sou apenas uma mulher

http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/144566/ – Acesso em 30 de novembro.

Assinale a alternativa cuja relação entre os elementos das cantigas de amigo e da canção contemporânea “Esse Cara” está correta.

a) A mulher, em “Esse Cara”, está abaixo do homem.

b) O lamento do primeiro texto é pesaroso, e o do segundo demonstra raiva.

c) A estrutura da primeira canção é mais simples que a da segunda.

d) Há formalidade na linguagem dos dois textos.

e) Em ambos os textos o eu lírico é masculino.

QUESTÃO 22 (Descritor: Interpretar o texto e reconhecer os elementos que compõem o gênero dramático.)

Nível de dificuldade: média.

Assunto: gênero dramático.

O gênero dramático congrega textos escritos para o teatro. Diferente do texto narrativo, que por vezes precisa de um movimento silencioso, o texto dramático se concretiza na encenação.

José de Alencar (1829-1877), importante autor romântico do século XIX, conhecido principalmente por seus romances, escreveu vários textos teatrais. Um deles chama-se “As asas de um anjo” (1858), cujo trecho você lerá a seguir.

CENA II

“Margarida e Antônio

Margarida – Não sei o que tem a nossa filha! Às vezes anda tão distraída…

Antônio – Quantos dias são hoje do mês, Margarida?

Margarida – Pois não sabes? Vinte e seis.

Antônio (contando pelos dedos) – Diabo! Ainda faltam quatro dias para acabar! Precisava receber uns cobres que tenho na mão do mestre e só no fim da semana… Que maçada!

Margarida – Não te agonies, homem! O dinheiro que deste ainda não se acabou; e hoje mesmo aquela moça deve vir buscar os vestidos que mandou fazer por Carolina.

Antônio – Quanto ela tem de dar?

Margarida – Três vestidos a cinco mil-réis… Faz a conta.

Antônio – Quinze mil-réis, não é?

Margarida – Quinze justos. Já vês que não nos faltará dinheiro; podes dormir descansado que amanhã terás o teu vinho ao almoço.

Antônio – Ora Deus! Quem te fala agora em vinho? Não é para ti, nem para mim, que preciso de dinheiro.

(Margarida acende a vela com fósforos)

Margarida – Para quem é então, homem?

Antônio – Para Carolina.

Margarida – Ah! Queres fazer-lhe um presente?

Antônio – Tens ideias! Não!… Sim!… (Rindo) É um presente que ela há de estimar.

Margarida – Não; sim… Explica-te, se queres que te entenda.

Antônio – Lá vai. Há muitos dias que ando para te falar nisto; mas gosto de negócio dito e feito. Estive a esperar o fim do mês pela razão que sabes, do dinheiro; e o fim do mês sem chegar. Enfim hoje, já que tocamos no ponto, vou contar-te tudo.

(Chega-se à porta da esquerda)”

ALENCAR, José de. As Asas de um Anjo. NEAD – NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – Universidade da Amazônia. www.nead.unama.br, p. 3

Considerando o gênero dramático e o texto lido, assinale a alternativa CORRETA.

a) Marcas de autoria são explícitas no texto pela existência de rubricas (Ex.: Chega-se à porta da esquerda).

b) As rubricas são marcações críticas do narrador observador (Ex.: “Rindo”).

c) Visto que é um texto feito para ser encenado, fica incompreensível quando lido.

d) Pelo diálogo, percebe-se que a família apresentada não se preocupa com dinheiro.

e) Os cenários e os figurinos utilizados na peça são ricos, garantindo coerência com o texto.

QUESTÃO 23 (Descritor: Analisar os fragmentos e destacar as figuras de estilo empregadas pelos escritores na construção desses textos.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: figuras de estilo.

As figuras de estilo são mecanismos utilizados pelo autor para trazer novos efeitos de sentido ao texto.

Nesta atividade, a primeira coluna apresenta fragmentos de textos. A segunda enumera figuras de estilo. Observe.

COLUNA I

I. “Vozes veladas, veludosas vozes,

Volúpias dos violões, vozes veladas,

Vagam nos velhos vórtices velozes

Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.” (Cruz e Sousa)

II. “Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão – esta pantera –

Foi tua companheira inseparável.” (Augusto dos Anjos)

III. “Ó Formas alvas brancas, Formas claras

De luares, de neves, de neblinas!…

Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas…

Incensos dos turíbulos das aras…” (Cruz e Sousa)

IV. “No tempo de meu Pai, sob estes galhos

Como uma vela fúnebre de cera,

Chorei bilhões de vezes com a canseira

De inexorabilíssimos trabalhos!” (Augusto dos Anjos)

COLUNA II

1) assonância

2) antítese

3) prosopopeia

4) onomatopeia

5) hipérbole

6) aliteração

Relacionando as colunas I e II, assinale a alternativa que apresenta figuras presentes nas estrofes destacadas. ATENÇÃO: os números das figuras são colocados aleatoriamente nas alternativas, não precisando corresponder à ordem das estrofes.

a) 1, 3, 5, 6.

b) 1, 2, 5, 6.

c) 1, 3, 4, 6.

d) 2, 3, 4, 5.

e) 2, 4, 5, 6.

As questões 24 e 25 referem-se ao texto a seguir. Leia-o com atenção.

A DEMANDA DO SANTO GRAAL (fragmento)

“Um dia lhe aveo que a ventura o levou para ante uu castelo, u havia uu torneo forte e maravilhoso; e havia i gram gente da ua parte e da outra, e dos da Mesa Redonda havia i muitos, uus que ajudavam os de dentro e outros os de fora, e nom se conheciam, polas armas que haviam cambadas. Mais aquela hora que veio i Galaaz, eram os de dentro tam desbaratados, que nom atendiam se morte nom. E Tristam, que a ventura adussera aaquel torneo e que ajudava os de dentro, sofrera já e tanto que tinha já mui grandes chagas, ca todolos de fora estavam sobre ele pólo prenderem, porque viram que era melhor cavaleiro que nehuu dos outros; e nom havia i tal dos outros que lhe tanto mal fezesse como Galvam e Estor, que eram da outra parte e nom no conheciam, e pero el se defendiam tam vivamente, que todos os que o viam eram maravilhados. Galaaz estava já muito preto da porta, e viu ante si uu cavaleiro mal chagado, que saia do torneo e ia fazendo tam gram doo:

– Por quê? Disse el: pólo milhor cavaleiro do mundo, que vejo morrer por grã maa-ventura, cá todo mundo é contra el, assi como veedes, e ainda non quer leixar o torneo.

– E qual é? Disse Galaaz.

E el lho mostrou.

– Par Deus, disse Galaaz, verdadeiramente el é mui boõ cavaleiro. Assi Deus nos salve, dizede-me como há nome.

– Senhor, disse el, há nome dom Tristam.

– No nome de Deus, disse Galaaz, eu os conhosco mui bem. Ora me terram por mal, se o no fosse ajudar.”

MASSAUD, Moisés. A literatura portuguesa através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1994. p.39.

QUESTÃO 24 (Descritor: Compreender o texto, tendo como base a figura do cavaleiro.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: Novelas de cavalaria.

As novelas de cavalaria são histórias sobre os atos heróicos dos cavaleiros. Sendo textos em prosa, durante a Idade Média circularam na modalidade oral

a) No texto, a palavra “ventura” é sinônimo de “aventura”.

b) O elemento central do texto é a figura do cavaleiro.

c) Os cavaleiros da Mesa Redonda apenas assistiam ao torneio.

d) A nobreza de Tristam não permitiu que ele aceitasse ajuda.

e) O ambiente da cena é o castelo, e todos podiam lutar no torneio.

II. QUESTÕES DISCURSIVAS

QUESTÃO 25 (Descritor: recontar o fragmento lido e apontar um elemento importante desse fragmento no contexto geral do conteúdo.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: Novelas de cavalaria.

As questões 26 e 27 referem-se ao texto a seguir.

QUESTÃO 26 (Descritor: Interpretar o texto vicentino em seu dinamismo e inferir os itens solicitados nas questões.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: teatro de Gil Vicente.

Em O Auto da Barca do Inferno (1517), o dramaturgo Gil Vicente (1465?-1536?) critica, a partir de personagens alegóricas, comportamentos de homens pertencentes aos mais diversos segmentos sociais. No momento do juízo final, um anjo e um demônio estão em duas barcas, uma do céu e outra do inferno, e julgam os atos terrenos dos indivíduos que a eles chegam, encaminhando-os para seus destinos.

Como não eram usados figurinos na época, as personagens carregavam objetos representativos de sua vida terrena, as insígnias. Leia alguns trechos do auto.

“Fildalgo — Para senhor de tal marca

nom há aqui mais cortesia?

Venha a prancha e atavio!

Levai-me desta ribeira!

Anjo — Não vindes vós de maneira

para entrar neste navio.

Essoutro vai mais vazio:

a cadeira entrará

e o rabo caberá

e todo vosso senhorio.

Ireis lá mais espaçoso,

vós e vossa senhoria,

cuidando na tirania

do pobre povo queixoso.

E porque, de generoso,

desprezastes os pequenos,

achar-vos-eis tanto menos

quanto mais fostes fumoso.”

 

“Vem um Sapateiro com seu avental e carregado de formas, e chega ao batel infernal, e diz:

Sapateiro — Hou da barca!

Diabo — Quem vem i?

Santo sapateiro honrado,

como vens tão carregado?…

Sapateiro — Mandaram-me vir assim…

E para onde é a viagem?

Diabo — Para o lago dos danados.

Sapateiro — Os que morrem confessados

onde têm sua passagem?

Diabo — Nom cures de mais linguagem!

Esta é a tua barca, esta!

Sapateiro — Renegaria eu da festa

e da puta da barcagem!

Como poderá isso ser,

confessado e comungado?!…

Diabo — Tu morreste excomungado:

Nom o quiseste dizer.

Esperavas de viver,

calaste dous mil enganos…

Tu roubaste bem trint’anos

o povo com teu mester.

Embarca, era má para ti,

que há já muito que t’espero!”

 

“Brízida — O que me convém levar.

Día. Que é o que havês d’embarcar?

Brízida — Seiscentos virgos postiços

e três arcas de feitiços

que nom podem mais levar.

Três almários de mentir,

e cinco cofres de enlheos,

e alguns furtos alheos,

assim em jóias de vestir,

guarda-roupa d’encobrir,

enfim – casa movediça;

um estrado de cortiça

com dous coxins d’encobrir.

A mor carrega que é:

essas moças que vendia.

Daquestra mercadoria

trago eu muita, à bofé!

Diabo — Ora ponde aqui o pé…”

 

VICENTE, Gil. Auto da Barca do Inferno. NEAD – NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – Universidade da Amazônia. www.nead.unama.br, p. 3-4; 7-8; 11.

Sobre os três personagens destacados, escreva: quem eram, quais as suas insígnias e os motivos de suas condenações.

QUESTÃO 27 (Descritor: Analisar os elementos do gênero dramático utilizados por Gil Vicente no texto e discuti-los.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: teatro de Gil Vicente.

Gil Vicente privilegiava uma determinada medida de verso em sua obra. Que medida era essa? Social e culturalmente falando, por que ele a usava?

QUESTÃO 28 (Descritor: Reconhecer o tipo de relação dialógica/intertextual entre os textos, estabelecendo relações e justificando-as com fragmentos dos poemas).

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: intertextualidade.

Leia os textos a seguir com atenção.

A “Canção do Exílio”, poema de Gonçalves Dias, é um dos textos mais revisitados da literatura brasileira.

Canção do Exílio

Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossas flores têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar – sozinho, à noite –

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Grandes poemas do Romantismo Brasileiro. Alexei Bueno (org.). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. (p. 25-6)

Agora observe a “Nova Canção do Exílio”, do poeta Carlos Drummond de Andrade.

Nova Canção do Exílio

Carlos Drummond de Andrade

Um sabiá na

palmeira, longe.

Estas aves cantam

um outro canto.

O céu cintila

sobre flores úmidas.

Vozes na mata,

e o maior amor.

Só, na noite,

seria feliz:

um sabiá,

na palmeira, longe.

Onde tudo é belo

e fantástico,

só, na noite,

seria feliz.

(Um sabiá,

na palmeira, longe.)

Ainda um grito de vida e

voltar

para onde tudo é belo

e fantástico:

a palmeira, o sabiá,

o longe.

ANDRADE, Carlos Drummond de. “Nova Canção do Exílio”. In A Rosa do Povo. 14ed. Rio de Janeiro: Record, 1994. p.69-70.

IDENTIFIQUE o tipo de intertexto que se estabelece entre os poemas lidos e justfique a classificação dada por você, utilizando fragmentos dos poemas.

 

QUESTÃO 29 (Descritor: Refletir sobre essa diferente ocorrência da metalinguagem, e comprová-la a partir de recursos do próprio poema.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: metalinguagem.

O NOSSO LIVRO

Livro do meu amor, do teu amor,

Livro do nosso amor, do nosso peito…

Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,

Como se fossem pétalas de flor.

Olha que eu outro já não sei compor

Mais santamente triste, mais perfeito

Não esfolhes os lírios com que é feito

Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!

Num sorriso tu dizes e digo eu:

Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente

Dirá, fechando o livro docemente:

“Versos só nossos, só de nós os dois!…”

ESPANCA, Florbela. Poesia de Florbela Espanca. V.2. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2002. p.18.

Nesse poema de Florbela Espanca (1894-1930), poeta portuguesa do início do século XX, a metalinguagem é empregada pelo eu lírico não mais para discutir a produção textual em si, mas para trazer o leitor para dentro do texto. Utilizando fragmentos do poema, comprove a afirmação sobre esse diferente uso metalinguístico.

QUESTÃO 30 (Descritor: Refletir, a partir de elementos teóricos acerca dos estilos individuais e de época, sobre como estes elementos se aplicam ao texto utilizado como exemplo.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: estilo individual e estilo de época.

Nas obras de arte, é possível perceber dois estilos: o de época e o individual.

O estilo de época é percebido quando um grupo de obras apresenta características semelhantes, em decorrência do momento histórico no qual os artistas viveram e as produziram. Por exemplo, o Realismo, com ênfase na 2ª metade do século XIX, é um período no qual os problemas da Revolução Industrial começaram a aparecer. Essa estética propõe uma denúncia da realidade de sua época, apresentando um olhar objetivo, contemporâneo, descritivo.

O estilo individual, por sua vez, é a maneira pessoal do artista criar, em qualquer época. Machado de Assis (1839 – 1908), é classificado como um autor realista, mas tem um jeito muito peculiar de escrever. Leia a dedicatória da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881).

“AO VERME QUE PRIMEIRO ROEU AS FRIAS CARNES DO MEU CADÁVER, DEDICO COM SAUDOSA LEMBRANÇA ESTAS MEMÓRIAS PÓSTUMAS”

O estilo de época realista apresenta objetividade, contemporaneidade, descrição. O que há, nesse breve exemplo, que marca o estilo individual de Machado de Assis?

QUESTÃO 31 (Descritor: Comparar um texto contemporâneo às cantigas medievais, identificá-lo frente à tipologia das ditas cantigas e comprovar seu raciocínio com elementos do texto.)

Nível de dificuldade: média.

Assunto: cantigas satíricas.

A canção “Geni e o Zepelim” (1977), de Chico Buarque (1944-), é uma canção contemporânea. Porém, ainda apresenta elementos de um determinado tipo de cantiga medieval. Leia o texto com atenção.

Geni E O Zepelim

Composição: Chico Buarque

“De tudo que é nego torto

Do mangue e do cais do porto

Ela já foi namorada

O seu corpo é dos errantes

Dos cegos, dos retirantes

É de quem não tem mais nada

Dá-se assim desde menina

Na garagem, na cantina

Atrás do tanque, no mato

É a rainha dos detentos

Das loucas, dos lazarentos

Dos moleques do internato

E também vai amiúde

Com os velhinhos sem saúde

E as viúvas sem porvir

Ela é um poço de bondade

E é por isso que a cidade

Vive sempre a repetir

Joga pedra na Geni

Joga pedra na Geni

Ela é feita pra apanhar

Ela é boa de cuspir

Ela dá pra qualquer um

Maldita Geni”

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/77259/

Acessado em 30 de novembro de 2009.

Considerando o enunciado anterior ao texto, identifique de que tipo de cantiga medieval o texto se aproxima, e justifique sua resposta com elementos da canção.

QUESTÃO 32 (Descritor: Interpretar o texto humanista e perceber elementos contituintes da crônica histórica de então.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: Crônica histórica de Fernão Lopes.

Fernão Lopes (1380?-1459?) foi o responsável pela crônica histórica em Portugal, no século XV). Pouco restou de sua obra, mas certamente o texto mais conhecido foi a Crónica de Rei D. Pedro I, na qual o autor conta o episódio de Inês de Castro, a rainha coroada depois de morta. Leia o fragmento no qual é relatada a transferência dos ossos de Inês para o mosteiro Dalcobaça.

CRÓNICA DE D. PEDRO I

Como foi trelladada Dona Ines pera o moesteiro Dalcobaça, e da morte delRei Dom Pedro

“Por que semelhante amor, qual elRei Dom Pedro ouve a Dona Enes, raramente he achado em alguuma pessoa, porem disserom os antiigos quc nenhuum he tam verdadeiramente achado, como aquel cuja morte nom tira da memoria o gramde espaço do tempo. E se alguum disser que muitos forom ja que tanto e mais que el amarom, assi como Adriana e Dido, e outras que nom nomeamos, segumdo se lee em suas epistolas, respomdesse que nom fallamos em amores compostos, os quaaes alguuns autores abastados de eloquemcia, e floreçentes em bem ditar, hordenarom segumdo lhes prougue, dizemdo em nome de taaes pessoas, razoões que numca nenhuuma dellas cuidou; mas fallamos daquelles amores que se contam e leem nas estorias, que seu fumdamento teem sobre verdade. Este verdadeiro amor ouve elRei Dom Pedro a Dona Enes como se della namorou, seemdo casado e aimda Iffamte, de guisa que pero dela no começo perdesse vista e falla, seemdo alomgado, como ouvistes, que he o prinçipal aazo de se perder o amor, numca çessava de lhe emviar recados, como em seu logar teemdes ouvido. Quanto depois trabalhou polla aver, e o que fez por sua morte, e quaaes justiças naquelles que em ella forom culpados, himdo contra seu juramento, bem he testimunho do que nos dizemos. E seemdo nembrado de homrrar seus ossos, pois lhe ja mais fazer nom podia, mandou fazer huum muimento dalva pedra, todo mui sotillmente obrado, poemdo emlevada sobre a campãa de çima a imagem della com coroa na cabeça, como se fora Rainha; e este muimento mandou poer no moesteiro Dalcobaça, nom aa emtrada hu jazem os Reis, mas demtro na egreja ha maão dereita, açerca da capella moor.”

http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/lopes.htm#pedro – Acesso em 20/12/2009.

A partir de sua leitura do texto, justifique a seguinte afirmação: Fernão Lopes, embora fosse fiel aos acontecimentos da época, escrevia com estilo. Além disso, dava voz ao povo. Atenção: utilize elementos do texto que comprovem sua resposta.

As questões 33 e 34 referem-se aos textos a seguir. Leia-os com atenção.

Com intenção moralizadora, o uso de alegorias* nos autos faz com que a audiência (no século XV poucas pessoas eram alfabetizadas) perceba a crítica exposta e se identifique (ou não) com essa crítica. Os personagens alegóricos são coletivos, simbólicos, cumprindo sua função social. Leia um fragmento do Auto da Lusitânia, de Gil Vicente.

*Alegoria: simbolismo que abrange o conjunto de uma obra, num processo em que o acordo entre os elementos do plano concreto e os do plano abstrato se dá traço a traço.

Auto da Lusitânia

Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:

Ninguém: Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:

delas não posso achar,

porém ando porfiando

por quão bom é porfiar.

Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo

e meu tempo todo inteiro

sempre é buscar dinheiro

e sempre nisto me fundo.

Ninguém: Eu hei nome Ninguém,

e busco a consciência.

Belzebu: Esta é boa experiência:

Dinato, escreve isto bem.

Dinato: Que escreverei, companheiro?

Belzebu: Que Ninguém busca consciência.

e Todo o Mundo dinheiro.

Ninguém: E agora que buscas lá?

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande

que tope com ela já.

Belzebu: Outra adição nos acude:

escreve logo aí, a fundo,

que busca honra Todo o Mundo

e Ninguém busca virtude.

Ninguém: Buscas outro mor bem qu’esse?

Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse

tudo quanto eu fizesse.

Ninguém: E eu quem me repreendesse

em cada cousa que errasse.

Belzebu: Escreve mais.

Dinato: Que tens sabido?

Belzebu: Que quer em extremo grado

Todo o Mundo ser louvado,

e Ninguém ser repreendido.

Ninguém: Buscas mais, amigo meu?

Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.

Ninguém: A vida não sei que é,

a morte conheço eu.

Belzebu: Escreve lá outra sorte.

Dinato: Que sorte?

Belzebu: Muito garrida:

Todo o Mundo busca a vida

e Ninguém conhece a morte.

Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,

sem mo Ninguém estorvar.

Ninguém: E eu ponho-me a pagar

quanto devo para isso.

Belzebu: Escreve com muito aviso.

Dinato: Que escreverei?

Belzebu: Escreve

que Todo o Mundo quer paraíso

e Ninguém paga o que deve.

Todo o Mundo: Folgo muito d’enganar,

e mentir nasceu comigo.

Ninguém: Eu sempre verdade digo

sem nunca me desviar.

Belzebu: Ora escreve lá, compadre,

não sejas tu preguiçoso.

Dinato: Quê?

Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso,

E Ninguém diz a verdade.

Ninguém: Que mais buscas?

Todo o Mundo: Lisonjear.

Ninguém: Eu sou todo desengano.

Belzebu: Escreve, ande lá, mano.

Dinato: Que me mandas assentar?

Belzebu: Põe aí mui declarado,

não te fique no tinteiro:

Todo o Mundo é lisonjeiro,

e Ninguém desenganado.

QUESTÃO 33 (Descritor: Perceber o símbolo representado pelas personagens do auto e explicar o trabalho linguístico realizado pelo autor para construí-las.).

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: teatro vicentino.

EXPLIQUE como Gil Vicente constrói sua crítica com as personagens alegóricas Todo o Mundo e Ninguém.

QUESTÃO 34 (Descritor: Comparar a situação atual com aquela descrita por Gil Vicente, concluir sua análise e justificá-la a partir de fragmentos do texto.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: teatro vicentino.

Retome o texto “Auto da Lusitânia” e responda: cerca de 500 anos depois, as críticas de Gil Vicente permanecem atuais? Justifique sua resposta com fragmentos do texto.

QUESTÃO 35 (Descritor: Reconhecer os elementos que constituem a linguagem de um texto como prosa poética.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: prosa poética.

Iracema, a lenda do Ceará (1865), obra escrita por José de Alencar (1829-1877), embora seja um texto em prosa, traz uma linguagem carregada de elementos da poesia. A essa linguagem dá-se o nome de “prosa-poética”. Leia o início do romance.

1

“Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba;

Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do Sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros.

Serenai verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas.

Onde vai a afouta jangada, que deixa rápida a costa cearense, aberta ao fresco terral a grande vela?

Onde vai como branca alcíone buscando o rochedo pátrio nas solidões do oceano?

Três entes respiram sobre o frágil lenho que vai singrando veloce, mar em fora; um jovem guerreiro cuja tez branca não cora o sangue americano; uma criança e um rafeiro que viram a luz no berço das florestas, e brincam irmãos, filhos ambos da mesma terra selvagem.”

 

ALENCAR, José de. Iracema. MINISTÉRIO DA CULTURA – Fundação Biblioteca Nacional, Departamento Nacional do Livro. (p.4)

EXPLIQUE o que faz o texto de Iracema ser classificado como prosa poética. Justifique sua resposta com um fragmento do trecho destacado.

QUESTÃO 36 (Descritor: Comparar textos de momentos estéticos diversos, mas próximos, e perceber semelhanças e diferenças.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: Cantiga de amor X Poesia palaciana.

Sobre a produção em versos medieval, houve dois tipos de manifestações: as cantigas trovadorescas e a poesia palaciana do humanismo (esta, já em transição para o Renascimento). Leia exemplos desta poética.

TEXTO I: Cantiga de amor

“A dona que eu am’e tenho por Senhor

amostrade-me-a Deus, se vos en prazer for,

se non dade-me-a morte.

A que tenh’eu por lume d’estes olhos meus

e porque choran sempr(e) amostrade-me-a Deus,

se non dade-me-a morte.

Essa que Vós fezestes melhor parecer

de quantas sei, ay Deus, fazede-me-a veer,

se non dade-me-a morte.

Ay Deus, que me-a fezestes mais ca min amar,

mostrade-me-a hu possa con ela falar,

se non dade-me-a morte.”

Bernal de Bonaval

TEXTO II: Poesia palaciana

Senhora, partem tam tristes

 

Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós,meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Tam tristes,tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados,tam chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d’esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

de João Roiz de Castel-Branco (Séc. XV)

http://www.leme.pt/destaques/dia-dos-namorados/versos-de-amor.html – Acesso em 07/12/2009.

Por serem produzidas em momentos históricos diferentes, embora próximos, as cantigas de amor trovadorescas e as poesias palacianas humanistas apresentam tanto elementos em comum quanto divergentes. Analise os textos e destaque um elemento que seja comum a ambas, outro que as diferencie, e comprove suas respostas com fragmentos dos poemas.

QUESTÃO 37 (Descritor: Demonstrar a presença do lirismo em outro tipo de texto – no caso, a carta.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: lirismo.

Muitas vezes, quando se fala em “lirismo”, poemas cheios de emoção vêm à mente do leitor. Porém, há lirismo em outros tipos de textos. Leia o fragmento a seguir, de uma carta que o músico Ludwig van Beethoven (1770-1827) escreveu a sua “amada imortal” (Beethoven, por vezes, se refere a ela dessa forma).

“6 de julho, de manhã

Meu anjo! Meu tudo! Meu eu!

Só algumas palavras por hoje, e as escrevo a lápis (que é teu). Meus aposentos só amanhã estarão em ordem. Que maçante perda de tempo! Por que tanta tristeza, quando a necessidade fala? O nosso amor pode existir sem sacrifícios, sem exigir tudo. Podes mudar o fato de não seres toda minha nem eu todo teu? Ah, meu Deus! Contempla, meu anjo, as belezas da natureza e conforta teu ânimo com aquilo que nos cabe. O amor quer tudo, e com todo o direito, assim é comigo em relação a ti e contigo com relação a mim; só que tu esqueces facilmente que tenho de viver para mim e para ti. Se fôssemos um só, nenhum sentiria tamanha dor.”

BEETHOVEN, Ludwig van. “6 de julho, de manhã”. In Para sempre – cinquenta cartas de amor de todos os tempos. São Paulo: Globo, 2009. p. 51.

Demonstre, baseando-se em trechos da carta, por que esta se trata de um texto rico em lirismo.

QUESTÃO 38 (Descritor: Analisar o texto contemporâneo, nele reconhecer elementos da poesia épica e comprovar os resultados de sua análise com fragmentos do próprio texto.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: poesia épica

Faroeste Caboclo

Renato Russo

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo

Era o que todos diziam quando ele se perdeu

Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda

Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu

Quando criança só pensava em ser bandido

Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu

Era o terror da sertania onde morava

E na escola até o professor com ele aprendeu

(…)

Agora o Santo Cristo era bandido

Destemido e temido no Distrito Federal

Não tinha nenhum medo de polícia

Capitão ou traficante, playboy ou general

Foi quando conheceu uma menina

E de todos os seus pecados ele se arrependeu

Maria Lúcia era uma menina linda

E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu

Ele dizia que queria se casar

E carpinteiro ele voltou a ser

“Maria Lúcia pra sempre vou te amar

E um filho com você eu quero ter”

(…)

Mas acontece que um tal de Jeremias,

Traficante de renome, apareceu por lá

Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo

E decidiu que, com João ele ia acabar

(…)

E Santo Cristo há muito não ia pra casa

E a saudade começou a apertar

“Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia

Já tá em tempo de a gente se casar”

Chegando em casa então ele chorou

E pro inferno ele foi pela segunda vez

Com Maria Lúcia Jeremias se casou

E um filho nela ele fez

Santo Cristo era só ódio por dentro

E então o Jeremias pra um duelo ele chamou

Amanhã às duas horas na Ceilândia

Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou

(…)

No sábado então, às duas horas,

Todo o povo sem demora foi lá só para assistir

Um homem que atirava pelas costas

E acertou o Santo Cristo, começou a sorrir

(…)

E se lembrou de quando era uma criança

E de tudo o que vivera até ali

E decidiu entrar de vez naquela dança

“Se a via-crucis virou circo, estou aqui”

(…)

E Santo Cristo com a Winchester-22

Deu cinco tiros no bandido traidor

Maria Lúcia se arrependeu depois

E morreu junto com João, seu protetor

E o povo declarava que João de Santo Cristo

Era santo porque sabia morrer

E a alta burguesia da cidade

Não acreditou na história que eles viram na TV

E João não conseguiu o que queria

Quando veio pra Brasília, com o diabo ter

Ele queria era falar pro presidente

Pra ajudar toda essa gente que só faz…

Sofrer…

http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22492/

Acesso em 30 de novembro de 2009.

descomplica-homeO texto épico, em linhas gerais, traz sempre um herói e conta as histórias de um povo (pense em Vasco da Gama, em Os Lusíadas, e em Ulisses, na Odisséia, e nas aventuras de portugueses e gregos narradas nas respectivas obras). Nos fragmentos destacados da canção “Faroeste Caboclo”, de Renato Russo, há elementos da poesia épica. Destaque esses elementos e comprove-os com trechos da canção.

QUESTÃO 39 (Descritor: Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: Valores sociais e humanos do patrimônio literário nacional.

TEXTO I

Hino Nacional

Francisco Manuel da Silva / Joaquim Osório Duque Estrada

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heróico o brado retumbante,

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,

Idolatrada, Salve! Salve!”

http://letras.terra.com.br/hinos/46368/

Acesso em 30 de novembro de 2009.

TEXTO II

Pra não dizer que não falei das flores

Geraldo Vandré

“Caminhando e cantando

E seguindo a canção

Somos todos iguais

Braços dados ou não

Nas escolas, nas ruas

Campos, construções

Caminhando e cantando

E seguindo a canção…

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer…”

http://letras.terra.com.br/geraldo-vandre/46168/

Acesso em 30 de novembro de 2009.

TEXTO III

500 anos

Racionais Mc’s

“500 anos o Brasil é uma vergonha

Polícia fuma pedra moleque fuma maconha

Dona cegonha entrega mais uma princesa

mais uma boca com certeza que vem a mesa

Onde cabe 1, 2 cabe 3

A dificuldade entra em cena outra vez

Enquanto isso playboy folgado, anda assustado,

deve tá pagando algum erro do passado.

Assaltos, sequestros, é só o começo

a senzala aviso, o Mauricinho hoje paga o preço,

sem adereço desconto ou perdão

quem tem vida decente não precisa usá-lo então…”

http://letras.terra.com.br/racionais-mcs/964817/

Acesso em 30 de novembro de 2009.

O “Hino Nacional”, de Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927), é de 1831; “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré (1935 – ), é de 1968; por fim, o rap “500 anos”, do grupo Racionais Mc’s, é de 2002. O leitor percebe a questão cronológica na diferença da linguagem entre um texto e outro. Porém, mais importante que isso é a diferença entre os valores sociais e humanos veiculados em cada canção.

Escreva sobre essa diferença de valores entre as canções. O ponto de partida é pensar no momento histórico em que cada uma delas foi veiculada.

QUESTÃO 40 (Descritor: Sintetizar enunciado e reconhecer enunciador.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: enunciado e enunciação.

Todo enunciado (um texto escrito, por exemplo) possui um enunciador. O enunciador é o elemento que declara o enunciado. Em um texto narrativo, pode-se afirmar que o enunciado seja a própria narrativa, enquanto o enunciador se configura como o narrador.

Pensando nos conceitos de enunciado e enunciador, leia o texto a seguir.

CAPÍTULO CXXXVI – A Xícara de Café

“(…) O copeiro trouxe o café. Ergui-me, guardei o livro, e fui para a mesa onde ficara a xícara. Já a casa estava em rumores; era tempo de acabar comigo. A mão tremeu-me ao abrir o papel em que trazia a droga embrulhada. Ainda assim tive ânimo de despejar a substância na xícara, e comecei a mexer o café, os olhos vagos, a memória em Desdêmona inocente; o espetáculo da véspera vinha intrometer-se na realidade da manhã. Mas a fotografia de Escobar deu-me o ânimo que me ia faltando; lá estava ele, com mão nas costas da cadeira, a olhar ao longe…

– Acabemos com isto, pensei.

Quando ia beber, cogitei se não seria melhor esperar que Capitu e o filho saíssem para a missa; beberia depois; era melhor. Assim disposto, entrei a passear no gabinete. Ouvi a voz de Ezequiel no corredor, vi-o entrar e correr a mim bradando:

– Papai, papai!

Leitor, houve aqui um gesto que eu não descrevo por havê-lo inteiramente esquecido, mas crê que foi belo e trágico. Efetivamente, a figura do pequeno fez-me recuar até dar de costas na estante. Ezequiel abraçou-me os joelhos, esticou-se na ponta dos pés, como querendo subir e dar-me o beijo do costume; e repetia, puxando-me:

– Papai! Papai!”

(ASSIS, Machado de. “A xícara de café”. In: Dom Casmurro. São Paulo: Ática, 1999, p. 172-3.

A partir do fragmento, sintetize o enunciado e aponte o enunciador.

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GABARITO DAS QUESTÕES OBJETIVAS

QUESTÃO 01 B QUESTÃO 13 B
QUESTÃO 02 D QUESTÃO 14 E
QUESTÃO 03 C QUESTÃO 15 B
QUESTÃO 04 C QUESTÃO 16 C
QUESTÃO 05 B QUESTÃO 17 A
QUESTÃO 06 D QUESTÃO 18 B
QUESTÃO 07 E QUESTÃO 19 C
QUESTÃO 08 D QUESTÃO 20 D
QUESTÃO 09 E QUESTÃO 21 A
QUESTÃO 10 B QUESTÃO 22 A
QUESTÃO 11 E QUESTÃO 23 A
QUESTÃO 12 D QUESTÃO 24 B

GABARITO DAS QUESTÕES DISCURSIVAS

QUESTÃO 25

Acontecia um torneio do qual dois grupos de cavaleiros participavam, sendo muitos da Távola Redonda. Chamava a atenção um rapaz que lutava com grande destreza e coragem.

Era grande a movimentação quando chega Galaaz, um cavaleiro muito importante. Chama a atenção deste em rapaz ferido, com quem conversa e descobre ser Tristão, um famoso cavaleiro a quem promete ajuda.

A cena destaca a importância da figura do cavaleiro, herói das novelas de cavalaria e dotado das maiores qualidades: coragem, nobreza, honra, lealdade. É respeitado e admirado.

QUESTÃO 26

O primeiro personagem era o Fidalgo. Suas insígnias eram o manto e uma cadeira (comumente usados pelos nobres da época, já que não havia assentos em lugares públicos. Fora condenado por ser orgulhoso e desprezar os mais pobres. Em segundo lugar está o Sapateiro. Este carregava um avental e formas de fazer sapatos, e fora condenado por roubar os outros com seu trabalho. Por fim, a terceira personagem era Brísida Vaz, alcoviteira e feiticeira, que carregava um caldeirão e seiscentos hímens postiços.

QUESTÃO 27

Gil Vicente escrevia em versos redondilhos, principalmente maiores (7 sílabas métricas). Ele o fazia porque a maioria das pessoas, mesmo nobres, era analfabeta, e a melodia de tal metro, junto à rima, faziam com que elas compreendessem e guardassem os versos mais facilmente (o mesmo valia para os próprios artistas). Além disso, vale lembrar ainda não se usava o verso decassílabo em Portugal.

QUESTÃO 28

O segundo poema é uma paráfrase do primeiro, sintetizando-o. Por exemplo, enquanto Gonçalves Dias escreve: “Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá.”, Drummond apresenta a mesma ideia, porém o faz de forma sintética: “Um sabiá na / palmeira, longe.”. Essa correspondência pode ser observada a cada par de versos entre os poemas.

QUESTÃO 29

O segundo poema é uma paráfrase do primeiro, sintetizando-o. Por exemplo, enquanto Gonçalves Dias escreve: “Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá.”, Drummond apresenta a mesma ideia, porém o faz de forma sintética: “Um sabiá na / palmeira, longe.”. Essa correspondência pode ser observada a cada par de versos entre os poemas.

QUESTÃO 30

Considerando que o aluno da 1ª série ainda não estudou Machado de Assis de forma sistematizada, primeiro deve ser acometido pela estranheza de uma dedicatória feita a um verme. A seguir, em relação às características realistas destacadas, deve perceber a presença de subjetividade (é uma narrativa em 1ª pessoa) e não de objetividade; a atemporalidade, por tratar-se de um defunto que pode expressar-se em relação a qualquer tempo, e não necessariamente ao momento contemporâneo; e uma tendência à reflexão, por dedicar suas memórias a um verme.

QUESTÃO 31

O texto se aproxima das cantigas satíricas de maldizer, visto que apresenta crítica direta (o nome é explicitado: Geni) e linguagem agressiva (“Joga pedra na Geni”).

QUESTÃO 32

Espera-se que o aluno perceba que, embora o texto fosse apresentativo dos fatos do período, Fernão Lopes utilizava certa subjetividade ao escrever. Por exemplo: “Por que semelhante amor, qual elRei Dom Pedro ouve a Dona Enes, raramente he achado em alguuma pessoa (…)”. A voz popular, por sua vez, pode ser considerada em “(…) porem disserom os antiigos (…)”.

QUESTÃO 33

A crítica é construída através de jogos de linguagem. Todo o Mundo, apresentado como um rico mercador, é ambicioso, orgulhoso, avarento, ou seja, através dele Gil Vicente critica os nobres que apresentam tais sentimentos. Ninguém, por sua vez, representado por um pobre homem, busca consciência, virtude, sabedoria. Aqui o pobre aparece em oposição ao rico, e não obrigatoriamente como um indivíduo que tem a consciência das coisas que o dramaturgo lhe atribui (basta pensar no momento histórico da época, e como viviam os indivíduos mais carentes da população). Vale destacar que, ao reproduzir a fala de Todo o Mundo e Ninguém, os demônios Belzebu e Dinato arrematam a crítica apresentada pelo autor.

QUESTÃO 34

Certamente. Por se tratar de um teatro alegórico, é possível aplicar a crítica vicentina à sociedade atual, na qual a maioria das pessoas almeja ser louvada e viver bem, sendo capaz de mentir para conseguir o que quer. A minoria, por sua vez, preocupa-se com a verdade, a virtude e com outros valores destacados pela personagem Ninguém.

QUESTÃO 35

A prosa poética apresenta, no texto em prosa, a expressão de um estado emocional que se evidencia. As evidências se fazem, por exemplo, através de figuras de linguagem (comparação: “Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do Sol nascente”) ou do próprio vocabulário poético (observe as palavras: “Serenai verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas.”).

QUESTÃO 36

Um elemento em comum entre os textos é a presença do eu lírico masculino (Texto I: “A dona que eu am’e tenho por Senhor”; texto II: “Senhora, partem tam tristes”). A diferenciação ocorre, por sua vez, em decorrência da maior ou menor elaboração no uso da linguagem (texto I: linguagem simples, com presença de refrão. Exemplo: “se non dade-me-a morte.”, este verso-refrão aparece quatro vezes em um poema de doze versos. Texto II: não há refrão, e o texto vem enriquecido por figuras de estilo: a. metonímia – “Senhora, partem tam tristes / meus olhos”; ou b. hipérbole – “ da morte mais desejosos / cem mil vezes que da vida.”).

QUESTÃO 37

A subjetividade (“Meu eu!”) e o sentimentalismo do remetente (“Por que tanta tristeza, quando a necessidade fala? O nosso amor pode existir sem sacrifícios, sem exigir tudo.”) são características fortes que marcam o lirismo em todo o texto.

QUESTÃO 38

Como Vasco da Gama, em Os Lusíadas, João de Santo Cristo é um herói coletivo, representando a si mesmo e ao povo brasileiro pobre do interior. Além disso, suas aventuras e desventuras são as mesmas pelas quais o povo brasileiro passa. Assim, pode-se dizer que Faroeste Caboclo apresenta marcas de textos épicos.

QUESTÃO 39

Espera-se que o aluno perceba que o texto traduz o momento histórico em que está inserido. Assim, o “Hino Nacional” traz o ufanismo do momento pós-independência; “Pra não dizer que não falei das flores” critica a dureza do período da Ditadura Militar no Brasil; e o rap “500 anos” desnuda os problemas do Brasil atual.

QUESTÃO 40

O enunciado mostra um narrador prestes a suicidar-se, desejando colocar uma droga na xícara de café trazida pelo copeiro. Pensa em Desdêmona inocente (assistira ao espetáculo na noite anterior), mas, quando vê a foto de Escobar, decide-se pela morte. Quando ía beber o líquido, decide esperar Capitu e Ezequiel irem para a missa, porém o filho entra correndo na biblioteca, querendo beijá-lo. O pai se afasta dele até colar-se à estante.

Água insalubre – Atividade de interpretação

Faremos agora alguns exercícios de interpretação de textos semelhantes aos que caem nos principais vestibulares do Brasil.O Enem também costuma cobrar a interpretação de textos, mas com fragmentos um pouco maiores

ÁGUA INSALUBRE

Estudo do Pacific Institute of Oakland, na Califórnia, prevê que 76 milhões de pessoas morrerão de doenças relacionadas à água até 2002.

As crianças serão as mais afetadas por males causados pelo uso e ingestão de água contaminada. No mesmo período, serão registrados 65 milhões de casos fatais em consequência da Aids em todo o mundo.

(Márcia Peltier, O Globo, 21/10/2002)




1) O título dado à notícia é “Água insalubre”. Sabendo-se que “insalubre” significa “nocivo à saúde”, pode-se dizer que:

a) o título nada esclarece sobre o conteúdo do texto.

b) parte do conteúdo do texto é antecipado pelo título.

c) o adjetivo “insalubre” contradiz o conteúdo do texto.

d) o título pretende atrair o leitor pelo aspecto trágico.

e) a menção da água contaminada introduz o assunto da Aids.

2) O adjetivo atribuído ao substantivo água que NÃO tem sua significação corretamente indicada é:

a) água contaminada: água que não contém sais minerais

b) água insípida: água sem sabor

c) água insossa: água sem sal

d) água natural: água existente na natureza

e) água potável: conveniente para consumo humano

3) Logo ao início da notícia há a indicação da fonte de informação estudo do Pacific Institute of Oakland; isso ocorre porque:

a) é obrigatória a presença da fonte de informações nos jornais.

b) valoriza a notícia dizer que sua fonte é americana.

c) atribui força de verdade ao que é veiculado.

d) a identificação da fonte isenta a jornalista de responsabilidade.

e) a fonte citada é de amplo conhecimento público.

4)No segmento “morrerão de doenças”, o valor semântico da preposição sublinhada repete-se em:




a) as águas ficaram contaminadas de bactérias.

b) os estudos mostraram a contaminação das águas.

c) as águas contaminadas são as causas de doenças.

d) a água de rios é mais contaminada que a marinha.

e) os habitantes do Sul padecem de frio.

5) Pode-se deduzir da leitura do texto que:

a) a Aids é a doença que causa maior número de mortes na atualidade.

b) as crianças morrem preferencialmente de doenças causadas pela água contaminada.

c) as crianças são as mais afetadas porque se divertem na água.

d) no período citado a Aids mata menos que a água contaminada.

e) a contaminação da água só causará mortes num futuro próximo.

6) Vocábulos do texto que NÃO apresentam o mesmo referente são:

a) pessoas / as crianças

b) doenças / males

c) água / água contaminada

d) até 2002 / mesmo período

e) morrerão / serão registrados 65 milhões de casos fatais

7) A referência à Aids no final do texto tem por finalidade:

a) dar mais sensacionalismo ao texto.

b) mostrar a gravidade da Aids.

c) demonstrar o futuro negro da humanidade.

d) destacar problemas ainda pouco divulgados.

e) despertar interesse no leitor.

8) Situação que poderia representar o uso e ingestão da água simultaneamente é:

a) lavagem das calçadas

b) preparação da comida

c) banho diário

d) lavagem de roupas

e) limpeza da louça

9) O texto lido poderia ser classificado como:

a) didático

b) informativo

c) normativo

d) preditivo

e) publicitário




10) A conjunção que se poderia escrever entre os dois últimos períodos do texto de modo a manter o sentido original é:

a) mas

b) apesar de

c) enquanto

d) à media que

e) contanto que

11) Expressões que NÃO são equivalentes semanticamente são:

a) prevê = faz a previsão de que

b) mesmo período = período igual

c) casos fatais = mortes

d) em todo o mundo = mundialmente

e) doenças = males

12) Ao dizer que “as crianças serão as mais afetadas”, o texto mostra que:

a) os adultos serão igualmente afetados.

b) os adultos não serão afetados.

c) só as crianças serão afetadas.

d) os adultos serão menos afetados.

e) os adultos serão mais ou menos afetados.

Gabarito dos exercícios

1) Letra b

O texto fala sobre duas coisas: as mortes causadas pela água e as provocadas pela Aids. O título faz menção apenas à primeira, isto é, a uma parte do conteúdo.

2) Letra a

Questão de semântica. Contaminado quer dizer corrompido, viciado, contagiado; ínsípido vem do latim insipidu, éaquilo que não é sápido, ou seja, que não tem sabor; insosso provém do latim insulsu e significa sem sal; natural não oferece problema; potável, do latim potabile, significa que se pode beber.

3)Letra c

Essa técnica, comum em textos informativos, transmite confiança e credibilidade ao leitor. Evidentemente, não é obrigatória, como diz a letra a; as letras bee são facilmente descartadas; a letra d também está errada porque a responsabilidade é sempre de quem escreve (a fonte, confirmando isso, pode ter sido citada indevidamente, sem que o leitor venha a perceber).

4)Letra e

Morrerão de doenças pode ser entendido como “morrerão por causa de doenças”. Assim, de doenças é um adjunto adverbial de causa, tendo valor semântico de causa a preposição de. O mesmo ocorre na opção e, onde de frioeqüivale a “por causa do frio”, tendo o de valor semântico ou nocional de causa.

5) Letra d




O texto fala que 76 milhões de pessoas morrerão por causa da água, ao passo que a Aids matará, no mesmo período, 65 milhões. Então, está claro, menos pessoas morrerão por causa da Aids.

6) Letra a

As crianças são apenas parte dessas pessoas; não se pode dizer que o termo crianças substitui ou se refere diretamentente a pessoas.

7) Letra d

Vamos lembrar que o título é “Água insalubre”. O autor discorre sobre o tema, buscando alertar a população para um problema grave.

Mas esse problema não é muito conhecido, não é divulgado devidamente. Então, ele faz uma comparação com a Aids, que é algo sempre em evidência, com a finalidade de chamar a atenção das pessoas para a gravidade do problema da água.

8) Letra b

Questão que não se baseia no texto. A resposta é a letra b porque, quando se prepara a comida, a água é usada para lavar o alimento e participar do cozimento. Ao ingeri-lo, a água, naturalmente, vai junto. As outras são evidentes: ninguém bebe água da lavagem das calçadas, do banho diário, da lavagem de roupas e da limpeza da louça, ocorrendo apenas o uso.

9) Letra b

O texto procura apenas informar o leitor, é uma dissertação de cunho informativo. A palavra preditivo significa “aquele que prediz”. O texto faz uma previsão (e não predição, que tem um cunho místico) baseada no estudo de uma instituição científica.

10) Letra c

A conjunção enquanto é temporal e pode ser usada entre os dois períodos, que têm entre si uma noção de tempo: “…pelo uso e ingestão de água contaminada, enquanto, no mesmo período, serão registrados 65 milhões…”. Quanto à letra b, vale dizer que não se trata de uma conjunção, e sim de uma locução prepositiva. A conjunção, no caso, seriaapesar de que, que também não poderia ser usada na frase.

11) Letra b

l Mesmo é um pronome demonstrativo e, como tal, remete a algo passado no texto: “até 2002”. Igual é um adjetivo, qualifica o seu substantivo. Um exemplo mais simples: ele fez o mesmo trabalho (indicação de um trabalho já citado) não tem o mesmo sentido de ele fez o trabalho igual (o trabalho está sendo confrontado com outro trabalho, é o oposto de diferente).

12) Letra d

As pessoas podem ser crianças ou adultos. Se as crianças serão as mais afetadas, é porque os adultos serão os menos afetados. Não há dificuldade alguma.

247 exercícios e atividades de interpretação de textos

A interpretação de textos é, sem dúvidas, o carro-chefe das provas hoje em dia. Usar os mecanismos da língua para identificar os sentidos ocultos no texto, as significações das palavras, o bom uso das mesmas é, de longe, o que mais cobram professores e bancas de vestibulares Algumas dicas sempre são bem-vindas para quem fará uma prova que envolva este assunto. Seja lá na prova do Enem ou no vestibular de Medicina, funciona da mesma forma.

O que fazer então se é “difícil”?

Como eu disse, a interpretação de textos, tão comum em provas de Português, sempre foi um martírio para os alunos ou candidatos a concursos públicos ou vestibulares. A dificuldade é geral e, com certeza, oriunda da falta de treinamento. As pessoas têm pouca disposição de mergulhar no texto; elas conseguem, obviamente, lê-lo, mas não aprofundam a leitura, não extraem dele aquelas informações que uma leitura superficial, apressada, não permite. Ao tentar resolver o problema, as pessoas buscam os materiais que julgam poder ajudá-las. Caem, então, no velho vício de ler teoria em excesso, estudar coisas que nem sempre dizem respeito à compreensão e interpretação dos textos. Cansadas, não fazem o essencial: ler uma grande quantidade de textos — e tentar interpretá-los.

É necessário, ainda, dizer que como qualquer outra atividade intelectual, ela pede paciência e boa vontade. Não tente fazer apressadamente, pois isso prejudicará o seu estudo. Vamos lá então. Use o índice abaixo para navegar entre os exercícios e não despreze as indicações ao longo do exercícios. Os links que coloquei são complementares ao conteúdo que você encontrará abaixo.

Lista de atividades de interpretação de textos

TEXTO I

Não existe essa coisa de um ano sem Senna, dois anos sem Senna…Não há calendário para a saudade.

(Adriane Galisteu, no Jornal do Brasil)

1) Segundo o texto, a saudade:

a) aumenta a cada ano.

b) é maior no primeiro ano.

c) é maior na data do falecimento.

d) é constante.

e) incomoda muito.

2) A segunda oração do texto tem um claro valor:

a) concessivo

b) temporal

c) causal

d) condicional

e) proporcional

3) A repetição da palavra não exprime:

a) dúvida

b) convicção

c) tristeza

d) confiança

e) esperança

4) A figura que consiste na repetição de uma palavra no início de cada membro da frase, como no caso da palavra não, chama-se:

a) anáfora

b) silepse

c) sinestesia

d) pleonasmo

e) metonímia

inicio-exercicio-de-interpretacao

TEXTO II

Passei a vida atrás de eleitores e agora busco os leitores.

(José Sarney, na Veja, dez/97)

5) Deduz-se pelo texto uma mudança na vida:

a) esportiva

b) intelectual

c) profissional

d) sentimental

e) religiosa

6) O autor do texto sugere estar passando de:

a) escritor a político

b) político a jornalista

c) político a romancista

d) senador a escritor

e) político a escritor

7) Infere-se do texto que a atividade inicial do autor foi:

a) agradável

b) duradoura

c) simples

d) honesta

e) coerente

8) O trecho que justifica a resposta ao item anterior é:

a) e agora

b) os leitores

c) passei a vida

d) atrás de eleitores

e) busco

9) A palavra ou expressão que não pode substituir o termo agora é:

a) no momento

b) ora

c) presentemente

d) neste instante

e) recentemente

inicio-exercicio-de-interpretacao

TEXTO III

Os animais que eu treino não são obrigados a fazer o que vai contra a natureza deles.

(Gilberto Miranda, na Folha de São Paulo, 23/2/96)

10) O sentimento que melhor define a posição do autor perante os animais é:

a) fé

b) respeito

c) solidariedade

d) amor

e) tolerância

11) O autor do texto é:

a) um treinador atento

b) um adestrador frio

c) um treinador qualificado

d) um adestrador consciente

e) um adestrador filantropo

12) Segundo o texto, os animais:

a) são obrigados a todo tipo de treinamento.

b) fazem o que não lhes permite a natureza.

c) não fazem o que lhes permite a natureza.

d) não são objeto de qualquer preocupação para o autor.

e) são treinados dentro de determinados limites.

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TEXTO IV

Estou com saudade de ficar bom. Escrever é consequência natural.

(Jorge Amado, na Folha de São Paulo, 22/10/96)

13) Segundo o texto:

a) o autor esteve doente e voltou a escrever.

b) o autor está doente e continua escrevendo.

c) O autor não escreve porque está doente.

d) o autor está doente porque não escreve.

e) o autor ficou bom, mas não voltou a escrever.

14) O autor na verdade tem saudade:

a) de trabalhar

b) da saúde

c) de conversar

d) de escrever

e) da doença

15) “Escrever é consequência natural.” Consequência de:

a) voltar a trabalhar.

b) recuperar a saúde.

c) ter ficado muito tempo doente.

d) estar enfermo.

e) ter saúde.

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TEXTO V

A mente de Deus é como a Internet: ela pode ser acessada por qualquer um, no mundo todo.

(Américo Barbosa, na Folha de São Paulo)

16) No texto, o autor compara:

a) Deus e internet

b) Deus e mundo todo

c) internet e qualquer um

d) mente e internet

e) mente e qualquer um

17) O que justifica a comparação do texto é:

a) a modernidade da informática

b) a bondade de Deus

c) a acessibilidade da mente de Deus e da internet

d) a globalização das comunicações

e) O desejo que todos têm de se comunicar com o mundo.

18) O conectivo comparativo presente no texto só não pode ser substituído por:

a) tal qual

b) que nem

c) qual

d) para

e) feito

19) Só não constitui paráfrase do texto:

a) A mente de Deus, bem como a internet, pode ser acessada por qualquer um, no mundo todo.

b) No mundo todo, qualquer um pode acessar a mente de Deus e a internet.

c) A mente de Deus pode ser acessada, no mundo todo, por qualquer um, da mesma forma que a internet.

d) Tanto a internet quanto a mente de Deus podem ser acessadas, no mundo todo, por qualquer um.

e) A mente de Deus pode acessar, como qualquer um, no mundo todo, a internet.

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TEXTO VI

Marx disse que Deus é o ópio do povo. Já sabemos que não entendia nem de Deus nem de ópio. Deus é uma experiência de fé. Impossível defini-lo.

(Paulo Coelho, em O Globo, 25/2/96)

20) Segundo o período inicial do texto, para Marx Deus:

a) traz imensa alegria ao povo.

b) esclarece o povo.

c) deixa o povo frustrado.

d) conduz com segurança o povo.

e) tira do povo a condição de raciocinar.

21) Segundo o autor, Marx:

a) mentiu deliberadamente.

b) foi feliz com suas palavras.

c) falou sobre o que não sabia.

d) equivocou-se em parte.

e) estava coberto de razão, mas não foi compreendido.

22) O sentimento que Marx teria demonstrado e que justifica a resposta ao item anterior é:

a) leviandade

b) orgulho

c) maldade

d) ganância

e) egoísmo

23) Infere-se do texto que Deus deve ser:

a) amado

b) conceituado

c) admirado

d) sentido

e) estudado

24) A palavra que justifica o item anterior é:

a) ópio

b) Io

c) fé

d) povo

e) experiência

25) A figura de linguagem presente no primeiro período é:

a) metáfora

b) metonímia

c) prosopopéia

d) pleonasmo

e) hipérbole

26) A palavra que poderia ter sido grafada com letra maiúscula é:

a) ópio

b) povo

c) experiência

d) fé

e) lo

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TEXTO VII

Quando vim da minha terra, não vim, perdi-me no espaço, na ilusão de ter saído.

Ai de mim, nunca saí.

(Carlos D. de Andrade, no poema A Ilusão do Migrante)

27) O sentimento predominante no texto é:

a) orgulho

b) saudade

c) fé

d) esperança

e) ansiedade

28) Infere-se do texto que o autor:

a) não saiu de sua terra.

b) não queria sair de sua terra, mas foi obrigado.

c) logo esqueceu sua terra.

d) saiu de sua terra apenas fisicamente.

e) pretende voltar logo para sua terra.

29) Por “perdi-me no espaço” pode-se entender que o autor:

a) ficou perdido na nova terra.

b) ficou confuso.

c) não gostou da nova terra.

d) perdeu, momentaneamente, o sentimento por sua terra natal.

e) aborreceu-se com a nova situação.

30) Pelo último período do texto, deduz-se que:

a) ele continuou ligado à sua terra.

b) ele vai voltar à sua terra.

c) ele gostaria de deixar sua cidade, mas nunca conseguiu.

d) ele se alegra por não ter saído.

e) ele nunca saiu da terra onde vive atualmente.

31) A expressão “ai de mim” só não sugere, no poema:

a) amargura

b) decepção

c) tristeza

d) vergonha

e) nostalgia

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TEXTO VIII

Enquanto o Titanic ainda flutua, tentemos o impossível para mudar o seu curso. Afinal, quem faz a história são as pessoas e não o contrário.

(Herbert de Souza, na Folha de São Paulo, 17/11/96)

32) Infere-se do texto que o Titanic:

a) é um navio real.

b) simboliza algo que vai mal.

c) é um navio imaginário.

d) simboliza esperança de salvação.

e) sintetiza todas as tragédias humanas.

33) Pelo visto, o autor não acredita em:

a) transformação

b) elogio

c) desgraça

d) favorecimento

e) determinismo

34) A palavra “afinal” pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:

a) conquanto

b) porquanto

c) malgrado

d) enquanto

e) apenas

35) Infere-se do texto que:

a) há coisas que não podem ser mudadas.

b) se tentarmos, conseguiremos.

c) o que parece impossível sempre o é.

d) jamais podemos desistir.

e) alguns têm a capacidade de modificar as coisas, outros não.

36) Para o autor, as pessoas não devem:

a) exagerar

b) falhar

c) desanimar

d) lamentar-se

e) fugir

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TEXTO IX

A função do artista é esta, meter a mão nessa coisa essencial do ser humano, que é o sonho e a esperança. Preciso ter essa ilusão: a de que estou resgatando esses valores.

(Marieta Severo, na Folha de São Paulo)

37) Segundo o texto, o artista:

a) leva alegria às pessoas.

b) valoriza o sonho das pessoas pobres.

c) desperta as pessoas para a realidade da vida.

d) não tem qualquer influência na vida das pessoas.

e) trabalha o íntimo das pessoas.

38) Segundo o texto:

a) o sonho vale mais que a esperança.

b) o sonho vale menos que a esperança.

c) sonho e esperança têm relativa importância para as pessoas.

d) não se vive sem sonho e esperança.

e) têm importância capital para as pessoas tanto o sonho quanto a

esperança.

39) A palavra ou expressão que justifica a resposta do item anterior é:

a) ilusão

b) meter a mão

c) essencial

d) ser humano

e) valores

40) A expressão “meter a mão”:

a) pertence ao linguajar culto.

b) pode ser substituída, sem alteração de sentido, por intrometer-se.

c) tem valor pejorativo.

d) é coloquial e significa, no texto, tocar.

e) é um erro que deveria ter sido evitado.

41) Só não se encontra no texto:

a) a influência dos artistas

b) a necessidade da autora

c) a recuperação de coisas importantes

d) a conquista da paz

e) a carência de sentimentos das pessoas

42) A palavra “esses” poderia ser substituída, sem alteração de sentido, por:

a) bons

b) certos

c) tais

d) outros

e) muitos

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TEXTO X

Um prêmio chamado Sharp, ou Shell, Deus me livre! Não quero. Acho esses nomes feios. Não recebo prêmios de empresas ligadas a grupos multinacionais. Não sou traidor do meu povo nem estou à venda.

(Ariano Suassuna, na Veja, 3/7/96)

43) A palavra que melhor define o autor do texto é:

a) megalomaníaco

b) revoltado

c) narcisista

d) nacionalista

e) decepcionado

44) Se aceitasse algum tipo de prêmio de empresas multinacionais, o autor, além de traidor, se sentiria:

a) infiel

b) venal

c) pusilânime

d) ingrato

e) ímprobo

45) O autor não recebe prêmios de empresas multinacionais porque:

a) seus nomes são feios.

b) estaria prestando um desserviço ao Brasil.

c) detesta qualquer empresa que não seja brasileira

d) esses prêmios não têm valor algum.

e) não quer ficar devendo favores a esse tipo de empresa.

46) O último período do texto tem claro valor:

a) causal

b) temporal

c) condicional

d) comparativo

e) proporcional

47) A expressão “Deus me livre!” demonstra, antes de tudo:

a) revolta

b) desprezo

c) ironia

d) certeza

e) ira

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TEXTO XI

Inserto entre o 16° e o 18°, o século XVII permanece em meia luz, quase apagado, nos fastos do Rio de Janeiro, sem que sobre esse período se detenha a atenção dos historiadores, sem que o distingam os que se deixam fascinar pelos aspectos brilhantes da história.

(Vivaldo Coaracy, in O Rio de Janeiro)

48) Segundo o texto, o século XVII:

a) chamou a atenção dos historiadores por ser meio apagado.

b) foi uma parte brilhante da história do Rio de Janeiro.

c) assemelha-se aos séculos XVI e XVIII.

d) foi importante, culturalmente, para o Rio de Janeiro.

e) transcorreu sem brilho, para o Rio de Janeiro.

49) A palavra ou expressão que pode substituir sem prejuízo do sentido a palavra “fastos” é:

a) anais

b) círculos culturais

c) círculos políticos

d) administração

e) imprensa

 

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50) A expressão “quase apagada”:

a) retifica a palavra meia-luz.

b) complementa a palavra meia-luz.

c) reforça a palavra meia-luz.

d) explica a palavra meia-luz.

e) amplia a palavra meia-luz.

51) Infere-se do texto que:

a) os historiadores detestaram o século XVII.

b) os mais belos momentos da história encantam certas pessoas.

c) o século XVI foi tão importante quanto o século XVIII.

d) a história do Rio de Janeiro está repleta de coisas interessantes.

e) os historiadores se interessam menos pelos séculos XVI e XVIII do que pelo século XVII.

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TEXTO XII

Acho que foi uma premonição, uma vez que ele já tinha declarado que “A Fraternidade é Vermelha” seria seu último filme. Foi o cineasta contemporâneo que conseguiu chegar mais perto do conceito de Deus. Poderia ter feito muito mais filmes, mas foi vítima do totalitarismo socialista.

(Leon Cakoff, no Jornal da Tarde, 14/13/96)

52) O totalitarismo socialista:

a) atrapalhou a carreira do cineasta.

b) manteve-se alheio à carreira do cineasta.

c) interrompeu a carreira do cineasta.

d) incentivou a carreira do cineasta.

e) fiscalizou a carreira do cineasta.

53) “A Fraternidade é Vermelha”:

a) foi um filme de repercussão nos meios religiosos.

b) foi o primeiro filme de sucesso do cineasta.

c) não abordava o assunto Deus.

d) foi o melhor filme do cineasta.

e) foi o último filme do cineasta.

54) Provavelmente, o cineasta:

a) agradou, por ser materialista.

b) agradou por falar de Deus.

c) desagradou por falar de Deus.

d) desagradou por não falar de Deus.

e) não sabia nada sobre Deus.

55) Levando-se em conta o caráter materialista usualmente atribuído aos socialistas, o título do filme seria, em princípio:

a) uma redundância

b) uma ambiguidade

c) um paradoxo

d) uma qualificação

e) uma incoerência

56) A palavra “premonição” se justifica porque:

a) seu filme foi um sucesso.

b) o cineasta falava de Deus.

c) o cineasta não quis fazer mais filmes.

d) a “Fraternidade é Vermelha” foi seu último filme.

e) o cineasta foi vítima do totalitarismo socialista.

57) A palavra “Vermelha” equivale no texto a:

a) totalitária

b) comunista

c) socialista

d) materialista

e) espiritualista

58) O conectivo que não poderia substituir “uma vez que” no texto é:

a) porque

b) pois

c) já que

d) porquanto

e) se bem que

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TEXTO XIII

Nem todas as plantas hortícolas se dão bem durante todo o ano; por isso é preciso fazer uma estruturação dos canteiros a fim de manter-se o equilíbrio das plantações. Com o sistema indicado, não faltarão verduras durante todo ano, sejam folhas, legumes ou tubérculos.

(Irineu Fabichak, in Horticultura ao Alcance de Todos)

59) Segundo o texto:

a) todas as plantas hortícolas não se dão bem durante todo o ano.

b) todas as plantas hortícolas se dão bem durante todo o ano.

c) todas as plantas hortícolas se dão mal durante todo o ano.

d) algumas plantas hortícolas se dão bem durante todo o ano.

e) nenhuma planta hortícola se dá mal durante todo o ano.

60) Para manter o equilíbrio das plantações é necessário:

a) estruturar de maneira mais lógica e racional os canteiros.

b) fazer mais canteiros, mas ordenando-os de maneira lógica e racional.

c) fazer o plantio em épocas diferentes.

d) construir canteiros emparelhados.

e) manter sempre limpos os canteiros

61) A conjunção “por isso” só não pode ser substituída por:

a) portanto

b) logo

c) então

d) porque

e) assim

62) Segundo o último parágrafo do texto:

a) tubérculos não são verduras.

b) legumes são o mesmo que tubérculos.

c) folhas, legumes e tubérculos são a mesma coisa.

d) haverá verduras o ano todo, inclusive folhas, legumes e tubérculos.

e) haverá folhas, legumes e tubérculos o ano todo.

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TEXTO XIV

Aquisição à vista. A Bauducco, maior fabricante de panetones do país, está negociando a compra de sua maior concorrente, a Visconti, subsidiária brasileira da italiana Visagis. O negócio vem sendo mantido sob sigilo pelas duas empresas em razão da proximidade do Natal. Seus controladores temem que o anúncio dessa união – resultando numa espécie de AmBev dos panetones – melindre os varejistas.

(Cláudia Vassallo, na Exame, dez./99)

63) As duas empresas de que fala o texto são:

a) Bauducco e Visagis

b) Visconti e Visagis

c) AmBev e Bauducco

d) Bauducco e Visconti

e) Visagis e AmBev

64) A aproximação do Natal é a causa:

a) da compra da Visconti

b) do sigilo do negócio

c) do negócio da Bauducco

d) do melindre dos varejistas

e) do anúncio da união

65) Uma outra causa para esse fato seria:

a) a primeira colocação da Bauducco na fabricação de panetones

b) o fato de a Visconti ser uma multinacional

c) o fato de a AmBev entrar no mercado de panetones

d) o possível melindre dos varejistas

e) o fato de a Visconti ser concorrente da Bauducco

66) Por “aquisição à vista” entende-se, no texto:

a) que a negociação é provável.

b) que a negociação está distante, mas vai acontecer.

c) que o pagamento da negociação será feito em uma única parcela.

d) que a negociação dificilmente ocorrerá.

e) que a negociação está próxima.

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TEXTO XV

Um anjo dorme aqui; na aurora apenas, disse adeus ao brilhar das açucenas em ter da vida alevantado o véu.

– Rosa tocada do cruel granizo Cedo finou-se e no infantil sorriso passou do berço pra brincar no céu!

(Casimiro de Abreu, in Primaveras)

67) O tema do texto é:

a) a inocência de uma criança

b) o nascimento de uma criança

c) o sofrimento pela morte de uma criança

d) o apego do autor por uma certa criança

e) a morte de uma criança

68) O tema se desenvolve com base em uma figura de linguagem conhecida como:

a) prosopopéia

b) hipérbole

c) pleonasmo

d) metonímia

e) eufemismo

69) No âmbito do poema, podemos dizer que pertencem ao mesmo campo semântico as palavras:

a) aurora e véu

b) anjo e rosa

c) granizo e sorriso

d) berço e céu

e) cruel e infantil

70) As palavras que respondem ao item anterior são:

a) uma antítese em relação à vida

b) hipérboles referentes ao destino

c) personificações alusivas à morte

d) metáforas relativas à criança

e) pleonasmos com relação à dor.

71) Por “sem ter da vida alevantado o véu” entende-se:

a) sem ter nascido

b) sem ter morrido cedo

c) sem ter conhecido bem a vida

d) sem viver misteriosamente

e) sem poder relacionar-se com as outras pessoas

72) “Na aurora apenas” é o mesmo que:

a) somente pela manhã

b) no limiar somente

c) apenas na alegria

d) só na tristeza

e) só no final

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TEXTO XVI

Julgo que os homens que fazem a política externa do Brasil, no Itamaraty, são excessivamente pragmáticos. Tiveram sempre vida fácil, vêm da elite brasileira e nunca participaram, eles próprios, em combates contra a ditadura, contra o colonialismo. Obviamente não têm a sensibilidade de muitos outros países ou diplomatas que conheço.

(José Ramos-Horta, na Folha de São Paulo, 21/10/96)

73) Só não caracteriza os homens do Itamaraty:

a) o pragmatismo

b) a falta de sensibilidade

c) a luta contra a ditadura

d) a tranquilidade da vida

e) as raízes na elite do Brasil

74) A palavra que não se liga semanticamente aos homens do Itamaraty é:

a) o segundo que

b) tiveram

c) vêm

d) eles

e) o terceiro que

75) Pelo visto, o autor gostaria de que os homens do Itamaraty tivessem mais:

a) inteligência

b patriotismo

c) vivência

d) coerência

e) grandeza

76) A oração iniciada por “obviamente” tem um claro valor de:

a) consequência

b) causa

c) comparação

d) condição

e) tempo

77) A palavra que pode substituir, sem prejuízo do sentido, a palavra “obviamente”, é:

a) necessariamente

b) realmente

c) justificadamente

d) evidentemente

e) comprovadamente

78) Só não pode ser inferido do texto:

a) nem todo diplomata é excessivamente pragmático.

b) ter lutado contra o colonialismo é importante para a carreira de diplomata.

c) Nem todo diplomata vem da elite brasileira.

d) ter vida fácil é característica comum a todo tipo de diplomata.

e) há diplomatas mais sensíveis que outros.

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TEXTO XVII

Se essa ainda é a situação de Portugal e era, até bem pouco, a do Brasil, havemos de convir em que no Brasil-colônia, essencialmente rural, com a ojeriza que lhe notaram os nossos historiadores pela vida das cidades – simples pontos de comércio ou de festividades religiosas -, estas não podiam exercer maior influência sobre a evolução da língua falada, que, sem nenhum controle normativo, por séculos “voou com as suas próprias asas”.

(Celso Cunha, in A Língua Portuguesa e a Realidade Brasileira)

79) Segundo o texto, os historiadores:

a) tinham ojeriza pelo Brasil-colônia.

b) consideram as cidades do Brasil-colônia como simples pontos de comércio ou de festividades religiosas.

c) consideram o Brasil-colônia essencialmente rural.

d) observaram a ojeriza que a vida nas cidades causava.

e) consideram o campo mais importante que as cidades.

80) Para o autor:

a) as festas religiosas têm importância para a evolução da língua falada.

b) No Brasil-colônia, havia a prevalência da vida do campo sobre a das cidades.

c) a evolução da língua falada dependia em parte dos pontos de comércio.

d) a evolução da língua falada independe da condição de Brasilcolônia.

e) a situação do Brasil na época impedia a evolução da língua falada.

81) A palavra “ojeriza” significa, no texto:

a) medo

b) admiração

c) aversão

d) dificuldade

e) angústia

82) A língua falada “voou com as suas próprias asas” porque:

a) as cidades eram pontos de festividades religiosas.

b) o Brasil se distanciava linguisticamente de Portugal.

c) faltavam universidades nos centros urbanos.

d) não se seguiam normas linguísticas.

e) durante séculos, o controle normativo foi relaxado, por ser o Brasil uma colônia portuguesa.

83) Segundo o texto, a população do Brasil-colônia:

a) à vida do campo preferia a da cidade.

b) à vida da cidade preferia a do campo.

c) não tinha preferência quanto à vida do campo ou à da cidade.

d) preferia a vida em Portugal, mas procurava adaptar-se à situação.

e) preferia a vida no Brasil, fosse na cidade ou no campo.

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TEXTO XVIII

Ainda falta um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles, mas a Andrade Gutierrez já tem pronto um estudo sobre a sucessão de 20 de seus principais executivos, quase todos na faixa entre 58 e 62 anos. Seus substitutos serão escolhidos entre 200 integrantes de um time de aspirantes. Eduardo Andrade, o atual superintendente, que já integra o conselho de administração da empreiteira mineira, deverá ir se afastando aos poucos do dia-a-dia dos negócios. Para os outros executivos, que deverão ser aproveitados como consultores, a aposentadoria chegará a médio prazo.

(José Maria Furtado, na Exame, dez./99)

84) Se começarmos o primeiro período do texto por “A Andrade Gutierrez já tem pronto…”, teremos, como sequência coesa e coerente:

a) visto que ainda falta um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles.

b) por ainda faltar um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles.

c) se ainda faltar um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles.

d) embora ainda falte um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles.

e) à medida que ainda falta um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles.

85) Segundo o texto:

a) 20 grandes executivos da empresa se aposentarão a médio prazo.

b) 20 grandes executivos da empresa acham-se na faixa entre 58 e 62 anos.

c) nenhum dos 20 grandes executivos se aposentará a curto prazo.

d) Eduardo Andrade é um executivo na faixa dos 58 a 62 anos.

e) a empresa vai substituir seus vinte principais executivos a curto e médio prazos.

86) A empresa, no que toca à aposentadoria de seus executivos, mostra-se:

a) precipitada

b) cautelosa

c) previdente

d) rígida

e) inflexível

87) Sobre o executivo Eduardo Andrade, não se pode afirmar:

a) ocupa, no momento, a superintendência.

b) é um dos conselheiros.

c) será substituído por um dos 200 aspirantes.

d) está se afastando dos negócios da empresa.

e) será o primeiro dos 20 grandes executivos a se aposentar.

88) Sobre a Andrade Gutierrez, não é correto afirmar:

a) é empresa de obras.

b) é do estado de Minas Gerais.

c) preocupa-se com seus funcionários.

d) mantém-se alheia a qualquer tipo de renovação.

e) procura manter vínculo com executivos aposentados.

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TEXTO XIX

Toda saudade é a presença da ausência de alguém, de algum lugar, de algo enfim.

Súbito o não toma forma de sim como se a escuridão se pusesse a luzir.

Da própria ausência de luz o clarão se produz, o sol na solidão.

Toda saudade é um capuz transparente que veda e ao mesmo tempo traz a visão 10 do que não se pode ver porque se deixou pra trás mas que se guardou no coração.

(Gilberto Gil)

89) Por “presença da ausência” pode-se entender:

a) ausência difícil

b) ausência amarga

c) ausência sentida

d) ausência indiferente

e) ausência enriquecedora

90) Para o autor, a saudade é algo:

a) que leva ao desespero.

b) que só se suporta com fé.

c) que ninguém deseja.

d) que transmite coisas boas.

e) que ilude as pessoas.

91) O texto se estrutura a partir de antíteses, ou seja, emprego de palavras ou expressões de sentido contrário. O par de palavras ou expressões que não apresentam no texto essa propriedade antitética é:

a) presença  / ausência

b) não  / sim

c) ausência de luz / clarão

d) sol  / solidão

e) que veda  / traz a visão

92) Segundo o texto:

a) sente-se saudade de pessoas, e não de coisas.

b) as coisas ruins podem transformar-se em coisas boas.

c) as coisas boas podem transformar-se em coisas ruins.

d) a saudade, como um capuz, não nos permite ver com clareza a situação que vivemos.

e) a saudade, como um capuz, não nos deixa perceber coisas que ficaram em nosso passado.

93) O que se guarda no coração é:

a) a saudade

b) o clarão

c) o que se deixou para traz

d) a visão

e) o que não se pode ver

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TEXTO XX

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

(Machado de Assis, in Memórias Póstumas de Brás Cubas)

94) Pode-se afirmar, com base nas ideias do autor-personagem, que se trata:

a) de um texto jornalístico

b) de um texto religioso

c) de um texto científico

d) de um texto autobiográfico

e) de um texto teatral

95) Para o autor-personagem, é menos comum:

a) começar um livro por seu nascimento.

b) não começar um livro por seu nascimento, nem por sua morte.

c) começar um livro por sua morte.

d) não começar um livro por sua morte.

e) começar um livro ao mesmo tempo pelo nascimento e pela morte.

96) Deduz-se do texto que o autor-personagem:

a) está morrendo.

b) já morreu.

c) não quer morrer.

d) não vai morrer.

e) renasceu.

97) A semelhança entre o autor e Moisés é que ambos:

a) escreveram livros.

b) se preocupam com a vida e a morte.

c) não foram compreendidos.

d) valorizam a morte.

e) falam sobre suas mortes.

98) A diferença capital entre o autor e Moisés é que:

a) o autor fala da morte; Moisés, da vida.

b) o livro do autor é de memórias; o de Moisés, religioso.

c) o autor começa pelo nascimento; Moisés, pela morte.

d) Moisés começa pelo nascimento; o autor, pela morte.

e) o livro do autor é mais novo e galante do que o de Moisés.

99) Deduz-se pelo texto que o Pentateuco:

a) não fala da morte de Moisés.

b) foi lido pelo autor do texto.

c) foi escrito por Moisés.

d) só fala da vida de Moisés.

e) serviu de modelo ao autor do texto.

100) Autor defunto está para campa, assim como defunto autor para:

a) intróito

b) princípio

c) cabo

d) berço

e) fim

101) Dizendo-se um defunto autor, o autor destaca seu (sua):

a) conformismo diante da morte ;

b) tristeza por se sentir morto

c) resistência diante dos obstáculos trazidos pela nova situação

d) otimismo quanto ao futuro literário

e) atividade apesar de estar morto

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TEXTO XXI

Segunda maior produtora mundial de embalagem longa vida, a SIG Combibloc, principal divisão do grupo suíço SIG, prepara a abertura de uma fábrica no Brasil. A empresa, responsável por 1 bilhão do 1,5 bilhão de dólares de faturamento do grupo, chegou ao país há dois anos disposta a brigar com a líder global, Tetrapak, que detém cerca de 80% dos negócios nesse mercado. Os estudos para a implantação da fábrica foram recentemente concluídos e apontam para o Sul do país, pela facilidade logística junto ao Mercosul. Entre os oito atuais clientes da Combibloc na região estão a Unilever, com a marca de atomatado Malloa, no Chile, e a italiana Cirio, no Brasil.

(Denise Brito, na Exame, dez./99)

102) Segundo o texto, a SIG Combibloc:

a) produz menos embalagem que a Tetrapak.

b) vai transferir suas fábricas brasileiras para o Sul.

c) possui oito clientes no Brasil.

d) vai abrir mais uma fábrica no Brasil.

e) possui cliente no Brasil há dois anos, embora não esteja instalada

no país.

103) Segundo o texto:

a) O Mercosul não influiu na decisão de instalar uma fábrica no Sul.

b) a SIG Combibloc está entrando no ramo de atomatado.

c) a empresa suíça SIG ocupa o 2o lugar mundial na produção de

embalagem longa vida.

d) a Unilever é empresa chilena.

e) a SIG Combibloc detém 2/3 do faturamento do grupo.

104) Os estudos apontam para o Sul porque:

a) o clima favorece a produção de embalagens longa vida.

b) está próximo aos demais países que compõem o Mercosul.

c) a Cirio já se encontra estabelecida ali. -v-.v.

d) nos países do Mercosul já há clientes da Combibloc.

e) o Sul é uma região desenvolvida e promissora.

105) “…que detém cerca de 80% dos negócios nesse mercado.” Das alterações feitas nessa passagem do texto, a que não mantém o sentido original é:

a) a qual detém cerca de 80% dos negócios em tal mercado.

b) que possui perto de 80% dos negócios nesse mercado.

c) que detém aproximadamente 80% dos negócios em tais mercados.

d) a qual possui aproximadamente 80% dos negócios nesse mercado.

e) a qual detém perto de 80% dos negócios nesse mercado.

106) “…e apontam para o Sul do país…” O trecho destacado só não pode ser entendido, no texto, como:

a) e indicam o Sul do pai

b) e recomendam o Sul do país

c) e incluem o Sul do país

d) e aconselham o Sul do país

e) e sugerem o Sul do país

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TEXTO XXII

Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos latifúndios coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos colaboradores da indústria extrativa, na caça, na pesca, em determinados ofícios mecânicos e na criação do gado. Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige a exploração dos canaviais. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.

(Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes)

107) Segundo o autor, os antigos moradores da terra:

a) foram o fator decisivo no desenvolvimento dos latifúndios coloniais.

b) colaboravam com má vontade na caça e na pesca.

c) não gostavam de atividades rotineiras.

d) não colaboraram com a indústria extrativa.

e) levavam uma vida sedentária.

108) “Trabalho acurado” é o mesmo que:

a) trabalho apressado

b) trabalho aprimorado

c) trabalho lento

d) trabalho especial

e) trabalho duro

109) Na expressão “tendência espontânea”, temos uma(a):

a) ambiguidade

b) cacofonia

c) neologismo

d) redundância

e) arcaísmo

110) Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram:

a) os portugueses

b) os negros

c) os índios

d) tanto os índios quanto os negros

e) a miscigenação de portugueses e índios

111) Pelo visto, os antigos moradores da terra não possuíam muito (a):

a) disposição

b) responsabilidade

c) inteligência

d) paciência

e) orgulho

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TEXTO XXIII

Com todo o aparato de suas hordas guerreiras, não conseguiram as bandeiras realizar jamais a façanha levada a cabo pelo boi e pelo vaqueiro. Enquanto que aquelas, no desbravar, sacrificavam indígenas aos milhares, despovoando sem fixarem-se, estes foram 5 pontilhando de currais os desertos trilhados, catequizando o nativo para seus misteres, detendo-se, enraizando-se. No primeiro caso era o ir-evoltar; no segundo, era o ir-e-ficar. E assim foi o curral precedendo a fazenda e o engenho, o vaqueiro e o lavrador, realizando uma obra de conquista dos altos sertões, exclusive a pioneira.

(José Alípio Goulart, in Brasil do Boi)

112) Segundo o texto:

a) tudo que as bandeiras fizeram foi feito também pelo boi e pelo vaqueiro.

b) o boi e o vaqueiro fizeram todas as coisas que as bandeiras fizeram.

c) nem as bandeiras nem o boi e o vaqueiro alcançaram seus objetivos.

d) o boi e o vaqueiro realizaram seu trabalho porque as bandeiras abriram o caminho.

e) o boi e o vaqueiro fizeram coisas que as bandeiras não conseguiram fazer.

113) Com relação às bandeiras, não se pode afirmar que:

a) desbravaram

b) mataram

c) catequizaram

d) despovoaram

e) não se fixaram

114) Os índios foram:

a) maltratados

b) aviltados

c) expulsos

d) presos

e) massacrados

115) O par que não caracteriza a oposição existente entre as bandeiras e o boi e o vaqueiro é:

a) aquelas  / estes

b) ir-e-voltar  / ir-e-ficar

c) no primeiro caso  / no segundo

d) enquanto / e assim

e) despovoando / pontilhando

116) “…catequizando o nativo para seus misteres…” Das alterações feitas na passagem acima, a que altera basicamente o seu sentido é:

a) doutrinando o indígena para seus misteres

b) catequizando o aborigine para suas atividades

c) evangelizando o nativo para seus ofícios

d) doutrinando o nativo para seus cuidados

e) catequizando o autóctone para suas tarefas

117) O elemento conector que pode substituir a preposição com, mantendo o sentido e a coesão textual, é:

a) mesmo

b) não obstante

c) de

d) a respeito de

e) graças a

118) “…o aparato de suas hordas guerreiras…” sugere que as conquistas dos bandeirantes ocorreram com:

a) organização e violência

b) rapidez e violência

c) técnica e profundidade

d) premeditação e segurança

e) demonstrações de racismo e violência

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TEXTO XXIV

Você se lembra da Casas da Banha? Pois é, uma pesquisa mostra que mais de 60% dos cariocas ainda se recordam daquela que foi uma das maiores redes de supermercados do país, com 224 lojas e 20.000 funcionários, desaparecida no início dos anos 90. Por isso, seus antigos 5 donos, a família Velloso, decidiram ressuscitá-la. Desta vez, porém, apenas virtualmente. Os Velloso fizeram um acordo com a GW.Commerce, de Belo Horizonte, empresa que desenvolve programas para supermercados virtuais. Em troca de uma remuneração sobre o faturamento, A GW gerenciará as vendas para a família Velloso. A família cuidará apenas das 10 compras e das entregas.

(José Maria Furtado, na Exame, dez./99)

119) Segundo o texto, a família Velloso resolveu ressuscitar as Casas da Banha porque:

a) a rede teve 224 lojas e 20.000 funcionários.

b) a rede foi desativada no início dos anos 90.

c) uma empresa do ramo de programas para supermercados propôs um acordo vantajoso, em que a rede só entraria com as compras e as entregas.

d) mais da metade dos cariocas não esqueceram as Casas da Banha.

e) a rede funcionará apenas virtualmente.

120) A palavra ou expressão que justifica a resposta ao item anterior é:

a) Você…

b) desaparecida

c) Por isso

d) Desta vez

e) acordo

121) “Desta vez, porém, apenas virtualmente.”

Com a passagem destacada acima, entende-se que as Casas da Banha:

a) funcionarão virtualmente, ou seja, sem fins lucrativos.

b) não venderão produtos de supermercado.

c) estão associando-se a uma empresa de informática.

d) estão mudando de ramo.

e) não venderão mais seus produtos em lojas.

122) O pronome “la” não pode ser, semanticamente, associado a:

a) Casas da Banha

b) pesquisa

c) daquela

d) uma

e) desaparecida

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TEXTO XXV

A fábrica brasileira da General Motors em Gravataí, no Rio Grande do Sul, será usada como piloto para a implementação do novo modelo de negócios que está sendo desenhado mundialmente pela montadora. A meta da GM é transformar-se numa companhia totalmente 5 voltada para o comércio eletrônico. A partir do ano 2000, a Internet passará a nortear todos os negócios do grupo, envolvendo desde os fornecedores de autopeças até o consumidor final. “A planta de Gravataí representa a imagem do futuro para toda a GM”, afirma Mark Hogan, ex-presidente da filial brasileira e responsável pela nova divisão e-GM.

(Lidia Rebouças, na Exame, dez./99)

123) Segundo o texto:

a) a GM é uma empresa brasileira instalada em Gravataí.

b) a montadora fez da fábrica brasileira de Gravataí um modelo para todas as outras fábricas espalhadas pelo mundo.

c) no Rio Grande do Sul, a GM implementará um modelo de fábrica semelhante ao que está sendo criado em outras partes do mundo.

d) a fábrica brasileira da GM vinha sendo usada de acordo com o modelo mundial, mas a montadora pretende alterar esse quadro.

e) a GM vai utilizar a fábrica do Rio Grande do Sul como um protótipo do que será feito em termos mundiais.

124) A opção que contraria as idéias contidas no texto é:

a) A GM vai modificar, a partir de 2000, a forma de fazer negócios.

b) Será grande a importância da Internet nos negócios da GM.

c) O consumidor final só poderá, a partir de 2000, negociar pela Internet.

d) O comércio eletrônico está nos planos da GM para o ano 2000.

e) A fábrica brasileira é considerada padrão pelo seu ex-presidente.

125)Deduz-se, pelo texto, que a fábrica brasileira:

a) será norteada pela Internet.

b) terá seu funcionamento modificado para adaptar-se às

necessidades do mercado.

c) será transferida para Gravataí.

d) estará, a partir de 2000, parcialmente voltada para o comércio eletrônico.

e) seguirá no mesmo ritmo de outras empresas da GM atualmente funcionando no mundo.

126) Por “implementação”, pode-se entender:

a) complementação

b) suplementação

c) exposição

d) realização

e) facilitação

127) Segundo as idéias contidas no texto, a transformação que se propõe a GM:

a) não tem apoio dos fornecedores.

b) tem apoio do consumidor final.

c) tem prazo estabelecido.

d) é inexequível.

e) não tem lugar marcado.

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TEXTO XXVI

MAR PORTUGUÊS

Ó Mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram!

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar para que tu fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu!

(Fernando Pessoa, in Mensagem)

128) Segundo o poeta, o sofrimento do povo ocorreu:

a) apesar das conquistas portuguesas

b) em virtude das conquistas portuguesas v

c) para as conquistas portuguesas

d) antes das conquistas portuguesas

e) após as conquistas portuguesas

129) A metáfora existente nos dois primeiros versos do poema estabelece:

a) a força moral de Portugal

b) a incoerência do sofrimento diante das conquistas

c) a importância do sofrimento para que o povo deixe de sofrer

d) a profunda união entre as conquistas e o sofrimento do povo

e) a inutilidade das conquistas portuguesas

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130) Além da metáfora, os dois primeiros versos contêm:

a) prosopopeia, epíteto de natureza, eufemismo

b) antítese, pleonasmo, eufemismo

c) apóstrofe, epíteto de natureza, metonímia

d) prosopopeia, pleonasmo, antítese

e) apóstrofe, hipérbole, sinestesia

131) “Quantos filhos em vão rezaram!” Com este verso, entendemos que:

a) o sofrimento do povo foi inútil.

b) o povo português da época era muito religioso.

c) muita gente perdeu entes queridos por causa das conquistas portuguesas.

d) a força da fé contribuiu efetivamente para as conquistas do país.

e) a religiosidade do povo português era inútil.

132) As palavras que melhor definem o povo português, de acordo com as idéias contidas no texto, são:

a) fé e competência

b) inteligência e maturidade

c) orgulho e religiosidade

d) perseverança e ambição

e) grandeza e tenacidade

133) Segundo o texto, para se ir sempre adiante é necessário:

a) crer no destino

b) aceitar a dor

c) viver com alegria

d) vencer o sofrimento

e) objetivar sempre o progresso

134) Por um processo anafórico, a palavra nele tem como referente no texto:

a) Mar

b) Deus

c) perigo

d) abismo

e) céu

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TEXTO XXVII

Vale recordar que foi nesse século (o XVIII) que apareceram e se generalizaram em certas regiões do Brasil as famosas “tropas de muares” que, daí por diante, até o fim do século XIX e mesmo nos anos transcorridos do séc. XX, dividiram com os carros de bois as tarefas dos transportes por terra no interior do Brasil. Nos caminho s rudimentares que então possuíamos, transformados em lamaçais na estação das chuvas e no verão reduzidos a ásperas trilhas, quase intransitáveis, foram os carros de bois e as tropas os únicos meios e ligação dos núcleos de povoamento entre si e entre eles e as roças e lavouras. De outra forma não se venceriam os obstáculos naturais.

(B. J. de Souza, in Ciclo)

135) Segundo o texto, os carros de bois:

a) transportavam sozinhos pessoas e mercadorias no interior do Brasil.

b) surgiram no século XVIII, juntamente com as tropas de muares.

c) sucederam as tropas de muares no transporte de pessoas e mercadorias.

d) só transportavam mercadorias.

e) eram úteis, como as tropas de muares, por causa do estado ruim dos terrenos.

136) A estação das chuvas e o verão:

a) contribuíram para o desaparecimento dos carros de bois a partir do século XX.

b) não tiveram influência no uso das tropas de muares, pois os caminhos eram rudimentares.

c) foram fator determinante para o progresso do interior do Brasil.

d) contribuíram para a necessidade do uso de tropas de muares e de carros de bois.

e) impediam a comunicação dos núcleos de povoamento entre si.

137) Os obstáculos naturais só foram vencidos:

a) por causa do clima

b) por causa da força do povo

c) porque nem sempre os caminhos se tornavam lamaçais

d) porque os núcleos de povoamento continuavam ligados às roças e às lavouras

e) por causa da utilização das tropas de muares e dos carros de bois

138) As tropas de muares só não podem ser entendidas como tropas:

a) de cavalos

b) de mulos

c) de burros

d) de mus

e) de bestas

139) O transporte de que fala o texto só não deve ter sido, na época:

a) lento e penoso

b) difícil, mas necessário

c) duro e nostálgico

d) vagaroso e paciente

e) pachorrento, mas útil

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TEXTO XXVIII

O liberalismo é uma teoria política e econômica que exprime os anseios da burguesia. Surge em oposição ao absolutismo dos reis e à teoria econômica do mercantilismo, defendendo os direitos da iniciativa privada e restringindo o mais possível as atribuições do Estado.

Locke foi o primeiro teórico liberal. Presenciou na Inglaterra as lutas pela deposição dos Stuarts, tendo se refugiado na Holanda por questões políticas. De lá regressa quando, vitoriosa a Revolução de 1688, Guilherme de Orange é chamado para consolidar a nova monarquia parlamentar inglesa.

(Maria Lúcia de Arruda Aranha, in História da Educação)

140) Segundo o texto, Locke:

a) participou da deposição dos Stuarts.

b) tinha respeito pelo absolutismo.

c) teve participação apenas teórica no liberalismo.

d) julgava ser necessário restringir as atribuições do Estado.

e) não sofreu qualquer tipo de perseguição política.

141) Infere-se do texto que os burgueses seriam simpáticos:

a) ao absolutismo

b) ao liberalismo

c) às atribuições do Estado

d) à perseguição política de Locke

e) aos Stuarts

142) A Revolução de 1688 foi vitoriosa porque:

a) derrubou o absolutismo.

b) implantou o liberalismo.

c) preservou os direitos de iniciativa privada.

d) baseou-se nas idéias liberais de Locke.

e) permitiu que Locke voltasse da Holanda.

143) “…que exprime os anseios da burguesia.”. Das alterações feitas na passagem acima, aquela que altera substancialmente seu sentido é:

a) a qual expressa os anseios da burguesia.

b) a qual exprime os desejos da burguesia.

c) que representa os anelos da burguesia.

d) que expressa os valores da burguesia.

e) que representa as ânsias da burguesia.

144) A teoria política do liberalismo se opunha:

a) a parte da burguesia

b) ao mercantilismo

c) à monarquia parlamentar

d) a Guilherme de Orange

e) ao absolutismo

145) Infere-se do texto que Guilherme de Orange:

a) não seria simpático aos burgueses.

b) teria ligações com os reis absolutistas.

c) teria idéias liberais.

d) não concordaria com Locke.

e) teria apoiado o exílio de Locke na Holanda.

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TEXTO XXIX

BUROCRATAS CEGOS

A decisão, na sexta-feira, da juíza Adriana Barreto de Carvalho Rizzotto, da 7ª Vara Federal do Rio, determinando que a Light e a Cerj também paguem bônus aos consumidores de energia que reduziram o consumo entre 100 kWh e 200 kWh fez justiça.

A liminar vale para todos os brasileiros. Quando o Governo se lançou nessa difícil tarefa do racionamento, não contou com tamanha solidariedade dos consumidores. Por isso, deixou essa questão dos bônus em suspenso. Preocupada com os recursos que o Governo federal terá que desembolsar com os prêmios, a Câmara de Gestão da Crise de Energia tem evitado encarar essa questão, muito embora o próprio presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, já tenha dito que o bônus será pago.

Decididamente, os consumidores não precisavam ter lançado mão da Justiça para poder ter a garantia desse direito. Infelizmente, o permanente desrespeito ao contribuinte ainda faz parte da cultura dos burocratas brasileiros. Estão constantemente preocupados em preservar a máquina do Estado. Jamais pensam na sociedade e nos cidadãos. Agem como se logo mais na frente não precisassem da população para vencer as barreiras de mais essa crise.

(Editorial de O Dia, 19/8/01)

146) De acordo com o texto:

a) a juíza expediu a liminar porque as companhias de energia elétrica se negaram a pagar os bônus aos consumidores.

b) a liminar fez justiça a todos os tipos de consumidores.

c) a Light e a Cerj ficarão desobrigadas de pagar os bônus se o Governo fizer a sua parte.

d) o excepcional retorno dado pelos consumidores de energia tomou de surpresa o Governo.

e) o Governo pagará os bônus, desde que as companhias de energia elétrica também o façam.

147) Só não se depreende do texto que:

a) os burocratas brasileiros desrespeitam sistematicamente o contribuinte.

b) o governo não se preparou para o pagamento dos bônus.

c) o chefe do executivo federal garante que os consumidores receberão o pagamento dos bônus.

d) a Câmara de Gestão está preocupada com os gastos que terá o Governo com o pagamento dos bônus.

e) a única forma de os consumidores receberem o pagamento dos bônus é apelando para a Justiça.

148) De acordo com o texto, a burocracia brasileira:

a) vem ultimamente desrespeitando o contribuinte.

b) sempre desrespeita o contribuinte.

c) jamais desrespeitou o contribuinte.

d) vai continuar desrespeitando o contribuinte.

e) deixará de desrespeitar o contribuinte.

149) A palavra que justifica a resposta ao item anterior é:

a) infelizmente

b) constantemente

c) cultura

d) jamais

e) permanente

150) Os burocratas brasileiros:

a) ignoram o passado.

b) não valorizam o presente.

c) subestimam o passado.

d) não pensam no futuro.

e) superestimam o futuro.

151) Pode-se afirmar, com base nas idéias do texto:

a) A Câmara de Gestão defende os interesses da Light e da Cerj.

b) O presidente da República espera poder pagar os bônus aos consumidores.

c) Receber o pagamento dos bônus é um direito do contribuinte, desde que tenha reduzido o consumo satisfatoriamente.

d) Os contribuintes não deveriam ter recorrido à Justiça, porque a Câmara de Gestão garantiu o pagamento dos bônus.

e) A atuação dos burocratas brasileiros deixou a Câmara de Gestão preocupada.

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TEXTO XXX

É consenso entre os economistas que o setor automobilístico é o que impulsiona a economia de qualquer país. QUATRO RODAS foi conferir e viu que os números são espantosos. A começar pelo mercado de trabalho. Estima-se que um emprego em uma fábrica de carros gera, indiretamente, 46 outros empregos. Por esse cálculo, 5 milhões de brasileiros dependem, em maior ou menor grau, dessa indústria. Até na construção civil a presença das rodas é enorme: 1 em cada 4 metros quadrados de espaço nas grandes cidades se destina a ruas ou estacionamentos. Na ponta do lápis, o filão da economia relacionado a automóveis movimentou, no ano passado, pelo menos 216 bilhões de dólares. Como o PIB brasileiro, nesse período, foi de 803 bilhões de dólares (e ainda não havia ocorrido a maxidesvalorização), cerca de 1 em cada 4 reais que circularam no país andou sobre rodas em 1998.

(Quatro Rodas, março/99)

152) Segundo o texto, a economia de um país:

a) é ajudada pelo setor automobilístico.

b) independe do setor automobilístico.

c) às vezes depende do setor automobilístico.

d) não pode prescindir do setor automobilístico.

e) fortalece o setor automobilístico.

153) A importância do setor automobilístico é destacada:

a) por boa parte dos economistas

b) pela maioria dos economistas

c) por todos os economistas

d) por alguns economistas

e) pelos economistas que atuam nessa área

154) Pelo texto, verifica-se que:

a) alguns países têm sua economia impulsionada pelo setor automobilístico.

b) o PIB brasileiro seria melhor sem o setor automobilístico.

c) para os economistas, o setor automobilístico tem importância relativa na economia brasileira.

d) cinco milhões de brasileiros têm seu sustento no setor automobilístico.

e) em 1998, três quartos da economia brasileira não tinham relação com o setor automobilístico.

155) “A começar pelo mercado de trabalho.” Das alterações feitas na passagem acima, aquela que lhe altera basicamente o sentido é:

a) a princípio pelo mercado de trabalho

b) começando pelo mercado de trabalho

c) em princípio pelo mercado de trabalho

d) principiando pelo mercado de trabalho

e) iniciando pelo mercado de trabalho

156) Segundo o texto, o setor automobilístico:

a) está presente em segmentos diversos da sociedade.

b) limita-se às fábricas de veículos.

c) no ano de 1988 gerou salários de aproximadamente 216 bilhões de dólares.

d) ficou imune à maxidesvalorização.

e) gera, pelo menos, 47 empregos por fábrica de automóveis.

157) A palavra ou expressão que justifica a resposta ao item anterior é:

a) qualquer

b) gera

c) até

d) na ponta do lápis

e) no país

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TEXTO XXXI

Vários planetas são visíveis a olho nu: Marte, Júpiter, Vênus, Saturno e Mercúrio. Esses astros já eram conhecidos não apenas dos gregos, mas também de povos ainda mais antigos, como os babilônios.

Apesar de sua semelhança com as estrelas, os planetas eram identificados pelos povos da Antiguidade graças a duas características que os diferenciavam. Primeiro: as estrelas, em curtos períodos, não variam de posição umas em relação às outras. Já os planetas mudam de posição no céu com o passar das horas. À noite, esse movimento pode ser percebido com facilidade. Segundo: as estrelas têm uma luz que, por ser própria, pisca levemente. Já os planetas, que apenas refletem a luz do Sol, têm um brilho fixo. Os planetas mais distantes da Terra só puderam ser descobertos bem mais tarde, com a ajuda de aparelhos ópticos como o telescópio. “O primeiro deles a ser identificado foi Urano, descoberto em 1781 pelo astrônomo inglês William Herschel”, afirma a astrônoma Daniela Lázzaro, do Observatório Nacional do Rio de Janeiro.

(Superinteressante, agosto/01)

158) Com relação às idéias contidas no texto, não se pode afirmar que:

a) os gregos não conheciam o planeta Urano.

b) os gregos, bem como outros povos da Antigüidade, conheciam vários planetas do Sistema Solar.

c) a olho nu, os planetas se assemelham às estrelas.

d) os povos da Antigüidade usavam aparelhos ópticos rudimentares para identificar certos planetas.

e) os povos antigos sabiam diferençar os planetas das estrelas, mesmo sem aparelhos ópticos.

159) Infere-se do texto que a Astronomia é uma ciência que, em dadas circunstâncias, pode prescindir de:

a) estrelas

b) planetas

c) instrumentos

d) astrônomos

e) estrelas, planetas e astrônomos

160) A locução prepositiva “graças a” tem o mesmo valor semântico de:

a) mas também

b) apesar de

c) com

d) por

e) em

161) “Esses astros já eram conhecidos não apenas dos gregos, mas também de povos ainda mais antigos…” Das alterações feitas na passagem acima, aquela que apresenta sensível alteração de sentido é:

a) Esses astros já eram conhecidos não somente dos gregos, como também de povos ainda mais antigos.

b) Tais planetas já eram conhecidos não apenas dos gregos, mas também de povos ainda mais antigos.

c) Esses astros já eram conhecidos não apenas pelos gregos, mas também por povos ainda mais antigos.

d) Esses astros já eram conhecidos tanto pelos gregos, como por povos ainda mais antigos.

e) Esses astros já eram conhecidos não apenas através dos gregos, mas também através de povos mais antigos.

162) A diferença que os antigos já faziam entre estrelas e planetas era de:

a) brilho e posição

b) beleza e posição

c) importância e disposição

d) brilho e importância

e) beleza e disposição

163) Infere-se do texto que o planeta Netuno:

a) era conhecido dos gregos.

b) foi descoberto sem ajuda de aparelhos ópticos.

c) foi descoberto depois de Plutão.

d) foi descoberto depois de Urano.

e) foi identificado por acaso.

164) Segundo o texto, as estrelas:

a) nunca mudam de posição.

b) são iguais aos planetas.

c) não piscam.

d) só mudam de posição à noite.

e) mudam de posição em longos períodos de tempo.

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TEXTO XXXII

Não faz muito tempo, a mata virgem, as ondas generosas e as areias brancas da Praia do Rosa, no sul catarinense, despertaram a atenção de surfistas e viajantes em busca de lugares inexplorados. Era meados dos anos 70, e este recanto permanecia exclusivo de poucas famílias de pescadores. O tempo passou e hoje “felizmente”, conforme se ouve em conversas com a gente local, o Rosa não mudou.

Mesmo estando localizada a apenas 70 quilômetros de Florianópolis e vizinha do badalado Balneário de Garopaba, a Praia do Rosa preserva, de forma ainda bruta, suas belezas naturais. É claro que houve mudanças desde sua descoberta pelos forasteiros. Mas, ao contrário de muitos lugarejos de nossa costa que tiveram a natureza devastada pela especulação imobiliária, esta região resiste intacta graças a um pacto entre moradores e donos de pousadas. Uma das medidas adotadas por eles, por exemplo, é que ninguém ocupe mais de 20% de seu terreno com construção. Assim, o verde predomina sobre os morros de frente para o mar azul repleto de baleias. Baleias? Sim, baleias francas, a mais robusta entre as espécies desses mamíferos marinhos, que chegam a impressionantes 18 metros e até 60 toneladas.

(Sérgio T. Caldas, na Os caminhos da Terra, dez./00)

165) Quanto à Praia do Rosa, o autor se contradiz ao falar:

a) da localização

b) dos moradores

c) da mudança

d) do tempo

e) do valor

166) O texto só não nos permite afirmar, com relação à Praia do Rosa:

a) mantém intactas suas belezas naturais.

b) manteve-se imune à especulação imobiliária.

c) não fica distante da capital do Estado.

d) no início dos anos 70, surfistas e exploradores se encantaram com

suas belezas naturais.

e) trata-se de um local tranqüilo, onde todos respeitam a natureza.

167) Pelo visto, o que mais impressionou o autor do texto foi a presença de:

a) moradores

b) baleias

c) surfistas

d) donos de pousadas

e) viajantes

168) O fator determinante para a preservação do Rosa é:

a) a ausência da especulação imobiliária

b) o amor dos moradores pelo lugar

c) a consciência dos surfistas que frequentam a região

d) o pacto entre moradores e donos de pensão

e) a proximidade de Florianópolis

169) O primeiro período do segundo parágrafo terá o seu sentido alterado se for iniciado por:

a) a despeito de estar localizada

b) não obstante estar localizada

c) ainda que esteja localizada

d) contanto que esteja localizada

e) posto que estivesse localizada

170) 0 adjetivo empregado com valor conotativo é:

a) generosas

b) exclusivo

c) bruta

d) intacta

e) azul

171) O adjetivo “badalado”:

a) pertence à língua literária e significa importante.

b) é linguagem jornalística e significa comentado.

c) pertence à língua popular e significa muito falado.

d) é linguagem científica e significa movimentado.

e) pertence à língua coloquial e significa valiosa.

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TEXTO XXXIII

A vida é difícil para todos nós. Saber disso nos ajuda porque nos poupa da autopiedade. Ter pena de si mesmo é uma viagem que não leva a lugar nenhum. A autopiedade, para ser justificada, nos toma um tempo enorme na construção de argumentos e motivos para nos entristecermos com uma coisa absolutamente natural: nossas dificuldades.

Não vale a pena perder tempo se queixando dos obstáculos que têm de ser superados para sobreviver e para crescer. É melhor ter pena dos outros e tentar ajudar os que estão perto de você e precisam de uma mão amiga, de um sorriso de encorajamento, de um abraço de conforto. Use sempre suas melhores qualidades para resolver problemas, que são: capacidade de amar, de tolerar e de rir.

Muitas pessoas vivem a se queixar de suas condições desfavoráveis, culpando as circunstâncias por suas dificuldades ou fracassos. As pessoas que se dão bem no mundo são aquelas que saem em busca de condições favoráveis e se não as encontram se esforçam por criá-las. Enquanto você acreditar que a vida é um jogo de sorte vai perder sempre. A questão não é receber boas cartas, mas usar bem as que lhe foram dadas.

(Dr. Luiz Alberto Py, in O Dia, 30/4/00)

172) Segundo o texto, evitamos a autopiedade quando:

a) aprendemos a nos comportar em sociedade.

b) nos dispomos a ajudar os outros.

c) passamos a ignorar o sofrimento.

d) percebemos que não somos os únicos a sofrer.

e) buscamos o apoio adequado.

173) Para o autor, o mais importante para a pessoa é:

a) perceber o que ocorre à sua volta.

b) ter pena das pessoas que sofrem.

c) buscar conforto numa filosofia ou religião.

d) esforçar-se para vencer as dificuldades.

e) estar ciente de que, quando menos se espera, surge a dificuldade.

174) A autopiedade, segundo o autor:

a) é uma doença.

b) é problema psicológico.

c) destrói a pessoa.

d) não pode ser evitada.

e) não conduz a nada.

175) A vida é comparada a um jogo em que a pessoa:

a) precisa de sorte.

b) deve saber jogar.

c) fica desorientada,

e) geralmente perde.

e) não pode fazer o que quer.

176) A superação das dificuldades da vida leva:

a) à paz

b) à felicidade

c) ao equilíbrio

d) ao crescimento

e) à auto-estima

177) Os sentimentos que levam à superação das dificuldade são:

a) fé, tolerância, abnegação

b) amor, desapego, tolerância

c) caridade, sensibilidade, otimismo

d) fé, tolerância, bom humor

e) amor, tolerância, alegria

178) Para o autor:

a) não podemos vencer as dificuldades.

b) só temos dificuldades por causa da nossa imprevidência.

c) não podemos fugir das dificuldades.

d) devemos amar as dificuldades.

e) devemos procurar as dificuldades.

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TEXTO XXXIV

ESPERANÇAS

Apesar de 4 bilhões de pessoas viverem na pobreza, entre os seis bilhões de habitantes da Terra, as pessoas simples continuam a acreditar num futuro melhor. Não importa se esse sentimento brota da emoção, da fé ou da esperança.

O importante é ressaltar que a crise de uma concepção científica do mundo abre, agora, a perspectiva de que os caminhos da história não sejam apenas aqueles previstos pelas largas avenidas das ideologias modernas.

Os atalhos são, hoje, as vias principais, como o demonstram o Fórum Social de Porto Alegre e a força das mobilizações contra o atual modelo de globalização. Assim como o aparente perfil caótico da natureza ganha um sentido evolutivo e coerente na esfera biológica, do mesmo modo haveria um nível – que o Evangelho denomina amor – em que as relações humanas tomam a direção da esperança.

É verdade que, com o Muro de Berlim, ruiu quase tudo aquilo que sinalizava um futuro sem opressores e oprimidos. Agora as leis do mercado importam mais do que as leis da ética.

Mas, e a pobreza de 2/3 da humanidade? O que significa falar em liberdades quando não se tem acesso a um prato de comida? Esta é a grande contradição da atual conjuntura: nunca houve tanta liberdade para tantos famintos! Mesmo os povos que no decorrer das últimas décadas não conheceram a pobreza e o desemprego agora se deparam com esses flagelos, como ocorre nos países do leste europeu.

A ironia é que, hoje, aqueles povos são livres para escolher seus governantes, podem circular por suas fronteiras e manifestar suas discordâncias em público. Mas lhes é negado o direito de escolher um sistema social que não assegure a reprodução do capital privado.

(Frei Beto, in O Dia, 19/8/01)

179) O texto pode ser entendido como um manifesto contrário ao:

a) presidencialismo

b) parlamentarismo

c) comunismo

d) socialismo

e) capitalismo

180) “Nunca houve tanta liberdade para tantos famintos.” No trecho destacado, o autor questiona o valor:

a) da globalização

b) da democracia

c) das políticas econômicas

d) das privatizações

e) do governo

181) No texto, só não há correspondência entre:

a) esse sentimento e crença num futuro melhor

b) atalhos  e Fórum e força das mobilizações

c) aparente perfil caótico  e sentido evolutivo

d) Muro de Berlim  e opressores e oprimidos

e) seus governantes  e lhes

182) Segundo o autor, os povos do antigo bloco comunista do leste europeu:

a) continuam sem liberdade de expressão.

b) hoje são mais felizes porque são livres.

c) são irônicos, apesar de livres.

d) não são totalmente livres.

e) sofrem com a ironia do governo.

183) O sinônimo adequado para “ressaltar” (/. 5) é:

a) demonstrar

b) dizer

c) destacar

d) apontar

e) afirmar

184) O grande paradoxo do mundo atual seria:

a) simplicidade – esperança

b) concepção científica – fé

c) liberdade – fome

d) esfera biológica – amor

e) sistema social – capital privado

185) “É verdade que, com o Muro de Berlim, ruiu quase tudo aquilo que sinalizava um futuro sem opressores e oprimidos.” Só não há paráfrase do trecho destacado acima em:

a) Com o Muro de Berlim, certamente, caiu tudo que apontava para um futuro sem opressores e oprimidos.

b) É certo que vieram abaixo, com o Muro de Berlim, todas as coisas que sinalizavam um futuro sem opressores e oprimidos.

c) Com a queda do Muro de Berlim, na verdade, veio abaixo tudo aquilo que apontava para um futuro sem opressores e oprimidos.

d) É verdade que, por causa do Muro de Berlim, veio abaixo tudo que sinalizava um futuro sem opressores e oprimidos.

e) Ruiu, certamente, com o Muro de Berlim, tudo aquilo que sinalizava um porvir sem opressores e sem oprimidos.

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TEXTO XXXV

O solvente, segundo a onda terrorista espalhada no país, é uma espécie de veneno químico que inescrupulosos donos de postos e distribuidoras mal-intencionadas deram de adicionar à gasolina. Com isso, esses bandidos estariam lesando os concorrentes (porque pagam barato 5 pelos adulterantes), os cofres públicos (porque os impostos significam 70% do custo da gasolina; mas são baixos quando aplicados diretamente sobre os solventes) e o consumidor, já que os produtos estranhos teriam uma atuação demoníaca na saúde do motor e dos componentes do carro, roendo mangueiras e detonando – no pior dos sentidos – o sistema de 10 combustão. Pior: quando adicionado por especialistas, o solvente quase não deixa pistas. É indetectível em testes simples e imperceptível durante o funcionamento do veículo.

Para cercar esse inimigo, QUATRO RODAS recorreu ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, o insuspeito IPT. Na tentativa de 15 flagrar postos que estivessem misturando substâncias estranhas à gasolina, repórteres coletaram amostras de combustível Brasil afora, para submetê-las à cromatografia, um método capaz de revelar cada componente de uma amostra, bem como a quantidade de cada elemento na mistura. No primeiro lote, de doze amostras reunidas numa viagem 20 entre Buenos Aires e São Paulo, uma revelação esperada: segundo o laudo do IPT, quatro delas estavam adulteradas pela presença de solventes em proporções acima das encontradas na gasolina de referência da refinaria Replan, de Paulínia, a 117 quilômetros da capital paulista.

(D. Schelp e L. Martins, na Quatro Rodas, março/00)

186) Segundo o texto:

a) a gasolina brasileira é sempre adulterada nos postos de gasolina.

b) a gasolina argentina é superior à brasileira.

c) os donos de postos de gasolina e, principalmente, distribuidoras mal-intencionadas têm adicionado solventes à gasolina.

d) a situação é mais grave se o solvente é adicionado sob a orientação de pessoas que detenham uma técnica apurada.

e) a situação é tão grave que nem a cromatografia tem sido capaz de mostrar a adulteração da gasolina.

187) Depreende-se do texto que o IPT:

a) não tem estrutura para resolver o problema.

b) deveria usar a cromatografia.

c) dispõe de repórteres capazes de fazer a coleta de gasolina.

d) examina as amostras coletadas em postos de gasolina.

e) fica situado a 117 quilômetros da cidade de São Paulo.

188) A revista recorreu ao IPT porque:

a) ele é um instituto insuspeito.

b) ele fica em São Paulo, ponto final da viagem dos repórteres.

c) a gasolina de referência é a da Replan.

d) os cofres públicos estão sendo lesados.

e) testes simples não podem resolver o problema.

189) A alternativa em que se substituem, sem alteração de sentido, os elementos conectores “segundo”, “com isso”, “já que” e”para” é:

a) conforme, apesar disso, porque, a fim de

b) consoante, dessa forma, uma vez que, a fim de

c) consoante, assim, uma vez que, por

d) não obstante, dessa forma, porquanto, a fim de

e) conforme, aliás, uma vez que, por

190) Segundo o texto:

a) a gasolina não pode ter nenhum tipo de solvente.

b) há mais gasolina adulterada no Brasil, na faixa entre Buenos Aires e São Paulo.

c) por detonar o sistema de combustão, os bandidos lesam os concorrentes, os cofres públicos e o consumidor.

d) o IPT não seria o instituto adequado para fazer a avaliação da gasolina, por ser insuspeito.

e) o resultado da pesquisa encaminhada ao IPT não causou estranheza aos elementos envolvidos.

191) Com base nas idéias contidas no texto, pode-se afirmar que:

a) solvente é sempre veneno químico.

b) terroristas estão adulterando a gasolina.

c) donos de postos de gasolina são inescrupulosos.

d) os solventes adicionados à gasolina são baratos, por isso os bandidos levam vantagem sobre os concorrentes.

e) durante a viagem entre Buenos Aires e São Paulo, os repórteres desconfiaram da presença de gasolina adulterada em seu carro.

192) “…deram de adicionar à gasolina.” Por “deram de”, entende-se:

a) começaram a

b) acostumaram-se a

c) insistem em

d) precisam

e) desejavam

193) De acordo com o texto, a gasolina ideal:

a) leva poucos solventes.

b) não leva solventes.

c) é a da Replan.

d) não rói mangueira.

e) é a mais barata.

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TEXTO XXXVI

OS UMBRAIS DA CAVERNA

RIO DE JANEIRO – Não sei por que(*), mas associei duas declarações da semana passada, feitas no mesmo dia, mas separadas por espaço e objetivo.

No Brasil, o presidente da República declarou que “já vamos transpor os umbrais do atraso”. No Afeganistão, um tal de Abdul Rahman, ministro do novo governo que ali se instalou, acredita que o país será invadido por turistas de todo o mundo interessados em conhecer Tora Bora e Candahar.

Louve-se o otimismo de um e de outro. Sempre ouvi dizer que o otimista é um cara mal-informado. As duas declarações, juntas ou separadas, são uma prova. Os umbrais do atraso que FHC anuncia transpor e os encantos turísticos do Afeganistão são boas intenções ainda distantes da realidade. Certo que não faltam progressos em nossa vida como nação e povo, mas o quadro geral ainda é lastimável, sobretudo pela existência de dois cenários contraditórios – um cada vez mais rico e outro cada vez mais miserável.

Os umbrais que separam a riqueza da miséria não serão transpostos com as prioridades que sete anos de tucanato estabeleceram para o país. Quando Maria Antonieta perguntou por que o povo não comia bolos à falta de pão, também pensava que a monarquia havia transposto os umbrais do atraso.

Quanto ao interesse de as cavernas de Tora Bora provocarem uma invasão de turistas, acho discutível esse tipo de atração. Reconheço que há exageros na massificação do turismo internacional, mas não a esse ponto.

Em todo o caso, não custa abrir um crédito de esperança para as burras do erário afegão. Se o ministro Abdul Rahman contratar um dos nossos marqueteiros profissionais, desses que prometem eleger um poste para a Presidência da República, é possível que muita gente vá conhecer as cavernas onde ainda não encontraram Osama bin Laden.

(Carlos Heitor Cony, na Folha de São Paulo, 13/1/02)

*A palavra aparece assim na edição eletrônica da Folha. No entanto, deve ser acentuada (quê).

194) O autor não acredita:

a) na boa intenção do presidente da República.

b) que o Afeganistão será invadido por turistas de todo o mundo.

c) que o ministro afegão seja otimista.

d) que o otimista é um cara mal-informado.

e) em semelhanças entre as declarações de FHC e Abdul Rahman.

195) Maria Antonieta é comparada a:

a) Abdul Rahman

b) turistas de todo o mundo

c) Tora Bora

d) FHC

e) um cara mal-informado

196) “…não custa abrir um crédito de esperança para as burras do erário afegão.” Neste trecho, “as burras do erário afegão” significam:

a) as pessoas ignorantes do Afeganistão

b) os animais de carga do Afeganistão

c) os cofres do tesouro do Afeganistão

d) o dinheiro da iniciativa privada do Afeganistão

e) o dinheiro de empresas falidas do Afeganistão, confiscado pelo novo governo

197) Ao definir o otimista, o autor valeu-se de uma linguagem:

a) hermética

b) culta

c) chula

d) coloquial

e) ofensiva

198) Para o autor, tanto FHC como Abdul Rahman:

a) estão descontentes com a situação em seus países.

b) têm ampla visão social.

c) são demagogos.

d) não têm preparo para ocupar seus cargos.

e) são mal-informados.

199) Se levarmos em conta a afirmação de FHC, teremos de concluir que o Brasil:

a) não é mais um país atrasado.

b) continuará a ser um país atrasado.

c) levará muitos anos para se desenvolver.

d) em pouco tempo deixará de ser um país atrasado.

e) tem condições de ser um país adiantado.

200) No último parágrafo do texto, o autor utiliza uma linguagem:

a) metafórica

b) hiperbólica

c) irônica

d) leviana

e) pessimista

201) Para o autor, as declarações de FHC e do ministro só não têm em comum o fato de:

a) serem equivocadas.

b) partirem de pessoas otimistas.

c) serem despropositadas.

d) serem bem-intencionadas.

e) supervalorizarem a capacidade turística de seus países.

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TEXTO XXXVII

TOLERÂNCIA

Quando o mundo se torna violento, buscamos uma explicação em que a compreensão se expresse em atos e palavras. Mas como explicar a tortura, o assassinato, a censura, o imperialismo ou o terrorismo, ferramentas favoritas dos repressores que querem evitar qualquer opinião divergente?

Histórias recentes da América Latina, da Europa e do Oriente Médio comprovam tais fatos: é o caso de Cuba de Castro, do Peru de Fujimori e dos radicalismos políticos, de triste memória, da Argentina e do Brasil; é a incompreensão de protestantes e católicos, na Irlanda; é a questão entre judeus e palestinos, que faz sangrar a Terra Santa. O fanatismo defensor de uma verdade aceita como única não é patrimônio exclusivo das ditaduras. Hoje os fundamentalismos religiosos, misturados a frustrações econômicas e sociais, são a expressão patológica de uma quebra de equilíbrio do universo. Como, então, enfrentá-los?

Não há melhor antídoto contra a conduta intolerante que a liberdade, conseqüência da pluralidade, que consiste em defender idéias próprias, mas aceitando que o outro possa ter razão. Precisamos reconhecer velhas verdades: a violência gera violência; todo poder é abusivo; o fanatismo é inimigo da razão; todas as vidas são preciosas; a guerra jamais é gloriosa, exceto para os vencedores que creem que Deus está ao lado dos grandes exércitos.

A solidariedade e a tolerância democrática, inexistentes no nosso tempo, implicam uma revolução em nossas mentalidades e na aceitação do que percebemos como diferentes, para se configurar uma  sociedade multicultural. Esses são os desafios éticos que deveríamos enfrentar, sem a arrogância dos países desenvolvidos e sem a marginalização dos subdesenvolvidos, afundados na miséria e na fome.

(Carlos Alberto Rabaça, em O Dia, 21 /11 / 01)

202) Para o autor, o maior problema do mundo atual é:

a) o fanatismo religioso

b) as ditaduras

c) a intolerância

d) a violência

e) a miséria

203) O autor faz alusão a problemas específicos de vários países. Aquele cujo problema é diferente do dos demais é:

a) Brasil

b) Irlanda

c) Argentina

d) Cuba

e) Peru

204) Com base nas idéias contidas no texto, pode-se afirmar que:

a) só as ditaduras aceitam uma verdade tida como única.

b) o fundamentalismo religioso não colabora com a queda do equilíbrio universal.

c) nada pode combater a intolerância de nossos dias.

d) tudo pode ser explicado, inclusive a intolerância.

e) o mundo atual não tem solidariedade e tolerância democrática.

205) Em sua função anafórica, o pronome relativo “que” refere-se no texto a:

a) antídoto

b) pluralidade

c) idéias

d) conduta

e) liberdade

206) Não são elementos antagônicos:

a) Brasil / Argentina

b) protestantes / católicos

c) judeus / palestinos

d) arrogância / marginalização

e) conduta intolerante / liberdade

207) “Expressão patológica” é expressão:

a) deturpada

b) exagerada

c) cotidiana

d) mórbida

e) sombria

208) Segundo o texto, ser livre é:

a) fazer o que se quer.

b) valorizar as suas idéias, em detrimento das dos outros.

c) ter suas idéias e admitir as dos outros.

d) viver intensamente.

e) não se preocupar com a intolerância do mundo.

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TEXTO XXXVIII

QUENTE E FRIO

Me dizem que, de acordo com uma convenção internacional, a torneira de um lado é sempre a da água quente e a do outro, logicamente, a da água fria. Mas nunca me lembro quais são os lados. Não usam mais os velhos Q e F, imagino, para não descriminar* os analfabetos, nem as cores vermelho para quente e azul para fria, para não descriminar* os daltônicos. Mas e nós, os patetas? Também precisamos tomar banho.

Nunca nos lembramos de que lado é o quente e de que lado é o frio e estamos condenados a sustos constantes ou então a demorada experimentação até acertar a temperatura da água. Isso quando os controles não estão concentrados numa única supertorneira de múltiplas funções, na qual você pode escolher volume e temperatura numa combinação de movimentos sincronizados depois de completar um curso de aprendizagem do qual também sairá capacitado a pilotar um Boeing.

A verdade é que existe uma conspiração para afastar do mundo do consumo moderno as pessoas, digamos, neuronicamente prejudicadas. Em alguns casos a depuração foi longe demais e o resultado é que hoje existem, comprovadamente, apenas dezessete pessoas em todo o mundo que sabem programar o timer para gravação num videocassete. Destas, quinze só revelam o que sabem por muito dinheiro,  uma está muito doente e a outra se retirou para o Tibete e não quer ser incomodada. Na maioria dos casos, no entanto, as instruções para uso são dirigidas a pessoas normais, com um mínimo de acuidade e bom senso – quer dizer, são contra nós! Mas eu já me resignara a não saber programar o timer, ou sequer saber o que era um timer, ou jamais usar a tecla Num Lock com medo de trancar todos os computadores num raio de um quilômetro, desde que me sentisse confortável no mundo que eu dominava. Como, por exemplo, no chuveiro. E enta’o a modernidade chegou às torneiras, e quente e frio também se transformaram em desafios intelectuais. Quente é a da esquerda e fria é a da direita, é isso?

Ou é o contrário? É uma conspiração.

(Luís F. Veríssimo, em O Globo, 13/1/02)

* Escrita assim na página eletrônica consultada. O perfeito é discriminar.

209) O texto nos fala:

a) da inépcia de todos os analfabetos

b) do problema dos daltônicos

c) da dificuldade em se decidir entre água fria e água quente

d) da dificuldade trazida pela modernidade

e) do caráter obsoleto de determinados aparelhos domésticos

210) O tom predominante no texto é de:

a) perplexidade

b) humorismo

c) decepção

d) realismo

e) determinismo

211) O texto é formado a partir de hipérboles. Assinale o trecho que não denota nenhum tipo de exagero.

a) “Nunca nos lembramos de que lado é o quente e de que lado é o frio…”

b) “…do qual também sairá capacitado a pilotar um Boeing.”

c) “…existem, comprovadamente, apenas dezessete pessoas em todo o mundo…”

d) “Mas eu já me resignara a não saber programar o timer…” 

e) “É uma conspiração.”

212) Pelo visto, a supertorneira:

a) simplifica as coisas.

b) agrada a todos.

c) é mais um elemento complicador.

d) não apresenta grandes utilidades.

e) é uma peça totalmente inútil.

213) Embora brincando, o autor se inclui entre:

a) os analfabetos

b) os daltônicos

c) as pessoas neuronicamente prejudicadas

d) as pessoas normais

e) as que só revelam o que sabem por muito dinheiro

214) Para o autor, não se usam mais Q e F ou o vermelho e o azul para evitar:

a) que as pessoas tenham muitas coisas para decorar.

b) o crescimento do número de patetas.

c) que as pessoas neuronicamente prejudicadas fiquem sem entender o funcionamento das torneiras.

d) a marginalização de determinados indivíduos.

e) que as pessoas normais se sintam discriminadas.

215) O texto fala da dificuldade do autor no dia-a-dia. Assinale o que não se enquadra nesse caso.

a) o quente e o frio da torneira

b) o uso da supertorneira

c) dirigir um Boeing

d) o timer do videocassete

e) a tecla Num Lock

216) Na realidade, o problema do autor seria a falta de:

a) inteligência

b) paciência

c) humildade

d) concentração

e) memória

217) Que palavra pode substituir “acuidade” sem prejuízo do sentido original do texto?

a) originalidade

b) perspicácia

c) inteligência

d) vontade

e) persistência

218) Antes do desafio intelectual das novas torneiras, o autor se sentia:

a) tranqüilo

b) esperançoso

c) desanimado

d) um pateta

e) inseguro

219) O eufemismo é a figura que consiste em suavizar uma ideia desagradável. Assinale o trecho em que isso ocorre.

a) “Não usam mais os velhos Q e F…”

b) “Mas e nós, os patetas?”

c) “Também precisamos tomar banho.”

d) “…as pessoas, digamos, neuronicamente prejudicadas.”

e) “E então a modernidade chegou às torneiras…”

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TEXTO XXXIX

COMO NASCEM, VIVEM E MORREM AS ESTRELAS?

A existência de um astro, que dura de 100 milhões a 1 trilhão de anos, passa por três fases: nascimento, meia-idade e maturidade.

“Todas as estrelas nascem da mesma forma: pela união de gases”, diz o astrônomo Roberto Boczko, da Universidade de São Paulo (USP). Partículas de gás (geralmente hidrogênio) soltas no Universo vão se concentrando devido às forças gravitacionais que puxam umas contra as outras.

Formam, assim, uma gigantesca nuvem de gás que se transforma em estrela – isto é, um corpo celeste que emite luz.

A gravidade espreme essa massa gasosa a tal ponto que funde os átomos em seu interior. Essa fusão é uma reação atômica que transforma hidrogênio em hélio, gerando grande quantidade de calor e de luz. Um exemplo de estrela jovem são as Pleiades, na Via Láctea, resultado de fusões que começaram há poucos milhões de anos.

Durante a meia-idade – cerca de 90% da sua existência -, a estrela permanece em estado de equilíbrio. Seu brilho e tamanho variam pouco, ocorrendo apenas uma ligeira contração. É o caso do Sol, que, com 4,5 bilhões de anos, se encontra nessa fase intermediária de sua existência, sofrendo mínima condensação.

Quando a maior parte do hidrogênio que a com põe se esgota, a estrela entra na maturidade – este sim, um período de drásticas transformações. Praticamente todo o hidrogênio do núcleo já se converteu em hélio. Com isso, diminui a fusão entre as moléculas de gás e começa um período de contração e aquecimento violentos no corpo celeste. A quantidade de calor e luz gerados é tão grande que o movimento se inverte: o astro passa a se expandir rapidamente. Seu raio chega a aumentar 50 vezes e o calor se dilui. A estrela vira uma gigante vermelha. Um exemplo é Antares, na constelação de Escorpião – uma amostra de como ficará o Sol daqui a 4,5 bilhões de anos, engolindo todo o Sistema Solar.

Já na maturidade, a falta de hidrogênio torna-se crítica. Apesar da rápida expansão, a fusão entre os gases diminui continuamente: o astro caminha para o seu fim. O modo como ele morrerá depende da sua massa.

Se ela for até duas vezes a do Sol, sua contração transformará o corpo celeste em um pequeno astro moribundo, cuja gravidade já não consegue segurar os gases da periferia. Mas se a massa for de duas a três vezes a do Sol, a contração final será muito forte, criando um corpo celeste extremamente denso chamado pulsar, ou estrela de nêutrons. Quando a massa é maior, a condensação final é mais violenta ainda e o núcleo do antigo astro vira um buraco negro – sua densidade é tão alta que ele não deixa nem a luz escapar. Simultaneamente, os gases da camada mais periférica dessa estrela se transformam em uma supernova – massa de gás que brilha por pouco tempo até sumir de uma vez por todas.

(Superinteressante, agosto de 2001)

220) A ciência de que trata o texto se chama:

a) Biotecnia

b) Exobiologia

c) Astronomia

d) Astrologia

e) Ufologia

221) Segundo o texto:

a) nem todos os astros morrem.

b) as Pleiades são estrelas na fase da maturidade.

c) as estrelas nem sempre possuem luz própria.

d) o Sol ainda não entrou na fase da maturidade.

e) os astros têm um mesmo tipo de nascimento e morte.

222) “A gravidade espreme essa massa gasosa a tal ponto que funde os átomos em seu interior.” Se começarmos o período acima por “A gravidade funde os átomos em seu interior”, o elemento conector que deverá ser usado para que se mantenha a coesão textual e o sentido original é:

a) se bem que

b) contudo

c) porque

d) caso

e) a fim de que

223) Só não diz respeito à maturidade de uma estrela:

a) fase de grandes transformações

b) expansão rápida

c) conversão de hidrogênio em hélio

d) escassez de hidrogênio

e) aumento contínuo de calor, até a morte

224) Sobre Antares, com base no texto, não se pode afirmar:

a) é estrela na fase da maturidade.

b) situa-se na constelação de Escorpião.

c) é uma estrela vermelha.

d) Seu raio aumentou muito.

e) não pertence à Via Láctea.

225) Sobre o pulsar, podemos inferir que:

a) é um tipo de estrela de meia-idade.

b) é um astro que surge com a morte de uma estrela.

c) é o mesmo que buraco negro.

d) é um astro de massa semelhante à do Sol.

e) os gases de sua camada periférica transformam-se em uma supernova.

226) Com base nas idéias contidas no texto, só não se pode dizer que:

a) o tempo de vida dos astros é bastante variado.

b) toda estrela tem origem numa nuvem de gás.

c) a maior parte da vida de um astro é a meia-idade.

d) As Pleiades, o Sol e Antares têm em comum apenas o fato de serem estrelas.

e) uma estrela de neutrons é tão densa quanto um buraco negro.

227) Os dois pontos que aparecem depois de “continuamente” podem ser substituídos, sem alteração de sentido, por:

a) porque

b) e

c) mas

d) ou

e) à medida que

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TEXTO XL

GRITOS DE INDEPENDÊNCIA

Comemora-se a independência do Brasil. Consta que não houve sangue, apenas o grito do Ipiranga, que marcou a ruptura com a tutela portuguesa, mantendo no poder o português D. Pedro I, que se proclamou imperador do Brasil, mas terminou seus dias como duque de Bragança e figura, na relação dinástica, como o 28° rei de Portugal. Como se vê, na passarela da história, o samba não é o do crioulo doido.

Entre o fato e a versão do fato, a história oficial tende à segunda. Ainda hoje se discute se o grito decorreu do sonho de uma pátria independente ou da ambição de um império tropical. Ficou o grito parado no ar, expresso nos rostos contorcidos das figuras de Portinari, no romanceiro de Cecília Meireles, na poesia agônica de Chico Burque, no coração desolado das mães brasileiras que enterram, por ano, cerca de 300 mil recém-nascidos, precocemente tragados pelos recursos que faltam à área social. O número só não é maior graças ao voluntariado da Pastoral da Criança, monitorada pela doutora Zilda Arns.

O Brasil, pátria vegetal, ostenta o semblante de uma cordialidade renegada por sua história. Sob o grito da independência ressoam os dos índios trucidados pela empresa colonizadora, agora restaurada pela assepsia étnica proposta pelos integracionistas que julgam as reservas indígenas privilégio nababesco. Ecoam também os gritos das vítimas indefesas de entradas e bandeiras, Fernão Dias sacrificando o próprio filho em troca de um punhado de pedras preciosas, bandeirantes travestidos de heróis da pátria pelo relato histórico dos brancos, versão barroca do esquadrão da morte rural, diriam os índios se figurassem  como autores em nossa historiografia.

Abafam-se, em vão, os gritos arrancados à chibata dos negros arrastados de além-mar, sem contar as revoltas populares que minam o mito de uma pacífica abnegação que só existe no ufanismo de uma elite que se perfuma quando vai à caça.

Pátria armada de preconceitos arraigados, casa-grande que traça os limites intransponíveis da senzala, na pendular política de períodos autoritários alternados com períodos de democracia tutelar, já que, neste país, a coisa pública é negócio privado. índios, negros, mulheres, lavradores e operários não merecem a cidadania, reza a prática daqueles que sequer se envergonham de serem compatriotas de 50 milhões de pessoas que não dispõem de R$ 80 mensais para adquirir a cesta básica.

À galera, as tripas, marca indelével em nossa culinária, como a feijoada. Privatizam-se empresas e sonhos, valores e sentimentos, convocando intelectuais de aparência progressista para dar um toque de modernidade aos velhos e permanentes projetos da oligarquia. Vale tudo frente ao horror de um Brasil sujeito a reformas estruturais. Os que querem governar a sociedade não suportam os que querem governar com a sociedade.

Destroçada e endividada, a pátria navega a reboque do receituário neoliberal, que dilata a favelização, o desemprego, o poder paralelo do narcotráfico, a concentração de renda. Se o salário não paga a dívida, a vida parece não valer um salário. No Brasil, os hospitais estão : doentes, a saúde encontra-se em estado terminal, a escola gazeteia, o sistema previdenciário associa-se ao funerário e a esperança se reduz a um novo par de tênis, um emprego qualquer, alçar a fantasia pelo consolo eletrônico das telenovelas.

Amanhecia em Copacabana quando Antônio Maria gritou: “Não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí”. Não vou pelas receitas monetaristas que salvam o Tesouro oficial e apressam a morte dos pobres.

Vou com aqueles que sempre denunciam a injustiça, testemunham a ética na política, agem com escrúpulos, defendem os direitos indígenas, repudiam todas as formas de preconceitos, promovem campanhas de combate à fome, administram recursos públicos com probidade e lutam por uma nova política econômica. Vou com aqueles que, esta semana, estarão mobilizados no Grito dos Excluídos, promovido pela CNBB, em parceria com entidades e movimentos populares. Nenhum país será independente se, primeiro, não o forem aqueles que o governam.

(Frei Beto, no Jornal do Brasil, 3/9/01)

228) Os sentimentos que melhor caracterizam o estado de espírito do autor são:

a) ódio e desequilíbrio

b) medo e pessimismo

c) insegurança e descontrole

d) revolta e angústia

e) apatia e resignação

229) Para o autor, a história do Brasil é apresentada aos brasileiros:

a) de forma realista

b) com poucos detalhes

c) com preconceito

d) cortada

e) mascarada

230) O trecho que justifica a resposta ao item anterior é:

a) “Comemora-se a independência do Brasil.”

b) “À galera, as tripas, marca indelével em nossa culinária, como a feijoada.”

c) “índios, negros, mulheres, lavradores e operários não merecem a cidadania…”

d) “Entre o fato e a versão do fato, a história oficial tende à segunda.”

e) “O número só não é maior graças ao voluntariado da Pastoral da Criança.”

231) O autor duvida:

a) do futuro do Brasil

b) dos artistas brasileiros

c) da independência do Brasil

d) das revoltas populares

e) de Antônio Maria

232) “Os que querem governar a sociedade não suportam os que querem governar com a sociedade.” Esse trecho sugere a dicotomia:

a) governo militar / governo civil

b) comunismo / capitalismo

c) presidencialismo / parlamentarismo

d) monarquia / república

e) ditadura / democracia

233) A autêntica história brasileira nos diz que o Brasil não é um país:

a) cordial

b) de futuro

c) forte

d) injusto

e) de bons escritores

234) “Não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí”. Por esse trecho, pode-se entender:

a) a dúvida de alguém que não sabe que decisão tomar

b) a revolta diante de uma situação aceita por todos i

c) a esperança e a certeza da mudança

d) a não-aceitação do que ocorre no momento

e) o desespero por não poder fazer alguma coisa pelo país

235) “À galera, as tripas, marca indelével em nossa culinária, como a feijoada.” A palavra “indelével”, no trecho acima, significa:

a) que não se pode desejar

b) que não se pode apagar

c) que não se pode aceitar

d) que não se pode explicar

e) que não se pode prever

236) Os maiores problemas do Brasil, na atualidade, são creditados:

a) ao grito de independência

b) ao ufanismo da elite

c) à privatização das empresas

d) ao neoliberalismo

e) ao Tesouro oficial

237) Segundo o autor, os intelectuais de aparência progressista são convocados para:

a) melhorar a imagem do governo no exterior.

b) integrar o Brasil na globalização.

c) desviar a atenção do povo para coisas de somenos importância.

d) levar o povo a se interessar pelos problemas sociais e políticos do país.

e) levar o povo a achar que tudo está bem.

238) A palavra “oligarquia” significa governo:

a) de ricos

b) de nobres

c) de poucos

d) de muitos

e) do povo

239) Dentre os problemas do Brasil, o texto não faz menção:

a) à escravidão dos negros

b) à opressão dos índios

c) ao voto-cabresto do Nordeste

d) à discriminação da mulher

e) à fome do povo

240) A palavra que, metaforicamente empregada, melhor exprime a idéia do autor sobre a tirania do governo brasileiro é:

a) casa-grande

b) tripas

c) império

d) tutelar

e) telenovelas

241) Para o autor, o Brasil, na realidade, nunca foi ou teve:

a) monarquia

b) república

c) ditadura

d) capitalismo

e) democracia

242) O último parágrafo do texto difere dos demais pois nele o autor demonstra:

a) alegria por ser brasileiro

b) certeza da transformação próxima

c) convicção de que o governo está melhorando

d) esperança em um país melhor

e) indiferença diante dos problema da atualidade brasileira

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TEXTO XLI

TRINTA ANOS DE UMA FRASE INFELIZ

Ele não podia ter arrumado outra frase? Vá lá que haja perpetrado grande feito indo à Lua, embora tal empreendimento soe hoje exótico como uma viagem de Gulliver. Mas Neil Armstrong, o primeiro astronauta a pisar na Lua, precisava ter dito: “Este é um passo pequeno 5 para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”? Não podia ter se contentado com algo mais natural (“Quanta poeira”, por exemplo), menos pedante (“Quem diria, conseguimos”), mais útil como informação (“Andar aqui é fácil/difícil/gostoso/dói a perna”) ou mais realista (“Estou preocupado com a volta”)?

Não podia. Convencionou-se que eventos solenes pedem frases solenes. Era preciso forjar para a ocasião uma frase “histórica”. Não histórica no sentido de que fica guardada para a posteridade – a posteridade guarda também frases debochadas, como “Se eles não têm pão, comam brioches”. Histórica, no caso, equivale à frase edificante. É a história em sua versão, velhusca e fraudulenta, de “Mestra da Vida”, a História rebaixada a ramo da educação moral e cívica. À luz desse entendimento do que é “histórico”, Armstrong escolheu sua frase. Armstrong teve tanto tempo para pensar, no longo período de preparativos, ou outros tiveram tempo de pensar por ele, no caso de a  frase lhe ter sido oferecida de bandeja, junto com a roupa e os instrumentos para a missão, e foi sair-se com um exemplar do primeiro gênero. Se era para dizer algo bonito, por que não recitou Shakespeare? Se queria algo inteligente, por que não encomendou a Gore Vidal ou Woody Allen?

(Roberto Pompeu de Toledo. Veja, 21/07/99)

243) O tema central do texto é:

a) a indignação pelos poucos dados enviados sobre a aventura da ida do homem à Lua.

b) a narrativa da aventura do primeiro homem a pisar na Lua.

c) a importância do acontecimento do homem ter chegado à Lua.

d) a discordância com respeito à frase escolhida para um momento grandioso.

e) o impacto da frase dita no momento em que o homem pisou na Lua.

244) A propósito do texto, o autor classifica a frase de Armstrong como infeliz, porque,

a) apesar de ter sido edificante, a frase não foi humilde.

b) apesar de ter sido bonita, a frase foi superficial.

c) apesar de ter ficado para a posteridade, a fase foi superficial, pedante, inútil e irreal.

d) apesar de ter sido solene, a frase foi exótica.

e) apesar de ter sido inteligente, a frase não foi edificante.

245) “…embora tal empreendimento soe hoje exótico como uma viagem de Gulliver.” O autor do texto expressa:

a) certa decepção, com o passar dos anos, quanto à ida do homem à Lua.

b) a importância capital que teve o evento para a humanidade.

c) o encantamento com que a ida do homem à Lua é vista até hoje.

d) a necessidade de que o homem volte à Lua.

e) certa incredulidade quanto à ida do homem à Lua.

246) Para Roberto Pompeu de Toledo, a frase em apreço deveu-se ao fato de que:

a) o astronauta recebeu a frase já pronta, junto com a roupa e os instrumentos para a missão.

b) Armstrong não teve tempo para pensar em algo melhor.

c) Armstrong foi motivado pela convenção de que eventos solenes pedem frases solenes.

d) Armstrong quis ser original, não copiando Shakespeare, Gore Vidal e Woody Allen.

e) o astronauta não acreditou no êxito da missão.

247) Na opinião do autor do ensaio,

a) só frases edificantes são históricas.

b) a frase de Armstrong revela uma visão ultrapassada da História.

c) só frases bonitas ou inteligentes são históricas.

d) eventos solenes pedem” frases solenes.

e) a frase de Armstrong foi rapidamente esquecida.

248) A figura de linguagem encontrada na fase “Com muito suor o funcionário conseguiu a promoção” é:*

a) catacrese

b) prosopopéia

c) sinestesia

d) metonímia

e) metáfora

Esta questão da prova não tem base no texto.

Gabarito dos exercícios de interpretação

Texto I

1) Letra d

Nada no texto fala de aumento ou diminuição da saudade. A palavra “calendário” é a chave. Ao dizer que “não há calendário para a saudade”, a autora diz que não existe data marcada para se ter mais ou menos saudade. Ou seja, a saudade não depende do tempo, simbolizado aqui pelo calendário: ela simplesmente existe.

2) Letra c

Há muitas questões em concursos públicos envolvendo o significado das orações. Procure ver qual conjunção poderia ser usada no texto. No início do livro, você tem uma boa lista dessas palavras. No caso da questão, poder-se-ia começar a segunda oração com a conjunção porque: porque não há calendário para a saudade. Sim, porque o fato de não haver calendário para a saudade faz com que não exista “essa coisa de um ano sem Sena, dois anos sem Senna”.

3) Letra b

Normalmente a repetição de uma palavra, nos moldes em que aqui foi feita, expressa uma confirmação, uma convicção do autor. As outras palavras, por si mesmas, se eliminam.

4) Letra a

Há várias figuras de sintaxe que consistem na repetição de termos. Veja as mais importantes:

  1. a) anáfora: repetição de uma palavra ou expressão no início da frase, membro da frase ou verso.

Ex.: “Vi uma estrela tão alta!

Vi uma estrela tão fria!

Vi uma estrela luzindo…” (Manuel Bandeira)

  1. b) Epístrofe: repetição no final.

Ex.: “Chegou a hora da névoa. No peito e nos olhos, névoa. Quero guardar-me da névoa. Porém é inútil: há névoa.” (Henriqueta Lisboa)

  1. c) Símploce: repetição no início e no fim

Ex.: Tudo ali precisa de explicação. Tudo ali merece uma boa explicação

  1. d) Pleonasmo: repetição de uma idéia ou de um termo da oração (objeto direto, objeto indireto ou predicativo do sujeito)

Ex.: Vi tudo com meus próprios olhos, (repetição da idéia)

Esse livro, já o li há muito, (o —> objeto direto pleonástico)

  1. e) Quiasmo: repetição e inversão simultâneas de termos; há uma espécie de cruzamento.

Ex.: “No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho.” (C. D. de Andrade)

Texto II

5) Letra c

Há uma visível mudança profissional. Os comentários da questão seguinte servem a esta. ,

6) Letra e

Quem corre atrás de eleitores é político. A palavra senador é específica. Veja bem: não se pode levar em conta que o autor, cujo nome aparece com o texto, seja conhecido. José Sarnei é senador da República. Mas o texto não sugere isso; cuidado, portanto! Quem corre atrás de leitores é escritor, que é o termo genérico. Jornalista romancista são termos específicos, e nada no texto sugere essas profissões.

7) Letra b

Observe que se pergunta sobre a primeira atividade, não a que ele busca agora. Veja os comentários da questão seguinte.

8) Letra c

A expressão “passei a vida” dá nitidamente uma idéia de coisa duradoura. Passar a vida fazendo alguma coisa é, necessariamente, algo demorado.

9) Letra e

Todas as palavras ou expressões indicam tempo. As quatro primeiras referem-se ao presente; a última, recentemente,ao passado. Agora é tempo presente; recentemente; tempo passado.

Texto III

10) Letra b

O autor demonstra respeito pelos animais, no momento em que não os força a fazer coisas para as quais sua natureza não está preparada. Ou seja, ele respeita os limites de cada um. Não se trata necessariamente de amor ousolidariedade, como alguns podem pensar.

Pode-se respeitar sem que haja amor, no mais profundo sentido do termo. A solidariedade é uma atitude de apoio àquelas pessoas que se encontram em dificuldades de qualquer espécie.  tolerância seriam escolhas absolutamente inadequadas.

11) Letra d

Se o autor fosse um adestrador frio, não hesitaria em forçar os animais. Treinador qualificado não serve como resposta, pois nada garante no texto que ele seja muito bom adestrador. Ele poderia respeitar os animais e não saber treiná-los devidamente. Adestrador filantropo é absurdo. Filantropia é caridade, ajuda incondicional aos necessitados do corpo ou do espírito. Talvez haja dúvidas entre as letras a (treinador atento) d (adestrador consciente). Fica melhor a letra d, por duas razões: adestrador é termo adequado, por se tratar de treinamento de animais; conscientediz mais do que atento, pois o autor está consciente das limitações dos animais.

12) Letra e

As duas primeiras opções dizem a mesma coisa e indicam o oposto do que o texto nos apresenta. A letra c não tem sentido algum, pois, se a natureza permitisse, o adestrador poderia tentar normalmente.

A letra d dispensa comentários, em face do seu absurdo. A resposta só pode ser a letra e, pois fala do respeito que o autor tem pelos limites de seus animais.

Texto IV

13) Letra c

Ao dizer que está com saudade de ficar bom, o autor afirma, de maneira literária, que está doente. Isso elimina as letras a e e. “Escrever é conseqüência natural.” Conseqüência de quê? De ficar bom, ou seja, ficando bom, ele volta a escrever. Ele só não está escrevendo por estar doente. Daí o gabarito ser a letra c.

14) Letra d

A resposta pode parecer a letra b. Mas, numa análise mais profunda, observa-se que o autor tem vontade de ficar bom para voltar a escrever. Se escrever é uma conseqüência natural de ficar bom, é algo que ele não pretende deixar de fazer, é o que ele realmente mais almeja. Trabalhar não serve como resposta pois é um termo genérico, enquanto escrever é específico.

15) Letra b

Os comentários da questão anterior se ajustam também a esta. Cuidado apenas para não confundir as opções b e e. O autor não tem saúde, ele está doente e deseja recuperar a saúde para poder escrever.

Texto V

16) Letra d

A comparação não é feita entre Deus e a internet, como possa parecer, mas sim entre a mente (de Deus) e a internet. É diferente.

17) Letra c

Veja bem o que o texto nos transmite: a mente (de Deus), da mesma forma que a internet, podem ser acessadas por qualquer um, ou seja, elas são acessíveis. Se são acessíveis, é porque têm acessibilidade. Daí o gabarito ser a letra c.

18) Letra d “

O conectivo comparativo a que se refere o enunciado da questão é a conjunção como. Tal qual, que nem (popular),qual feito (popular) poderiam ser usados sem alteração de sentido. A preposição para não tem esse valor, além de, nesse caso, deixar o texto sem coesão textual e coerência.

19) Letra e

Paráfrase é uma reescritura do texto, sem alteração de sentido. É comum em alguns tipos de concursos. Na letra e, ao se dizer que “a mente de Deus pode acessar”, o sentido se altera radicalmente, pois a mente passa a ser ativa, ou seja, ela passa a praticar a ação, quando no texto ela sofre a ação, as pessoas é que a acessam, da mesma forma que acessam a internet.

Texto VI

20) Letra e

Ao dizer que “Deus é o ópio do povo”, Marx faz alusão aos efeitos dessa droga, por comparação, naturalmente. O ópio não deixa o usuário pensar direito, tanto é que ele faz uma série de bobagens que não faria se estivesse sem a droga no organismo. Assim, a idéia que ele quer passar é que Deus também não deixa o povo pensar.

21) Letra c

O autor afirma que Marx não entendia de Deus, nem de ópio. Por isso a resposta só pode ser a letra c.

22) Letra a

Leviandade consiste em se falar sobre algo que não se conhece direito. As outras opções se excluem por si mesmas.

23) Letra d

Ter fé é sentir, de maneira profunda e inexplicável, alguma coisa. A fé se sente. Deus, sendo uma experiência de fé, naturalmente só pode ser sentido. Observe que as outras opções não são absurdas, mas não correspondem ao que o autor do texto quer transmitir. Temos de buscar as respostas sempre no texto. Não importa o que sabemos de antemão. A palavra fé é a chave para resolver essa questão.

24) Letra c

O comentário da questão anterior serve também para esta.

25) Letra a

Metáfora é um tipo de comparação não enunciada, em que não se expressam o conectivo comparativo nem o elemento comum aos dois seres. Deus e ópio estão sendo comparados. Se o autor dissesse: “Deus é como o ópio”, haveria uma comparação ou simile, já que teríamos na frase o conectivo como. Afirmando diretamente, trata-se de uma metáfora, uma das mais importantes figuras de linguagem.

26) Letra e

Qualquer palavra que se refira a Deus ou a Jesus pode ser grafada com inicial maiúscula. É o caso, no texto, do pronome pessoal oblíquo átono Io, que tem como referente a palavra Deus. Não é obrigatório, dependendo apenas do gosto do escritor.

Texto VII

27) Letra b

O autor saiu de sua terra, mas sente como se isso nunca tivesse ocorrido, pois seu sentimento é todo dela.

28) Letra d

O texto passa uma impressão de que o autor continua ligado, espiritualmente, à sua terra. Fisicamente, claro, ele não está lá, como se vê no primeiro verso. Já o último verso mostra que ele permaneceu ligado a ela, por seus sentimentos.

29) Letra b

Ao sair da terra natal e não se adaptar ao novo lugar, em virtude de sua ligação afetiva com ela, o autor se torna confuso. Não se entenda aqui o verbo perder (perdi-me) com o seu sentido original. A idéia é a de não se encontrar, mentalmente, no novo espaço ocupado. Outra justificativa seria a palavra ilusão, que por si só demonstra um estado de confusão.

30) Letra a

Como já vimos, o autor saiu apenas fisicamente, pois espiritualmente continuou preso à terra natal. Cuidado com a letra b. É claro que ele gostaria de retornar, mas em momento algum essa idéia é expressa no texto.

31) Letra d

As palavras amargura, decepção, tristeza e nostalgia pertencem ao mesmo campo semântico. O autor sofre por não estar em seu lugar de origem, e todas essas palavras associam-se à idéia de sofrimento. Não é o caso de vergonha. Isoladamente, a expressão ai de mim poderia indicar vergonha, mas o texto fala apenas do sofrimento do autor por estar ausente, nada ele fez que pudesse envergonhá-lo.

Texto VIII

32) Letra b

Essa questão só pode ser resolvida com um conhecimento prévio, independente do texto. O Titanic, como se sabe, era um navio que naufragou, matando uma grande quantidade de pessoas. O autor apelou para essa imagem por querer falar de algo que também corre perigo de se tornar um desastre.

33) Letra e

Determinismo é uma filosofia segundo a qual quando uma coisa tem que acontecer nada pode impedir. Pode ser associada à idéia de destino, em seu sentido mais radical. Ora, ele acredita que o curso pode ser mudado. Também justifica a resposta o fato de as pessoas fazerem a história, ou seja, elas podem criar e evitar determinadas situações.

34) Letra b

Conquanto malgrado são conjunções concessivas, sinônimas de embora. Elas criam uma oposição, o que não ocorre no texto. Enquanto apenas são conjunções temporais, eqüivalendo a quando. Também não é essa a idéia. O gabarito só pode ser a letra b, pois a palavra porquanto tem valor de causa e corresponde a porque. Esse é o valor da palavra afinal no texto.

35) Letra d

A opção a destoa completamente, já que o autor acredita nas transformações. A letra b pode enganar. Observe, no entanto, que ela garante que sempre conseguiremos, desde que tentemos. O texto não garante que isso vá ocorrer, apenas que se deve tentar. A letra c não pode ser a escolhida pois o autor diz para tentarmos o impossível. É lógico que, se conseguirmos, aquilo apenas teria tido a aparência de impossível. A afirmação da opção e não encontra nenhum apoio no texto, que não faz distinção entre quem pode conseguir e quem não pode. A resposta só pode ser a letra d: se não desistirmos, até o que parece impossível poderá ser alcançado.

36) Letra c

Esta questão praticamente foi comentada na anterior. Não se pode desistir de algo, ou seja, não se pode desanimar.

Texto IX

37) Letra e

O sonho e a esperança são coisas extremamente pessoais, que existem no mais profundo recanto de cada ser. O artista, segundo a autora, tem a capacidade de mexer ali, com o seu trabalho. A opção a poderia enganar alguns, já que a afirmação é indiscutível; mas não há nada no texto que diga isso. Assim, a resposta só pode ser a letra e, pois o sonho e a esperança, trabalhados pelo artista, estão no íntimo das pessoas.

38) Letra e

As três primeiras opções estabelecem algum tipo de comparação entre o sonho e a esperança, coisa que não aparece no texto.

A letra d parece ser a resposta, mas apresenta um radicalismo que não se deduz do texto, que não diz que todos sonham e têm esperança, ou mesmo que é impossível viver sem os dois. A letra e, que é a resposta, fala da importância que o sonho e a esperança possuem. No texto, a palavra que melhor explica esse fato é o adjetivo essencial. Veja a associação: coisa essencial —> importância capital.

39) Letra c

O comentário da questão anterior serve também para esta.

40) Letra d

Há muitas expressões que não pertencem à chamada língua culta, e sim à linguagem descontraída, familiar, que todos nós empregamos em determinadas situações. Meter a mão é uma dessas e tem, na realidade, mais de um significado. Pode ser entendida como roubar. Por exemplo: Ele é funcionário e, por causa disso, está metendo a mão. No texto, assumiu o valor de pegar, tocar. Cuidado para não optar pela letra b! A Idéia não é de intromissão, que tem valor pejorativo, mas de tocar o sentimento de alguém.

41) Letra d

O texto não faz nenhuma menção à paz. Por isso a resposta só pode ser a letra d. As três primeiras são evidentes. A “carência de sentimentos” da opção e se justifica com a palavra resgatando. Resgatando o quê? Dois sentimentos: o sonho e a esperança, que muitas pessoas perderam. Daí a palavra carência.

42) Letra c

Esses é pronome demonstrativo, refere-se a algo que passou no texto. A palavra tais tem o mesmo valor. Bons é adjetivo, estaria expressando uma qualidade que não se encontra no texto. Certos, outros muitos são pronomes indefinidos e, da mesma forma que bons, mudariam o sentido da frase.

Texto X

43) Letra d

Ao dizer que não aceita “prêmios de empresas ligadas a grupos multinacionais”, o autor revela o seu amor pelo Brasil; também quando diz que não é traidor do seu povo. A esse sentimento se dá o nome de nacionalismo. Megalomaníaco é todo aquele que tem mania de grandeza. Narcisista é aquele que se acha bonito e se apaixona por sua própria imagem; a palavra tem origem na história do pastor Narciso, que, ao ver sua imagem refletida nas águas de uma fonte, apaixonou-se por ela.

44) Letra b

Venal significa “aquele que se vende, corrupto”; veja que ele diz que não está à venda. Pusilânime é covarde,fmprobo é desonesto. Na realidade, aceitar o prêmio não seria uma postura desonesta, apenas ele se sentiria como que vendido.

45) Letra b

O sentimento de nacionalismo do autor, que já comentamos, faz com que ele ache que aceitar um prêmio desse tipo seria voltar-se contra o seu país, ou seja, ele não estaria servindo ao Brasil, mas às multinacionais. Alguns podem ter pensado na alternativa c. Observe, contudo, que em momento algum ele diz ou sugere que detesta todas as empresas multinacionais. O que ele não quer é que lhe dêem prêmio algum, apenas isso.

46) Letra a

Esse período poderia ser iniciado pela conjunção subordinativa causai porque, ou um seu sinônimo. O fato de ele não ser traidor nem estar à venda faz com que não receba aqueles prêmios.

47) Letra d

É uma questão que pode confundir. Note que quando alguém usa essa expressão, ela não está necessariamente revoltada com alguma coisa, ou irada. Também não se poderia pensar em ironia ou desprezo. Esses sentimentos não afetam o autor ao longo do texto. Dizer “Deus me livre!” é o mesmo que garantir que não se quer, de jeito algum, uma determinada coisa. Daí o gabarito ser a letra d.

Texto XI

48) Letra e

“Transcorrer sem brilho” corresponde semanticamente a ser quase apagado. Das outras opções, a única que talvez confunda o leitor é a primeira, letra a. Acontece que o século XVII não chamou a atenção por ser meio apagado. Teria chamado a atenção dos historiadores se tivesse sido brilhante. Veja também que o autor diz “sem que sobre esse período se detenha a atenção dos historiadores”.

49) Letra a

A questão dispensa comentários, já que se trata de um mero problema de vocabulário. É só consultar um bom dicionário.

50) Letra c

Meia-luz quer dizer pouca luz. Assim, quase pagada surge no texto como um elemento de reforço, um tanto redundante. Não se deve pensar que se trata de uma explicação (letra d), já que elas possuem o mesmo valor semântico. Não se pode dizer, por exemplo, a título de explicação, que um cão é um cachorro. Não se explica nada com o seu sinônimo.

51) Letra b

A letra a é impossível pois não se diz no texto que os historiadores detestaram o século XVII; ao contrário, esse século não chamou a atenção deles. Nas opções c e e, existem comparações envolvendo os séculos XVI, XVII e XVIII; o texto apenas situa, o que é uma coisa lógica, o século XVII entre os outros dois. A opção d nos fala das coisas interessantes da história do Rio de Janeiro; com certeza, elas existem, mas não no texto. A resposta da questão, letra b, se justifica com o que aparece no final do texto: “…os que se deixam fascinar pelos aspectos brilhantes da história.”; esse “os” do trecho corresponde exatamente a certas pessoas, da alternativa b.

Texto XII

52) Letra c

As duas opções que poderiam confundir a cabeça do leitor são a e c. Na letra a, diz-se que o totalitarismo atrapalhou a carreira do cineasta; acontece que ele deixou de fazer filmes. Então não apenas atrapalhou, mas encerrou sua carreira. O texto diz que “A Fraternidade é vermelha” foi seu último filme; foi, por causa do totalitarismo socialista.

53) Letra e

Veja os comentários da questão anterior.

54) Letra c

O sentido geral do texto leva a essa suposição. Podemos juntar duas coisas: ele foi vítima do totalitarismo socialista, que é materialista, e conseguiu chegar perto do conceito de Deus. O cineasta, assim, teria desagradado por sua posição em relação a Deus.

55) Letra c ’

Fraternidade é palavra de valor positivo, lembra união, concórdia, religiosidade etc. Ela está associada no texto à palavra vermelha, que é usada para designar os socialistas e os comunistas e tem uma carga: emocional negativa; em princípio, é paradoxal dizer que a fraternidade é vermelha, pois são termos historicamente antagônicos. Redundância é um tipo de repetição desnecessária; por exemplo: erário público (erário é dinheiro público). Ambigüidade, também chamada de anfibologia, é duplo sentido; por exemplo: Paulo disse ao colega que seu irmão está doente (irmão de quem?). As outras palavras não apresentam dificuldade.

56) Letra d

O cineasta tinha declarado que aquele seria seu último filme. E foi realmente, como se ele tivesse previsto que sua carreira seria interrompida. Não confunda com a opção e. O fato de ele ter sido vítima do totalitarismo socialista fez com que sua carreira se encerrasse. A possível premonição estaria em o cineasta achar que aquele seria seu último filme, e isso realmente ocorrer.

57) Letra c

Como vimos, a palavra vermelho tanto podia designar os socialistas como os comunistas. No texto, por causa da menção ao totalitarismo socialista, ela aparece ligada ao socialismo. Totalitária é palavra que se refere a um regime de força, centralizador, qualquer um, não apenas comunista ou socialista. Materialista é a filosofia que prega a existência apenas do elemento material. Espiritualismo é a crença em algo mais além da matéria e que sobrevive à morte do corpo; todas as religiões são espiritualistas: espiritismo, catolicismo, protestantismo, budismo, judaísmo, islamismo etc. Espiritualismo não é, portanto, sinônimo de espiritismo, como muitos pensam.

58) Letra e

Uma vez que tem valor de causa. Porque, pois, já que porquanto também são conectivos causais. O sentido mudaria radicalmente se usássemos se bem que, que tem valor concessivo, eqüivalendo a embora.

Texto XIII

59) Letra d

A primeira oração do texto diz: “Nem todas as plantas hortícolas se dão bem durante todo o ano…” Então, deduz-se, algumas se dão bem durante todo o ano. O fato de o autor escrever “nem todas” elimina todas as outras opções da questão. Convém ainda destacar que as opções a e c têm mesmo sentido: é uma questão de palavras.

60) Letra a

A resposta se justifica com a passagem “fazer uma estruturação dos canteiros a fim de manter-se o equilíbrio das plantações”. Na letra a isso é dito, porém com outras palavras.

61) Letra d

Por isso é conjunção coordenativa conclusiva. Também o são: portanto, logo, então assim, pelo menos nesse texto, que não teria o seu sentido alterado. A palavra porque nunca tem esse valor de conclusão; o texto com ela ficaria sem coesão e coerência.

62) Letra e

Verduras é, segundo o texto, o nome genérico para folhas, legumes e tubérculos. A letra a pode ser logo eliminada, já que os tubérculos são um tipo de verdura. As opções b e c são eliminadas pois eles não são a mesma coisa; todos são tipos de verduras, mas são tipos diferentes. Na letra d, a palavra inclusive altera o sentido do texto, em que aparece sejam. A letra e aponta exatamente o que diz o final do texto: haverá eqüivale a não faltarão.

Texto XIV

63) Letra d

O texto diz que a Bauduco está comprando a Visconti. Não interessa de quem ela seja subsidiária. Com exceção da opção a, as demais alternativas são absurdas.

64) Letra b

Se você observar bem, vai notar que as alternativas a c têm o mesmo sentido. Na realidade, elas não indicam a conseqüência da proximidade do Natal. A conseqüência é o sigilo do negócio. A expressão em razão de é o mesmo que por causa de, ou seja, tem valor de causa; assim, o sigilo é mantido por causa da proximidade do Natal.

65) Letra d

A idéia do texto é que os varejistas poderiam ficar melindrados por causa do anúncio da união, daí o sigilo mantido pelas empresas.

66) Letra e

A expressão à vista pode significar o oposto de a prazo ou algo que está se aproximando, que já pode ser visto ou sentido. No texto, o sentido é o segundo. A letra c, naturalmente, não tem razão de ser. A negociação é dada no texto como certa, apenas é mantida em sigilo; não cabe, então, a letra a como resposta. Quando se diz que alguma coisa está à vista, ela certamente está próxima, o que invalida a opção b. A opção d é totalmente contrária ao texto, uma vez que a negociação já está ocorrendo. O gabarito só pode ser a letra e.

Texto XV

67) Letra e

O texto fala da morte de uma criança. Vários trechos comprovam isso: “um anjo dorme aqui” (no túmulo), “cedo finou-se” (finar-se significa morrer), “brincar no céu”. Talvez alguns tenham anotado a letra c; acontece que o autor apresenta o fato sem demonstrar a sua própria tristeza: apenas mostra, liricamente, a morte da criança. Também não se pode pensar em um possível apego do autor pela criança; em nenhum trecho isso fica evidenciado, podendo até tratar-se de uma criança desconhecida do autor.

68) Letra e

O autor procura suavizar a idéia da morte. Usa, por exemplo, o verbo dormir, que transmite coisas boas, agradáveis. O próprio verbo finar-se é mais agradável do que o amedrontador morrer. Finalmente, todo o último verso tem essa finalidade, com força maior no verbo brincar. Trata-se de uma figura de linguagem conhecida como eufemismo. Aprosopopéia consiste em se personificar alguma coisa; por exemplo: a árvore ficou triste. Hipérbole é a figura do exagero; por exemplo: estou morrendo de rir. Metonímia é uma troca de palavras, havendo entre elas uma relação real, concreta, objetiva; há vários tipos; por exemplo: ler Machado de Assis (autor/obra), não ter um teto onde morar (parte/todo) etc. Sobre o pleonasmo já falamos alguma coisa, ao comentar a questão 4.

69) Letra b

Normalmente anjo rosa não pertencem ao mesmo campo semântico, já que não possuem nenhum tipo de relacionamento significativo. No entanto, no texto, ambos se referem à criança que morreu.

70) Letra d

Anjo rosa são dois termos metafóricos referentes à criança morta. É como se o autor dissesse: esta criança é um anjo, esta criança é uma rosa. Esse tipo de comparação chama-se metáfora. Veja os comentários da questão 25.Antítese é o emprego de palavras ou expressões de sentido contrário; por exemplo: às vezes ri, às vezes chora.Personificação é o mesmo que prosopopéia (veja comentários da questão 68).

71) Letra c

Levantar (ou alevantar, como escreveu o poeta) o véu significa perceber bem as coisas, esclarecer-se. A pessoa com um véu no rosto não enxerga bem. Levantando esse véu, percebe melhor as coisas. Quem morreu foi uma criança, portanto não teve tempo de conhecer bem a vida, ou seja, não teve tempo de levantar o véu que a sua pouca idade lhe colocava no rosto. É uma expressão metafórica.

72) Letra b

Aurora no texto significa o começo da vida. É uma metáfora. A palavra limiar significa o início, e somentecorresponde a apenas. Por isso o gabarito só pode ser a letra b.

Texto XVI

73) Letra c

A resposta está presente na passagem: “…nunca participaram, eles próprios, em combates contra a ditadura”. Todas as outras características se encontram registradas no texto: o pragmatismo —> “excessivamente pragmáticos”; afalta de sensibilidade —> “não têm a sensibilidade”; a tranqüilidade da vida —> “vida fácil”; as raízes na elite do Brasil —> “vêm da elite brasileira”

74) Letra e

O terceiro que do texto tem como antecedente o substantivo diplomatas, que não são os do Itamaraty.

75) Letra c

Os homens do Itamaraty, segundo o autor, não têm vivência, porque tiveram vida fácil e não lutaram contra a ditadura. Por isso mesmo não têm a sensibilidade de outros diplomatas.

76) Letra a

Várias coisas são afirmadas acerca dos homens do Itamaraty. A conseqüência é que eles ficaram sem sensibilidade. Poder-se-ia começar esse último período por uma conjunção como portanto, que expressa uma conclusão ou conseqüência.

77) Letra d

É uma questão de sinônimos. Uma coisa óbvia é uma coisa evidente, e não necessária, real, justificada ou comprovada. Obviamente tem como sinônimo evidentemente.

78) Letra d

Ter vida fácil, para o autor, é uma característica dos diplomatas do Itamaraty, o que faz com que eles não tenham sensibilidade. Os outros diplomatas conhecidos do autor são sensíveis exatamente por não terem tido vida fácil.

Texto XVII

79) Letra d

Há três alternativas com o verbo considerar. As três podem ser eliminadas, uma vez que o texto não diz que os historiadores consideram alguma coisa. Esse verbo implica algum tipo de julgamento, o que não ocorre em nenhum momento. Diz, sim, que eles notaram a ojeriza que havia pela vida nas cidades, isso porque o Brasil-colônia era essencialmente rural. A alternativa a é descabida. Por isso, o gabarito só pode ser a letra d.

80) Letra b

O fato de o Brasil-colônia ser, segundo o texto, essencialmente rural leva à conclusão lógica de que a vida do campo prevalecia sobre a da cidade.

81) Letra c

Questão de sinônimos. Não há o que discutir. Na dúvida, consulte-se o dicionário.

82) Letra d

É importante, sempre, buscar no próprio texto os elementos necessários para se chegar à resposta da questão. Observe que a letra e, que parece ser a resposta, fala de um controle normativo da língua que i teria sido relaxado por ser o Brasil uma colônia de Portugal. Há aqui uma informação que não encontramos no texto, e nem pode ser deduzida. O que se encontra é que as cidades, por serem simples pontos de comércio ou de festividades religiosas, não podiam influenciar a evolução da língua. Assim sendo, as pessoas não seguiam normas lingüísticas ao se expressarem, e a língua passou a voar com as próprias asas. Por isso, o gabarito deve ser a letra d.

83) Letra b

Esta questão depende, um pouco, do emprego do verbo preferir. A letra c diz que a população não tinha preferência quanto a viver no campo ou na cidade. O texto diz que ela dava preferência à vida no campo. As duas últimas opções também podem ser eliminadas pelo mesmo motivo: na letra d, a preferência seria pela vida em Portugal, enquanto na letra d, pela vida no Brasil; não há esse tipo de comparação no texto. Nas letras a e b, o verbo preferir aparece usado em frases na ordem inversa. Em ambas, a palavra vida está subentendida, depois do pronome demonstrativo “a”. Colocando na ordem direta a frase da opção b, teríamos: preferia a (vida) do campo à vida da cidade. Ou seja, gostava mais da vida do campo do que da vida da cidade, que é exatamente o que diz o texto. Cabe aqui uma outra observação. O objeto direto do verbo preferir é a coisa de que se gosta mais, que se prefere. Por exemplo: prefiro o futebol ao vôlei. O futebol, que é o objeto direto, é a coisa preferida.

Texto XVIII

84) Letra d

É uma questão de coesão textual e coerência. A segunda oração do período inicial do texto começa pela conjunção coordenativa adversativa “mas”. Ou seja, a segunda oração é oposta, adversa, em relação à primeira. Sempre que isso ocorre, podemos eliminar a conjunção adversativa (mas, porém, contudo, todavia etc.) e colocar no início da outra oração uma conjunção subordinativa concessiva (embora, mesmo que, ainda que etc). É o que pode ser feito no texto. Agora, veja, abaixo, um outro exemplo, mais simples. Corri muito, mas não fiquei cansado. Embora tenha corrido muito, não fiquei cansado. Como se vê, o sentido básico de oposição é mantido.

85) Letra e

Vejamos letra por letra. A letra a está errada pois Eduardo Andrade se aposentará logo, ou seja, em curto prazo; como ele pertence ao grupo de vinte grandes executivos, os outros dezenove é que se aposentarão em médio prazo. A letra b deve ser eliminada porque o texto diz que quase todos estão nessa faixa etária, não todos. A letra c deve ser descartada uma vez que Eduardo Andrade se aposentará em curto prazo. A letra d não está correta pois o texto não fala da faixa etária de Eduardo Andrade; ele pode ser um daqueles que não estão na faixa entre 58 e 62 anos. O gabarito só pode ser a letra e, inteiramente de acordo com o texto.

86) Letra c

A empresa se mostra previdente porque, mesmo faltando um bom tempo para a aposentadoria da maioria de seus grandes executivos, ela já faz estudos nesse sentido e prepara um grupo de duzentos aspirantes, dos quais sairão os substitutos.

87) Letra d

Uma questão sutil que depende de um tempo verbal. A alternativa diz que ele está se afastando dos negócios da empresa. Não é verdade. No texto encontra-se o seguinte: “…deverá ir se afastando aos poucos…” Ele não está se afastando, irá se afastar.

88) Letra d

A opção d contém erro pois a empresa pensa, e com muito tempo de antecedência, na renovação de seu quadro de grandes executivos. A renovação se dará com a aposentadoria de cada um.

Texto XIX

89) Letra c

Há pessoas que não sentem a ausência de outras pessoas. Entende-se por “presença da ausência” que a ausência está presente, isto é, a pessoa sente essa ausência. Daí se poder entender como uma ausência sentida.

90) Letra d

O autor destaca, numa linguagem metafórica, coisas boas que a saudade traz. O não tomando a forma do sim, a escuridão passando a luzir, o sol na solidão.

91) Letra d

Presença é antônimo de ausência, isso constitui um antítese. Da mesma forma, não sim. Ausência de luz se opõe semanticamente a clarão. Que veda (que fecha, que não deixa ver) se opõe a traz a visão. Sempre que palavras ou expressões são opostas quanto ao sentido, diz-se que constituem antíteses. Não há essa idéia de coisa contrária entresol solidão, porque solidão não é algo escuro, que se oporia à luz do sol.

92) Letra b

No texto, várias coisas ruins se transformam em boas. Por exemplo, o não (ninguém gosta de uma negativa em determinadas situações) que se transforma em sim.

93) Letra e

Questão bastante delicada. Aparentemente, duas opções serviriam como resposta: c e e. A ligação da oração “mas que se guardou no coração” é com “do que não se pode ver”: do que não se pode ver mas se guardou no coração; então, o que está no coração é o que não se pode ver; por isso a resposta é a letra e. Mas por que a ligação não é com a oração começada por porque? Volte ao texto, por favor, e verifique que essa oração (porque se deixou pra trás) pode ser retirada do texto sem que com ela tenha que ser retirada também a oração iniciada por mas. Outra maneira de comprovar isso é observar o emprego do pronome relativo que: do que não se pode ver mas (do) que se guardou no coração. Realmente, as duas orações estão ligadas diretamente.

Texto XX

94) Letra d

Um texto autobiográfico é aquele em que o autor fala de sua própria vida, de sua própria história. É o que ocorre no texto.

95) Letra c

O autor diz que o uso vulgar é começar o livro pelo nascimento. Assim, começar pela morte é uma coisa menos comum. Cuidado com os jogos de palavras que às vezes as alternativas apresentam. Na opção d, temos “não começar um livro por sua morte”, isto é, começar pelo nascimento, o que é uma coisa comum.

96) Letra b

Quando o autor diz estar em dúvida quanto a começar o livro por seu nascimento ou sua morte, na realidade está afirmando que já morreu. Também se pode chegar a essa conclusão quando ele se diz um defunto autor.

97) Letra e

Além de se colocar como um defunto autor, prestes a escrever sobre a própria morte, o autor afirma que Moisés também fez isso. Então, ambos falaram acerca de suas mortes. A resposta não deve ser a letra a, embora também seja uma semelhança; mas é uma coisa genérica, de pouca importância para o texto, que trata da morte do próprio autor.

98) Letra d

O autor diz que Moisés contou a sua morte no cabo, isto é, no fim. E ele tinha agido diferente, como se vê na linha 4: “a adotar diferente método…”

99) Letra c

No livro do autor, a morte aparecerá em primeiro lugar; Moisés fez diferente: colocou-a no fim. E o autor afirma que a diferença entre seu livro e o Pentateuco é exatamente essa. Assim, deduz-se, o Pentateuco foi escrito por Moisés.

100) Letra d

Autor defunto pode ser entendido como um autor que morreu, daí sua ligação com a palavra campa. Já defunto autorseria alguém que morreu e que passa a atuar como autor, para o qual, como se vê na linha 6, a campa se transformou em berço. Berço, aqui, simbolizando o início de uma nova fase. Por isso a ligação entre defunto autor berço.

101) Letra e

Como um defunto autor ele terá pela frente uma nova fase, em que atuará como autor. Diferentemente do autor defunto, que não teria atividade alguma.

Texto XXI

102) Letra e

No início do texto, lê-se: “…prepara a abertura de uma fábrica no Brasil.” Então, ainda não está instalada aqui. Logo depois, temos: “…chegou ao país há dois anos…”. No final, é feita a citação da Cirio, cliente no Brasil. Juntando-se tudo isso, conclui-se que a resposta é a letra e.

103) Letra e

A alternativa a está errada porque o texto fala da facilidade logística junto ao Mercosul. A Combibloc apenas produz as embalagens para o atomatado Malloa, por isso não procede a alternativa b. A letra c pode confundir o candidato; na realidade, especificamente é a SIG Combibloc que ocupa o 2º lugar mundial, a SIG é o grupo inteiro; o texto, nesse particular, se volta para a Combibloc. Quanto à opção d, o texto diz que a Unilever está instalada no Chile, o que não garante que seja uma empresa chilena. A resposta se justifica com a terceira linha, pois 1 bilhão corresponde a 2/3 de 1,5 bilhão.

104) Letra b

A resposta se justifica com o trecho: “…pela facilidade logística junto ao Mercosul.” A palavra junto é a chave da questão. A letra d, embora pareça satisfazer, é apenas uma conseqüência disso.

105) Letra c

A que mercado se refere o texto? Ao de produção de embalagens longa vida. Na letra c, a palavra mercado está no plural, o que altera o sentido, uma vez que se trata apenas de um mercado.

106) Letra c

É uma questão simples de sinônimos. Não há o que discutir. Incluir não é o mesmo que apontar.

Texto XXII

107) Letra c

A resposta se justifica com o trecho: “Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico…”. A palavra-chave para a questão é o adjetivo metódico, que pressupõe rotina, coisa de que eles não gostavam.

108) Letra b

Questão de sinônimos. Basta consultar um dicionário para conferir. Acurado é o mesmo que especial.

109) Letra d

Cacofonia é o som desagradável que surge na união do final de uma palavra com o início da seguinte; por exemplo, nosso hino (suíno). Neologismo é palavra inventada, que não consta no vocabulário oficial da língua; por exemplo, imexível. Arcaísmo é o uso de termos antigos, em desuso; por exemplo, usar a palavra físico com o sentido de médico. Quanto à ambiguidade, veja os comentários da questão 55. Em tendência espontânea temos uma redundância, uma vez que a tendência é sempre espontânea, ou não seria tendência. Veja mais explicações sobre redundância na questão 55.

110) Letra c

Deduz-se que se trata dos índios, em razão de suas características e por serem chamados de antigos moradores da terra. Na realidade, é uma questão que exige conhecimentos extratexto.

111) Letra b

Justifica-se a resposta com o trecho: “…e que pudessem exercer-se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.” Ou seja, eles eram livres, gostavam de fazer as coisas de acordo com sua vontade, na hora que bem entendessem. A vigilância e a fiscalização os perturbavam, pois não gostavam de regularidade no trabalho.

Texto XXIII

112) Letra e

Quando o autor diz que “não conseguiram as bandeiras realizar jamais a façanha levada a cabo pelo boi e pelo vaqueiro”, está afirmando exatamente o que aparece na opção e, que é uma espécie de paráfrase desse trecho. A alternativa b é perigosa: o boi e o vaqueiro fizeram algumas coisas que as bandeiras fizeram, como a conquista de determinadas terras, mas o boi e o vaqueiro não fizeram as coisas ruins, como o sacrifício de indígenas.

113) Letra c

Quem catequizou os nativos foram o vaqueiro e o boi, como se vê na linha cinco.

114) Letra e

A resposta aparece, bem clara, no trecho: “…sacrificavam indígenas aos milhares…”. Isso é massacre, sem dúvida alguma. Observe que não há menção a possíveis maus-tratos contra os índios; provavelmente ocorreram, mas o texto não diz nada a respeito.

115) Letra d

Enquanto é conjunção, parte da locução enquanto que, onde o que é expletivo. Assim é um advérbio. Elas não têm nenhuma relação com as bandeiras ou com o boi e o vaqueiro, muito menos indicam qualquer tipo de oposição.

116) Letra d

A palavra misteres significa tarefas, atividades, ofícios. Não é sinônima de cuidados, cujo emprego, então, altera radicalmente o sentido do trecho. As outras palavras são sinônimas: catequizando, doutrinando evangelizando; nativo, indígena, aborigine, autóctone.

117) Letra b

A questão têm uma armadilha que muitas vezes derruba o candidato. A expressão “Com todo o aparato de suas hordas guerreiras…” é um adjunto adverbial de concessão, ou seja, é uma oposição ao que se expressa no verbo. Vários elementos podem iniciar esse tipo de adjunto, entre eles, não obstante. Daí a resposta ser a letra b. Agora, veja a armadilha: mesmo também pode ser usada no texto, sem alteração de sentido. Por que, então, a resposta não pode ser a letra a? Porque a palavra mesmo não poderia substituir, como pede a questão, a palavra com, mas antecedê-la. Teríamos, assim: “Mesmo com todo o aparato de suas hordas guerreiras…” Na letra d, a locução usada é a respeito de, com valor semântico de assunto. Não confunda com a despeito de, que poderia substituir a preposição com no trecho.

118) Letra a

O vocábulo aparato pode ser entendido como organização de determinados atos públicos. A expressão hordas guerreiras significa grupos indisciplinados ou bárbaros voltados para a guerra. A resposta só pode ser a letra a.

Texto XXIV

119) Letra d

A oração começada pela conjunção por isso é conclusiva e expressa uma consequência em relação ao fato de mais de 60% dos cariocas ainda se recordarem das Casas da Banha. Daí a resposta ser a letra d. Não poderia ser a letra c, como possa parecer, porque o texto não fala de nenhum acordo proposto à família Velloso, apenas cita o acordo.

120) Letra c

A resposta ao item anterior se ajusta a esta questão. A chave da compreensão é a palavra por isso.

121) Letra e

Funcionamento virtual não quer dizer sem fins lucrativos, o que invalida a letra a. A letra b poderia ser a resposta se a preposição utilizada fosse em, e não de: não venderão em supermercado, o que poderia sugerir a venda virtual. As opções c d são facilmente descartadas; o que o trecho afirma é que as vendas serão feitas apenas (veja a importância da palavra) virtualmente, isto é, pelo computador, e não em lojas, como antigamente.

122) Letra b

Trata-se de uma questão de coesão textual, ou seja, as devidas ligações que existem entre as palavras ou expressões de um texto. Na palavra ressuscitá-la, o pronome la é objeto direto, a coisa ressuscitada, isto é, as Casas da Banha.Daquela, uma desaparecida referem-se também às Casas da Banha. Então, semanticamente, estão ligadas ao pronome la. Isso não ocorre com a palavra pesquisa.

Texto XXV

123) Letra e

O erro da primeira opção é que a GM não é empresa brasileira. A segunda está errada porque o texto diz que a fábrica de Gravataí será usada como piloto, ou seja, ainda vai acontecer. Na opção seguinte, o erro está na palavra semelhante; a fábrica de Gravataí não é semelhante ao que está sendo criado no mundo, ela será o modelo para as outras. A alternativa seguinte não tem o menor apoio no texto, que não fala em transformação da fábrica de Gravataí. A própria GM é que vai se transformar. A última alternativa está de acordo com o texto.

124) Letra c

Dizer que “a Internet passará a nortear todos os negócios do grupo” não significa que os consumidores não poderão comprar em lojas.

125) Letra a

O texto nos diz que a “Internet passará a nortear todos os negócios do grupo”. Isso terá como partida a planta da fábrica brasileira, considerada piloto da transformação. Então, a resposta só pode ser a letra a. Na letra d, a palavra deveria ser totalmente, e não parcialmente, já que a fábrica do Rio Grande do Sul será o modelo para as demais espalhadas pelo mundo.

126) Letra d

Questão que dispensa comentários, pois se trata de sinonímia. Implementação é o mesmo que realização.

127) Letra c

O prazo estabelecido é o ano de 2000.

Texto XXVI

128) Letra b

A locução prepositiva em virtude de introduz termo com valor de causa. O relacionamento das conquistas com o sofrimento do povo é exatamente de causa e efeito. O povo sofreu por causa das conquistas, pois muita gente não voltou para casa.

129) Letra d

A metáfora existe na comparação feita entre o sal do mar e as lágrimas do povo português. Há, pois, uma fusão entre o mar, que simboliza as conquistas, e as lágrimas, que simbolizam o sofrimento. O poeta quer passar a ideia de que não haveria conquistas sem o sofrimento do povo, as duas coisas estão intimamente associadas.

130) Letra c

Apóstrofe é a figura que consiste em chamar, interpelar alguém ou algo. Veja, como exemplo, o conhecido verso de Castro Alves: “Deus, ó Deus, onde estás que não respondes?” em que o poeta está interpelando, chamando Deus. Epíteto de natureza é um tipo de pleonasmo: leite branco, gelo frio, pedra dura; isto é, por sua natureza, o leite é sempre branco, o gelo sempre frio, a pedra sempre dura. Sinestesia é a figura que consiste em misturar sentidos (tato, visão etc.).; por exemplo: som colorido, mistura de audição e visão. As outras figuras já comentamos em questões anteriores. No poema, então, além da metáfora, encontramos uma apóstrofe (Ó mar salgado), um epíteto de natureza (mar salgado) e uma metonímia na palavra Portugal, palavra usada no lugar de portugueses (troca dos habitantes pelo lugar).

131) Letra c

Por causa da locução em vão, a resposta parece ser a letra a. O verso quer dizer que, apesar das orações dos filhos, muitos pais não regressaram. Mas o sofrimento do povo como um todo não pode ser considerado inútil, no momento em que o país conquistou, cresceu. A resposta só pode mesmo ser a letra c, pois, apesar das preces, muita gente perdeu seus entes queridos.

132) Letra e

O fato de se rezar em determinados momentos de aflição não significa necessariamente fé ou religiosidade. Qualquer um, mesmo sem ser religioso, pode orar em certos momentos da vida. É possível, assim, eliminar as alternativas a c. O povo português é, como qualquer povo, inteligente. Mas nada no texto faz menção a isso. Elimina-se, então, a alternativa b. Também seria inadequado considerá-lo ambicioso, a partir dos elementos do texto. A resposta só pode ser mesmo a letra e: o povo demonstra grandeza e tenacidade ao sofrer pelo progresso do país.

133) Letra d

A resposta está, bem clara, na passagem: “Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor.”; isto é, tem que vencer a dor.

134) Letra a

Nele se refere a mar. Entenda-se: é no mar que espelhou o céu.

Texto XXVII

135) Letra e

A resposta não pode ser a letra a porque os carros de bois dividiam a tarefa do transporte com as tropas de muares, como se pode constatar. A letra b contém erro pois as tropas de muares é que surgiram no século XVIII, não havendo citação da época do aparecimento dos carros de bois. A letra c está errada porque os carros de bois foram usados juntamente com as tropas, e não após elas. A letra d também não está correta porque o texto não afirma tal coisa, diz apenas que eles ligavam os núcleos de povoamento entre si e com as roças e lavouras. O gabarito é a letra e pois o texto fala de lamaçais e trilhas quase intransitáveis, que só as tropas e os carros de bois poderiam vencer.

136) Letra d

Como vimos nos comentários da resposta anterior, o estado ruim dos caminhos, por causa das chuvas (lamaçais) e do verão (ásperas trilhas), favoreceu o uso das tropas e dos carros de bois.

137) Letra e

Os comentários das duas últimas questões se aplicam a esta. Vale destacar, aqui, dois trechos do texto: “…foram os carros de bois e as tropas os únicos meios de ligação…” e “De outra forma não se venceriam os obstáculos naturais.”

138) Letra a

Questão de vocabulário. Muares, com possíveis variações de sentido, mulos, burros, mus bestas. Os cavalos não têm relação com os muares.

139) Letra c

O único adjetivo que não se aplica àquele tipo de transporte é nostálgico. Nostalgia é a melancolia causada pela saudade da pátria, segundo os dicionários. Por extensão, melancolia causada por qualquer tipo de saudade. Nada no texto sugere um transporte nostálgico.

Texto XXVIII

140) Letra d

O liberalismo restringe as atribuições do Estado. Locke foi o primeiro teórico do liberalismo. Assim, deduz-se que ele achava necessário restringir as atribuições do Estado. Mas cuidado com letra c. Ela afirma que a participação de Locke foi apenas teórica; não é verdade, se levarmos em conta que ele foi perseguido a ponto de precisar refugiar-se na Holanda.

141) Letra b

Se o liberalismo exprime os anseios da burguesia, segundo o primeiro período do texto, os burgueses só poderiam ser simpáticos a ele. Eles não poderiam ter simpatia pelo absolutismo ou pelos Stuarts, absolutistas por excelência. Não se esqueça de que o liberalismo se opunha ao absolutismo. A perseguição de Locke foi feita pelos absolutistas, o que invalida também a letra d. Agora, observe a letra c: os burgueses não seriam simpáticos às atribuições do Estado, e sim às suas restrições, conforme o final do segundo período do texto.

142) Letra a

Deduz-se do texto que a Revolução acabou com o absolutismo, tanto é que Locke pôde regressar da Holanda. A implantação do liberalismo foi conseqüência imediata da queda do absolutismo.

143) Letra d

A palavra valores não é sinônima de anseios. O texto teria o seu sentido radicalmente alterado. Convém dizer que não há sinônimos perfeitos, em língua alguma. Sinônimos são termos de mesmo significado ou, pelo menos, muito parecido. O enunciado fala em alterar substancialmente, e isso ocorre, sem dúvida, na troca de anseios por valores.

144) Letra e

Essa questão já foi comentada anteriormente. É, inclusive, o tema do texto.

145) Letra c

O texto não diz quem foi Guilherme de Orange, mas ele foi chamado “para consolidar a nova monarquia parlamentar inglesa”. Isso só poderia ocorrer se ele tivesse ideias liberais, pois o liberalismo estava se implantando naquele momento.

Texto XXIX

146) Letra d

A letra a pode parecer a resposta, mas contém um erro: as companhias de energia elétrica não se negaram a pagar os bônus. Segundo o texto, “…os consumidores não precisavam ter lançado mão da Justiça para poder ter a garantia desse direito”, ou seja, as pessoas ficaram com medo de não receber, por isso apelaram; mas o texto não diz que as companhias se negaram a fazer o pagamento. A letra b é extremamente sutil e capciosa; não se trata de todos os tipos de consumidores, mas apenas dos consumidores de energia elétrica. As letras c e e não têm nenhum respaldo no texto. O gabarito só pode ser a letra d. Veja o que o texto diz a respeito do governo: “…não contou com tamanha solidariedade dos consumidores.”

147) Letra e

A resposta desta questão está expressa no seguinte trecho: “Decididamente, os consumidores não precisavam ter lançado mão da Justiça para poder ter a garantia desse direito.”, ou seja, os bônus seriam pagos de qualquer forma, mesmo porque o próprio presidente da República garantiu isso.

148) Letra b

A palavra-chave para responder a essa questão é permanente. Permanente é algo que sempre ocorre.

149) Letra e

Ver os comentários da questão anterior.

150) Letra d

A resposta aparece, clara, no trecho: “Agem como se logo mais na frente não precisassem da população…” (/. 17/18); esse “logo mais na frente” refere-se a um futuro próximo. Eles não estão preocupados com o que virá, pensam apenas no presente.

151) Letra c

A Câmara de Gestão defende os interesses do governo, não das companhias de energia. O presidente não espera pagar, como afirma a opção b: o bônus, segundo ele, será pago. A letra d também está errada, porque não foi a Câmara de Gestão que garantiu o pagamento dos bônus, mas o presidente da República. A letra e não encontra nenhum apoio no texto. A resposta é a letra c. Basta reunir duas coisas: a redução do consumo de energia (1º parágrafo) e o trecho: “…para poder ter a garantia desse direito”.

Texto XXX

152) Letra d

Se o setor automobilístico impulsiona a economia de um país, como se vê no primeiro período, ele é de capital importância. Portanto, a economia não pode ficar sem o setor automobilístico. Corroboram essa afirmação os números apresentados ao longo do texto.

153) Letra c

A resposta surge, bem nítida, no trecho: “É consenso entre os economistas…” Consenso é acordo de opiniões, e o texto não fala, em momento algum, que se trata de economistas apenas ligados ao setor automobilístico.

154) Letra e

A letra a não satisfaz pois o texto nos informa da importância do setor automobilístico na economia de “qualquer país”. As letras b e c são absurdas, totalmente contrárias ao tema do texto, que é a importância desse setor na economia. A letra d poderia confundir, mas ela fala de sustento, ou seja, todas as despesas de um indivíduo para que ele se mantenha; o texto diz apenas que 5 milhões dependem, em maior ou menor grau, do setor automobilístico; depender em menor grau não pode ser entendido como tirar o seu sustento desse setor. A resposta é a letra e porque, como se afirma no último período do texto, 1 em cada 4 reais foi gerado no setor automobilístico, o que quer dizer que três quartos não tiveram relação com a indústria de automóveis.

155) Letra c

A questão se baseia na diferença de sentido entre duas expressões muito conhecidas: a princípio e em princípio. A princípio é uma locução que só deve ser usada com o sentido de no começo, que é o que ocorre com a começar, no trecho destacado. Por isso, a princípio, começando, principiando iniciando podem ser usadas sem prejuízo do sentido. Em princípio equivale a em tese, teoricamente, não podendo, pois, substituir a começar.

156) Letra a

A resposta se encontra no trecho: “Até na construção civil a presença das rodas é enorme.” Assim, a letra b fica automaticamente eliminada. Os 216 bilhões de dólares é a quantia movimentada pelo setor automobilístico, não apenas com os salários. A letra d é facilmente descartada. A letra e pode parecer a resposta, mas contém erro: o que o texto diz é que cada emprego em uma fábrica de automóveis gera outros 46 empregos indiretos, isto é, sem ligação direta com a fábrica; não se podem somar esses números, o que daria 47.

157) Letra c

A palavra até indica inclusão. A construção civil seria mais um segmento em que está presente o setor automobilístico. Assim, existem alguns segmentos.

Texto XXXI

158) Letra d

Os gregos antigos não conheciam o planeta Urano, que só foi descoberto em 1781. No inicio do texto se diz que os gregos e povos ainda mais antigos conheciam determinados planetas. A semelhança, segundo o texto, realmente existe. A letra d é a resposta porque traz uma afirmação não contida no texto (veja o enunciado da questão). A maneira que eles tinham de fazer a diferença não dependia do uso de aparelhos; é, por sinal, o que afirma a opção e.

159) Letra c

No momento em que algumas coisas podem ser descobertas a olho nu, a resposta só pode ser a letra c.

160) Letra d

A locução graças a tem valor de causa, mas também indica soma (é igual a e); apesar de, concessão, oposição; com, modo; em, tempo. Só a preposição por, no trecho, indica causa: por ser própria —> porque é própria.

161) Letra e

O trecho nos diz que os gregos e os povos mais antigos conheciam esses astros. Na letra e, com o emprego da locução prepositiva através de, o sentido se altera. A ideia passa a ser que alguém conhecia esses astros, por intermédio dos gregos e de povos mais antigos. Muda o agente da ação verbal.

162) Letra a

O texto diz que “as estrelas não variam de posição” e que “os planetas mudam de posição no céu”. Também afirma que “as estrelas têm uma luz…que pisca levemente” e que “os planetas…têm um brilho fixo”.

163) Letra d

O texto diz que o primeiro planeta muito distante da Terra a ser descoberto foi Urano. Já eram conhecidos Marte, Júpiter, Vênus, Saturno e Mercúrio. Assim, Plutão só pode ter sido descoberto depois de Urano.

164) Letra e

A resposta se encontra no seguinte trecho: “…”as estrelas, em curtos períodos, não variam de posição umas em relação às outras.” Se elas não variam em curtos períodos, é que variam em períodos longos de tempo.

Texto XXXII

165) Letra c

Comparemos dois trechos do texto: “…o Rosa não mudou.” e “É claro que houve mudanças desde sua descoberta pelos forasteiros.” . Por isso, uma pequena contradição do autor.

166) Letra d

No primeiro parágrafo, o autor nos fala que, em meados dos anos 70, a Praia do Rosa permanecia exclusiva de poucas famílias de pescadores. Então, ela não despertou a atenção de surfistas e exploradores no início dos anos 70.

167) Letra b

O autor apresenta, com naturalidade, as excelências da Praia do Rosa. Até o momento em que fala das baleias. Ele mostra uma certa admiração, quando repete, numa interrogação, a palavra baleias. Mais admirado fica por se tratar de uma espécie não muito comum, as baleias francas, “que chegam a impressionantes 18 metros e até 60 toneladas”. As outras alternativas se eliminam naturalmente.

168) Letra d

A resposta da questão se encontra claramente expressa no seguinte trecho: “…esta região resiste intacta graças a um pacto entre moradores e donos de pousadas.”. A locução prepositiva graças a introduz adjunto adverbial de causa. Assim, o que ocasionou a preservação do Rosa foi o pacto, que, inclusive, não permitiu a especulação imobiliária.

169) Letra d

A palavra mesmo que inicia o referido período tem no trecho um valor claramente concessivo, ou seja, sua oração se opõe à oração seguinte, que é a principal. A despeito de, não obstante, ainda que posto que têm, todas elas, valor concessivo. Já a locução conjuntiva contanto que têm valor de condição. Seu emprego, naturalmente, altera o sentido do trecho, aliás, mais do que isso, deixa-o sem coerência.

170) Letra a

A palavra possui, num dado texto, valor denotativo quando empregada com seu sentido normal, primitivo, real. Por exemplo, a palavra flor em “A flor é bonita”. Tem valor conotativo, quando usada com sentido especial, figurado. Como exemplo, a palavra flor em “Essa menina é uma flor”. Uma menina não pode ser uma flor, se se tratar realmente do vegetal. Ela só pode ser entendida se desdobrarmos a frase numa comparação: “Essa menina é bonita como uma flor.” A palavra generosas, no texto, não pode ser entendida como boas, caridosas etc. Literalmente, as ondas não podem ser generosas.

171) Letra c

A palavra badalado é um exemplo de linguagem descontraída, popular. Significa exatamente “muito falado”. Convém lembrar que nem sempre é fácil distinguir a linguagem culta, seja literária, jornalística ou outra qualquer, da linguagem dita popular ou coloquial. Um bom dicionário pode ajudar, pois costuma fazer a distinção entre uma coisa e outra. Considere linguagem popular, por exemplo, as gírias de um modo geral.

Texto XXXIII

172) Letra d

A resposta se encontra no primeiro período do texto. Quando percebemos que a vida é difícil para todos, poupamo-nos da autopiedade. Cuidado com a opção b: na realidade, nós nos dispomos a ajudar os outros quando nos livramos da autopiedade, ou seja, quando percebemos que as outras pessoas também sofrem. Veja o que aparece noutras linhas: “É melhor ter pena dos outros…”

173) Letra d

O texto, como um todo, fala que não devemos ficar chorando pelo caminho, culpando o que quer que seja pelo que nos ocorre de ruim. Devemos, sim, lutar para vencer as dificuldades, que são naturais em nossa caminhada. Observe o trecho seguinte: “Não vale a pena perder tempo se queixando dos obstáculos que têm de ser superados para sobreviver e para crescer.” O autor afirma que os obstáculos têm de ser superados, e isso, naturalmente, pede esforço.

174) Letra e

A resposta está bem clara no trecho seguinte: “Ter pena de si mesmo é uma viagem que não leva a lugar nenhum.” Autopiedade é ter pena de si mesmo e não leva a lugar nenhum, isto é, a nada.

175) Letra b

No final do texto, encontramos o seguinte: “A questão não é receber boas cartas, mas usar bem as que lhe foram dadas.” Usar bem as cartas é o mesmo que saber jogar.

176) Letra d

É claro que todos esses sentimentos poderiam servir como resposta. No entanto, só uma opção tem realmente apoio no texto. A letra d é a resposta, como se observa no trecho: “…obstáculos que têm de ser superados para sobreviver e para crescer.”

177) Letra e

Segundo o autor, para resolver problemas, devemos usar as nossas melhores qualidades, que são “capacidade de amar, de tolerar e de rir”. Por isso a resposta é amor (capacidade de amar), tolerância (capacidade de tolerar) e alegria (capacidade de rir).

178) Letra c

Para o autor, as nossas dificuldades são uma coisa absolutamente natural, como se vê nas linhas 5 e 6. Se elas são naturais, são inerentes ao ser humano, não dependem de nós, portanto não as podemos evitar.

Texto XXXIV

179) Letra e

Alguns trechos sugerem essa postura do autor, principalmente o seguinte: “Agora as leis do mercado importam mais do que as leis da ética.” As leis do mercado, evidentemente, dizem respeito ao capitalismo. Só que – e aí está a maior crítica – elas valem mais do que as leis da ética.

180) Letra b

A palavra-chave, aqui, é liberdade, intimamente associada à democracia. O questionamento – e isso está bem claro – é a quantidade de pessoas famintas, apesar da liberdade trazida pela democracia.

181) Letra e

O pronome pessoal “lhes” não tem como referente o termo “seus governantes”, e sim “aqueles povos”. Entende-se: “Mas é negado àqueles povos o direito de escolher…”

182) Letra d

Eles não são totalmente livres porque, como se vê no último parágrafo, não têm o direito de escolher um sistema social que não assegure a reprodução do capital privado

183) Letra c

Questão de sinônimo. Não há o que discutir. A palavra ressaltar significa destacar.

184) Letra c

O paradoxo pode ser entendido como uma contradição, pelo menos na aparência. Os termos que, com base no texto, possuem essa característica são liberdade fome. A liberdade não deveria contribuir para o aumento da fome, conforme coloca o autor. Aliás, o texto se baseia nesse paradoxo, nessa contradição que se tornou uma triste realidade.

185) Letra c

A paráfrase, como já vimos, é uma reescritura em que se mantém o sentido básico do texto. Esta questão é delicada e, com certeza, vai enganar muitas pessoas. O problema é como entender “com o muro de Berlim”. A tendência talvez seja achar que o autor quisesse dizer “com a queda do muro de Berlim”, já que esse é um fato histórico que marcou a humanidade e é recente, comparado com a sua construção. Mas aí o texto não teria lógica alguma. Na realidade, o significado é de “com a construção do muro de Berlim”. Só assim tem sentido o restante do trecho: “ruiu quase tudo aquilo que sinalizava um futuro sem opressores e oprimidos”. Se fosse “com opressores”, a ideia seria realmente de queda do muro de Berlim. A alternativa c apresenta, assim, uma mudança de sentido absurda

ao afirmar “Com a queda do muro de Berlim”.

Texto XXXV

186) Letra d

As opções a e c apresentam o mesmo tipo de erro: a gasolina brasileira não é sempre adulterada nos postos, pois, por amostragem, isso ocorre apenas em quatro postos, num total de doze; da mesma forma, não se pode afirmar que os donos de postos de gasolina adulteram a gasolina, porque disso se entende que todos fazem tal coisa, quando essa prática só pode ser atribuída aos inescrupulosos. A letra b não tem qualquer apoio no texto. A letra e afirma o contrário do texto. A resposta se encontra no seguinte trecho: “Pior: quando adicionado por especialistas, o solvente quase não deixa pistas.”

187) Letra d

O IPT é o instituto que examina as amostras coletadas, como se vê no trecho “…segundo o laudo do IPT…” Os repórteres, claro, não são do IPT, mas da revista Quatro Rodas.

188) Letra e

O texto diz que a adulteração da gasolina é “indetectível em testes simples”. Assim, a revista recorreu ao IPT para que ele, com a cromatografia, pudesse resolver o problema. O fato de o instituto ser insuspeito não pode ser entendido como a causa da escolha, que seria, como o texto bem coloca, a capacidade do IPT de descobrir a adição fraudulenta de solventes à gasolina.

189) Letra b

É uma questão de sinonímia e coesão textual. Segundo é conectivo conformativo, ficando eliminada a letra d, pois não obstante, que equivale a apesar de, tem valor concessivo. Com isso, no trecho destacado, tem valor de modo, o que descarta as letras a e; apesar disso tem valor concessivo, e aliás, retificativo. Já que é conectivo causai, equivalendo a uma vez que, que aparece nas duas opções que não foram eliminadas. A palavra para tem valor de finalidade, correspondendo a a fim de, ficando, então, como resposta, a letra b. A palavra por, se colocada no texto, assumiria um valor causal.

190) Letra e

Há erro na alternativa a porque os solventes só não podem aparecer em determinadas proporções. Veja o que se encontra no final do texto: “…quatro delas estavam adulteradas pela presença de solventes em proporções acima das encontradas na gasolina de referência da refinaria Replan…”. A opção b não tem qualquer respaldo no texto. A alternativa c contém erro, porque, ao detonar o sistema de combustão, os bandidos lesam especificamente o consumidor. A opção d é absurda. A letra e está inteiramente de acordo com o texto. Eis o trecho que justifica a resposta: “…uma revelação esperada…”.

191) Letra d

O texto diz que a gasolina de referência da replan contém solventes, em proporções aceitáveis. Nesse caso, então, o solvente deixa de ser um veneno químico. Nenhum terrorista está adulterando a gasolina: a alternativa b é absurda. Nem todos os donos de postos são inescrupulosos; o problema da alternativa c é, pois, a generalização.

Observe a passagem seguinte: “Com isso, esses bandidos estariam lesando os concorrentes (porque pagam barato pelos adulterantes)…” Esta é a justificativa de a resposta ser a letra d. A letra e não satisfaz, já que em nenhum momento houve a desconfiança de que o problema ocorresse em seu próprio carro, e sim nos postos de gasolina.

192) Letra a

Questão de sinonímia. Deram de equivale no texto exatamente a começaram a. Todas as outras palavras ou expressões alterariam o sentido do trecho.

193) Letra c

A gasolina ideal seria a da Replan porque ela apresenta solventes na proporção adequada. Não é propriamente uma questão de poucos ou muitos solventes, pois isso é relativo. O que conta é a proporção permitida.

Texto XXXVI

194) Letra b

O autor declara que “o otimista é um cara mal-informado”. Para ele, o ministro afegão é otimista em crer numa invasão de turistas. Agora, juntemos tudo isso com o trecho seguinte: “Os umbrais do atraso que FHC anuncia transpor e os encantos turísticos do Afeganistão são boas intenções ainda distantes da realidade.” A resposta, assim, só pode ser a letra b.

195) Letra d

O presidente FHC disse que “já vamos transpor os umbrais do atraso”. Mais adiante o autor afirma: “Quando Maria Antonieta perguntou por que o povo não comia bolos à falta de pão, também pensava que a monarquia havia transposto os umbrais do atraso.” A comparação com FHC fica evidente na palavra também, no trecho destacado. Também une as duas pessoas, FHC e Maria Antonieta, no que toca à ideia de terem sido transpostos os umbrais do atraso. Daí a resposta ser a letra d. A letra e poderia parecer correta, mas está errada. Maria Antonieta não é comparada a um cara mal-informado, ela era malinformada.

196) Letra c

Burra é uma palavra de pouco uso no português atual, com o sentido de cofre. Erário é dinheiro público. Assim, o trecho destacado tem o sentido de cofres do tesouro do Afeganistão. O crédito de esperança seria a possibilidade de haver, de acordo com o otimismo do ministro Abdul Rahman, uma invasão de turistas ávidos por conhecer Tora Bora e Candahar, o que encheria os cofres do país.

197) Letra d

Ao considerar o otimista “um cara mal-informado”, o autor se vale de uma linguagem descontraída, coloquial. Mais precisamente no emprego da palavra cara, com o sentido de pessoa.

198) Letra e

O texto não diz nem sugere que eles estejam descontentes com a situação em seus países, ao contrário, uma vez que se mostram ambos otimistas. Para o autor, eles não têm visão social, por estarem equivocados em seus pontos de vista. O autor não os acusa de demagogos, apenas os considera mal-informados, o que nos leva a aceitar a alternativa e como resposta. A letra d é absolutamente inadequada em relação às idéias contidas no texto.

199) Letra d

A resposta da questão se encontra claramente colocada no trecho: “já vamos transpor os umbrais do atraso”. A palavra já transmite nitidamente a ideia de que o país deixará logo de ser atrasado.

200) Letra c

O autor ironiza ao dizer que o ministro afegão poderia conseguir que muita gente visitasse as cavernas do país se contratasse um dos marqueteiros profissionais do Brasil, que prometem até eleger um poste para a Presidência do Brasil.

201) Letra e

Uma questão bastante sutil. Para alguns, parecerá que não há resposta. Acontece que só o ministro Abdul Rahman supervaloriza a capacidade turística do país; o presidente do Brasil fala em vencer o atraso, sem nenhuma citação ao setor do turismo.

Texto XXXVII

202) Letra c

Todo o texto fala da intolerância entre os homens. Na realidade, o fanatismo, também abordado, é uma conseqüência da falta de tolerância. O trecho que melhor explica a preocupação do autor com a intolerância é o seguinte: “Não há melhor antídoto contra a conduta intolerante que a liberdade…”

203) Letra b

Essa questão pede conhecimentos extratexto. O problema do Brasil, da Argentina, de Cuba e do Peru é de ditadura. O problema da Irlanda, mais precisamente da Irlanda do Norte, é a luta separatista envolvendo católicos e protestantes.

204) Letra e

A resposta se encontra, explícita, na passagem: “A solidariedade e a tolerância democrática, inexistentes no nosso tempo…”

205)Letra e

O antecedente do pronome relativo que não é a palavra pluralidade, colocada imediatamente antes dele, como possa parecer. Faça a substituição e você verá, pelo sentido, que o referente é liberdade: a liberdade consiste em defender idéias próprias.

206) Letra a

Nada no texto opõe o Brasil à Argentina. São apenas citados como países que passaram por problemas semelhantes no que toca à intolerância de seus governos autoritários.

207) Letra d

Questão de sinonímia. Basta consultar um bom dicionário para comprovar. O adjetivo patológico pode ser entendido como doentio, mórbido.

208) Letra c

Realmente muitos pensam que ser livre é fazer tudo aquilo que deseja, mas não é o que o texto nos diz. A letra a é absurda por si mesma. As alternativas b, d e e são parecidas, todas apontam para uma conduta egoística, que o texto procura combater. A resposta surge, clara, na passagem que segue: “…consiste em defender idéias próprias, mas aceitando que o outro possa ter razão.”

Texto XXXVIII

209) Letra d

Todo o texto se baseia, com muito humor, na dificuldade que tem o autor em utilizar determinados aparelhos e objetos do mundo moderno: as torneiras de água quente ou fria, o timer nos videocassetes, a tecla Num Lock nos computadores.

210) Letra b

É uma questão fácil. O autor brinca com o conceito de modernidade e a possível dificuldade dos usuários de aparelhos modernos. Ele mesmo se diz incapaz de reconhecer coisas sabidamente simples.

211) Letra d

A hipérbole, figura de linguagem, aparece em quatro alternativas, de maneira mais ou menos evidente. Na letra a, que talvez possa confundir o leitor, ela se expressa na palavra nunca. Na letra d não existe hipérbole, pois o fato de alguém não saber programar o timer não constitui exagero algum.

212) Letra c

Com bom humor, o autor diz que, para saber usar a supertorneira, é necessário fazer um curso de aprendizagem bastante difícil. Daí ser ela um elemento complicador na vida dos usuários.

213) Letra c

As pessoas neuronicamente prejudicadas seriam aquelas com pouca inteligência, entre as quais ele, brincando, se inclui, já que não consegue fazer determinadas coisas aparentemente simples, como se vê ao longo do texto.

214) Letra d

No primeiro parágrafo do texto, o autor diz que o uso das letras Q e F marginalizaria os analfabetos, pois eles não reconhecem as letras; afirma também que o emprego das cores marginalizaria os daltônicos, que não conseguem distingui-las.

215) Letra c

O Boeing aparece apenas como ilustração de uma dificuldade sentida pelo autor. É claro que, em momento algum, ele fala na possibilidade de dirigir um avião.

216) Letra e

O autor afirma que não consegue gravar a posição das torneiras de água quente ou fria, entre outras coisas. É, nitidamente, um problema de memória.

217) Letra b

Questão de sinonímia. Acuidade pode, dependendo do texto, como este que estamos analisando, significar perspicácia, sagacidade, agudeza de espírito.

218) Letra a

Leia de novo o final do texto. Lá se diz que o autor estava confortável, ou seja, tranqüilo, ao usar, por exemplo, o chuveiro. Aí surgem os novos tipos de torneira.

219) Letra d

O eufemismo aparece na expressão “neuronicamente prejudicadas”, maneira mais suave de dizer sem inteligência, ignorantes etc.

Texto XXXIX

220) Letra c

Biotecnia é a técnica da adaptação dos organismos vivos às necessidades dos homens. Exobiologia é a ciência que estuda a possibilidade de vida extraterrestre. Astrologia é o estudo da influência dos astros no destino e no comportamento dos seres humanos. Ufologia é a ciência que trata da presença na Terra de naves extraterrestres, popularmente chamadas de discos voadores. Astronomia é a ciência que trata da constituição, da posição relativa e dos movimentos dos astros. A resposta, assim, só pode ser a letra c.

221) Letra d

O quarto parágrafo do texto mostra quando um astro entra na fase da maturidade. O exemplo dado é Antares, segundo o texto, “uma amostra de como ficará o Sol daqui a 4,5 bilhões de anos”. Ou seja, o Sol ainda não se encontra na maturidade, porém na meia-idade.

222) Letra c

Uma questão de coesão textual. O período apresentado é formado por duas orações, sendo que a primeira indica causa, e a segunda, conseqüência. É aquela estrutura que se aprende em gramática: tal…que, sendo a oração do que consecutiva. Ora, se começarmos pela segunda oração, com a eliminação desse que, a oração seguinte será subordinada causai. A única conjunção que tem esse valor é porque.

223) Letra e

O erro da letra e consiste em se afirmar que o aumento de calor se dá até a morte da estrela. Veja o que se encontra no 4º parágrafo: “Seu raio chega a aumentar 50 vezes e o calor se dilui.”. Deduzse, então, que o calor não aumenta continuamente até a morte do astro. Chega um momento em que ele, o calor, se dilui.

224) Letra e

Não há nenhuma informação no texto sobre Antares pertencer ou não à Via Láctea. O que se diz é que ela pertence à constelação de Escorpião. Com base no texto, como diz o enunciado, não se pode fazer a afirmação da letra e. Aqui, o conhecimento extratexto do leitor não vem ao caso. É necessário que o texto o diga. Mesmo que a opção fosse “pertence à Via Láctea”, que é a verdade, ela continuaria a ser falsa, porque essa informação não é dada pelo autor.

225) Letra b

A resposta se encontra no último parágrafo, em especial no trecho: “…criando um corpo celeste extremamente denso chamado pulsar, ou estrela de nêutrons.”

226) Letra e

Como se vê no último parágrafo, o buraco negro tem maior densidade do que a estrela de nêutrons, também chamada pulsar. As Pleiades são estrelas jovens, o Sol está na meia-idade, e Antares, na maturidade. São diferentes, mas são estrelas. As outras opções não oferecem maior dificuldade.

227) Letra b

As conjunções porque, mas, ou à medida que introduziriam, na frase, valores de, respectivamente, causa, adversidade, alternância proporção, alterando totalmente o sentido dela. A ideia é de adição, seguimento, conclusão, valores expressos pela conjunção aditiva e.

Texto XL

228) Letra d

Até por exclusão, chega-se naturalmente à opção d. As outras apresentam sentimentos que, em nenhum momento, o autor deixa transparecer: ódio, descontrole, apatia, medo. Na realidade, ele se mostra revoltado com a injustiça social, com os preconceitos etc. E angustiado, em face do sofrimento do povo brasileiro, que nada pode fazer.

229) Letra e

A maior revolta que o autor demonstra é exatamente o fato de mostrarem aos brasileiros os fatos históricos de maneira deturpada, escondendo-se a realidade.

230) Letra d

A alternativa diz que a história oficial, ou seja, a que é apresentada ao povo, tende à versão do fato, e não ao fato em si. Assim, a história acaba sendo mascarada, para enganar.

231) Letra c

Todo o texto expõe a dúvida do autor quanto à independência, que aqui deve ser entendida de maneira mais ampla, não apenas o rompimento histórico com Portugal. O Brasil, segundo o texto, não é independente, no momento em que o povo continua sujeito a decisões arbitrárias de governos autoritários. Assim, o povo não seria de todo livre. Aliás, nem os governantes, para o autor, são livres. Leia o último período do texto, que deixa tudo bem claro.

232) Letra e

Governar a sociedade sem a participação dela é ato de ditadura, seja de que tipo for. Opondo-se a isso, teríamos o governar com a sociedade, característica maior da democracia.

233) Letra a

Todas as coisas desagradáveis levadas a efeito contra o povo (negros, escravos, índios, mulheres, lavradores, operários), durante toda a história do país, apontam para a alternativa a. Não se pode esquecer que, segundo o autor, tudo sempre foi camuflado.

234) Letra d

A frase deve ser entendida não apenas como a dúvida quanto a que caminho seguir, num determinado local. No contexto, ela surge como a convicção de que ele não vai fazer as mesmas coisas erradas que muita gente faz. Quer buscar um novo caminho no que tange às atitudes a serem tomadas na sociedade. É por isso que a frase de Antônio Maria foi aproveitada pelo autor.

235) Letra b

Questão de significado de palavras. É inquestionável. Indelével é o que não se pode delir, ou seja, apagar.

236) Letra d

O texto é uma crítica ao atual governo brasileiro, apesar de citar os governos como um todo. E o enunciado da questão fala em problemas brasileiros da atualidade. Veja o trecho seguinte: “…a pátria navega a reboque do receituário neoliberal…” No momento em que o texto é produzido (2001), o Brasil tem um presidente que se diz neoliberal. É um componente extratexto importante, mas não chega a ser essencial.

237) Letra e

É um modo de mascarar a realidade. O que o autor chama de intelectuais de aparência progressista seriam aquelas pessoas de renome, falando em modernidade como meio de evolução social, mas que acabam transmitindo idéias preconcebidas de maneira camuflada, de tal forma que o povo possa julgar que tudo está como deveria ser. Mesmo porque, segundo o autor, esses intelectuais estariam dando “um toque de modernidade aos velhos e permanentes projetos da oligarquia”. Ou seja, nem tão modernos assim.

238) Letra c

Oligarquia é uma palavra de origem grega que pode ser assim dividida: olig / arqu / ia. Olig significa de poucos, arququer dizer governo ia é um sufixo formador de substantivo. Assim, a palavra quer dizer governo de poucas pessoas.

239) Letra c

A escravidão dos negros é citada no trecho: “…os gritos arrancados à chibata dos negros arrastados de além-mar…” ; a opressão dos índios, na passagem: “…ressoam os dos índios trucidados pela empresa colonizadora…” discriminação da mulher, no trecho: “índios, negros, mulheres, lavradores e operários não merecem a cidadania…”; a fome do povo, na passagem: “…50 milhões de pessoas que não dispõem de R$ 80 mensais para adquirir a cesta básica.”. Não há nenhuma citação ou alusão ao voto-cabresto do Nordeste.

240) Letra a

A casa-grande era a casa dos senhores; os escravos ficavam na senzala. O governo estaria na casa-grande, dominando o povo, como se este estivesse numa senzala.

241) Letra e

Todo o texto leva à ideia de que o povo nunca teve voz ativa no país. Sempre teve que aceitar o que lhe foi imposto. Daí a resposta ser a letra e, pois na democracia o povo tem participação ativa.

242) Letra d

Em todo o parágrafo, sente-se esse clima de esperança. Para o autor, nem tudo está perdido. O que melhor justifica essa resposta é a mobilização do Grito dos Excluídos. Se as entidades, religiosas ou não, estão agindo, ainda se pode ter alguma esperança.

Texto XLI

243) Letra d

É uma questão fácil. Todo o texto trata da discordância do autor em relação à famosa frase do astronauta. Aliás, isso é dito logo no primeiro período: “Ele não podia ter arrumado outra frase?” Depois, o ensaísta apresenta os seus argumentos.

244) Letra c

A resposta está na segunda metade do primeiro parágrafo, quando diz que a frase poderia ter sido “mais natural”, “menos pedante”, “mais útil” ou “mais realista”.

245) Letra a

Observe que as opções b, c e d se opõem, pelo sentido, às outras duas. A dúvida maior fica por conta das alternativas a e e. Com uma leitura atenta, verifica-se que o autor, em nenhum instante, deixa transparecer que duvida de que o homem tenha ido à Lua. A resposta é a letra a, porque o enunciado fala em algo exótico, ou seja, estranho. Aconteceu, mas é estranho, decepcionante, não encanta mais as pessoas, como a viagem de Gulliver encantava, quando de sua publicação.

246) Letra c

A resposta está, direta e integral, no segundo período do segundo parágrafo: “Convencionou-se que eventos solenes pedem frases solenes.”

247) Letra b

O que se afirma na opção a é descartado pelo ensaísta quando escreve que “a posteridade guarda também frases debochadas”. O mesmo se aplica à alternativa c. A letra d pode confundir o leitor, mas o que ela apresenta não é a opinião do autor, como pede o enunciado, e sim uma convenção da sociedade. A última opção não tem nenhum apoio no texto. A alternativa b, que é a resposta, pode ser constatada no período: É a história em sua versão, velhusca e fraudulenta,…”

248) Letra d

A questão é independente do texto. A metonímia é a troca de palavras quando entre elas existe uma relação objetiva, real. No caso da questão, a palavra suor está sendo usada no lugar de trabalho, ou seja, ocorreu a troca da causa pelo efeito.

Que país é este? – Atividade de interpretação




Ao longo dos artigos deste blog tenho falado a respeito da interpretação de texto e de muitos recursos que a própria língua oferece para que entendamos as informações, expressemos bem o que desejamos falar e, dessa forma, mudemos o mundo a nossa volta. Sei bem que a interpretação de textos é a pedra no sapato de muitos, mas isso não é desculpa para não estudar. Neste artigo você verá mais uma série de exercícios interessantes para quem deseja aprender mais e se preparar para as provas do Enem e dos vestibulares.

Atividade de interpretação

Que país é este, que nega oportunidades às suas crianças e jovens, em qualquer que seja a profissão, de serem atores na vida? Milhões de brasileiros precisam, apenas, ter o direito à educação para dar, com dignidade, sua contribuição à sociedade.

Milhares de crianças utilizam sua criatividade, inteligência e seus dons apenas para sobreviver. São artistas nos sinais de trânsito, pedintes do asfalto. No entanto, a grande e esmagadora maioria tem como alternativas a violência, o furto, as drogas e a morte prematura.

É possível transformar essa realidade e isto custa muito pouco.

(Maurício Andrade, Coordenador Geral da Ação da Cidadania)

1) Este texto serve de introdução a um programa da peça teatral “Menino no meio da rua”, que aborda a esperança de mudar a vida de muitos meninos de rua; analise os trechos a seguir:

I – “Que país é este, que nega oportunidades às suas crianças e jovens, em qualquer que seja a profissão, de serem atores na vida?”

II – “Milhões de brasileiros precisam, apenas, ter o direito à educação para dar, com dignidade, sua contribuição à sociedade.”

in – “Milhares de crianças utilizam sua criatividade, inteligência e seus dons apenas para sobreviver.”

IV – “São artistas nos sinais de trânsito, pedintes do asfalto.”

Os trechos do texto que fazem alusão ao mundo do teatro são:

a) I – III




b) II-IV

c) I-IV

d) II-III

e) III – IV

2) Ao perguntar, no texto 1, “Que país é este…?”, o autor deseja:

a) satisfazer uma curiosidade.

b) tomar conhecimento de algo.

c) definir o seu país.

d) protestar contra uma injustiça.

e) revelar algo desconhecido.

3) “Que país é este, que nega oportunidades às suas crianças e jovens, em qualquer que seja a profissão, de serem atores na vida?”; neste segmento do texto, com a expressão “de serem atores na vida”, o autor quer dizer que:

a) muitos meninos e meninas poderiam trabalhar em teatro.

b) crianças e jovens são atores para sobreviver.

c) ser ator é uma atividade que não requer muito estudo.

d) trabalhar em circo pode ser a saída de sobrevivência para muitos.

e) todos deveriam ter a oportunidade de ser alguém na vida.




4) Ao usar apenas no segmento “Milhares de crianças utilizam sua criatividade, inteligência e seus dons apenas para sobreviver.”, o autor quer dizer que:

a) as crianças têm pouco a oferecer.

b) o talento das crianças poderia ser mais bem empregado.

c) milhares de crianças lutam pela sobrevivência.

d) as crianças têm pouca criatividade e inteligência.

e) a sobrevivência é apenas uma das preocupações das crianças.

5) “São artistas nos sinais de trânsito, pedintes do asfalto.”; o comentário INCORRETO sobre esse segmento do texto é:

a) ser artista no sinal de trânsito é mostrar criatividade para a sobrevivência.

b) “artista” e “pedinte” são atividades que se opõem em dignidade.

c) “asfalto” se opõe tradicionalmente a “morro”.

d) todo o segmento se refere a “milhares de crianças”, no período anterior.

e) “artistas” está usado, neste caso, com sentido pejorativo.

6) “No entanto, a grande e esmagadora maioria tem como alternativas a violência, o furto, as drogas e a morte prematura”; a afirmativa correta a respeito desse segmento do texto é:

a) a grande e esmagadora maioria das crianças que ficam nos sinais de trânsito são marginais.

b) grande parte das crianças que são artistas nos sinais de trânsito acabam vítimas da violência em que vivem.

c) as doenças e a falta de assistência levam grande parte das crianças à morte prematura.

d) a maior parte das crianças de rua apelam para a marginalidade como alternativa de sobrevivência.

e) o uso de drogas é a única causa de morte prematura das crianças.

7) A frase final desse segmento do texto – “É possível transformar essa realidade e isso custa muito pouco”. – soa como:

a) condenação

b) esperança

c) desespero

d) sentimentalismo

e) protesto

Gabarito dos exercícios

1) Letra c

As referências ao mundo do teatro são feitas nos itens I e IV, no emprego, respectivamente, das palavras atores e artistas. O item in pode confundir um pouco, por causa da palavra criatividade. Esta, no entanto, pode ser aplicada a qualquer ramo de atividade humana, ou seja, não apenas os artistas e autores teatrais são criativos.

2) Letra d

Todo o texto é um protesto contra o abandono das crianças de rua, impedidas de progredir e dar, no futuro, uma efetiva contribuição à sociedade. Com a pergunta, o autor se mostra indignado pelo fato de o país negar às crianças e jovens a oportunidade do progresso a que todo indivíduo tem direito.

3) Letra e

A palavra atores é uma metáfora com base na criatividade desse grupo de profissionais. Assim, as alternativas a, b e d devem ser eliminadas, pois tratam da atividade de ator, denotativamente falando. A opção c é inteiramente descabida, não tendo qualquer relação com o texto.

Realmente, ser ator na vida significa fazer alguma coisa de bom, dar vazão à sua competência e criatividade, sendo isso o que se nega às crianças e jovens, segundo o autor.

4)Letra b

A palavra apenas é uma palavra denotativa de exclusão. Se a criatividade, a inteligência e os dons são usados, de acordo com o texto, apenas para sobreviver, é sinal de que eles deveriam ser usados também para outras coisas, ou seja, deveriam ser mais bem empregados, como diz a opção b.

5) Letra e




A palavra artistas nada tem de pejorativo no texto. Ao contrário, ela está sendo usada para destacar a criatividade das crianças e dos jovens. A letra c pede algum conhecimento extratexto, a oposição que se criou na sociedade entre o asfalto (onde teoricamente estariam as pessoas com melhor situação financeira) e o morro, que lembra indevidamente as favelas e abriga cidadãos de menor poder aquisitivo.

Quanto à letra d, a ligação apontada é exata e constitui um processo de coesão textual. As alternativas a e b não oferecem dúvidas.

6) Letra d

Essa questão é delicada, pela semelhança de algumas opções.

Não se esqueça de que ela está centrada no trecho em destaque, e não em todo o texto. A palavra-chave é alternativas, que também se encontra na opção d, embora no singular. A ideia é a seguinte: como essas crianças não têm oportunidades de vida, acabam optando pela alternativa do crime, como meio de sobrevivência.

7) Letra b

Algo possível é algo sobre o qual se pode ter esperança. Reforça a ideia o fato de que custa pouco. Outra maneira de ver: esperança vem do verbo esperar, ter expectativa. Só se espera alcançar alguma coisa quando ela é possível.

O medo social – atividade de interpretação




Recentemente falava a alguns alunos sobre a prova do Enem numa aula de interpretação de textos. Mais precisamente, a aula era de figuras de linguagem e comentava que elas estão presentes sobretudo nos textos literários. Na redação do Enem, por exemplo, não é aconselhável usar o sentido conotativo, exceto quando isso contribuir para o que se quer dizer e for colocado entre aspas. Incrível como os alunos ainda têm duvidas simples no que se refere à interpretação de textos. Por isso mesmo estes exercícios são necessários e já até coloquei o gabarito comentado ao final para que você verifique seu desempenho neste simulado.

Atividades de interpretação para vestibular

O MEDO SOCIAL

No Rio de Janeiro, uma senhora dirigia seu automóvel com o filho ao lado. De repente foi assaltada por um adolescente, que a roubou, ameaçando cortar a garganta do garoto. Dias depois, a mesma senhora reconhece o assaltante na rua. Acelera o carro, atropela-o e mata-o, com a aprovação dos que presenciaram a cena. Verídica ou não, a história é exemplar, ilustra o que é a cultura da violência, a sua nova feição no Brasil.

Ela segue regras próprias. Ao expor as pessoas a constantes ataques à sua integridade física e moral, a violência começa a gerar expectativas, a fornecer padrões de respostas. Episódios truculentos e situações-limite passam a ser imaginados e repetidos com o fim de caucionar a ideia de que só a força resolve conflitos. A violência torna-se um item obrigatório na visão do mundo que nos é transmitida. Cria a convicção tácita de que o crime e a brutalidade são inevitáveis. O problema, então, é entender como chegamos a esse ponto. Como e por que estamos nos familiarizando com a violência, tornando-a nosso cotidiano.

Em primeiro lugar, é preciso que a violência se torne corriqueira para que a lei deixe de ser concebida como o instrumento de escolha na aplicação da justiça. Sua proliferação indiscriminada mostra que as leis perderam o valor normativo e os meios legais de coerção, a força que deveriam ter. Nesse vácuo, indivíduos e grupos passam a arbitrar o que é justo ou injusto, segundo decisões privadas, dissociadas de princípios éticos válidos para todos. O crime é, assim, relativizado em seu valor de infração. Os criminosos agem com consciências felizes. Não se julgam fora da lei ou da moral, pois conduzem-se de acordo com o que estipulam ser o preceito correto. A imoralidade da cultura da violência consiste justamente na disseminação de sistemas morais particularizados e irredutíveis a ideais comuns, condição prévia para que qualquer atitude criminosa possa ser justificada e legítima.

(Jurandir Freire Costa)

1) “No Rio de Janeiro, uma senhora dirigia seu automóvel com o filho ao lado. De repente foi assaltada por um adolescente…”; a passagem do pretérito imperfeito para o pretérito perfeito marca a mudança de:

a) um texto descritivo para um texto narrativo

b) a fala do narrador para a fala do personagem

c) um tempo passado para um tempo presente

d) um tempo presente para um tempo passado

e) a mudança de narrador

2) A narrativa contida no primeiro parágrafo tem a função textual de:

a) exemplificar algo que vai ser explicitado depois,

b justificar a reação social contra a violência.

c) despertar a atenção do leitor para o problema da violência.

d) mostrar a violência nas grandes cidades.

e) relatar algo que vai justificar uma reação social.

3) Idéia não contida no texto é:

a) a violência cria regras próprias.

b) os criminosos agem segundo regras particulares;

c) a violência aparece socialmente justificada.

d) a violência aparece como algo inevitável.

e) a violência requer uma ação governamental eficiente.

4) Segundo o texto, para que a lei deixe de ser o remédio contra a violência é necessário:descomplica-home

a) que as leis se tornem obsoletas.

b) que os governos descuidem dos problemas.

c) que a violência se banalize.

d) que os marginais se tornem mais audaciosos.

e) que a violência crie regras próprias.

5) “Nesse vácuo, indivíduos e grupos passam a arbitrar o que é justo ou injusto…”; o comentário correto sobre esse segmento do texto é:

a) O vácuo referido é o espaço vago deixado pela ação governamental.

b) Indivíduos e grupos passam a tomar a lei em suas mãos.

c) A justiça acaba sendo determinada pelos marginais.

d) A injustiça acaba por elaborar as leis.

e) Passa a vigorar a lei do mais esperto.

6) “A imoralidade da cultura da violência consiste justamente na disseminação de sistemas morais particularizados e irredutíveis a ideais comuns…”; isso significa que:

a) na cultura da violência todos os marginais pensam de forma semelhante.

b) a imoralidade da cultura da violência se localiza em pequenos grupos.

c) na cultura da violência todos saem perdendo.

d) na cultura da violência, os ideais comuns inexistem.

e) a violência dissemina ideais comuns irredutíveis.

7) “O crime é, assim, relativizado, em seu valor de infração.”; uma forma de reescrever-se a mesma frase, mas com perda do sentido original, é:

a) O valor de infração do crime é, assim, relativizado.

b) Assim, o crime foi relativizado em seu valor de infração.

c) O crime tem seu valor de infração, assim, relativizado.

d) Assim, o crime é, em seu valor de infração, relativizado.

e) Relativiza-se, assim, o valor de infração do crime.

Gabarito das atividades de interpretação

1) Letra a




É uma questão mal formulada, pois não deixa nítida a ideia de descrição contida no pretérito imperfeito. Mas o pretérito perfeito, por indicar uma ação extinta praticada por um elemento que não a senhora (e aí temos personagens), nos permite classificar o trecho como narrativo.

2) Letra a

O primeiro parágrafo se limita a mostrar o problema da senhora assaltada que, dias depois, atropela e mata o assaltante. É como uma introdução, que será retomada e desenvolvida nos parágrafos seguintes. Observe que essa explicitação começa logo no primeiro período, ligado ao parágrafo anterior pela palavra ela, que se refere à violência.

3) Letra e

Vamos localizar o que se afirma em cada alternativa. Opção a: “Ela segue regras próprias”. Opção b: “…pois conduzem-se de acordo com o que estipulam ser o preceito correto”. Opção c: “…condição prévia para que qualquer atitude criminosa possa ser justificada e legítima”. Opção d: “Cria a convicção tácita de que o crime e a brutalidade são inevitáveis”

616) Letra c

A resposta se acha no trecho: “Em primeiro lugar, é preciso que a violência se torne corriqueira para que a lei deixe de ser concebida como o instrumento de escolha na aplicação da justiça.” Na realidade, o enunciado apenas inverte o que aparece no trecho. O remédio de que fala a questão é “o instrumento de escolha na aplicação da justiça”.

4) Letra b

No último parágrafo, o autor nos diz que quando as leis perdem o valor normativo e os meios legais de coerção ficam sem a força que deveriam ter, cria-se um vácuo, um vazio. Então, “indivíduos e grupos passam a arbitrar o que é justo ou injusto…”, isto é, tomam a lei em suas mãos, já que ela nada consegue fazer. Arbitrar o que é justo ou injusto é o mesmo que tomar a lei em suas mãos.

5) Letra d

A cultura da violência dá origem a sistemas morais particularizados, em detrimento dos ideais comuns. Ou seja, cada um resolve o problema à sua maneira, e os ideais comuns deixam de existir.

6) Letra b

Questão de paráfrase, que pode enganar. Na realidade, o que é relativizado é o valor de infração do crime, e isso pode ser dito de várias maneiras. Na letra b, a simples troca do tempo verbal (é -> foi) altera o sentido da frase original.

Entrevista – Atividade de interpretação




Nas linhas abaixo você verá oito exercícios de interpretação que foram usados numa avaliação de Ensino Médio na rede em que trabalho. No Enem, a interpretação de textos é  carro chefe das questões de Linguagens. Nela é exigido do candidato que ele entenda o vocabulário, defina o contexto e, a partir do seu conhecimento de mundo, escolha a alternativa que considera correta. Teste seus conhecimentos na busca dos 1000 pontos da prova de Linguagens e prepare-se para a prova de redação, pois ela, sozinha, tem o mesmo valor das muitas questões de Gramática e Literatura. Veja aqui um artigo em que falo sobre como fazer uma redação exemplar.

Lista de atividades de interpretação de textos

ENTREVISTA COM MICHAEL SERMER

Repórter: Como o senhor justifica a vantagem do pensamento científico sobre o obscurantismo?

MS – A ciência é o único campo do conhecimento humano com característica progressista. Não digo isso tomando o termo progresso como uma coisa boa, mas sim como um fato. O mesmo não ocorre na arte, por exemplo. Os artistas não melhoram o estilo de seus antecessores, eles simplesmente o mudam. Na religião, padres, rabinos e pastores não pretendem melhorar as pregações de seus mestres. Eles as imitam, interpretam e repetem aos discípulos. Astrólogos, médiuns e místicos não corrigem os erros de seus predecessores, eles os perpetuam. A ciência, não. Tem características de autocorreção que operam como a seleção natural. Para avançar, a ciência se livra dos erros e teorias obsoletas com enorme facilidade. Como a natureza, é capaz de preservar os ganhos e erradicar os erros para continuar a existir.

(Diretor da ONG contra superstições -Veja, n° 1733)

1) Em termos argumentativos, pode-se dizer que:

a) a argumentação apresentada por MS se apoia em testemunhos de autoridade.

b) a tese apresentada está explícita em “a ciência se livra dos erros e teorias obsoletas com enorme facilidade”.

c) o público-alvo a ser convencido é o conjunto de pessoas ligadas, de uma maneira ou outra, ao obscurantismo.

d) os argumentos apresentados na defesa da tese se fundamentam ora na intimidação, ora na persuasão.

e) por ser de caráter científico, a subjetividade do argumentador é completamente desprezada na argumentação.

2) O segmento do texto que se volta para a própria construção do texto é:

a) “Não digo isso tomando o termo progresso como uma coisa boa, mas sim como um fato.”

b) “O mesmo não ocorre na arte, por exemplo.”

c) “Na religião, padres, rabinos e pastores não pretendem melhorar as pregações de seus mestres.”

d) “Para avançar, a ciência se livra dos erros e teorias obsoletas com enorme facilidade.”

e) “Como a natureza, é capaz de preservar os ganhos e erradicar os erros para continuar a existir.”

3) Teorias obsoletas significa:descomplica-home

a) que caíram em desuso, antiquadas.

b) que foram construídas de forma errada.

c) de cuja origem não se tem conhecimento.

d) que se fundamentam em crendices.

e) que foram estabelecidas há muito tempo.

4) A característica da ciência que a torna superior à religião, à arte e à crendice é:

a) a impossibilidade de errar

b) a mudança contínua

c) a preocupação teórica

d) a permanente autocorreção

e) a ausência de imitação

5) O vocábulo em que o elemento auto NÃO tem o mesmo valor semântico presente em autocorreção é:

a) autogestão

b) autocrítica

c) autômato

d) autópsia

e) autódromo

6) Astrólogos, médiuns e místicos trabalham, respectivamente, com:

a) astros, energia cósmica e truques

b) astronomia, forças espirituais e magia

c) astrologia, espíritos desencarnados e falsificações

d) astros, entidades espirituais e esoterismo

e) astrologia, energia pura e comunicação

7) Para valorizar a ciência em face do obscurantismo, os argumentos apresentados atribuem valor a uma ciência em especial, que é a:

a) Sociologia

b) Astronomia

c) Física

d) Biologia

e) Matemática

8) “Como a natureza, é capaz de preservar os ganhos e erradicar os erros para continuar a existir.”; a forma EQUIVOCADA de reescrever-se esse mesmo segmento é:

a) É capaz, como a natureza, de preservar os ganhos e erradicar os erros para continuar a existir.

b) Como a natureza, para continuar a existir, é capaz de preservar os ganhos e erradicar os erros.

c) Para continuar a existir, é capaz de preservar os ganhos e erradicar os erros, como a natureza.

d) É capaz de preservar os ganhos, como a natureza, e erradicar os erros para continuar a existir.

e) É capaz de preservar os ganhos e erradicar os erros, como a natureza, para continuar a existir.

Gabarito dos exercícios

1) Letra c




Ao dizer: “A ciência é o único campo do conhecimento humano com característica progressista.”, o autor coloca a ciência acima de tudo (arte, religião etc). Ao argumentar ao longo do texto, faz comparações da ciência com esses outros segmentos da sociedade, como que para mostrar às pessoas que aquilo em que elas tanto acreditam são inferiores à ciência.

2) Letra a

Ao mencionar o vocábulo progresso, o autor retoma um termo usado linhas atrás, na tentativa de ressaltar a objetividade do seu emprego e, consequentemente, da própria ciência.

3) Letra a

Questão de semântica, que requer conhecimento das palavras. Obsoleto é um adjetivo que significa fora de uso, antiquado.

4) Letra d

As letras a, c e e podem ser facilmente descartadas. As outras duas talvez tragam alguma confusão. A letra b fala de mudança contínua, o que de certa forma ocorre com a ciência. Porém mudança é um termo vago, podendo referir-se a algo melhor ou pior. O texto fala em transformação para melhor. Se a pessoa se precipitar e não voltar ao texto, anotará essa opção. Vejamos como a resposta está evidente na seguinte passagem: “Tem características de autocorreção que operam como a seleção natural.”. A palavra autocorreção é utilizada na alternativa d. Não se deixe levar pela primeira impressão trazida pelas alternativas. Volte sempre ao texto, para conferir.

5) Letra e

O elemento auto da palavra autocorreção é de origem grega e significa de si mesmo, por si mesmo. A palavra quer dizer a correção de si mesma, ela própria se corrigindo. Autogestão e autocrítica não oferecem dificuldade; literalmente,autômato é uma máquina que age por si mesma; autópsia (ou autópsia) quer dizer exame de si mesmo. Já na palavra autódromo, auto é redução de automóvel e dromo significa lugar de corrida. Por isso a resposta é a letra e.

6) Letra d

Esta questão é independente do texto, tomado apenas como elemento motivador. É problema de significado das palavras. Os astrólogos trabalham com os astros, não no sentido científico da Astronomia, mas com referência à Astrologia; os médiuns, como se vê no espiritismo e em outras filosofias, como a umbanda e o candomblé, lidam com entidades espirituais (também caberia espíritos desencarnados); os místicos não são apenas os esotéricos, mas as outras palavras se excluem naturalmente.

7) Letra d

A resposta se encontra no trecho: “Tem características de autocorreção que operam como a seleção natural.” A seleção natural é pertinente à Biologia. Mais adiante, ele diz que a ciência tem essa capacidade, ao compará-la à natureza.

8) Letra d

Questão de paráfrase. No trecho em destaque, a ciência é comparada à natureza pela sua capacidade de preservar os ganhos e erradicar os erros. Na alternativa d, temos uma grande mudança de sentido, trazida pela posição do termo como a natureza. Na nova frase, a comparação é feita apenas com base na capacidade de preservar os ganhos, ficando a ideia de que a natureza não consegue erradicar os erros.

O corpo – exercício de interpretação de textos




Este é mais um exercício direcionado para aqueles que farão Enem. esta sequência de atividades de interpretação já com gabarito vai contribuir para que você pratique e veja como anda seu desempenho em interpretação de textos. Isso porque você além de estudar como se faz uma redação perfeita ainda poderá mandar muito bem nos exercícios de outras disciplinas que, invariavelmente, pedem que sejam interpretados pequenos textos nos próprios enunciados. veja então esta atividade e vamos em frente.

Atividade de interpretação de textos para Enem e vestibular

CORPO

Na doença é que descobrimos que não vivemos sozinhos, mas sim encadeados a um ser de um reino diferente, de que nos separam abismos, que não nos conhece e pelo qual nos é impossível fazer-nos compreender: o nosso corpo. Qualquer assaltante que encontremos numa estrada, talvez consigamos torná-lo sensível ao seu interesse particular, senão à nossa desgraça. Mas pedir compaixão a nosso corpo é discorrer diante de um polvo, para quem as nossas palavras não podem ter mais sentido que o rumor das águas, e com o qual ficaríamos cheios de horror de ser obrigados a viver.

(Proust)

descomplica-home1) Segundo o texto, o nosso corpo:

a) tem plena consciência de viver encadeado a um ser diferente.

b) conhece perfeitamente o outro ser a que está encadeado.

c) é separado de nossa alma por um abismo intransponível.

d) se torna conhecido pouco a pouco.

e) só na doença é que tem sua existência reconhecida.

2) A conjunção mas no início do texto opõe basicamente duas palavras do texto, que são:

a) descobrimos / vivemos

b) sozinhos / encadeados

c) vivemos / encadeados

d) doença / reino

e) sozinho / ser

3) “…pelo qual nos é impossível fazer-nos compreender.”; esse segmento do texto quer dizer que:

a) não nos é possível fazer com que nosso corpo nos compreenda.

b) é impossível compreender o nosso corpo.

c) é possível fazer com que alma e corpo se entendam.

d) é impossível ao corpo compreender o ser humano.

e) o corpo humano pode compreender mas não pode ser compreendido.

4) “Qualquer assaltante que encontremos…”; nesse segmento, o uso do subjuntivo mostra uma:

a) certeza

b) comparação

c) possibilidade

d) previsão

e) condição

5) O item abaixo em que o pronome sublinhado tem seu antecedente corretamente indicado é:

a) “…ao seu interesse particular…”: corpo

b) “…para quem as nossas palavras…”: assaltante

c) “…de que nos separam abismos…”: sozinhos

d) “…e com o qual ficaríamos…”: águas

e) “…talvez consigamos torná-lo…”: assaltante

6) “…senão à nossa desgraça.”; o vocábulo sublinhado eqüivale, nesse segmento, a: 4 ,

a) ou

b) exceto

c) salvo

d) e não

e) se

7)”…é discorrer diante de um polvo.”; esse segmento do texto representa uma tarefa:

a) trabalhosa

b) inútil

c) frutífera

d) temerosa

e) destemida

Gabarito dos exercícios de interpretação

1) Letra e




A resposta está, bem nítida, nas duas primeiras linhas do texto, principalmente no trecho: “Na doença é que descobrimos…” Adiante aparece, na função de aposto da palavra ser, o vocábulo corpo. A letra c, que pode confundir alguns, é incorreta porque fala em abismo intransponível, quando o texto diz que estamos encadeados a ele.

2) Letra b

Questão de coesão textual. A conjunção mas é adversativa, cria oposição. Sozinhos se opõe a encadeados. Se estamos encadeados, ligados a alguma coisa, não estamos sozinhos.

3) Letra a

Questão de paráfrase. Embora o trecho destacado admita outra interpretação (não podemos, por meio do nosso corpo, fazer com que nos entendam), a letra a corresponde ao seu sentido. Cuidado com a opção d; ela é genérica, enquanto o texto é específico, trata de cada um em particular, tanto é assim que o autor se inclui ao usar a primeira pessoa do plural.

4) Letra c

O modo subjuntivo apresenta o fato de maneira duvidosa, hipotética, diferentemente do indicativo. Ao dizer eu canto, slpessoa transmite a idéia de maneira real, indubitável, precisa: é o presente do indicativo; já ao falar que eu cante,transmite uma idéia imprecisa, vaga, pode ser que a ação não se concretize: é o presente do subjuntivo. Tal é o valor de encontremos no texto. Por isso a resposta é a letra c.

5) Letra e

Questão de coesão textual. Pela ordem, temos: seu —» assaltante; quem —> polvo; nos —> seu antecedente não está expresso, seria nós; o qual —> polvo (o pronome relativo o qual sempre concorda com o antecedente, que, então, não poderia ser águas). O gabarito é a letra e, pois o pronome átono Io (alteração de o), que significa ele, refere-se a assaltante: tornar o assaltante sensível.

6) Letra a

Questão de sinonímia. A palavra senão tem vários significados. No texto o seu sentido lógico só pode ser ou: ou à nossa desgraça. As outras opções se excluem naturalmente.

7) Letra b

Um polvo, evidentemente, não tem como entender o que se diz a ele. Seria uma atividade inútil. Popularmente, costuma-se usar a palavra porta para indicar essa inutilidade.