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Matemática Prática para EF e Médio

Neste artigo você poderá encontrar as atividades publicadas no grupo Matemática Prática no Facebook. Este é um espaço de compartilhamento de informações e atividades práticas relacionadas ao ensino dessa disciplina. Divulgue este artigo e participe da comunidade para ter acesso a todas as atividades em primeira mão.

Lista de atividades de Matemática

Você pode baixar todas as atividades diretamente da minha pasta compartilhada no Google Drive. Clique aqui e acesse a pasta para baixar os arquivos do grupo.

Projeto de leitura e escrita

Este é um pequeno projeto de leitura e escrita que pode ser facilmente adaptado para o contexto das salas de aula do ensino Fundamental e Médio.

“Ler é ampliar horizontes… é interagir com o mundo que nos rodeia: conhecer lugares, pessoas culturas. E viajar, dar asas a imaginação, mergulhar no mundo interior, conectando-nos com o nosso potencial. Através da leitura adquire-se conhecimentos e amplia-se nossa própria visão de mundo – de estar no mundo e nas relações.”

PROJETO DE LEITURA EXTRACLASSE

A leitura pressupõe um campo comum de experiências entre um autor e um leitor produzindo sentidos. Já nos ensinava Franz Kafka “Lemos paro fazer perguntas”, mas para que isso aconteça é preciso ler, ler, ler, refletir, discutir, formular hipóteses, percebendo que em cada texto há uma visão do mundo de seu autor e, em cada leitura, carregamos nossas experiências e vivências, tentando formar nossa própria visão de mundo.

OBJETIVO:

Prover os alunos com diferentes tipos de textos: informativos, opinativos, literários, entre outros, para que tenham contato com uma diversidade textual observando o contexto de sua produção, circulação e consumo, visando o desenvolvimento e aprimoramento de estratégias de leitura eficientes que permitam ao aluno a compreensão de diferentes mensagens, a fim de viver plenamente na sociedade que impõem a cada dia mais exigências de contato e familiaridade com diferentes formas de linguagem.

JUSTIFICATIVA:

O povo brasileiro lê pouco, quase nada e muito mal. Uma pesquisa recente (PISA) mostrou que o Brasil foi um dos últimos classificados no quesito capacidade de leitura. Ler e estudar deveriam ser entendidos como um grande investimento, cujo lucro seria o grande crescimento do país com cidadãos mais letrados, portanto, mais conscientes, mais pensantes e críticos.

METODOLOGIA:

1- Leitura visual do texto solicitado pelo professor seguindo o que será passado no início de cada bimestre.
2- Destacar com caneta marca texto os tópicos frasais (ideias principais) e palavras importantes.
3- Fazer, através da técnica de resumo, um apanhado geral daquilo que foi absorvido mediante a leitura.
4- Emitir opinião reflexiva e crítica sobre o assunto lido.

PASSOS PARA A ESCRITA DE RESUMO E OPINIÃO:

No início da folha preencher as seguintes informações sobre o texto lido:

  • Número da atividade: 1, 2, 3 e assim sucessivamente.
  • Título: título do texto que você leu.
  • Fonte: nome da revista, jornal, site de internet, etc. de onde foi tirado o texto.
  • Editora: editora que fez a impressão do texto.
  • Data  de  edição:  data  em  que  foi  impresso  ou editado o artigo.
  • Data de apresentação: data predeterminada pela professora para entrega do resumo.

Após esses dados, pular uma linha e escrever:

Resumo: Texto mais curto que o texto original, traz as informações mais importantes.  Possui começo,
meio e fim. É importante manter a ênfase que o autor dá às questões.

Após o resumo, pular uma linha e escrever:

Opinião: Para isto é necessário retomar elementos/informações (dados que foram destacados com a caneta marca texto) do original, fazendo uma espécie de tradução de algumas passagens emitindo sua opinião sobre o assunto de maneira impessoal.

Observar: Uso da variedade padrão da língua; verbos sempre na 3ª pessoa do singular, evitar expressões
“eu acho que…”, “eles não deveriam…” etc.

No verso da folha:

Colar o texto original (recorte da revista/jornal etc.) lido com as anotações feitas com a caneta marca
texto.

– Revistas para escolha de textos: Veja, Isto é, Época, Superinteressante, National Geographic, Você S/A, Exame, etc.
– Jornais:   Folha   de   São   Paulo,   Estadão,   Correio Popular, O Globo, etc.
Internet:   Deverá  ser  citado  o  site   de  onde  foi retirado o artigo, por completo: www.itaulcultural.org.br.

Portanto, não serão aceitos sites de busca, pois estes sites servem apenas para pesquisa, ou seja, eles indicam o(s) site(s) onde você encontrou o artigo – é este site último que você deve anotar como fonte.

Observar: O texto de livre escolha deverá ser bastante atual.

Critérios para Avaliação:

1- Realização das atividades observando as orientações acima.
2- Pontualidade da apresentação.
3- Limpeza e capricho da folha (rasuras, manchas, observar as margens, parágrafos, uso adequado da caneta marca texto, capricho ao recortar a folha do texto que será colado e organização geral do caderno).

Exercícios sobre estrutura de palavras com gabarito




Estes são alguns exercícios sobre estrutura de palavras com gabarito bastante interessantes para estudar o princípio dos conteúdos no Ensino Médio. Qualquer aluno que esteja se preparando para o Enem ou vestibular sabe que quanto mais exercícios fizer melhor será seu desempenho. Nada de passar horas e horas lendo teoria para ir bem nas provas. O ideal é intercalar uma coisa com a outra. Você pode também encontrar mais conteúdo exclusivo sobre este assunto, inclusive com mapas mentais lá no meu curso Português Pra Passar. Visite este link ou o banner lateral para conhecer mais sobre o curso.

>> Com base na tirinha a seguir, responda às questões de 1 a 3.

1. Explique, do ponto de vista morfológico, a construção da palavra engavetamento.

2. Procure identificar pelo menos duas definições para essa palavra, de preferência, as mais relacionadas à situação descrita na tirinha.

3. O tema dessa tirinha é, tecnicamente falando, o efeito do sentido literal produzido pela palavra engavetamento. A partir dos elementos verbais e visuais apresentados, procure explicitar o efeito de humor produzido por essa palavra.

4. Leia o texto a seguir.

Bio passa pé




O projeto de lei sobre biossegurança, aprovado na Câmara, saiu diferente do consenso resumido pelo antigo relator do projeto Aldo Rebelo e, segundo especialista na área, inviabiliza o plantio da soja transgênica no Brasil em novas áreas. O novo relator do projeto, Renildo Calheiros, acabou cedendo em questão que muda tudo: a decisão vinculante da CTNBio.
No projeto de Rebelo, a CTNBio poderia deliberar sobre pesquisa, produção e comercialização. Agora, a parte da comercialização e produção terá que passar também pelo crivo do Ibama. E, se houver divergências, o tema passará pela aprovação do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), formado por 15 ministros que tomam a decisão final do governo.

RACY, Sonia. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 6 fev. 2004. p. B2. Direto da fonte.

  • ctnBio: comissão técnica nacional de Biossegurança, subordinada ao ministério de ciência e tecnologia.
  • Ibama: Instituto Brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais renováveis, subordinado ao ministério do meio ambiente.

► De acordo com o texto, por que o projeto de lei aprovado pela câmara inviabiliza o plantio de soja transgênica no país?

► Explique, do ponto de vista dos estudos morfológicos, a formação do substantivo biossegurança e do adjetivo transgênico(a).

5.   Leia o texto a seguir.

Na Bandeirantes, o narrador do jogo Flamengo x Atlético Mineiro foi criativo. Quando Romário marcou o terceiro gol, ele vibrou muito: “O Flamengo revira o jogo”.
Que fique bem claro, ninguém estava revirando a terra ou o gramado do Maracanã. O narrador se referia à sequência dos gols: o Flamengo fez 1 x 0, o Atlético virou o jogo para 2 x 1 e, finalmente, o Flamengo estava virando ou, como ele preferia, revirando para 3×2.

DUARTE, Sérgio Nogueira. Língua viva III: uma análise simples e bem-humorada da linguagem do
brasileiro. Rio de Janeiro: Rocco, 2000. (Fragmento).

►  Explique qual a crítica feita por Sérgio Nogueira Duarte ao narrador esportivo.

►  Tente justificar, do ponto de vista gramatical, o uso do verbo revirar pelo narrador do jogo.




Gabarito dos exercícios

1. A palavra engavetamento é formada por en- (prefixo de origem latina que, nesse caso, significa “colocar em”) + gaveta (radical) + mento (sufixo também de origem latina).

2. Engavetamento é o ato ou efeito de engavetar, pôr dentro da gaveta de um cômodo. Engavetamento também pode ser a colisão entre meios de transporte, com produção de acidente que interrompe o movimento dos veículos.

3. O emprego de engavetamento tem um duplo sentido: trata-se do comentário, bastante óbvio, que explica por que os carros encontram-se parados, enfileirados. Há algo e/ou alguém que produziu um impedimento do fluxo dos veículos. trata-se, também, da explicação literal do acidente, no qual um caminhão de mudança deixa escapar a gaveta de um móvel que transportava, a qual atinge um motoqueiro que passava ao lado. Pode-se dizer que o humor é produzido, principalmente, pelo emprego do sufixo -mento na formação do substantivo engavetamento que descreve, nesse caso, o ato de acertar uma gaveta na cabeça de um motorista no trânsito.

4.

► Porque, segundo o projeto aprovado, as questões da comercialização e da produção da soja transgênica devem passar pela apreciação do Ibama, órgão responsável pelas questões ambientais no Brasil. em caso de veto do Ibama, o tema deve passar pela aprovação de um conselho formado por 15 ministros. Para os interessados no plantio do produto, haverá, portanto, maior fiscalização e, consequentemente, maior burocracia.

► O substantivo biossegurança é formado por bio- (prefixo de origem grega) + s (consoante de ligação) +segur(ar) (radical) + -ança (sufixo), enquanto o adjetivo transgênico é formado por trans- (prefixo de origem latina) + gen(e) (radical) + -ico (sufixo de origem grega formador de adjetivos).

5.

►  A crítica de Sérgio Nogueira Duarte ao narrador esportivo se refere ao uso inadequado do verbo revirar. O adequado seria usar o verbo virar para indicar uma inversão no placar do jogo.

►  O narrador usou o verbo revirar no sentido de “virar novamente”, sentido dado pelo prefixo re-. Considerando que o jogo foi “virado” por duas vezes (uma pelo atlético e outra pelo Flamengo), o narrador esportivo aplicou o prefixo ao verbo – embora essa construção tenha ficado inadequada, uma vez que revirar tem, na Língua Portuguesa, outro sentido (revolver, remexer).

Curso Português Pra Passar

Você já conhece meu curso Português Pra Passar? Nele você encontrará material teórico para estudar e revisar todo conteúdo do Ensino Médio e mandar muito bem no vestibular e Enem. Além dos artigos teóricos, há exercícios com gabarito e mapas mentais para revisar a matéria. Clique no botão abaixo e conheça melhor.

Exame vestibular – o que eles esperam de você?




O exame de Redação no vestibular não é um concurso literário. Sua função é verificar se o estudante está informado sobre os grandes temas postos em discussão na atualidade e se ele é capaz de produzir um texto claro e bem argumentado sobre um desses temas.
A produção de um texto com essas características pressupõe que seu autor demonstre capacidade para fazer julgamentos críticos. Já abordei isso no artigo em que ensino como se faz um texto dissertativo com começo, meio e fim. Você pode acessá-lo por este link ou pelo link no topo desta página do blog. Além do que foi dito, para a obtenção de uma nota de redação diferenciada, é necessária a posse de três grandes competências:

1ª competência
Apreender a questão posta em debate.

2ª competência
Produzir o texto num registro linguístico adequado.

3ª competência
Posicionar-se sobre essa questão de maneira crítica, convincente e, se possível, criativa.

A competência para aprender a questão posta em debate

O principal motivo para anular uma redação no vestibular é o candidato fugir do tema, isto é, dissertar sobre um assunto que não foi proposto. Isso denuncia que lhe faltou competência para apreender a questão posta em debate. Trata-se de uma incompetência de leitura, e não necessariamente de redação. A dificuldade de identificar o tema sugerido para reflexão pela banca examinadora acaba gerando textos que, em maior ou menor grau, distanciam-se do esperado.

Por diversos motivos, há situações em que essa apreensão não ocorre. Vejamos um exemplo.

No vestibular do meio do ano de 2001, a Fundação Getúlio Vargas apresentou o tema de redação a partir de um fragmento do artigo “A gestão para resultados como ferramenta administrativa nas organizações do terceiro setor”, de autoria de Luiz Rodovil Rossi Jr. Eis o texto, extraído de uma revista eletrônica:

Cresce a confiança depositada nas organizações de um setor em constante e forte expansão no Brasil e no mundo: o chamado terceiro setor. Nesse setor, as organizações são privadas e sem fins lucrativos e complementam as iniciativas do setor governamental e do setor privado no atendimento de diversas necessidades da sociedade e na formação de um sistema econômico mais justo e democrático.
Nessas organizações, se encontram, em sua grande maioria, os indivíduos que valorizam o ser humano de uma maneira intensa e que estão inconformados com as desigualdades sociais e econômicas que a lógica da economia de mercado acaba ignorando, e que o Estado do bem-estar social se mostrou incapaz de resolver.
O crescimento da consciência comunitária encontra, nessas organizações, um ambiente favorável a sua aplicabilidade. Os valores predominantes, bastante adequados para os que trabalham no desenvolvimento dessas organizações, são: democracia, transparência, coletividade, flexibilidade e criatividade.

ROSSI R., Luiz Rodovil. .4 gestão para resultados como ferramenta administrativa nas organizações do terceiro setor. Integração – A revista eletrônica do terceiro setor. Ano IV, n. 2. maio)




Alguns candidatos às concorridas vagas do vestibular da FGV-SP cometeram o deslize de ler descuidadamente o texto proposto como base para a discussão. Em lugar de “terceiro setor”, alguns entenderam “setor terciário”; assim, em vez de dissertar sobre a importância do trabalho voluntário e comunitário, escreveram sobre a importância do setor de serviços na sociedade contemporânea. Essa confusão indica duas coisas: ou a apreensão do tema não foi bem feita (para evitar isso, convém dedicar mais tempo à leitura do texto) ou, pior ainda, aqueles candidatos não sabiam o que era “terceiro setor” (nesse caso, vale lembrar que o repertório cultural de cada um está sendo avaliado no exame de Redação).

A competência para produzir o texto num registro linguístico adequado

O candidato deve considerar a ideia de que todo texto é aperfeiçoável ao infinito. Por isso, convém usar a própria linguagem da maneira mais caprichada que o tempo disponível permitir. Isso não quer dizer que a redação deva ser escrita numa linguagem empolada e falsamente sofisticada.

Veja o que a Fuvest diz a esse respeito:

Serão examinados pontos como a propriedade e a abrangência do vocabulário empregado, além de ortografia, morfologia, sintaxe e pontuação. A ocorrência de clichês e frases feitas, o uso inadequado de vocábulos são aspectos, em princípio, negativos.

Disponível em: www.fuvest.br.

Essas observações apontam para a competência linguística em sentido amplo que os textos devem manifestar — no caso da dissertação, o domínio da norma culta escrita.

Muitas vezes, essa competência dá ao texto uma boa dose de credibilidade. E o que atesta este fragmento de um editorial da Folha de S.Paulo (19 mar. 2002, p. A-2) sobre a ousadia dos bandidos em ataques a prédios públicos na capital paulista:

Prédios e funcionários públicos tornaram-se alvos preferenciais dessa onda intimidatória desferida pelo crime organizado. Pode ser um indício de que, sentindo o endurecimento da polícia, os bandidos estejam ensaiando um contragolpe. Assusta a hipótese de que à já violenta rotina de São Paulo venha agregar-se um tipo de luta pseudoterrorista do crime organizado contra o Estado. Mas esse é um risco que é preciso correr se a alternativa fora acomodação à realidade da delinquência.

O texto contém vários indícios da competência linguística do enunciador — notem-se, por exemplo, a inversão sintática e as escolhas lexicais no período destacado. Além disso, a tese de que é preciso tomar uma providência em relação à “onda intimidatória desferida pelo crime organizado”, além de lícita, é defendida sem o tom ingênuo e panfletário de alguns textos que falam sobre a violência.

III. A competência para posicionar-se sobre essa questão de maneira crítica, convincente, se possível, criativa




Sobre essa iniciativa que o estudante deve demonstrar para discutir de maneira satisfatória a questão posta em debate, a Fuvest afirma:

[…] verificar-se-á a pertinência da elaboração do tema, considerando-se também a capacidade crítica e argumentativa, bem como a maturidade e a inventividade que no texto se manifestam.

Depois de apreender e compreender o tema, cabe ao candidato demonstrar “capacidade crítica e argumentativa” na elaboração do seu texto. Isso significa que ele deve mostrar-se capaz de produzir, dentro do tempo disponível (uma hora e meia ou duas horas, aproximadamente), uma redação que manifeste uma reflexão própria a respeito do tema em questão. Em outras palavras, é preciso manifestar julgamentos críticos.

Não se trata de demonstrar a posse de um conhecimento já construído e comprovado, como o que se avalia nas provas de disciplinas específicas — tanto é que elas podem ser gabaritadas. O que o exame de Redação quer avaliar é, sobretudo, a competência de usar a capacidade criadora para ensaiar respostas sustentáveis para certas questões polêmicas.

E claro que os conhecimentos adquiridos ao longo da vida escolar são importantes para a elaboração de uma boa redação, mas o que mais conta nessa prova não é a mera capacidade de reproduzir informações sobre o tema posto em discussão, mas sim a de explorá-las para encontrar uma resposta convincente, plausível e, quem sabe, criativa para o problema proposto como desafio.

Tirinhas para trabalhar regência verbal e nominal

Um assunto bastante recorrente em minhas aulas é a regência verbal e a regência nominal. Quando um aluno vem e me pergunta se pode ir NO banheiro, logo digo “você quer ir AO banheiro, não é?”. Ele responde que quer ir NO banheiro e repito até que perceba o erro que está cometendo. É incrível como as pessoas hoje em dia não entendem conceitos simples de Língua Portuguesa e acabam cometendo erros que prejudicam o entendimento e até mesmo a credibilidade da informação. Quem é que nunca viu um orador dizer que  “algo veio DE encontro” quando na verdade queria dizer “AO”. Há diferença. DE ENCONTRO é trombar, colidir. AO ENCONTRO é ir em direção a algo, tem um sentido muito mais positivo dependendo do contexto. As tirinhas abaixo usei em prova de Português para Ensino Médio quando fazia revisão para o Enem. Com um pouco de paciência é possível adaptá-las para os mais diversos assuntos.

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O curso Segredos do Enem funciona?

Dia após dia me vejo na difícil missão de indicar para meus alunos alguns cursos complementares. Eles já fazem o ensino Médio regular, mas desejam ir além. O problema é que eles, muitas vezes, não podem pagar por cursinhos caríssimos em período oposto. estes cursinhos têm grades rígidas que comprometem boa parte do tempo desses alunos e, por isso, acabam engessando o ritmo daqueles que precisam de um pouco mais de liberdade para estudar.

É certo que todos os que me procuram, seja na sala de aula ou mesmo nos meus projetos educativos que hoje contam com mais de 2000 visitas mensais, fazem porque confiam nas minhas escolhas e indicações de materiais complementares às aulas. Qual é, no entanto, o melhor curso para estudar para o Enem?

Qual a melhor opção hoje em dia para o Enem?

O Enem é uma prova que tem se apresentado cada vez mais complexa. Os conteúdos são pedidos, muitas vezes, em forma de questões interdisciplinares e os temas de redação são, cada vez mais, subjetivos a partir da ideia de que será um tema de cunho social. É certo também que o Enem ganhou uma importância enorme porque através dele pode-se conseguir uma vaga numa universidade pública e ainda a programas sociais do Governo como o Prouni, Pronatec e muito mais. Diante disso, a necessidade de materiais complementares aos que são usados no ensino regular acabou criando um mercado que, por um lado, explora a necessidade que alguns têm de comprar. Por outro, permitiu que surgisse muita coisa boa e quero elencar três que são bastante úteis, cada uma à sua maneira.

Minha opinião sobre o Descomplica

O Descomplica é, de longe, o que tem mais material. Isso é um diferencial já que estão há muitos anos no mercado e gravam diariamente muitos vídeos. Além disso, eles têm as aulas ao vivo que, depois, ficam disponíveis para os alunos. A vasta produção, no entanto, pode ser um problema para o aluno que tem certa dificuldade de organização. é necessário um roteiro (eles disponibilizam planilhas para organização das horas de estudo gratuitamente). Gosto, em especial do Empurrão para o Enem e do Redação Master. Sou assinante e uso para montagem de minhas aulas e para ajudar minha filha pequena quando é algum assunto que não domino.

Minha opinião sobre o Missão Enem

O Missão Enem é um projeto da estudante Débora Ribs. Ele surgiu no ano de 2016 como extensão do Universidade Capenga, plataforma que ajuda estudantes a passar no vestibular. O Missão Enem, no entanto, foca num ponto bastante específico que é a redação do Enem. A promessa é simples e real. No curso, eles ensinarão você a escrever uma ótima redação em apenas 10 dias. Parece ambicioso, mas a objetividade das aulas facilita bastante o trabalho. Outro diferencial é o preço.

→ leia minha opinião sobre o Missão Enem aqui

Minha opinião sobre o Curso Português Pra Passar

Eu sou o autor do curso Português Pra Passar. Você pode até julgar isso como suspeito, tendencioso, mas posso sim fazer uma análise do meu próprio material visto que ali tenho colocado dia a dia o conhecimento de mais de uma década em sala de aula. No curso, as aulas são divididas em módulos e dentro desses você terá uma revisão completa sobre os conteúdos do Ensino Médio e minha experiência em Produção de Textos num dos cursinhos de maior renome no Vale do Paraíba.

Conheça aqui o Curso Português pra Passar.

Minha opinião sobre o Segredos do Enem

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O curso Segredos do Enem já está consolidado no mercado como uma das melhores alternativas para quem deseja estudar para o Enem. Além de todo um conteúdo voltado para a prova, um módulo de redação para tirar nota 1000, o Segredos do Enem foca nas estratégias para melhorar seu desempenho através de organização e técnicas de memorização. Além disso, nos bônus você recebe as anotações que estudantes melhores colocados nos seus vestibulares fizeram para que o desempenho deles fosse digno de nota.

→ Mais sobre o segredos do Enem AQUI

O Segredos do Enem Funciona?

A metodologia segue de forma prática o caminho que um estudante com dificuldades de aprender e apreender os conteúdos do vestibular seguiu. Baseia-se não só na experiência do estudante Lucas Marques, aluno do curso de Economia, como também de muitos outros estudantes que tiveram sucesso nos vestibulares que fizeram. Você pode ver muito mais sobre isso nesta página do curso. Com uma metodologia que privilegia o desempenho otimizando o tempo, já são milhares de alunos mudando a forma de pensar na prova e centenas de testemunhos de sucesso.

Qual o conteúdo do segredos do Enem?

O curso segredos do Enem traz uma série de módulos testados e aprovados por quem entende do assunto e está dividido da seguinte forma:

→ Se tornando um gênio nos estudos
→ Disciplina de um primeiro colocado
→ Entregar o melhor conteúdo
→ Material recorrente
→ O melhor conteúdo para o ENEM

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Para Quem Serve o Curso Segredos do Enem?

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A técnica segredos do ENEM é confiável e criado especialmente para quem deseja obter excelentes notas no exame mais concorrido do Brasil. Ou seja, é um produto essencial para quem deseja ser aprovado nas universidades mais importantes do país. E não importa se você está no ensino médio, cursinho, ou se já acabou os estudos há algum tempo e quer retomar a sua vida acadêmica. O curso Segredos do Enem vai te ajudar a alcançar o seu objetivo de uma maneira muito mais rápida e prática. O segredos do ENEM é bom e funciona através de métodos que farão você melhorar sua rotina de estudos e atingir as melhores colocações nos vestibulares. O treinamento o tornará um vencedor e campeão nos vestibulares.

Veja no vídeo abaixo alguns depoimentos de estudantes que conseguiram ter excelentes resultados no ENEM depois de fazer o curso do Lucas Marques.

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Qual é a Garantia do curso Segredos do Enem?

O segredos do ENEM confere uma garantia de devolução do seu dinheiro em até 30 dias caso você não fique satisfeito com seu conteúdo. Se por acaso isso acontecer, é só você enviar um e-mail ou solicitação através do Hotmart, e o seu dinheiro será devolvido. Não há questionamentos nem insistência (como fazem as operadoras de telefonia). Escreveu, dinheiro devolvido. Isso porque a credibilidade adquirida ao longo dos anos mostra que é (quase) impossível alguém não melhorar, não sentir a diferença.

Tenho algum bônus no Segredos do Enem?

Hoje em dia as pessoas estão acostumadas ao fato de que, para vender, é necessário oferecer a máxima quantidade de bônus possíveis. Isso acaba sendo um erro porque alguns oferecem migalhas e, ao ver a lista imensa de v”vantagens” deixa-se de lado a qualidade para buscar a quantidade. Por isso, o curso Segredos do Enem oferece o que realmente vai agregar valor ao produto. São quatro, apenas quatro bônus que você receberá.

#Bônus 1: módulo 1 do curso Fórmula das Provas;

#Bônus 2: Modelo Infalível para um Cronograma de Estudos de Sucesso;

#Bônus 3: Todas as Provas do ENEM com Gabaritos e Correções;

#Bônus 4: Aprenda com os Primeiros colocados em Faculdades Federais.

Bônus exclusivos do Quero Passar

Você já deve estar convencido de que o curso Segredos do Enem é a melhor opção para se preparar adequadamente para o Enem, mas ainda assim quero quer você vá mais longe. Quero que você tenha as melhores ferramentas para revisar toda matéria estudada em Língua Portuguesa. Por isso, se você adquirir hoje o curso Segredos do Enem clicando num dos links da minha página, vou entregar para você 30 mapas mentais de Língua Portuguesa sobre Gramática, Literatura e Produção de Texto. Sim, estes são os mapas mentais que uso nas minhas aulas de Português e que têm ajudado milhares de estudantes, nos últimos anos, a estudar mais e melhor o Português. Alguns deles você já viu nas minhas redes sociais, mas o que ofereço para você aqui são os mapas que não publiquei em nenhum lugar além do meu curso Português Pra Passar.

Veja alguns exemplos

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Obs.: este bônus será oferecido apenas enquanto não sai a versão 2.0 do meu curso Português Pra Passar. Depois, somente meus alunos terão acesso.

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O curso é bom e te ajudará a ter sucesso no mundo acadêmico e profissional, pois a partir dele você terá a oportunidade de melhorar seu desempenho no exame escolar mais importante do Brasil e garantir uma vaga na faculdade que tanto sonha!

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Ainda está com dúvidas? Deixe um comentário abaixo para te ajudar!

6 exercícios de variação linguística e concordância verbal




Qualquer aluno que esteja se preparando adequadamente para provas de vestibular e também o Enem sabe que deve fazer bons exercícios de provas anteriores e buscar outros que somem nessa preparação. Hoje em dia as opções são muitas, mas é grande o número de pessoas que se perdem nessas informações e e acabam sendo levados para atividades massivas e que nada ajudam. Não é assim aqui. Nossos exercícios são selecionados e os gabaritos conferidos para que não haja nenhum problema maior na hora de resolver os exercícios. Seja nos exercícios de interpretação, na leitura de propostas de redação ou mesmo fazendo as provas do Enem de anos anteriores, pouco a pouco os alunos vão exercitando a memória e estudando com eficácia. Vamos embora então nas atividades.

AS QUESTÕES DE 01 A 06 DEVEM SER RESPONDIDAS COM BASE NO TEXTO I.

TEXTO I

Biblioteca na palma da mão: a Amazon lança revolução no mercado editorial

A Amazon lança o Kindle, o leitor digital
que recebe livros pela onda do celular

 Carlos Rydlewski

Os primeiros livros feitos com tipos móveis renováveis, predecessores das publicações atuais, surgiram no século XV e semearam uma revolução. Transformaram a leitura em algo popular. Estaremos assistindo a uma nova revolução no conceito de livro? Na semana passada, a Amazon, a maior entre as livrarias on-line, lançou o Kindle, aparelho para ser usado na leitura de textos em formato digital. Não é o primeiro desse tipo de produto, chamado genericamente de e-reader. Mas tem um encanto especial: a conexão direta com a Amazon sem a intermediação de um computador. A livraria oferece 88.000 títulos para download. Há também uma seleção de jornais americanos e europeus, 250 blogs e a Wikipedia, a enciclopédia da web. Nenhum concorrente chega perto em número de publicações.




O conteúdo é baixado para o Kindle por telefonia celular, sem custo para o usuário. Já os livros e jornais precisam ser pagos. Um título recém-lançado sai por 9,99 dólares. Obras de catálogo são vendidas por menos de 1 dólar. Seja qual for o número de páginas da obra, o tempo de download não chega a ser um problema. O aparelho armazena em torno de 200 livros. O teclado permite consulta a textos arquivados e à Wikipedia. “O Kindle pode não substituir os livros, mas faz coisas que eles não fazem”, disse Jeff Bezos, dono da Amazon, no lançamento do produto. O Kindle não é barato – custa 399 dólares, o preço de um iPhone. Pesa 300 gramas. É ligeiramente mais grosso que um lápis e tem o formato aproximado de um livro-padrão. Ou seja, pode ser carregado numa pasta sem causar incômodo. O visor, com 15 centímetros na diagonal, usa tecnologia criada pela E-Ink, empresa que nasceu no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). A tela é constituída por cápsulas microscópicas, preenchidas por pigmentos pretos e brancos. Estes são ativados por uma corrente elétrica, formando as letras. Ao contrário dos computadores e dos celulares, quanto mais claro o ambiente, mais nítida fica a tela.

Os e-readers surgiram no fim dos anos 90. Nenhum deles emplacou. Pioneiros como o SoftBook e o Rocket eBook eram caros (500 dólares), pesados (1,5 quilo) e tímidos em termos tecnológicos (nem sonhavam com downloads por rede sem fio). A Sony produziu duas versões de livros digitais entre 2004 e 2006: o Librié e o Reader. O primeiro naufragou. O segundo tem vendas modestas. Tornou-se um produto de nicho. Em 2006, surgiu o iLiad, da iRex Technologies. Era mais leve que os primogênitos, mas ainda assim pesado: quase 400 gramas. A oferta de amplo conteúdo permite à dupla Kindle-Amazon um sonho mais ambicioso: representar para o mercado editorial o que outra dupla, a Apple-iPod, significou para a indústria fonográfica – uma reviravolta monumental.

(Folha de São Paulo, 22/11/2007)

QUESTÃO 01 (Descritor: depreender de uma afirmação explícita outra afirmação implícita.)

Assunto: Procedimento de leitura/variação linguística e concordância verbal.

 

Considerando-se as informações do texto, assinale a alternativa INCORRETA.

A) O livro digital, lançado pela Amazon, recebe o conteúdo via telefonia celular, sem ônus para o usuário.

B) A tecnologia digital para livros é bastante recente e não encontra concorrência no mercado.

C) O livro digital apresenta como vantagem o fato de dispensar o computador como intermediador.

D) Um atrativo do livro digital lançado pela Amazon é capacidade de memória, em torno de 200 livros além de outros arquivos.

E) O livro digital da Amazon pode representar uma grande “revolução” no mercado editorial.

 

QUESTÃO 02 (Descritor: identificar a ideia central de um texto.)

Assunto: Procedimento de leitura/variação linguística e concordância verbal.

 

O principal objetivo desse texto é

A) informar os leitores sobre um novo aparelho eletrônico.

B) discutir a influência da internet na rotina dos jovens.

C) apresentar o avanço das tecnologias virtuais.

D) conscientizar os leitores sobre a existência de livros digitais.

E) confrontar a existência de livros digitais com outros suportes.

QUESTÃO 03 (Descritor: depreender de uma afirmação explícita outra afirmação implícita.)

Assunto: Procedimento de leitura/variação linguística e concordância verbal.

 

Em relação ao lead do texto, pode-se afirmar que ele sugere

A) ceticismo diante do assunto a ser abordado.

B) otimismo em relação ao tema.

C) crítica à postura do mercado editorial.

D) impessoalidade em relação à opinião do articulista.

E) imparcialidade frente ao assunto a ser discutido.




QUESTÃO 04 (Descritor: identificar relações de concordância dentro da oração.)

Assunto: Concordância verbal/variação linguística e concordância verbal.

 

Em relação às sentenças abaixo, extraídas do texto, foram feitas algumas considerações acerca da concordância verbal. Assinale a alternativa cuja consideração esteja INADEQUADA.

A) “Há também uma seleção de jornais americanos e europeus(…).” – O verbo haver não apresenta sujeito, portanto, deve permanecer sempre na terceira pessoa do singular.

B) “Nenhum concorrente chega perto em número de publicações.” – O verbo está na terceira pessoa, concordando com o sujeito simples ‘nenhum concorrente’.

C) “Tornou-se um produto de nicho.” – O verbo está na terceira pessoa do singular, porque o sujeito da sentença é indeterminado pela partícula SE.

D) “Estes são ativados por uma corrente elétrica, formando as letras.” O verbo concorda com o pronome demonstrativo ‘estes’, que retoma, no contexto, ‘pigmentos pretos e brancos’.

E) “Em 2006, surgiu o iLiad, da iRex Technologies.” – O verbo concorda com o sujeito simples ‘o iLiad, posposto a ele.

 

QUESTÃO 05 (Descritor: reconhecer uso de linguagem figurada na construção de um texto.)

Assunto: Conotação x denotação/variação lingüística e concordância verbal.

 

Em todos os fragmentos extraídos do texto, utilizou-se a conotação como recurso, EXCETO em

A) “Os primeiros livros feitos com tipos móveis renováveis, predecessores das publicações atuais, surgiram no século XV e semearam uma revolução.”

B) “Na semana passada, a Amazon, a maior entre as livrarias on-line, lançou o Kindle, aparelho para ser usado na leitura de textos em formato digital.”

C) “A Sony produziu duas versões de livros digitais entre 2004 e 2006: o Librié e o Reader. O primeiro naufragou.”

D) “Pioneiros como o SoftBook e o Rocket eBook eram caros (500 dólares), pesados (1,5 quilo) e tímidos em termos tecnológicos(…).”

E) “A oferta de amplo conteúdo permite à dupla Kindle-Amazon um sonho mais ambicioso: (…).”




 

QUESTÃO 06 (Descritor: identificar índices contextuais e situacionais como marcas de oralidade no processo de construção do texto.)

Assunto: Norma culta e norma popular/concordância verbal.

Leia as placas abaixo encontradas em imóveis para venda ou aluguel.

I- Alugo lojas neste prédio.

II- Vende-se apartamentos de 02 e 03 quartos na região.

III- Vende-se casa no lagoa.

IV- Aluga-se imóveis comerciais na região.

Alguns dos anúncios apresentam marcas de oralidade e desvios em relação à norma culta. Assinale a alternativa que apresenta uma consideração INADEQUADA sobre os anúncios acima.

A) No anúncio I, o pronome ‘neste’ deveria ser substituído pela forma ‘nesse’, indicando o prédio no qual estava o anúncio.

B) No anúncio II, o verbo está flexionado inadequadamente, pois o núcleo do sujeito ‘apartamentos’ é plural.

C) No anúncio II, a conjunção ‘e’ deveria ser substituída pela conjunção ‘ou’, a fim de melhorar a coerência textual.

D) No anúncio III, a palavra ‘lagoa’ deveria vir grafada com letra maiúscula, por se tratar de um bairro da cidade.

E) No anúncio IV, o SE é uma partícula apassivadora, portanto, o verbo deveria estar flexionado no plural, concordando com o sujeito paciente.

 

Gabarito dos exercícios  de variação linguística e concordância verbal

QUESTÃO 01 B
QUESTÃO 02 A
QUESTÃO 03 B
QUESTÃO 04 C
QUESTÃO 05 B
QUESTÃO 06 A

10 exercícios de verbos com gabarito




Esta é uma lista de exercícios de verbos já com gabarito comentado. Estudar os verbos é entender as construções sintáticas em que se apoiam os textos. Além da questão gramatical, você aprenderá aqui na prática como é que esta classe gramatical é importante na interpretação de textos, algo bastante importante nas provas do Enem e também nos vestibulares. Confira também o gabarito dos exercícios para ver seu desempenho e entender onde é que está errando na hora da resolução. Além desses exercícios, é bom que se diga, há muitos outrs que você pode acessar pela barra lateral ou mesmo visitando as categorias do nosso blog.

Lista pronta de exercícios de verbos

1. Considere o texto publicitário a seguir.

Mude seu banheiro da água para Harpic Descubra o frescor e a praticidade do novo Harpic Tablete. É só jogá-lo na caixa acoplada e dar descarga para ter o seu vaso limpo por até 200 descargas. Experimente e descubra: banheiro bom é o que tem Harpic. Confie no especialista.

Casa Claudia. São Paulo: Abril, ano 26, n. 10. out. 2002.

O texto da propaganda utiliza um recurso bastante recorrente em anúncios publicitários, quanto ao emprego de verbos. Diga que recurso é este e que efeito de sentido ele provoca no leitor.

Leia a letra de música a seguir para responder às questões de 2 a 4.

Ai, se sesse!

Se um dia nóis se gostasse; Se um dia nóis se queresse; Se nóis dois se impariasse; Se juntinho nóis dois vivesse! Se juntinho nóis dois morasse; Se juntinho nóis dois drumisse; Se juntinho nóis dois morresse! Se pro céu nóis assubisse!? Mas porém, se acontecesse, Qui São Pedro não abrisse As porta do céu e fosse, Te dizê quarqué toulice? E se eu me arriminasse E tu cum eu insistisse, Pra qui eu me arrezorvesse E a minha faca puchasse, E o buxo do céu furasse?… Tarvez qui nóis dois ficasse Tarvez qui nóis dois caísse, E o céu furado arriasse E as Virge todas fugisse!!!

SILVA, Severino de Andrade (“Zé da Luz”). Cordel do Fogo Encantado. Trama, 2001.

Impariasse: variante popular para “emparelhar” (ficar lado a lado, tornar-se parceiro).
arriminasse: variante popular para “arrimar” [arrumar(-se): conseguir boa situação, sob qualquer  aspecto].

2. A música foi composta numa norma não padrão da língua. Isso fica evidente na ortografia de certas palavras, como buxo (bucho), puchasse (puxasse), tarvez (talvez), entre outras. Mas essa variedade pode também ser percebida quando observamos a conjugação dos verbos.

  • Qual o modo verbal que predomina na letra da música? em que tempo está?
  • Que efeito o modo e o tempo desses verbos produzem na música?

3. Observe o título da música Ai, se sesse. Que verbo seria este cujo subjuntivo é sesse? Como é, na norma padrão, o subjuntivo deste verbo?

4. Como a variedade linguística utilizada na composição dessa música não é a padrão, nem todos os verbos estão conjugados de acordo com as regras da língua padrão. Reescreva aqueles cuja conjugação diverge da concordância oficial.

5.  O pretérito perfeito do indicativo é geralmente usado para descrever fatos ou estados concluídos no passado e em algum momento anterior ao instante em que se fala. Considere as frases a seguir e diga se esta característica do perfeito do indicativo se aplica a elas.

  • “Viu, gostou, levou” (Anúncio publicitário)
  • “Pensou persiana, lembrou Columbia”
  • (Anúncio publicitário de persianas)
  • “Ajoelhou, tem que rezar” (Dito popular)

Conheça técnicas de memorização para guardar todos os tempos e modos verbais

Leia o texto a seguir para responder as questões de 6 a 8.

O futuro do gerúndio Você já se irritou hoje? Não? Parabéns: você não deve ter telefonado para o seu banco até o momento. Porque qualquer operação bancária que você faça ao telefone com um ser humano do outro lado da linha vai necessariamente envolver uma resposta no odioso futuro do gerúndio. Sim, você conhece esse novo tempo verbal – só não sabia que ele se chamava assim. “Nós vamos estar creditando 500 reais na sua conta”, “os talões vão estar sendo enviados para a sua casa”, “vai estar sendo debitado da poupança” – frases que a gente ouve mais do que “bom dia”, não é mesmo? Pois bem. Até quando você e eu vamos estar sendo submetidos a esse martírio? Por que temos que estar obrigados a estar tendo que ouvir frases que vão estar contaminado nosso cérebro a longo prazo? Quanto tempo vamos estar demorando para passar a estar falando desse jeito na vida real?

FREIRE, Ricardo. The best of Xongas. São Paulo: Mandarim, 2001.




6. Ricardo Freire, no texto transcrito, trata da inadequação de uma determinada construção gramatical.

  • Qual é a inadequação?
  • Explique, do ponto de vista gramatical, em que consiste esta inadequação.
  • Qual seria a construção gramatical correta a ser utilizada em lugar do “futuro do gerúndio?

7.  O autor manifesta a sua preocupação com o fato de, daqui a algum tempo, os falantes passarem a utilizar esse tipo de construção inadequada em função da frequência com que a ouvem. De que recurso se vale o autor para comprovar essa possibilidade?

8. Reescreva o trecho a seguir, eliminando o futuro do gerúndio.

Por que temos que estar obrigados a estar tendo que ouvir frases que vão estar contaminando nosso cérebro no longo prazo? Quanto tempo vamos estar demorando para passar a estar falando desse jeito na vida real?

9. Leia com atenção o texto a seguir.

Fui abandonado por Flora (e que a humildade dessa voz passiva pulverize os que sempre me pintaram como bastião do porco-chauvinismo) no meio de uma mononucleose.

RODRIGUES, Sérgio. O homem que matou o escritor. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

Explique por que o narrador se refere à “humildade da voz passiva” como comprovação para o fato de não poder ser considerado chauvinista. Se o narrador correspondesse à imagem de “bastião do porco-chauvinismo”, que estrutura sintática seria utilizada por ele? Justifique sua resposta.

10. A correlação dos tempos verbais é um importante fator para a construção do tempo em um texto narrativo. No texto transcrito a seguir, preencha as lacunas com o verbo indicado, estabelecendo a adequada correlação de tempos entre as formas verbais.

O importante era não ser preso logo. Gim se ___________ (espremer) contra um vão de porta, os policiais pareciam correr em frente, mas de repente _________ (ouvir) os passos ____________ (retornar), __________ (dar) a volta pelo beco. _________ (pular) fora rápido, em saltos leves. — _____ (parar) ou a gente _________ (atirar), Gim! “Está bom, vamos ver, atirem!”, pensava ele, e já ___________ (estar) fora do alcance dos tiros, a grandes passadas na beirinha dos degraus de pedra, __________ (despencar) pelas vielas tortas da cidade velha. Acima da fonte _________ (saltar) a balaustrada da rampa, e então ________ (ficar) embaixo da arcada que ______________ (amplificar) os passos.

CALVINO, Italo. A aventura de um bandido. In: Os amores difíceis. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

Gabarito dos exercícios sobre verbos

1. O recurso de que se vale o anúncio é o uso do imperativo (mude, descubra, experimente, confie). Ao utilizar esse modo verbal, o publicitário pretende convencer o leitor da necessidade de consumir o produto, induzindo-o a adquiri-lo.

2.

  • O modo subjuntivo, no pretérito imperfeito.
  • O modo subjuntivo denota algo hipotético, algo cuja probabilidade de ocorrência é duvidosa ou incerta. No caso da música, o autor elabora perguntas do que aconteceria caso o amor hipotético entre o eu lírico e sua/seu parceira/o se efetivasse.

3.  Sesse corresponde ao verbo ser, portanto o subjuntivo é fosse.




4.  Conjugados de acordo com a norma padrão, os verbos assumiriam as seguintes formas: se fosse, se nós nos gostássemos, se nós nos quiséssemos, se nós nos emparelhássemos, se nós vivêssemos, se nós morássemos, se nós dormíssemos, se nós morrêssemos, se nós subíssemos, se eu me arrimasse, se tu insistisses, para que eu me resolvesse, se nós ficássemos, se nós caíssemos, se as virgens todas fugissem.

5.  Tanto nas frases dos anúncios quanto nos ditos populares, os verbos que estão no pretérito perfeito do indicativo não se referem a algo já concluído anteriormente ao momento em que se fala. eles equivalem a uma espécie de verdade absoluta, isto é, são asserções válidas para qualquer momento. assim, por exemplo, “pensou persiana, lembrou Columbia” equivaleria a “toda vez que você pensar em persiana, você deve se lembrar das persianas da marca Columbia”.

6.

  • O uso desnecessário do gerúndio em algumas locuções verbais, como “vamos estar creditando”, “vão estar sendo enviados”, “vai estar sendo debitado”. O autor chama esse tipo de construção de “futuro do gerúndio”.
  • O gerúndio é uma forma verbal que dá a ideia de continuidade, de ação em processo. Nestes casos, está usado inadequadamente porque o sentido que se pretende é o de ação futura, que será realizada.
  • O correto seria usar o futuro do presente simples (creditaremos) ou composto (serão enviados, será debitado).

7.  Ricardo Freire, ao manifestar sua preocupação, se vale da reprodução irônica da estrutura que está criticando: “vamos estar sendo submetidos”, “temos que estar obrigados a estar tendo que ouvir”, “vão estar contaminado”, “vamos estar demorando para passar a estar falando”.

8.  Por que temos que ser obrigados a ouvir frases que contaminarão nosso cérebro no longo prazo? Quanto tempo demorará para passarmos a falar desse jeito na vida real?

9.

  • O narrador refere-se à “humildade da voz passiva” porque, uma vez que o sujeito sofre a ação verbal nessa estrutura sintática, ele sempre estará em posição inferior.
  • O narrador empregaria a voz ativa. Como nessa estrutura sintática o sujeito pratica a ação verbal, ele estaria em uma posição superior.

10. As formas verbais que preenchem adequadamente as lacunas são: espremeu, ouviu, retornarem, darem, pulou, para, atira, estava, despencando, saltou, ficou, amplificava.

Saiba mais sobre estes assuntos




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Técnicas de memorização para Enem e Vestibular

Seja bem-vindo ao site Quero Passar. Somos uma comunidade preocupada com o desempenho de nossos leitores em provas como a do Enem, vestibulares e concursos. Mais que isso, buscamos proporcionar qualidade de vida para que tenham sucesso em todas as áreas de suas vidas. Neste artigo você vai descobrir por que educar e desenvolver o cérebro para ter sucesso é muito simples.

Há alguns anos eu tomei contato com leituras que me fizeram mudar a forma de dar aulas. Passei a introduzir em minhas aulas técnicas de atenção, observação e associação.

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Memória fraca x distração

Muitas pessoas confundem memória fraca com distração. As duas na verdade divergem, apesar de andarem de mãos dadas. Pessoas dotadas de uma memória muito boa podem ser distraídas..

Exemplo: Você deve conhecer uma pessoa que sai de casa após fechar tudo e, na rua, fica se perguntando se realmente fechou a porta. Ou que guarda as chaves na bolsa e depois fica procurando onde as colocou… isso é distração.

A maioria das pessoas coloca a culpa nessas coisas na memória fraca, devido ao excesso de trabalho, estresse preocupações e etc… Não creioque isso esteja de todo errado. Mas o fato de você chegar até este artigo mostra que isso é um incômodo para você. Por isso mesmo já digo que para conseguir memorizar rápido ou desenvolver sua memória, você devera levar a sério e se esforçar nas técnicas memorização que irei apresentar aqui ou te indicarei de alguma forma.

Todo conteúdo com o qual já tive contato mostram que a falta de memória ou concentração é um problema que afeta a todos. Seja a pessoa que tem nível superior ou a que nunca recebeu a Educação formal, esquecer-se de coisas importantes é chato e, às vezes, prejudicial. Outro ponto comum entre as diversas leituras que fiz é o fato de que algumas pessoas se acham velhas demais para aprender. A verdade é que “não existe idade para aprender!”

Aprenda agora mesmo memorizaçãoclique aqui

Quais as leis fundamentais antes de começar a memorizar melhor

  1. Toda Habilidade se desenvolve com a pratica, ate as respostas se tornarem automáticas e instintivas.
  2. A habilidade deteriora-se quando não aplicada, acabando por perder-se, se negligenciada.

Saiba mais sobre a memória

Você sabia que o nosso cérebro pode armazenar uma quantidade imensa de informações?

Raul Seixas já dizia numa de suas músicas…

“Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal”

… e nos acostumamos a isso e achamos normal nos esquecermos de coisas importantes ou até mesmo fazemos algo pior que é confiar simplesmente nos dispositivos eletrônicos para nos ajudar a lembrar de tudo que precisamos.

É certo que nós estamos, principalmente hoje, expostos a uma avalanche de informações que vêm de todas as partes e por isso fica complicado conseguir gerenciar tudo e conseguir memorizar as coisas mais importantes, imagina as coisas menos importantes. Isso é um fato também para explicar porque nosso cérebro não consegue processar toda a informação e decidir o que é importante ou não para guardar.

Como dito anteriormente, se você se esquece das coisas, não necessariamente tem uma memoria ruim, mas com certeza se trata mais de um problema de assimilação do que esquecimento.

Assimilação é a 1a etapa da memorização.

Por que esquecemos das coisas?

Os pulsos elétricos que são enviados para o cérebro são de curta duração. Se você pega o telefone com alguém e liga na mesma hora e der ocupado, você corre o risco de quando for tentar de novo (se não usar o opção redial) esquecer o numero que acabou de memorizar.

Como memorizar melhor? / como memorizar rápido ?

Existem diversas técnicas de memorização feitas para aprimorar a memória e o tempo necessário para memorizar, de maneira segura, informações para fazer uma prova, prestar um concurso e as necessidades de nosso dia.

Vamos analisar agora os elementos da memorização;

Atenção – é o contrario da distração, que como já dita antes, é confundida com memoria ruim ou fraca. As duas andam lado a lado, mas são bem diferentes. A FALTA DE ATENCAO traz a falta de memoria, por isso preste a atenção!

Observação – é o que direciona a atenção para o que é importante memorizar, como dito antes nós apenas olhamos e não observamos. Temos que compreender, dificilmente você vai conseguir memorizar algo de fato sem ter compreendido. Se você unir atenção + observação, você irá conseguir uma memória rápida.

Motivação – ela pode não estar associada diretamente com o a técnica de como memorizar melhor, mas com certeza

Aprenda com o Guru da Memorização (Renato Alves)

Uma das minhas maiores dificuldades sempre quando estudei era memorizar. Existem certos conteúdos que não temos como escapar… as técnicas de memorização existentes na internet são realmente boas, mas dificilmente serão suficientes para conseguir se aprofundar.

Hoje agradeço por ter conhecido o conteúdo produzido pelo professor Renato Alves. Tenho usado as dicas que ele dá em seus vídeos parta conseguir ajudar meus alunos a terem um rendimento melhor no vestibular, mas também para montar as minhas aulas no pré-vestibular.

Hoje eu sei que teria muito mais facilidade quando comecei a lecionar se já soubesse dessas técnicas. Mesmo na faculdade, teria muito melhor trabalho para estudar para provas e apresentar trabalhos.

Quem é o professor Renato Alves?

Renato Alves é um especialista em mnemônica, que é:

..a técnica para desenvolver a memória e memorizar coisas, que utiliza exercícios e ensina artifícios, como associação de ideias ou fatos difíceis de reter a outros mais simples ou mais familiares, combinações e arranjos de elementos, números etc.; mnemotecnia, mnemotécnica.

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Renato Alves ministrando o seu curso de memorização nos Estados Unidos.

O Currículo do Renato é gigantesco e possui algumas grandes referencias como ser o primeiro brasileiro a receber através de homologação oficial, o título de Melhor Memória do Brasil pelo Rank Brasil, o livro dos recordes nacionais.

Hoje ele é o verdadeiro guru de grandes artistas, que usam seu método para decorar grandes textos em novelas, series e teatro. Esse método foi patenteado e é focado na memorização, ele vai aumentar suas chances de aprovação em vestibulares e concursos e melhorar seu foco no trabalho. O Método Renato Alves ganhou reconhecimento nacional e já foi apresentado nos principais jornais, revistas e canais de televisão como Globo, Record e Band.

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Introdução à Literatura – Exercícios com gabarito




Esta é uma lista de exercícios bastante singular porque muitos alunos se identificarão com as músicas usadas. É bem verdade que a Literatura se aproxima demais da música e que é possível usá-las, ainda que contemporâneas, nas aulas em que tratamos dos períodos literários. No Enem, a Literatura é vista sobretudo nas questões de interpretação de texto, mas as questões que tratam da Gramática e da Linguagem podem ser algo de abordagens usando os textos assim. Você, além dos exercícios abaixo, poderá ver o gabarito que traz algumas sugestões de respostas que podem variar conforme quem estiver fazendo ou mesmo a bagagem cultural que tiverem.

Lista de atividades de Literatura

QUADRO DE CONTEÚDOS

CONTEÚDOS/CAPÍTULOS QUESTÕES
Conceito de Arte / Conotação e Denotação 1, 2, 10 e 15.
Intertextualidade 5, 28.
Metalinguagem 6, 7, 29.
A palavra literária / Poesia e prosa 3, 8, 9, 35.
Figuras de Estilo 13, 14, 16, 23.
Gêneros => lírico, narrativo, dramático 4, 12, 17, 18, 19, 20, 37, 39.
Estilo Individual e estilo de época
Trovadorismo => Contexto de Época; Novelas de Cavalaria
Cantigas 21, 31.
Humanismo => Teatro de Gil Vicente 33, 34.
Poesia Palaciana / Fernão Lopes 36
Valores sociais e humanos do patrimônio literário nacional. 39.
Enunciado e enunciação no texto literário 40.

I. QUESTÕES OBJETIVAS

QUESTÃO 01 (Descritor: Refletir sobre a arte e seus sentidos a partir da comparação de duas pinturas e da análise das afirmativas.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: A arte e seus sentidos.

A arte é uma das formas de expressão humana. Sem um objetivo utilitário, causa prazer, choque, rupturas. Observe as duas telas abaixo: a primeira, “O Balcão” (1869), do pintor impressionista Édouard Manet (1832-1883); e a segunda, “Perspectiva II, O Balcão de Manet” (1950), do surrealista René Magritte (1898-1967).

magrite

Considere as imagens invertidas na hora de ler as alternativas. A primeira é “Perspectiva II (1950), a segunda é  o balcão de Manet” (1869).

A partir do conceito de arte, compare as duas imagens, analise as alternativas e assinale aquela cuja leitura é CORRETA.

a) Ao comparar as duas imagens, considerando-se que a primeira seja bela, pode-se afirmar que essa beleza desaparece perante a morbidez da segunda.

b) Nenhuma das duas imagens são reais. A Arte, por elas representada, é um simulacro do real, uma representação do que o artista vê da realidade.

c) Os elementos básicos da expressão dos pintores são diferentes, de acordo com o momento histórico em que se apresentam. Isso anula a relação entre elas.

d) O pintor René Magritte teve intenção de ofender Édouard Manet com a tela “Perspectiva II, o balcão de Manet”, o que explica a corrupção da imagem inicial.

e) Pode-se considerar que a natureza, primeira atração estética sentida pelo homem, invalida as pinturas apresentadas por não ser nelas retratada.

QUESTÃO 02 #ELIMINADA

QUESTÃO 03 (Descritor: Demonstrar o conhecimento do conceito de verossimilhança na interpretação do texto.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: verossimilhança.

De acordo com o livro da Coleção Pitágoras – 1ª série, Ensino Médio, a verossimilhança é o conceito no qual a “supra-realidade criada pelo autor precisa ser verdadeira” (p. X). Ou seja, é preciso que haja coerência entre os elementos que compõem o texto.

Pensando nisso, leia o fragmento a seguir, retirado do livro Alice no País das Maravilhas, escrito pelo inglês Lewis Carroll (1832-1898). Na obra, uma menina (Alice) chega a um país fantástico ao correr atrás de um coelho, que foge através do oco de uma árvore.

Nesse mundo maravilhoso, Alice toma chá com o Chapeleiro Louco e a Lebre de Março.

“Oba, vou me divertir um pouco agora!” pensou Alice. “Que bom que tenham começado a propor adivinhações.” E acrescentou em voz alta: ‘Acho que posso matar esta.”

“Está sugerindo que pode achar a resposta?” perguntou a Lebre de Março.

“Exatamente isso”, declarou Alice.

“Então deveria dizer o que pensa”, a Lebre de Março continuou.

“Eu digo”, Alice respondeu apressadamente: “pelo menos… pelo menos eu penso o que digo… é a mesma coisa, não?”

“Nem de longe a mesma coisa!” disse o Chapeleiro. “Seria como dizer que ‘vejo o que como’ é a mesma coisa que ‘como o que vejo’!”

“Ou o mesmo que dizer”, acrescentou a Lebre de Março, “que ‘aprecio o que tenho’ é a mesma coisa que ‘tenho o que aprecio’!”

(…)

“Dois dias de atraso!” suspirou o Chapeleiro. “Eu lhe disse que manteiga não ia fazer bem para o maquinismo [do relógio]!” acrescentou, olhando furioso para a Lebre de Março.

(…)

“Já decifrou o enigma?”, indagou o Chapeleiro, voltando-se de novo para Alice.

“Não, desisto”, Alice respondeu. “Qual é a resposta?”

“Não tenho a menor ideia”, disse o Chapeleiro.

“Nem eu”, disse a Lebre de Março.

CARROL, Lewis. Alice – edição comentada.Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002. p. 68-70.

A seguir, ANALISE as afirmativas abaixo:

I. “Dois dias de atraso!” suspirou o Chapeleiro. “Eu lhe disse que manteiga não ia fazer bem para o maquinismo [do relógio]!” acrescentou, olhando furioso para a Lebre de Março. => O trecho é totalmente inverossímil, porque ninguém colocaria manteiga em um relógio.

II. No final do texto, a conversa sobre o fato do Chapeleiro Louco e da Lebre de Março proporem à Alice um enigma cuja resposta eles desconheciam não compromete a verossimilhança do texto.

III. A verossimilhança interna do non sense do texto não compromete a verossimilhança externa, visto tratar-se de um país fantástico, “das Maravilhas”.

Está(ão) CORRETA(S):

a) apenas I e II.

b) apenas I e III.

c) apenas II e III.

d) apenas I.

e) I, II e III.

QUESTÃO 04 (Descritor: Analisar como os elementos da narrativa se apresentam no texto lido e julgar as alternativas.)




Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: elementos da narrativa.

Leia o texto a seguir com atenção:

Catalepsia

A notícia correu célere no vilarejo: “Seo” Oscar morreu.

O velório foi movimentado. Homem de muitos amigos e, dizem as más línguas, de “amigas” também. A casa ficou cheia.

“Seo” Joaquim, compadre e companheiro de muitas noitadas, custou a criar coragem para ir se despedir do amigo. Passou na venda do Alírio e comprou uns “pau-a-pique” para colaborar no café da meia noite

A primeira coisa que notou ao entrar na sala foi a falta do choro da viúva. Impassível ao lado do caixão; séria, mão no rosto, parecia alheia ao defunto. “Seu” Joaquim achegou-se, temeroso para cumprimentá-la.

Não se sabe se foi alergia ao cheiro das flores que cobriam o morto, mas o fato é que ele, embora tentasse segurar, deu um tremendo espirro. O defunto sentou-se no caixão, perguntando o que estava acontecendo.

Não ficou uma pessoa na sala. Aliás, ficaram duas: a viúva desmaiada e “Seo” Joaquim, cujas pernas falharam e ele não pôde correr.

“Seo” Oscar tivera um ataque de catalepsia. E por um bom tempo o coitado foi visto como um fantasma.

Os anos se passaram e um dia “Seo” Oscar morreu “de novo”. Armado o velório, “Seo” Joaquim foi se despedir do amigo.

Quando estava entrando na sala onde estava o corpo, foi violentamente retirado por uma mão que lhe tapava a boca e o nariz. Assustado, viu que era a viúva que foi logo lhe dizendo baixo:

– Compadre, não pode entrar aí. Se quiser espirrar vai fazer isso lá na rua.

Até hoje “Seo” Joaquim pensa:

– Será que o Oscar morreu mesmo?




ROCHA, Déa Rodrigues da Cunha. “Catalepsia”. In Os comes e bebes nos velórios das Gerais e outras histórias. São Paulo: Auana Editora, 2008. p. 59-60.

Levando o texto “Catalepsia” em consideração, e observando os elementos da narrativa, ANALISE as proposições abaixo, e ASSINALE a alternativa CORRETA.

a) As personagens do conto são rasas, sem profundidade psicológica, exceto “Seo” Joaquim”, que, ao ver a viúva, “achegou-se, temeroso, para cumprimentá-la.”.

b) Não se pode considerar que o conto tenha um espaço, visto que não há descrição do cenário onde a ação acontece (um “vilarejo” é um termo vago).

c) O tempo na narrativa é cronológico: acontece o primeiro velório, o “defunto” volta, os anos se passam, e o desfecho se dá quando acontece o segundo velório.

d) A intriga do enredo ocorre no início do conto, quando o narrador diz que as “más línguas” difamam “Seo” Oscar, falando de suas “amigas”.

e) A retaliação da viúva ao “Seo” Joaquim, no final do texto, decorre do fato de que ele era companheiro de noitadas do finado.

As questões 05 e 06 referem-se ao texto a seguir. Leia-o com atenção.

Fita Verde no Cabelo (Nova velha história)

Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.

Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.

Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dia: – “Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou.” A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.

(…)

ROSA, Guimarães. “Fita Verde no Cabelo (Nova velha história). In Ave, Palavra. 5ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. p. 81-82

QUESTÃO 05 (Descritor: Reconhecer o tipo de relação dialógica/intertextual que existe entre os textos).

 

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: intertextualidade.

A intertextualidade é uma forma de recontextualização. Considere que um texto carrega marcas de outros textos, anteriores a ele. Agora, leia “Fita Verde no Cabelo (Nova Velha História)”, conto de Guimarães Rosa, apresenta uma relação intertextual com um conhecido conto da literatura universal.

O tipo de intertextualidade que existe entre o fragmento lido e o texto anterior (“Chapeuzinho Vermelho”) é uma

a) citação.

b) paródia.

c) epígrafe.

d) paráfrase.

e) alusão.

QUESTÃO 06 (Descritor: Classificar os elementos da narrativa presentes no texto lido e julgar as alternativas.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: elementos da narrativa.

Analise os elementos da narrativa de “Fita verde no cabelo (nova velha história”), observe as alternativas e assinale a CORRETA.




a) narrador: personagem.

b) protagonistas: caçadores.

c) tempo: atemporal.

d) espaço: indefinido.

e) enredo: difícil ida da menina à casa da avó.

QUESTÃO 07 (Descritor: Reconhecer a discussão que os textos propõem acerca de sua própria produção.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: metalinguagem

Leia com atenção os três textos a seguir.

TEXTO I

“Se souberas falar também falaras,

também satirizaras, se souberas,

e se foras poeta, poetaras.

(…)

Permiti, minha formosa,

que esta prosa envolta em verso

de um Poeta tão perverso

se consagre a vosso pé,

pois rendido à vossa fé

sou já Poeta converso.”

Fragmento de MATOS, Gregório. In AMADO, James (ed.). Gregório de Matos: obra poética. 3ª ed. Preparação e notas de Emanuel Araújo . Rio de Janeiro: Record, 1992.

TEXTO II

“Longe do estéril turbilhão da rua,

Beneditino escreve! No aconchego

Do claustro, na paciência e no sossego,

Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!”

Fragmento de BILAC, Olavo. A um poeta. In www.jornaldepoesia.jor.br

TEXTO III

Queria te dizer coisas singelas e verdadeiras

Mas as palavras me embaraçam.

Estou triste, meu amor, mas lembre-se de mim com alegria.

Cacaso, In Poesia Marginal. Col. Para gostar de ler, 39. São Paulo: Ática, 2006. p.29.

Perceba como, nos três textos lidos, os autores fazem uso da linguagem para defini-la, discuti-la, descrevê-la… Ou seja, a linguagem “fala” da própria linguagem. Essa característica é chamada de

a) Intertextualidade

b) Denotação

c) Metáfora

d) Epígrafe

e) Metalinguagem

As questões 08 e 09 referem-se ao texto a seguir. Leia-o com atenção.

UFPB – PSS 2006

Romanceiro da Inconfidência

Romance LIII ou Das palavras aéreas

 

1 Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Ai, palavras, ai, palavras,

sois de vento, ides no vento,

no vento que não retorna,

e, em tão rápida existência,

tudo se forma e transforma!

8 Sois de vento, ides no vento,

e quedais, com sorte nova!

 

10 Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Todo o sentido da vida

principia à vossa porta;

o mel do amor cristaliza

seu perfume em vossa rosa;

sois o sonho e sois a audácia,

calúnia, fúria, derrota…

18 A liberdade das almas,

ai! com letras se elabora…

E dos venenos humanos

sois a mais fina retorta:

frágil, frágil como o vidro

e mais que o aço poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,

pelo vosso impulso rodam…

26 Detrás de grossas paredes,

de leve, quem vos desfolha?

Pareceis de tênue seda,

sem peso de ação nem de hora…

– e estais no bico das penas,

– e estais na tinta que as molha,

– e estais nas mãos dos juízes,

– e sois o ferro que arrocha,

– e sois barco para o exílio,

– e sois Moçambique e Angola!

36 Ai, palavras, ai, palavras,

íeis pela estrada afora,

erguendo asas muito incertas,

entre verdade e galhofa,

desejos do tempo inquieto,

promessas que o mundo sopra…

42 Ai, palavras, ai, palavras,

mirai-vos: que sois, agora?

44 – Acusações, sentinelas,

bacamarte, algema, escolta;

– o olho ardente da perfídia,

a velar, na noite morta;

– a umidade dos presídios,

– a solidão pavorosa;

– duro ferro de perguntas,

com sangue em cada resposta;

– e a sentença que caminha,

– e a esperança que não volta,

– e o coração que vacila,

– e o castigo que galopa…

56 Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Perdão podíeis ter sido!

– sois madeira que se corta,

– sois vinte degraus de escada,

– sois um pedaço de corda…

– sois povo pelas janelas,

cortejo, bandeiras, tropa…

64 Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Éreis um sopro na aragem…

– sois um homem que se enforca!

(MEIRELES, Cecília. Os melhores poemas de Cecília Meireles /seleção Maria Fernanda. 11. ed. São Paulo: Global, 1999, p. 143-146).

GLOSSÁRIO:

quedar: ficar, deter-se, conservar-se.

retorta: vaso de vidro ou de louça com o gargal, o recurvo, voltado para baixo e apropriado para operações químicas.

tênue: delgado, fino.

galhofa: gracejo, risada.

bacamarte: arma de fogo.

perfídia: deslealdade, traição.

aragem: vento brando, brisa.

08 (Descritor: Interpretar o texto e reconhecer a discussão que a palavra propõe acerca de si mesma.)

 

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: interpretação de texto e metalinguagem.

A leitura do poema sugere que as palavras, por serem aéreas,

a) retornam, sempre, com o vento.

b) não mudam jamais.




c) perdem a sua potência.

d) transformam-se ao sabor do vento.

e) nunca chegam ao seu destino.

QUESTÃO 09 (Descritor: Relacionar o texto literário à história do Brasil.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: literatura e realidade.

No poema, há uma relação entre a potência das palavras e um movimento de rebelião política ocorrido, no Brasil, no final do século XVIII. Essa relação aparece de forma mais evidente no seguinte verso:

a) “sois de vento, ides no vento,” (verso 4)

b) “sois a mais fina retorta:” (verso 21)

c) “– sois madeira que se corta,” (verso 59)

d) “– sois povo pelas janelas,” (verso 62)

e) “– sois um homem que se enforca!” (verso 67)

As questões 09 e 10 referem-se ao texto a seguir. Leia-o com atenção.

PASUSP: 25 de outubro de 2009

Na literatura, como na natureza, nada se ganha e nada se perde, tudo se transforma. Em Shakespeare está tudo o que nós, escritores, continuamos a utilizar nos dias de hoje, apenas embaralhamos as cartas e voltamos a dar. Os sentimentos profundos que movem a humanidade – o amor, o ciúme, a paixão pelo poder, as intrigas da corte –, a certeza de que as grandes histórias de amor continuam a ser as impossíveis, etc. Ainda que depois de Shakespeare não tivesse surgido mais nada, o essencial sobre a natureza humana já teria sido dito.

José Eduardo Agualusa. O Estado de S. Paulo, 23/04/2009. Adaptado.

QUESTÃO 10 (Descritor: Sintetizar o texto.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: “a palavra literária” => a essência do texto literário.

Assinale a alternativa que apresenta a ideia central do texto.

a) A obra de Shakespeare não apresenta valores humanos atuais.

b) O essencial da natureza humana está representado em Shakespeare.

c) As grandes paixões continuam sendo impossíveis.

d) A natureza imita os temas presentes na literatura.

e) Os temas sobre a natureza humana ainda não foram escritos.

QUESTÃO 11 (Descritor: Identificar os diferentes usos da palavra, em seus sentidos denotativo e conotativo.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: conotação e denotação.

Assinale a alternativa que contém a palavra que, no texto, é empregada pelo autor com dois significados diferentes.

a) Amor.

b) Ciúme.

c) Literatura.

d) Sentimento.

e) Natureza.

QUESTÃO 12 (Descritor: Interpretar o texto a partir do conhecimento dos elementos da poesia épica.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: poesia épica.

TEXTO I

Os Lusíadas

Luiz Vaz de Camões

As armas e os barões assinalados,

Que da ocidental praia Lusitana,

Por mares nunca de antes navegados,

Passaram ainda além da Taprobana,

Em perigos e guerras esforçados,

Mais do que prometia a força humana,

E entre gente remota edificaram

Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas

Daqueles Reis, que foram dilatando

A Fé, o Império, e as terras viciosas

De África e de Ásia andaram devastando;

E aqueles, que por obras valerosas

Se vão da lei da morte libertando;

Cantando espalharei por toda parte,

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio Grego e do Troiano

As navegações grandes que fizeram;

Cale-se de Alexandro e de Trajano

A fama das vitórias que tiveram;

Que eu canto o peito ilustre Lusitano,

A quem Neptuno e Marte obedeceram:

Cesse tudo o que a Musa antígua canta,

Que outro valor mais alto se alevanta.

TEXTO II

Jerusalém Libertada

Torquato Tasso

“As armas canto e o capitão piedoso,

Que libertou de Cristo a sepultura,

Afrontando os trabalhos valoroso,

Armado de prudência e de bravura:

Embalde o inferno o combateu raivoso,

E a Ásia se aliou à Líbia impura,

Que o céu lhe deu socorro, e os espalhados

Sócios juntou sob os pendões sagrados.

Ó Musa, tu que a fronte não coroas

No Hélicon de louros morredores,

Mas co’os seres angélicos povoas

O empíreo aureolada d’esplendores,

Faze que minhas rimas sejam boas;

Vem inspirar-me divinais ardores;

E revela se o falso em meu poema

Uno à verdade, e ao teu diverso tema;

Pois bem sabes que o mundo o que mais ama

É do Parnaso a lisonjeira gala,

E que ao mais rude coração inflama

A verdade, se em verso meiga fala.

Tal a criança enferma ao cálix chama

Doce licor, que foi para enganá-la

Nas bordas posto, e, enquanto o amargo bebe,

No próprio engano sua vida recebe.”

TEXTO I: CAMÕES, Luiz Vaz de. “Canto I”. In Os Lusíadas. São Paulo: Cultrix, s/d. p. 21.

TEXTO II: TASSO, Torquato. “Canto I”. In Jerusalém Libertada. Rio de Janeiro: Topbooks, 1998. p. 113




Sobre os fragmentos dos poemas épicos acima destacadas, considerando forma e conteúdo, assinale a alternativa INCORRETA.

a) A linguagem grandiloquente é fundamental na construção do clima heróico dos textos épicos.

b) O verso decassílabo e a oitava rima (ABABABCC) são alguns dos elementos que marcam o ritmo do poema.

c) A presença da mitologia comprova-se pelos termos “Netuno”, “Marte” (Texto I) e Parnaso” (Texto II).

d) No fragmento de Jerusalém Libertada, o eu lírico pede auxílio à Musa; em Os Lusíadas, esse auxílio é pedido aos lusitanos.

e) Uma relação de semelhança pode ser encontrada entre o primeiro verso de cada um dos poemas.

QUESTÃO 13 (Descritor: Reconhecer a figura de estilo presente no texto lido.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: figuras de estilo.

“Alma minha gentil, que te partiste

Tão cedo desta vida descontente,

Repousa lá no Céu eternamente,

E viva eu cá na terra sempre triste.”

(fragmento. “Alma minha gentil, que te partiste”. In CAMÕES, Luís Vaz de. Lírica. São Paulo: Cultrix, p.116.)

Na primeira quadra do soneto camoniano ESTÁ PRESENTE a figura de estilo

a) onomatopeia.

b) antítese.

c) pleonasmo.

d) sinestesia.

e) ironia.

As questões 14 e 15 referem-se ao texto a seguir. Leia-o com atenção.

UFPB – PSS 2009

Motivo

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

– não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

– mais nada.

 

MEIRELES, Cecília. Os melhores poemas de Cecília Meireles. 11. ed. São Paulo: Global, 1999, p. 11.

QUESTÃO 14 (Descritor: Aplicar os conceitos referentes ao estudo da linguagem dos elementos poéticos no texto lido.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: figuras de estilo, rimas, e metrificação.

Considerando a terceira estrofe do poema, identifique com V a(s) afirmativa(s) verdadeira(s) e com F, a(s) falsa(s):

( ) A estrofe apresenta idéias opostas, sob a forma de antíteses.

( ) A repetição da expressão “– não sei, não sei.” tem valor estilístico.

( ) A estrofe apresenta versos rimados, com o mesmo número de sílabas métricas.

( ) Os versos “Não sei se fico / ou passo.” expressam uma idéia de ironia.

A sequência correta é:

a) VVFV c) VFVF e) VVFF

b) FFVF d) FFVV

QUESTÃO 15 (Descritor: Ler e interpretar o poema.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: conceito de arte.

Considerando a quarta estrofe do poema, é correto afirmar:

a) O poeta é um ser imortal.

b) A canção, quando poética, é eterna.

c) Toda canção é fruto de uma criação poética.

d) O eu lírico não tem convicção de que é poeta.

e) Todo poeta e sua canção são imortais.

QUESTÃO 16 #ELIMINADA

QUESTÃO 17 (Descritor: Classificar os fragmentos de acordo com os gêneros literários.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: gêneros literários.

CLASSIFIQUE os fragmentos a seguir em lírico ( L ), narrativo ( N ) e dramático ( D ).

( ) “BRANCA: (Desce até o primeiro plano.) Não é verdade!

PADRE BERNARDO: Desavergonhadamente nua!

BRANCA: Vejam, senhores, vejam que não é verdade! Trago as minhas roupas, como todo mundo. Ele é que não as enxerga.

Padre sai, horrorizado.” (fragmento de O Santo Inquérito, de Dias Gomes)

( ) “Amo-te tanto, meu amor… não cante

O humano coração com mais verdade…

Amo-te como amigo e como amante

Numa sempre diversa realidade.” (fragmento do “Soneto do Amor Total”, de Vinícius de Morais)

( ) “Ora, disse cá comigo, está ali uma colocação que não terá muitos concorrentes; se eu capiscasse quatro palavras, ia apresentar-me. Saí do café e andei pelas ruas, sempre imaginar-me professor de javanês, ganhando dinheiro, andando de bonde e sem encontros desagradáveis com os “cadáveres”. Insensivelmente dirigi-me à Biblioteca Nacional. Não sabia bem que livro iria pedir, mas entrei, entreguei o chapéu ao porteiro, recebi a senha e subi.” (fragmento de “O homem que sabia javanês”, de Lima Barreto.

Agora, assinale a alternativa cuja SEQUÊNCIA está CORRETA.

a) D, L, N.

b) D, N, L.

c) N, L, D.

d) L, L, N.

e) D, N, N.

QUESTÃO 18 (Descritor: Analisar as composições e classificar os elementos do gênero lírico nelas existentes, bem como os tipos de textos que se apresentam.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: elementos do gênero lírico.

Os dois textos a seguir foram compostos por importantes artistas brasileiros. O texto I, por Tom Jobim (1927-1994) e Vinicius de Morais (1913-1980); o texto II, apenas por Vinicius de Morais. Leia-os com atenção.

TEXTO I

Eu Sei Que Vou te Amar

Composição: Tom Jobim / Vinicius de Morais

Eu sei que vou te amar

Por toda a minha vida eu vou te amar

Em cada despedida eu vou te amar

Desesperadamente, eu sei que vou te amar

E cada verso meu será

Prá te dizer que eu sei que vou te amar

Por toda minha vida

Eu sei que vou chorar

A cada ausência tua eu vou chorar

Mas cada volta tua há de apagar

O que esta ausência tua me causou

Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver

A espera de viver ao lado teu

Por toda a minha vida

http://letras.terra.com.br/vinicius-de-moraes/49269/ – Acesso em 03 de novembro de 2009.

TEXTO II

Soneto de Fidelidade

Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

http://www.releituras.com/viniciusm_fidelidade.asp – Acesso em 03 de novembro de 2009.

Sobre os textos lidos, ANALISE as assertivas a seguir e assinale a alternativa CORRETA.

I. Em ambos os textos há presença de rimas. No texto I, a ênfase se dá em rimas pobres (amar/chorar), enquanto no texto II, em rimas ricas (atento/pensamento).

II. Os versos do soneto são decassílabos, mas não existe essa medida em nenhum dos versos da canção, visto que são versos livres.

III. Enquanto “Eu sei que vou te amar” tem forma livre, o “Soneto da Fidelidade” apresenta forma fixa, com dois quartetos e dois tercetos.

Está(ão) correta(s):

a) apenas I e II.

b) apenas I e III.

c) apenas II e III.

d) apenas I.

e) I, II e III.

 

QUESTÃO 19 (Descritor: Perceber marcas de lirismo em uma canção contemporânea.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: lirismo.

Pode-se entender o lirismo como o caráter subjetivo da arte em geral. Ou seja, não é uma característica exclusiva da poesia: qualquer manifestação artística pode apresentar lirismo.

A canção a seguir, composta por Renato Russo (1960-1996), na época integrante da banda Legião Urbana, apresenta marcas de lirismo e elementos românticos.

Dezesseis

Renato Russo

João Roberto era o maioral

O nosso Johnny era um cara legal

Ele tinha um Opala metálico azul

Era o rei dos pegas na Asa Sul

E em todo lugar

Quando ele pegava no violão

Conquistava as meninas

E quem mais quisesse ter

Sabia tudo da Janis

Do Led Zeppelin, dos Beatles e dos Rolling Stones

Mas de uns tempos prá cá

Meio que sem querer

Alguma coisa aconteceu

Johnny andava meio quieto demais

Só que quase ninguém percebeu

Johnny estava com um sorriso estranho

Quando marcou um super pega no fim de semana

Não vai ser no CASEB

Nem no Lago Norte, nem na UnB

As máquinas prontas

Um ronco de motor

A cidade inteira se movimentou

E Johnny disse:

“- Eu vou prá curva do Diabo em Sobradinho, e vocês ?”

E os motores saíram ligados a mil

Prá estrada da morte o maior pega que existiu

Só deu para ouvir, foi aquela explosão

E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão

No dia seguinte, falou o diretor:

“- O aluno João Roberto não está mais entre nós

Ele só tinha dezesseis.

Que isso sirva de aviso prá vocês”.

E na saída da aula, foi estranho e bonito

Todo o mundo cantando baixinho:

Strawberry Fields Forever

Strawberry Fields Forever

E até hoje, quem se lembra

Diz que não foi o caminhão

Nem a curva fatal

E nem a explosão

Johnny era fera demais

Prá vacilar assim

E o que dizem é que foi tudo

Por causa de um coração partido

Um coração (5x)

Bye, bye bye Johnny

Johnny, bye, bye

Bye, bye Johnny.

http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/27/ Acesso em 27/12/09

Leia as alternativas a seguir e assinale a CORRETA.

a) A canção apresenta uma narrativa. Sendo pertencente, pois, a este gênero, exprime objetividade.

b) A voz narrativa do texto apresenta a personagem ora de forma idealizada, ora como um garoto comum.

c) “E o que dizem é que foi tudo / Por causa de um coração partido”. Estes versos explicitam o lirismo na canção.

d) As palavras do diretor são sentimentais e subjetivas. Portanto, no trecho referente a ele há lirismo.

e) O movimento dos alunos à saída da escola, cantando “Strawberry Fields Forever”, é um comportamento racional.

QUESTÃO 20 (Descritor: Analisar os elementos da narrativa.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: elementos da narrativa.

Leia o texto a seguir com atenção.

Rotina

Carlos levantou-se, escovou os dentes, fez a barba, vestiu seu velho e amarrotado macacão de todos os dias. O dono do posto em que trabalhava o advertiu pelo atraso como fizera desde que o havia empregado. Só restou a Carlos sorrir um sorriso amarelo. O chefe nunca ligara para sua vida medíocre. Dia de pagamento, recebeu o que lhe garantia a sua miséria.

O tempo passou. O olhar de Carlos estava diferente: chegou ao trabalho sem escovar os dentes, não sorriu, não recebeu salário, pegou um fósforo e explodiu o quarteirão. Desde pequeno gostava de fogos de artifício, sempre quis ver algo grande.

TRUZZI, Flávio Sales. “Rotina”. In Expresso 600. Edson Rossato (org.) São Paulo: Andross, 2006. p. 85.

A partir da leitura do texto, a análise dos elementos da narrativa está certa, EXCETO em

a) O narrador do conto é onisciente.

b) O comportamento do protagonista muda.

c) O espaço é físico, externo.

d) O enredo é inverossímil.

e) O tempo é cronológico.

QUESTÃO 21 (Descritor: Perceber que características de outros momentos artísticos, como o medieval, estão presentes em composições da atualidade.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: cantigas lírico-amorosas – características em canções contemporâneas.

Tanto as cantigas de amor quanto as de amigo são lírico-amorosas. Porém, divergem bastante uma da outra. Enquanto as de amor apresentam uma voz masculina que sofre muito, clamando por uma mulher inatingível, as de amigo apresentam outros ambientes, estruturas e intenções. Leia essa cantiga de amigo.

TEXTO I

“Non chegou , madr’, o meu amigo,

e oj’est (2) o prazo saido (3)!

ai , madre , moiro d’amor!

Non chegou , madr’, o meu amado

e oj’est o prazo passado!

ai , madre , moiro d’amor!

E oj’est o prazo saido!

Por que mentiu o desmentido?

ai , madre , moiro d’amor!

E oj’est o prazo passado!

Por que mentiu o perjurado?

ai madre, moiro d’amor!

Porque mentiu o desmentido

pesa-mi (4), pois per si é falido (5).

ai, madre, moiro d’amor!

Por que mentiu o perjurado

pesa-mi, pois mentiu a seu grado,

ai, madre , moiro d’amor!”

Vocabulário : 1-mãe ; 2-hoje está ; 3-vencido ; 4-pesa-me ; 5-liquidado , morto .

http://www.brasilescola.com/literatura/trovadorismo.htm – Acesso em 30 de novembro.

Agora, procure perceber, na leitura da canção “Esse Cara”, de Caetano Veloso, a presença de algumas características das cantigas de amigo.

TEXTO II

Esse Cara

Caetano Veloso

Ah! Que esse cara tem me consumido

A mim e a tudo que eu quis

Com seus olhinhos infantis

Como os olhos de um bandido

Ele está na minha vida porque quer

Eu estou pra o que der e vier

Ele chega ao anoitecer

Quando vem a madrugada ele some

Ele é quem quer

Ele é o homem

Eu sou apenas uma mulher

http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/144566/ – Acesso em 30 de novembro.

Assinale a alternativa cuja relação entre os elementos das cantigas de amigo e da canção contemporânea “Esse Cara” está correta.

a) A mulher, em “Esse Cara”, está abaixo do homem.

b) O lamento do primeiro texto é pesaroso, e o do segundo demonstra raiva.

c) A estrutura da primeira canção é mais simples que a da segunda.

d) Há formalidade na linguagem dos dois textos.

e) Em ambos os textos o eu lírico é masculino.

QUESTÃO 22 (Descritor: Interpretar o texto e reconhecer os elementos que compõem o gênero dramático.)

Nível de dificuldade: média.

Assunto: gênero dramático.

O gênero dramático congrega textos escritos para o teatro. Diferente do texto narrativo, que por vezes precisa de um movimento silencioso, o texto dramático se concretiza na encenação.

José de Alencar (1829-1877), importante autor romântico do século XIX, conhecido principalmente por seus romances, escreveu vários textos teatrais. Um deles chama-se “As asas de um anjo” (1858), cujo trecho você lerá a seguir.

CENA II

“Margarida e Antônio

Margarida – Não sei o que tem a nossa filha! Às vezes anda tão distraída…

Antônio – Quantos dias são hoje do mês, Margarida?

Margarida – Pois não sabes? Vinte e seis.

Antônio (contando pelos dedos) – Diabo! Ainda faltam quatro dias para acabar! Precisava receber uns cobres que tenho na mão do mestre e só no fim da semana… Que maçada!

Margarida – Não te agonies, homem! O dinheiro que deste ainda não se acabou; e hoje mesmo aquela moça deve vir buscar os vestidos que mandou fazer por Carolina.

Antônio – Quanto ela tem de dar?

Margarida – Três vestidos a cinco mil-réis… Faz a conta.

Antônio – Quinze mil-réis, não é?

Margarida – Quinze justos. Já vês que não nos faltará dinheiro; podes dormir descansado que amanhã terás o teu vinho ao almoço.

Antônio – Ora Deus! Quem te fala agora em vinho? Não é para ti, nem para mim, que preciso de dinheiro.

(Margarida acende a vela com fósforos)

Margarida – Para quem é então, homem?

Antônio – Para Carolina.

Margarida – Ah! Queres fazer-lhe um presente?

Antônio – Tens ideias! Não!… Sim!… (Rindo) É um presente que ela há de estimar.

Margarida – Não; sim… Explica-te, se queres que te entenda.

Antônio – Lá vai. Há muitos dias que ando para te falar nisto; mas gosto de negócio dito e feito. Estive a esperar o fim do mês pela razão que sabes, do dinheiro; e o fim do mês sem chegar. Enfim hoje, já que tocamos no ponto, vou contar-te tudo.

(Chega-se à porta da esquerda)”

ALENCAR, José de. As Asas de um Anjo. NEAD – NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – Universidade da Amazônia. www.nead.unama.br, p. 3

Considerando o gênero dramático e o texto lido, assinale a alternativa CORRETA.

a) Marcas de autoria são explícitas no texto pela existência de rubricas (Ex.: Chega-se à porta da esquerda).

b) As rubricas são marcações críticas do narrador observador (Ex.: “Rindo”).

c) Visto que é um texto feito para ser encenado, fica incompreensível quando lido.

d) Pelo diálogo, percebe-se que a família apresentada não se preocupa com dinheiro.

e) Os cenários e os figurinos utilizados na peça são ricos, garantindo coerência com o texto.

QUESTÃO 23 (Descritor: Analisar os fragmentos e destacar as figuras de estilo empregadas pelos escritores na construção desses textos.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: figuras de estilo.

As figuras de estilo são mecanismos utilizados pelo autor para trazer novos efeitos de sentido ao texto.

Nesta atividade, a primeira coluna apresenta fragmentos de textos. A segunda enumera figuras de estilo. Observe.

COLUNA I

I. “Vozes veladas, veludosas vozes,

Volúpias dos violões, vozes veladas,

Vagam nos velhos vórtices velozes

Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.” (Cruz e Sousa)

II. “Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão – esta pantera –

Foi tua companheira inseparável.” (Augusto dos Anjos)

III. “Ó Formas alvas brancas, Formas claras

De luares, de neves, de neblinas!…

Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas…

Incensos dos turíbulos das aras…” (Cruz e Sousa)

IV. “No tempo de meu Pai, sob estes galhos

Como uma vela fúnebre de cera,

Chorei bilhões de vezes com a canseira

De inexorabilíssimos trabalhos!” (Augusto dos Anjos)

COLUNA II

1) assonância

2) antítese

3) prosopopeia

4) onomatopeia

5) hipérbole

6) aliteração

Relacionando as colunas I e II, assinale a alternativa que apresenta figuras presentes nas estrofes destacadas. ATENÇÃO: os números das figuras são colocados aleatoriamente nas alternativas, não precisando corresponder à ordem das estrofes.

a) 1, 3, 5, 6.

b) 1, 2, 5, 6.

c) 1, 3, 4, 6.

d) 2, 3, 4, 5.

e) 2, 4, 5, 6.

As questões 24 e 25 referem-se ao texto a seguir. Leia-o com atenção.

A DEMANDA DO SANTO GRAAL (fragmento)

“Um dia lhe aveo que a ventura o levou para ante uu castelo, u havia uu torneo forte e maravilhoso; e havia i gram gente da ua parte e da outra, e dos da Mesa Redonda havia i muitos, uus que ajudavam os de dentro e outros os de fora, e nom se conheciam, polas armas que haviam cambadas. Mais aquela hora que veio i Galaaz, eram os de dentro tam desbaratados, que nom atendiam se morte nom. E Tristam, que a ventura adussera aaquel torneo e que ajudava os de dentro, sofrera já e tanto que tinha já mui grandes chagas, ca todolos de fora estavam sobre ele pólo prenderem, porque viram que era melhor cavaleiro que nehuu dos outros; e nom havia i tal dos outros que lhe tanto mal fezesse como Galvam e Estor, que eram da outra parte e nom no conheciam, e pero el se defendiam tam vivamente, que todos os que o viam eram maravilhados. Galaaz estava já muito preto da porta, e viu ante si uu cavaleiro mal chagado, que saia do torneo e ia fazendo tam gram doo:

– Por quê? Disse el: pólo milhor cavaleiro do mundo, que vejo morrer por grã maa-ventura, cá todo mundo é contra el, assi como veedes, e ainda non quer leixar o torneo.

– E qual é? Disse Galaaz.

E el lho mostrou.

– Par Deus, disse Galaaz, verdadeiramente el é mui boõ cavaleiro. Assi Deus nos salve, dizede-me como há nome.

– Senhor, disse el, há nome dom Tristam.

– No nome de Deus, disse Galaaz, eu os conhosco mui bem. Ora me terram por mal, se o no fosse ajudar.”

MASSAUD, Moisés. A literatura portuguesa através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1994. p.39.

QUESTÃO 24 (Descritor: Compreender o texto, tendo como base a figura do cavaleiro.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: Novelas de cavalaria.

As novelas de cavalaria são histórias sobre os atos heróicos dos cavaleiros. Sendo textos em prosa, durante a Idade Média circularam na modalidade oral

a) No texto, a palavra “ventura” é sinônimo de “aventura”.

b) O elemento central do texto é a figura do cavaleiro.

c) Os cavaleiros da Mesa Redonda apenas assistiam ao torneio.

d) A nobreza de Tristam não permitiu que ele aceitasse ajuda.

e) O ambiente da cena é o castelo, e todos podiam lutar no torneio.

II. QUESTÕES DISCURSIVAS

QUESTÃO 25 (Descritor: recontar o fragmento lido e apontar um elemento importante desse fragmento no contexto geral do conteúdo.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: Novelas de cavalaria.

As questões 26 e 27 referem-se ao texto a seguir.

QUESTÃO 26 (Descritor: Interpretar o texto vicentino em seu dinamismo e inferir os itens solicitados nas questões.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: teatro de Gil Vicente.

Em O Auto da Barca do Inferno (1517), o dramaturgo Gil Vicente (1465?-1536?) critica, a partir de personagens alegóricas, comportamentos de homens pertencentes aos mais diversos segmentos sociais. No momento do juízo final, um anjo e um demônio estão em duas barcas, uma do céu e outra do inferno, e julgam os atos terrenos dos indivíduos que a eles chegam, encaminhando-os para seus destinos.

Como não eram usados figurinos na época, as personagens carregavam objetos representativos de sua vida terrena, as insígnias. Leia alguns trechos do auto.

“Fildalgo — Para senhor de tal marca

nom há aqui mais cortesia?

Venha a prancha e atavio!

Levai-me desta ribeira!

Anjo — Não vindes vós de maneira

para entrar neste navio.

Essoutro vai mais vazio:

a cadeira entrará

e o rabo caberá

e todo vosso senhorio.

Ireis lá mais espaçoso,

vós e vossa senhoria,

cuidando na tirania

do pobre povo queixoso.

E porque, de generoso,

desprezastes os pequenos,

achar-vos-eis tanto menos

quanto mais fostes fumoso.”

 

“Vem um Sapateiro com seu avental e carregado de formas, e chega ao batel infernal, e diz:

Sapateiro — Hou da barca!

Diabo — Quem vem i?

Santo sapateiro honrado,

como vens tão carregado?…

Sapateiro — Mandaram-me vir assim…

E para onde é a viagem?

Diabo — Para o lago dos danados.

Sapateiro — Os que morrem confessados

onde têm sua passagem?

Diabo — Nom cures de mais linguagem!

Esta é a tua barca, esta!

Sapateiro — Renegaria eu da festa

e da puta da barcagem!

Como poderá isso ser,

confessado e comungado?!…

Diabo — Tu morreste excomungado:

Nom o quiseste dizer.

Esperavas de viver,

calaste dous mil enganos…

Tu roubaste bem trint’anos

o povo com teu mester.

Embarca, era má para ti,

que há já muito que t’espero!”

 

“Brízida — O que me convém levar.

Día. Que é o que havês d’embarcar?

Brízida — Seiscentos virgos postiços

e três arcas de feitiços

que nom podem mais levar.

Três almários de mentir,

e cinco cofres de enlheos,

e alguns furtos alheos,

assim em jóias de vestir,

guarda-roupa d’encobrir,

enfim – casa movediça;

um estrado de cortiça

com dous coxins d’encobrir.

A mor carrega que é:

essas moças que vendia.

Daquestra mercadoria

trago eu muita, à bofé!

Diabo — Ora ponde aqui o pé…”

 

VICENTE, Gil. Auto da Barca do Inferno. NEAD – NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – Universidade da Amazônia. www.nead.unama.br, p. 3-4; 7-8; 11.

Sobre os três personagens destacados, escreva: quem eram, quais as suas insígnias e os motivos de suas condenações.

QUESTÃO 27 (Descritor: Analisar os elementos do gênero dramático utilizados por Gil Vicente no texto e discuti-los.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: teatro de Gil Vicente.

Gil Vicente privilegiava uma determinada medida de verso em sua obra. Que medida era essa? Social e culturalmente falando, por que ele a usava?

QUESTÃO 28 (Descritor: Reconhecer o tipo de relação dialógica/intertextual entre os textos, estabelecendo relações e justificando-as com fragmentos dos poemas).

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: intertextualidade.

Leia os textos a seguir com atenção.

A “Canção do Exílio”, poema de Gonçalves Dias, é um dos textos mais revisitados da literatura brasileira.

Canção do Exílio

Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossas flores têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar – sozinho, à noite –

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Grandes poemas do Romantismo Brasileiro. Alexei Bueno (org.). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. (p. 25-6)

Agora observe a “Nova Canção do Exílio”, do poeta Carlos Drummond de Andrade.

Nova Canção do Exílio

Carlos Drummond de Andrade

Um sabiá na

palmeira, longe.

Estas aves cantam

um outro canto.

O céu cintila

sobre flores úmidas.

Vozes na mata,

e o maior amor.

Só, na noite,

seria feliz:

um sabiá,

na palmeira, longe.

Onde tudo é belo

e fantástico,

só, na noite,

seria feliz.

(Um sabiá,

na palmeira, longe.)

Ainda um grito de vida e

voltar

para onde tudo é belo

e fantástico:

a palmeira, o sabiá,

o longe.

ANDRADE, Carlos Drummond de. “Nova Canção do Exílio”. In A Rosa do Povo. 14ed. Rio de Janeiro: Record, 1994. p.69-70.

IDENTIFIQUE o tipo de intertexto que se estabelece entre os poemas lidos e justfique a classificação dada por você, utilizando fragmentos dos poemas.

 

QUESTÃO 29 (Descritor: Refletir sobre essa diferente ocorrência da metalinguagem, e comprová-la a partir de recursos do próprio poema.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: metalinguagem.

O NOSSO LIVRO

Livro do meu amor, do teu amor,

Livro do nosso amor, do nosso peito…

Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,

Como se fossem pétalas de flor.

Olha que eu outro já não sei compor

Mais santamente triste, mais perfeito

Não esfolhes os lírios com que é feito

Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!

Num sorriso tu dizes e digo eu:

Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente

Dirá, fechando o livro docemente:

“Versos só nossos, só de nós os dois!…”

ESPANCA, Florbela. Poesia de Florbela Espanca. V.2. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2002. p.18.

Nesse poema de Florbela Espanca (1894-1930), poeta portuguesa do início do século XX, a metalinguagem é empregada pelo eu lírico não mais para discutir a produção textual em si, mas para trazer o leitor para dentro do texto. Utilizando fragmentos do poema, comprove a afirmação sobre esse diferente uso metalinguístico.

QUESTÃO 30 (Descritor: Refletir, a partir de elementos teóricos acerca dos estilos individuais e de época, sobre como estes elementos se aplicam ao texto utilizado como exemplo.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: estilo individual e estilo de época.

Nas obras de arte, é possível perceber dois estilos: o de época e o individual.

O estilo de época é percebido quando um grupo de obras apresenta características semelhantes, em decorrência do momento histórico no qual os artistas viveram e as produziram. Por exemplo, o Realismo, com ênfase na 2ª metade do século XIX, é um período no qual os problemas da Revolução Industrial começaram a aparecer. Essa estética propõe uma denúncia da realidade de sua época, apresentando um olhar objetivo, contemporâneo, descritivo.

O estilo individual, por sua vez, é a maneira pessoal do artista criar, em qualquer época. Machado de Assis (1839 – 1908), é classificado como um autor realista, mas tem um jeito muito peculiar de escrever. Leia a dedicatória da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881).

“AO VERME QUE PRIMEIRO ROEU AS FRIAS CARNES DO MEU CADÁVER, DEDICO COM SAUDOSA LEMBRANÇA ESTAS MEMÓRIAS PÓSTUMAS”

O estilo de época realista apresenta objetividade, contemporaneidade, descrição. O que há, nesse breve exemplo, que marca o estilo individual de Machado de Assis?

QUESTÃO 31 (Descritor: Comparar um texto contemporâneo às cantigas medievais, identificá-lo frente à tipologia das ditas cantigas e comprovar seu raciocínio com elementos do texto.)

Nível de dificuldade: média.

Assunto: cantigas satíricas.

A canção “Geni e o Zepelim” (1977), de Chico Buarque (1944-), é uma canção contemporânea. Porém, ainda apresenta elementos de um determinado tipo de cantiga medieval. Leia o texto com atenção.

Geni E O Zepelim

Composição: Chico Buarque

“De tudo que é nego torto

Do mangue e do cais do porto

Ela já foi namorada

O seu corpo é dos errantes

Dos cegos, dos retirantes

É de quem não tem mais nada

Dá-se assim desde menina

Na garagem, na cantina

Atrás do tanque, no mato

É a rainha dos detentos

Das loucas, dos lazarentos

Dos moleques do internato

E também vai amiúde

Com os velhinhos sem saúde

E as viúvas sem porvir

Ela é um poço de bondade

E é por isso que a cidade

Vive sempre a repetir

Joga pedra na Geni

Joga pedra na Geni

Ela é feita pra apanhar

Ela é boa de cuspir

Ela dá pra qualquer um

Maldita Geni”

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/77259/

Acessado em 30 de novembro de 2009.

Considerando o enunciado anterior ao texto, identifique de que tipo de cantiga medieval o texto se aproxima, e justifique sua resposta com elementos da canção.

QUESTÃO 32 (Descritor: Interpretar o texto humanista e perceber elementos contituintes da crônica histórica de então.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: Crônica histórica de Fernão Lopes.

Fernão Lopes (1380?-1459?) foi o responsável pela crônica histórica em Portugal, no século XV). Pouco restou de sua obra, mas certamente o texto mais conhecido foi a Crónica de Rei D. Pedro I, na qual o autor conta o episódio de Inês de Castro, a rainha coroada depois de morta. Leia o fragmento no qual é relatada a transferência dos ossos de Inês para o mosteiro Dalcobaça.

CRÓNICA DE D. PEDRO I

Como foi trelladada Dona Ines pera o moesteiro Dalcobaça, e da morte delRei Dom Pedro

“Por que semelhante amor, qual elRei Dom Pedro ouve a Dona Enes, raramente he achado em alguuma pessoa, porem disserom os antiigos quc nenhuum he tam verdadeiramente achado, como aquel cuja morte nom tira da memoria o gramde espaço do tempo. E se alguum disser que muitos forom ja que tanto e mais que el amarom, assi como Adriana e Dido, e outras que nom nomeamos, segumdo se lee em suas epistolas, respomdesse que nom fallamos em amores compostos, os quaaes alguuns autores abastados de eloquemcia, e floreçentes em bem ditar, hordenarom segumdo lhes prougue, dizemdo em nome de taaes pessoas, razoões que numca nenhuuma dellas cuidou; mas fallamos daquelles amores que se contam e leem nas estorias, que seu fumdamento teem sobre verdade. Este verdadeiro amor ouve elRei Dom Pedro a Dona Enes como se della namorou, seemdo casado e aimda Iffamte, de guisa que pero dela no começo perdesse vista e falla, seemdo alomgado, como ouvistes, que he o prinçipal aazo de se perder o amor, numca çessava de lhe emviar recados, como em seu logar teemdes ouvido. Quanto depois trabalhou polla aver, e o que fez por sua morte, e quaaes justiças naquelles que em ella forom culpados, himdo contra seu juramento, bem he testimunho do que nos dizemos. E seemdo nembrado de homrrar seus ossos, pois lhe ja mais fazer nom podia, mandou fazer huum muimento dalva pedra, todo mui sotillmente obrado, poemdo emlevada sobre a campãa de çima a imagem della com coroa na cabeça, como se fora Rainha; e este muimento mandou poer no moesteiro Dalcobaça, nom aa emtrada hu jazem os Reis, mas demtro na egreja ha maão dereita, açerca da capella moor.”

http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/lopes.htm#pedro – Acesso em 20/12/2009.

A partir de sua leitura do texto, justifique a seguinte afirmação: Fernão Lopes, embora fosse fiel aos acontecimentos da época, escrevia com estilo. Além disso, dava voz ao povo. Atenção: utilize elementos do texto que comprovem sua resposta.

As questões 33 e 34 referem-se aos textos a seguir. Leia-os com atenção.

Com intenção moralizadora, o uso de alegorias* nos autos faz com que a audiência (no século XV poucas pessoas eram alfabetizadas) perceba a crítica exposta e se identifique (ou não) com essa crítica. Os personagens alegóricos são coletivos, simbólicos, cumprindo sua função social. Leia um fragmento do Auto da Lusitânia, de Gil Vicente.

*Alegoria: simbolismo que abrange o conjunto de uma obra, num processo em que o acordo entre os elementos do plano concreto e os do plano abstrato se dá traço a traço.

Auto da Lusitânia

Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:

Ninguém: Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:

delas não posso achar,

porém ando porfiando

por quão bom é porfiar.

Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo

e meu tempo todo inteiro

sempre é buscar dinheiro

e sempre nisto me fundo.

Ninguém: Eu hei nome Ninguém,

e busco a consciência.

Belzebu: Esta é boa experiência:

Dinato, escreve isto bem.

Dinato: Que escreverei, companheiro?

Belzebu: Que Ninguém busca consciência.

e Todo o Mundo dinheiro.

Ninguém: E agora que buscas lá?

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande

que tope com ela já.

Belzebu: Outra adição nos acude:

escreve logo aí, a fundo,

que busca honra Todo o Mundo

e Ninguém busca virtude.

Ninguém: Buscas outro mor bem qu’esse?

Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse

tudo quanto eu fizesse.

Ninguém: E eu quem me repreendesse

em cada cousa que errasse.

Belzebu: Escreve mais.

Dinato: Que tens sabido?

Belzebu: Que quer em extremo grado

Todo o Mundo ser louvado,

e Ninguém ser repreendido.

Ninguém: Buscas mais, amigo meu?

Todo o Mundo: Busco a vida a quem ma dê.

Ninguém: A vida não sei que é,

a morte conheço eu.

Belzebu: Escreve lá outra sorte.

Dinato: Que sorte?

Belzebu: Muito garrida:

Todo o Mundo busca a vida

e Ninguém conhece a morte.

Todo o Mundo: E mais queria o paraíso,

sem mo Ninguém estorvar.

Ninguém: E eu ponho-me a pagar

quanto devo para isso.

Belzebu: Escreve com muito aviso.

Dinato: Que escreverei?

Belzebu: Escreve

que Todo o Mundo quer paraíso

e Ninguém paga o que deve.

Todo o Mundo: Folgo muito d’enganar,

e mentir nasceu comigo.

Ninguém: Eu sempre verdade digo

sem nunca me desviar.

Belzebu: Ora escreve lá, compadre,

não sejas tu preguiçoso.

Dinato: Quê?

Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso,

E Ninguém diz a verdade.

Ninguém: Que mais buscas?

Todo o Mundo: Lisonjear.

Ninguém: Eu sou todo desengano.

Belzebu: Escreve, ande lá, mano.

Dinato: Que me mandas assentar?

Belzebu: Põe aí mui declarado,

não te fique no tinteiro:

Todo o Mundo é lisonjeiro,

e Ninguém desenganado.

QUESTÃO 33 (Descritor: Perceber o símbolo representado pelas personagens do auto e explicar o trabalho linguístico realizado pelo autor para construí-las.).

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: teatro vicentino.

EXPLIQUE como Gil Vicente constrói sua crítica com as personagens alegóricas Todo o Mundo e Ninguém.

QUESTÃO 34 (Descritor: Comparar a situação atual com aquela descrita por Gil Vicente, concluir sua análise e justificá-la a partir de fragmentos do texto.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: teatro vicentino.

Retome o texto “Auto da Lusitânia” e responda: cerca de 500 anos depois, as críticas de Gil Vicente permanecem atuais? Justifique sua resposta com fragmentos do texto.

QUESTÃO 35 (Descritor: Reconhecer os elementos que constituem a linguagem de um texto como prosa poética.)

Nível de dificuldade: médio.

Assunto: prosa poética.

Iracema, a lenda do Ceará (1865), obra escrita por José de Alencar (1829-1877), embora seja um texto em prosa, traz uma linguagem carregada de elementos da poesia. A essa linguagem dá-se o nome de “prosa-poética”. Leia o início do romance.

1

“Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba;

Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do Sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros.

Serenai verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas.

Onde vai a afouta jangada, que deixa rápida a costa cearense, aberta ao fresco terral a grande vela?

Onde vai como branca alcíone buscando o rochedo pátrio nas solidões do oceano?

Três entes respiram sobre o frágil lenho que vai singrando veloce, mar em fora; um jovem guerreiro cuja tez branca não cora o sangue americano; uma criança e um rafeiro que viram a luz no berço das florestas, e brincam irmãos, filhos ambos da mesma terra selvagem.”

 

ALENCAR, José de. Iracema. MINISTÉRIO DA CULTURA – Fundação Biblioteca Nacional, Departamento Nacional do Livro. (p.4)

EXPLIQUE o que faz o texto de Iracema ser classificado como prosa poética. Justifique sua resposta com um fragmento do trecho destacado.

QUESTÃO 36 (Descritor: Comparar textos de momentos estéticos diversos, mas próximos, e perceber semelhanças e diferenças.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: Cantiga de amor X Poesia palaciana.

Sobre a produção em versos medieval, houve dois tipos de manifestações: as cantigas trovadorescas e a poesia palaciana do humanismo (esta, já em transição para o Renascimento). Leia exemplos desta poética.

TEXTO I: Cantiga de amor

“A dona que eu am’e tenho por Senhor

amostrade-me-a Deus, se vos en prazer for,

se non dade-me-a morte.

A que tenh’eu por lume d’estes olhos meus

e porque choran sempr(e) amostrade-me-a Deus,

se non dade-me-a morte.

Essa que Vós fezestes melhor parecer

de quantas sei, ay Deus, fazede-me-a veer,

se non dade-me-a morte.

Ay Deus, que me-a fezestes mais ca min amar,

mostrade-me-a hu possa con ela falar,

se non dade-me-a morte.”

Bernal de Bonaval

TEXTO II: Poesia palaciana

Senhora, partem tam tristes

 

Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós,meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Tam tristes,tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados,tam chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d’esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

de João Roiz de Castel-Branco (Séc. XV)

http://www.leme.pt/destaques/dia-dos-namorados/versos-de-amor.html – Acesso em 07/12/2009.

Por serem produzidas em momentos históricos diferentes, embora próximos, as cantigas de amor trovadorescas e as poesias palacianas humanistas apresentam tanto elementos em comum quanto divergentes. Analise os textos e destaque um elemento que seja comum a ambas, outro que as diferencie, e comprove suas respostas com fragmentos dos poemas.

QUESTÃO 37 (Descritor: Demonstrar a presença do lirismo em outro tipo de texto – no caso, a carta.)

Nível de dificuldade: fácil.

Assunto: lirismo.

Muitas vezes, quando se fala em “lirismo”, poemas cheios de emoção vêm à mente do leitor. Porém, há lirismo em outros tipos de textos. Leia o fragmento a seguir, de uma carta que o músico Ludwig van Beethoven (1770-1827) escreveu a sua “amada imortal” (Beethoven, por vezes, se refere a ela dessa forma).

“6 de julho, de manhã

Meu anjo! Meu tudo! Meu eu!

Só algumas palavras por hoje, e as escrevo a lápis (que é teu). Meus aposentos só amanhã estarão em ordem. Que maçante perda de tempo! Por que tanta tristeza, quando a necessidade fala? O nosso amor pode existir sem sacrifícios, sem exigir tudo. Podes mudar o fato de não seres toda minha nem eu todo teu? Ah, meu Deus! Contempla, meu anjo, as belezas da natureza e conforta teu ânimo com aquilo que nos cabe. O amor quer tudo, e com todo o direito, assim é comigo em relação a ti e contigo com relação a mim; só que tu esqueces facilmente que tenho de viver para mim e para ti. Se fôssemos um só, nenhum sentiria tamanha dor.”

BEETHOVEN, Ludwig van. “6 de julho, de manhã”. In Para sempre – cinquenta cartas de amor de todos os tempos. São Paulo: Globo, 2009. p. 51.

Demonstre, baseando-se em trechos da carta, por que esta se trata de um texto rico em lirismo.

QUESTÃO 38 (Descritor: Analisar o texto contemporâneo, nele reconhecer elementos da poesia épica e comprovar os resultados de sua análise com fragmentos do próprio texto.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: poesia épica

Faroeste Caboclo

Renato Russo

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo

Era o que todos diziam quando ele se perdeu

Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda

Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu

Quando criança só pensava em ser bandido

Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu

Era o terror da sertania onde morava

E na escola até o professor com ele aprendeu

(…)

Agora o Santo Cristo era bandido

Destemido e temido no Distrito Federal

Não tinha nenhum medo de polícia

Capitão ou traficante, playboy ou general

Foi quando conheceu uma menina

E de todos os seus pecados ele se arrependeu

Maria Lúcia era uma menina linda

E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu

Ele dizia que queria se casar

E carpinteiro ele voltou a ser

“Maria Lúcia pra sempre vou te amar

E um filho com você eu quero ter”

(…)

Mas acontece que um tal de Jeremias,

Traficante de renome, apareceu por lá

Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo

E decidiu que, com João ele ia acabar

(…)

E Santo Cristo há muito não ia pra casa

E a saudade começou a apertar

“Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia

Já tá em tempo de a gente se casar”

Chegando em casa então ele chorou

E pro inferno ele foi pela segunda vez

Com Maria Lúcia Jeremias se casou

E um filho nela ele fez

Santo Cristo era só ódio por dentro

E então o Jeremias pra um duelo ele chamou

Amanhã às duas horas na Ceilândia

Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou

(…)

No sábado então, às duas horas,

Todo o povo sem demora foi lá só para assistir

Um homem que atirava pelas costas

E acertou o Santo Cristo, começou a sorrir

(…)

E se lembrou de quando era uma criança

E de tudo o que vivera até ali

E decidiu entrar de vez naquela dança

“Se a via-crucis virou circo, estou aqui”

(…)

E Santo Cristo com a Winchester-22

Deu cinco tiros no bandido traidor

Maria Lúcia se arrependeu depois

E morreu junto com João, seu protetor

E o povo declarava que João de Santo Cristo

Era santo porque sabia morrer

E a alta burguesia da cidade

Não acreditou na história que eles viram na TV

E João não conseguiu o que queria

Quando veio pra Brasília, com o diabo ter

Ele queria era falar pro presidente

Pra ajudar toda essa gente que só faz…

Sofrer…

http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22492/

Acesso em 30 de novembro de 2009.

descomplica-homeO texto épico, em linhas gerais, traz sempre um herói e conta as histórias de um povo (pense em Vasco da Gama, em Os Lusíadas, e em Ulisses, na Odisséia, e nas aventuras de portugueses e gregos narradas nas respectivas obras). Nos fragmentos destacados da canção “Faroeste Caboclo”, de Renato Russo, há elementos da poesia épica. Destaque esses elementos e comprove-os com trechos da canção.

QUESTÃO 39 (Descritor: Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: Valores sociais e humanos do patrimônio literário nacional.

TEXTO I

Hino Nacional

Francisco Manuel da Silva / Joaquim Osório Duque Estrada

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heróico o brado retumbante,

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,

Idolatrada, Salve! Salve!”

http://letras.terra.com.br/hinos/46368/

Acesso em 30 de novembro de 2009.

TEXTO II

Pra não dizer que não falei das flores

Geraldo Vandré

“Caminhando e cantando

E seguindo a canção

Somos todos iguais

Braços dados ou não

Nas escolas, nas ruas

Campos, construções

Caminhando e cantando

E seguindo a canção…

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer…”

http://letras.terra.com.br/geraldo-vandre/46168/

Acesso em 30 de novembro de 2009.

TEXTO III

500 anos

Racionais Mc’s

“500 anos o Brasil é uma vergonha

Polícia fuma pedra moleque fuma maconha

Dona cegonha entrega mais uma princesa

mais uma boca com certeza que vem a mesa

Onde cabe 1, 2 cabe 3

A dificuldade entra em cena outra vez

Enquanto isso playboy folgado, anda assustado,

deve tá pagando algum erro do passado.

Assaltos, sequestros, é só o começo

a senzala aviso, o Mauricinho hoje paga o preço,

sem adereço desconto ou perdão

quem tem vida decente não precisa usá-lo então…”

http://letras.terra.com.br/racionais-mcs/964817/

Acesso em 30 de novembro de 2009.

O “Hino Nacional”, de Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927), é de 1831; “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré (1935 – ), é de 1968; por fim, o rap “500 anos”, do grupo Racionais Mc’s, é de 2002. O leitor percebe a questão cronológica na diferença da linguagem entre um texto e outro. Porém, mais importante que isso é a diferença entre os valores sociais e humanos veiculados em cada canção.

Escreva sobre essa diferença de valores entre as canções. O ponto de partida é pensar no momento histórico em que cada uma delas foi veiculada.

QUESTÃO 40 (Descritor: Sintetizar enunciado e reconhecer enunciador.)

Nível de dificuldade: difícil.

Assunto: enunciado e enunciação.

Todo enunciado (um texto escrito, por exemplo) possui um enunciador. O enunciador é o elemento que declara o enunciado. Em um texto narrativo, pode-se afirmar que o enunciado seja a própria narrativa, enquanto o enunciador se configura como o narrador.

Pensando nos conceitos de enunciado e enunciador, leia o texto a seguir.

CAPÍTULO CXXXVI – A Xícara de Café

“(…) O copeiro trouxe o café. Ergui-me, guardei o livro, e fui para a mesa onde ficara a xícara. Já a casa estava em rumores; era tempo de acabar comigo. A mão tremeu-me ao abrir o papel em que trazia a droga embrulhada. Ainda assim tive ânimo de despejar a substância na xícara, e comecei a mexer o café, os olhos vagos, a memória em Desdêmona inocente; o espetáculo da véspera vinha intrometer-se na realidade da manhã. Mas a fotografia de Escobar deu-me o ânimo que me ia faltando; lá estava ele, com mão nas costas da cadeira, a olhar ao longe…

– Acabemos com isto, pensei.

Quando ia beber, cogitei se não seria melhor esperar que Capitu e o filho saíssem para a missa; beberia depois; era melhor. Assim disposto, entrei a passear no gabinete. Ouvi a voz de Ezequiel no corredor, vi-o entrar e correr a mim bradando:

– Papai, papai!

Leitor, houve aqui um gesto que eu não descrevo por havê-lo inteiramente esquecido, mas crê que foi belo e trágico. Efetivamente, a figura do pequeno fez-me recuar até dar de costas na estante. Ezequiel abraçou-me os joelhos, esticou-se na ponta dos pés, como querendo subir e dar-me o beijo do costume; e repetia, puxando-me:

– Papai! Papai!”

(ASSIS, Machado de. “A xícara de café”. In: Dom Casmurro. São Paulo: Ática, 1999, p. 172-3.

A partir do fragmento, sintetize o enunciado e aponte o enunciador.

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GABARITO DAS QUESTÕES OBJETIVAS

QUESTÃO 01 B QUESTÃO 13 B
QUESTÃO 02 D QUESTÃO 14 E
QUESTÃO 03 C QUESTÃO 15 B
QUESTÃO 04 C QUESTÃO 16 C
QUESTÃO 05 B QUESTÃO 17 A
QUESTÃO 06 D QUESTÃO 18 B
QUESTÃO 07 E QUESTÃO 19 C
QUESTÃO 08 D QUESTÃO 20 D
QUESTÃO 09 E QUESTÃO 21 A
QUESTÃO 10 B QUESTÃO 22 A
QUESTÃO 11 E QUESTÃO 23 A
QUESTÃO 12 D QUESTÃO 24 B

GABARITO DAS QUESTÕES DISCURSIVAS

QUESTÃO 25

Acontecia um torneio do qual dois grupos de cavaleiros participavam, sendo muitos da Távola Redonda. Chamava a atenção um rapaz que lutava com grande destreza e coragem.

Era grande a movimentação quando chega Galaaz, um cavaleiro muito importante. Chama a atenção deste em rapaz ferido, com quem conversa e descobre ser Tristão, um famoso cavaleiro a quem promete ajuda.

A cena destaca a importância da figura do cavaleiro, herói das novelas de cavalaria e dotado das maiores qualidades: coragem, nobreza, honra, lealdade. É respeitado e admirado.

QUESTÃO 26

O primeiro personagem era o Fidalgo. Suas insígnias eram o manto e uma cadeira (comumente usados pelos nobres da época, já que não havia assentos em lugares públicos. Fora condenado por ser orgulhoso e desprezar os mais pobres. Em segundo lugar está o Sapateiro. Este carregava um avental e formas de fazer sapatos, e fora condenado por roubar os outros com seu trabalho. Por fim, a terceira personagem era Brísida Vaz, alcoviteira e feiticeira, que carregava um caldeirão e seiscentos hímens postiços.

QUESTÃO 27

Gil Vicente escrevia em versos redondilhos, principalmente maiores (7 sílabas métricas). Ele o fazia porque a maioria das pessoas, mesmo nobres, era analfabeta, e a melodia de tal metro, junto à rima, faziam com que elas compreendessem e guardassem os versos mais facilmente (o mesmo valia para os próprios artistas). Além disso, vale lembrar ainda não se usava o verso decassílabo em Portugal.

QUESTÃO 28

O segundo poema é uma paráfrase do primeiro, sintetizando-o. Por exemplo, enquanto Gonçalves Dias escreve: “Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá.”, Drummond apresenta a mesma ideia, porém o faz de forma sintética: “Um sabiá na / palmeira, longe.”. Essa correspondência pode ser observada a cada par de versos entre os poemas.

QUESTÃO 29

O segundo poema é uma paráfrase do primeiro, sintetizando-o. Por exemplo, enquanto Gonçalves Dias escreve: “Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá.”, Drummond apresenta a mesma ideia, porém o faz de forma sintética: “Um sabiá na / palmeira, longe.”. Essa correspondência pode ser observada a cada par de versos entre os poemas.

QUESTÃO 30

Considerando que o aluno da 1ª série ainda não estudou Machado de Assis de forma sistematizada, primeiro deve ser acometido pela estranheza de uma dedicatória feita a um verme. A seguir, em relação às características realistas destacadas, deve perceber a presença de subjetividade (é uma narrativa em 1ª pessoa) e não de objetividade; a atemporalidade, por tratar-se de um defunto que pode expressar-se em relação a qualquer tempo, e não necessariamente ao momento contemporâneo; e uma tendência à reflexão, por dedicar suas memórias a um verme.

QUESTÃO 31

O texto se aproxima das cantigas satíricas de maldizer, visto que apresenta crítica direta (o nome é explicitado: Geni) e linguagem agressiva (“Joga pedra na Geni”).

QUESTÃO 32

Espera-se que o aluno perceba que, embora o texto fosse apresentativo dos fatos do período, Fernão Lopes utilizava certa subjetividade ao escrever. Por exemplo: “Por que semelhante amor, qual elRei Dom Pedro ouve a Dona Enes, raramente he achado em alguuma pessoa (…)”. A voz popular, por sua vez, pode ser considerada em “(…) porem disserom os antiigos (…)”.

QUESTÃO 33

A crítica é construída através de jogos de linguagem. Todo o Mundo, apresentado como um rico mercador, é ambicioso, orgulhoso, avarento, ou seja, através dele Gil Vicente critica os nobres que apresentam tais sentimentos. Ninguém, por sua vez, representado por um pobre homem, busca consciência, virtude, sabedoria. Aqui o pobre aparece em oposição ao rico, e não obrigatoriamente como um indivíduo que tem a consciência das coisas que o dramaturgo lhe atribui (basta pensar no momento histórico da época, e como viviam os indivíduos mais carentes da população). Vale destacar que, ao reproduzir a fala de Todo o Mundo e Ninguém, os demônios Belzebu e Dinato arrematam a crítica apresentada pelo autor.

QUESTÃO 34

Certamente. Por se tratar de um teatro alegórico, é possível aplicar a crítica vicentina à sociedade atual, na qual a maioria das pessoas almeja ser louvada e viver bem, sendo capaz de mentir para conseguir o que quer. A minoria, por sua vez, preocupa-se com a verdade, a virtude e com outros valores destacados pela personagem Ninguém.

QUESTÃO 35

A prosa poética apresenta, no texto em prosa, a expressão de um estado emocional que se evidencia. As evidências se fazem, por exemplo, através de figuras de linguagem (comparação: “Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do Sol nascente”) ou do próprio vocabulário poético (observe as palavras: “Serenai verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas.”).

QUESTÃO 36

Um elemento em comum entre os textos é a presença do eu lírico masculino (Texto I: “A dona que eu am’e tenho por Senhor”; texto II: “Senhora, partem tam tristes”). A diferenciação ocorre, por sua vez, em decorrência da maior ou menor elaboração no uso da linguagem (texto I: linguagem simples, com presença de refrão. Exemplo: “se non dade-me-a morte.”, este verso-refrão aparece quatro vezes em um poema de doze versos. Texto II: não há refrão, e o texto vem enriquecido por figuras de estilo: a. metonímia – “Senhora, partem tam tristes / meus olhos”; ou b. hipérbole – “ da morte mais desejosos / cem mil vezes que da vida.”).

QUESTÃO 37

A subjetividade (“Meu eu!”) e o sentimentalismo do remetente (“Por que tanta tristeza, quando a necessidade fala? O nosso amor pode existir sem sacrifícios, sem exigir tudo.”) são características fortes que marcam o lirismo em todo o texto.

QUESTÃO 38

Como Vasco da Gama, em Os Lusíadas, João de Santo Cristo é um herói coletivo, representando a si mesmo e ao povo brasileiro pobre do interior. Além disso, suas aventuras e desventuras são as mesmas pelas quais o povo brasileiro passa. Assim, pode-se dizer que Faroeste Caboclo apresenta marcas de textos épicos.

QUESTÃO 39

Espera-se que o aluno perceba que o texto traduz o momento histórico em que está inserido. Assim, o “Hino Nacional” traz o ufanismo do momento pós-independência; “Pra não dizer que não falei das flores” critica a dureza do período da Ditadura Militar no Brasil; e o rap “500 anos” desnuda os problemas do Brasil atual.

QUESTÃO 40

O enunciado mostra um narrador prestes a suicidar-se, desejando colocar uma droga na xícara de café trazida pelo copeiro. Pensa em Desdêmona inocente (assistira ao espetáculo na noite anterior), mas, quando vê a foto de Escobar, decide-se pela morte. Quando ía beber o líquido, decide esperar Capitu e Ezequiel irem para a missa, porém o filho entra correndo na biblioteca, querendo beijá-lo. O pai se afasta dele até colar-se à estante.