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Guia definitivo sobre uso da Vírgula




A quantidade de alunos que dia após dia me perguntam sobre o uso da vírgula é enorme. Vejo muitos equívocos e alguns desses enganos podem, inclusive, invalidar um argumento numa redação no Enem ou mesmo no vestibular. Considerando a importância que estes exames têm hoje em dia, creio que ninguém queira cometer um erro bobo de pontuação. Para que vocês tenham uma ideia, o Enem, Exame Nacional do Ensino Médio, um teste do aprendizado de estudantes formando no Ensino Médio, é a porta de entrada para algumas importante universidades e programas sociais do Governo. Por isso, este artigo é de extrema importância em você deveria cumprir seu papel de cidadão compartilhando e deixando um comentário aqui. Sim, estou pedindo 🙂

Você sabe usar corretamente a vírgula?

Vamos aos casos principais de uso da vírgula? Para organizar melhor e facilitar a pesquisa de quem chega aqui cheio de dúvidas, colocarei os casos em forma de tópicos.

  • Não se separa o sujeito do verbo, nem o verbo de seus complementos, ainda que de longa extensão. Nesse caso, não importa, também, a ordem em que os termos aparecem.

O rapaz que apresentei à minha irmã e que tem um emprego tão bom nunca viajou para a Europa.

Quem viver verá.

Ao rapaz bastava mais uma vitória.

Observação: Algumas vezes, por razão de ênfase, utiliza-se o que conhecemos como objeto pleonástico, figura gramatical que consiste em representar o complemento verbal por um termo nomeativo e por um pronome na mesma oração. Nesse caso, utiliza-se vírgula.

Ao rapaz, bastava mais uma vitória a ele.

Casos em que se usa a vírgula

  • Para separar termos de mesma função sintática e elementos repetidos ou em série sinonímica (nesse caso, lembre-se de que o último elemento da série dispensa a vírgula, se precedido de “e”, “ou” ou “nem”):

Eu fui ao mercado e comprei maçãs, batatas, bananas, cenouras, alfaces e couves.

Eu não tinha nada, nada a temer, mas eu tinha medo, medo desta estrada.

  • Para separar o aposto e orações adjetivas, desde que assumam caráter explicativo, ampliando o conhecimento que temos acerca do objeto anteriormente apresentado:

O Rui, irmão de um amigo meu, está na universidade.

Os alunos, que estudaram muito a norma culta da língua portuguesa, passaram em todas as provas.

Observação: Os termos de caráter resumitivo, restritivo ou especificativo não são isolados por vírgulas. Veja os exemplos:

Carros, escolas, casas, tudo agora lhe era possível.

Os alunos que estudaram muito a norma culta da língua portuguesa passaram em todas as provas.

  • Para separar o adjunto adverbial deslocado:

Levantou-se, durante a noite, uma grande tempestade.

Observação: Os adjuntos adverbiais de curta extensão (representados por uma palavra, por exemplo), ainda que deslocados, podem ou não ser isolados por vírgulas, de acordo com a vontade do emissor de realçar a circunstância.

Hoje, estudei como nunca.

Hoje estudei como nunca.

  • Para separar o local, nas datas:

Rio de Janeiro, 3 de janeiro de 2013.

  • Para indicar a omissão (elipse ou zeugma) do verbo ou do conectivo:

Minha camisa é verde; a sua, azul.

Na praia, nenhum sinal de vida.

  • Para separar o predicativo deslocado, nos predicados verbo-nominais:

A moça, alegre, saiu.

Observação: Lembre-se de que, nesse caso, “alegre” é uma característica circunstancial da moça. Se tivéssemos escrito A moça alegre saiu, essa característica seria inerente a ela.

  • Para esclarecer ambiguidades:

Gosto de Capitães de Areia, de Jorge Amado.

Vivia na maior pobreza, em companhia da mulher, muito magra e feia, e de vários filhinhos pálidos e tristes.

Observação: Note que, nesse último caso, as vírgulas não alteram a função sintática de “muito magra e feia”, termo que continua a exercer a função de adjunto adnominal. O autor optou por utilizar a pontuação para que não se aventasse a hipótese de que haveria mais de uma mulher, e que se fazia referência àquela que era “muito magra e feia”.

  • Para separar orações assindéticas:

Eles jogavam, elas brincavam, os outros cantavam.

  • Para separar orações sindéticas:

Eu vou passear, e tu vais estudar.

Está muito sol, no entanto está frio.

Observação: Se os sujeitos das orações sindéticas aditivas forem representados pelo mesmo ser, dispensa-se o uso da vírgula.

Brinquei e estudei.

  • Para separar orações adverbiais, inclusive as reduzidas, sobretudo quando se antepuserem à oração principal:

Eu aceitaria a promoção, se ela me fosse proposta.

Embora viva com conforto, tudo que ele tem não está em seu nome.

  • Para separar o vocativo:

O mundo é bão, Sebastião.

  • Para separar frases iniciadas pelas expressões e sim, e não, mas sim:

Não haja com imprudência, e sim com moderação.

  • Para separar expressões explicativas, corretivas ou continuativas, uma vez representadas por isto é, por exemplo, ou seja, aliás, dentre outras:

A violência contra a mulher é um fato grave, ou melhor, inaceitável.

  • Para deixar claro que um trecho do enunciado tem caráter complementar, explicativo, acessório à estrutura do período:

O preço dos produtos importados está pouco atraente nesse final de ano, por conta da alta no preço do dólar.

Conclusão

É isso. Neste artigo você viu o que geralmente aparece como erro nas redações dos vestibulares e Enem. Falo muito mais sobre gramática dentro do meu curso, o Português Pra Passar, mas não faço vídeos. Hoje em dia usa-se muito esta estratégia de ensino na internet.

Atualização: descobri uma forma interessante e acessível de revisar toda matéria de gramática para vestibular e Enem. Veja aqui.

Site Quero Passar

Site educativo com informações sobre o Enem, SISU, Prouni, vestibulares e concursos. Material de apoio, revisão e produtos educativos.

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