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O Estudante de Medicina – Atividade para Ensino Fundamental

Estas são várias atividades propostas para fazer em turmas do ensino Fundamental, mas que podem ser facilmente adaptadas para uma turma do Ensino Médio. A partir de um texto bastante criativo, vamos falar sobre o uso dos verbos e de recursos coesivos bastante eficazes na construção de um texto dissertativo. Como esta é a folha do gabarito que usei nas minhas turmas, as respostas já estão junto com os exercícios. Caso você seja professor e queira usá-los, preste atenção nisso.

O ESTUDANTE DE MEDICINA

LÚCIA MACHADO DE ALMEIDA

Bem cedo, no dia seguinte, Alberto, metido num avental branco, trafegava de um lado para outro na enfermaria do hospital, em companhia de outros estudantes. Ajudado por um colega que usava óculos com aro de tartaruga, o rapaz começou a tirar sangue da veia de um indigente que deveria sofrer de anemia, tal a sua palidez.
-— Hemoglobinazinha ordinária, hem? disse Alberto, examinando e mostrando ao colega um sangue ralo e apenas rosado dentro da seringa. Vamos ver a contagem de hematias.
Os dois amigos dirigiram-se para o laboratório, onde os estudantes começavam a fazer as primeiras pesquisas clínicas.
Alberto adorava a profissão que escolhera. Talvez fosse por isso que o trabalho se lhe transformava quase que num prazer. Além do mais, o moço tinha forte atração pelo mistério, e a Medicina frequentemente lhe fazia lembrar um verdadeiro romance policial.
Sim, era preciso auxiliar o órgão atacado, descobrir o “culpado” através dos “vestígios” deixados, e depois guerreá-lo, vencê-lo, custasse o que custasse. Era preciso dominar a grande inimiga, a Morte, combatendo os seus cúmplices, aqueles terríveis seres minúsculos e invisíveis: os micróbios e os vírus. E havia também uma razão mais forte e mais profunda para que o moço gostasse da Medicina: ele sentia que a carreira o punha em contato com o sofrimento humano, proporcionando-lhe oportunidades de aliviá-lo. Sabia que era essa a mais íntima alegria que uma criatura pode ter, e que a dor deixa de ser triste quando nos aproximamos dela para a suavizar.
Era isso o que Alberto tentava em vão explicar a Rachel Saturnino. A moça irritava-se e repetia sempre:
— A vida é tão curta! O melhor é desfrutá-la e tirar dela o maior partido possível.
— Bem, tornava Alberto, a concepção de “aproveitar a vida” varia de indivíduo para indivíduo, é ou não é? O que para um significa prazer, para outro representa futilidade, desperdício de tempo e vice-versa.

(O escaravelho do diabo. 12. ed. São Paulo, Ática, 1985. p, 22 — Série Vaga-lume.)

VOCABULÁRIO

  • anemia – diminuição da hemoglobina do sangue
  • desfrutar – aproveitar
  • futilidade – coisa sem importância
  • frequentemente – quase sempre
  • hemoglobina – pigmento dos glóbulos vermelhos que fixa o oxigênio do ar e o cede aos tecidos
  • hematia – glóbulo vermelho do sangue
  • indigente – pessoa que não pode pagar o tratamento
  • íntima – própria da pessoa
  • suavizar – amenizar; tornar mais suave
  • vestígio – resto; marca

ESTUDO DAS PALAVRAS

1. Observe os sentidos da palavra romance nas frases:

Alberto gosta de romance policial.
Adolfo e Helena mantêm um romance há oito anos.

Como você pode ver, uma palavra pode ter vários sentidos, dependendo do contexto da frase. Agora, identifique o sentido com que a palavra partido foi empregada nas frases:

a. Rico, bonito, Solteiro, Carlos parece Um ótimo partido.

– bom para casar, por ter situação financeira boa.

b. Nossa equipe soube tirar partido da nova solução.

– vantagem

c. Ele foi eleito o presidente do nosso partido.

– grupo político

d. Na hora da confusão, ele tomou o partido do irmão.

– ficar do lado

e. O bolo foi partido em fatias bem pequenas.

– dividido

Com qual desses sentidos a palavra foi empregada no texto?

– Tirar vantagem.

2. Observe os sentidos da palavra ralo:

  • ralador
  • pouco espesso
  • parte do encanamento

Com que sentido essa palavra foi empregada no texto?

– Pouco espesso.

3.  Qual o significado da expressão “tentar em vão”?

– Tentar inutilmente

4.  Copie as frases, substituindo às palavras destacadas por antônimos:

a. Ele usava óculos com aro de tartaruga.

– sem

b. O sangue estava dentro da seringa.

– fora

c. O melhor é desfrutar a vida.

– pior

→ Caso queira  ter a base para fazer estas atividades, veja minha dica aqui.

ESTUDO DO TEXTO

1. O que faz Alberto pela manhã?

– Tira sangue de um indigente e o examina no microscópio.

2. Onde Alberto estuda?

– Na Faculdade de Medicina.

3. Como se sente Alberto em relação à profissão de médico?

– Ele adora a profissão que escolhera.

4. O texto apresenta uma comparação entre o trabalho médico e a tarefa do detetive. Nessa comparação, que papel representa a doença?

– A doença representa o culpado.

5. Quais são os agentes causadores das doenças?

– Os micróbios.

6. Qual é a razão mais profunda do amor de Alberto pela carreira médica?

– É ajudar a aliviar o sofrimento humano.

7.  Na sua opinião, como Alberto se relaciona com Rachel Saturnino? Por quê?

– (Resposta pessoal.)

8.  Entre Alberto e Rachel, com quem você concorda? Por quê?

– (Resposta pessoal.)

9.  A sociedade em que Alberto vive tem regras de conduta. No trecho que você leu, como ele se comporta em relação a essas regras?

– Aparentemente ele respeita as regras sociais.

10. A visão que Alberto apresenta da profissão médica será real ou idealizada? Por quê?

– Idealizada, já que não aparecem fatores negativos.

Expressão oral (caso você seja professor, faça com seus alunos)

1.  O que é aproveitar a vida, para você?

2.  O que, para você, representa uma futilidade?

3.  Que profissão você gostaria de exercer no futuro? Por quê?

4.  Você gosta de histórias policiais? Por quê?

PESQUISA

A visão que a personagem Alberto revela a respeito da profissão médica é muito idealizada. No “retrato” da profissão médica que aparece no texto só existem aspectos positivos.

Faça uma pesquisa em jornais e revistas sobre Medicina. Se você conseguir uma entrevista com um profissional da área de saúde — médico(a) ou enfermeiro(a) —, levante informações sobre os seguintes aspectos:

1.  Quais as enfermidades que mais afligem o povo brasileiro?

2.  Quais são as causas dessas enfermidades?

3.  Quais seriam as medidas mais eficazes para ajudar o povo brasileiro a não sofrer essas enfermidades?

4.  Quais são os cuidados que toda pessoa deve tomar com a própria saúde?

5.  Quais os problemas de saúde mais comuns na adolescência?

→ Curso de redação para o Enem.

TÉCNICA DE REDAÇÃO A NARRAÇÃO NA 3ª PESSOA

No texto: O estudante de Medicina, a narração é feita na 3ª pessoa, conforme indicam os verbos do texto: trafegava, começou etc.

Nesse tipo de narração, o narrador não participa dos fatos; ele apenas conta o que pode observar. Então, os fatos são contados do ponto de vista dele, isto é, da maneira como os observa.

Observando as personagens

É muito comum, nas narrações em geral, o narrador caracterizar suas personagens, mostrando seu modo de ser, de agir, seus sentimentos etc.

No caso das personagens do texto estudado, por exemplo, qual das duas desperta mais simpatia: Alberto ou Rachel?

Alberto é apresentado só com qualidades positivas; é jovem, estuda Medicina, ajuda aos pobres, luta contra as doenças e a morte, por ideal. É apresentado como herói. A personagem assim apresentada é chamada de protagonista.

Para Rachel, sobrou, neste texto, o papel antipático de opor-se aos desejos do herói, do protagonista. Note que ela é apresentada pelo narrador de modo a despertar a antipatia do leitor:

“Era isso o que Alberto tentava em vão explicar a Rachel Saturnino. A moça irritava-se e repetia sempre:

— A vida é tão curta! O melhor é desfrutá-la e tirar dela o maior partido possível”.

Rachel Saturnino é o contrário de Alberto. Revela-se pouco inteligente, não entende a explicação do moço e repete sempre às mesmas palavras. Além disso, revela-se muito egoísta: “A vida é curta”. A personagem assim apresentada chama-se antagonista.

ATIVIDADES

1.  Reescreva o texto “O estudante de Medicina na li pessoa, do ponto-de-vista de Alberto”. Para ajudá-lo, vamos fazer o comecinho:

Bem cedo, no dia seguinte, eu, metido num avental branco, trafegava de um lado para outro na enfermaria do hospital, em companhia de outros estudantes. Ajudado por um colega que usava óculos com aro de tartaruga, comecei a tirar sangue da veia…

(Agora é com você.)

2.  Escreva um texto narrativo na 3ª pessoa em que apareçam um protagonista e um antagonista.

TREINANDO A LINGUAGEM

1.  Observe:

Alberto trafegava na enfermaria do hospital.

Bem cedo, no dia seguinte, Alberto trafegava de um lado para outro na enfermaria do hospital.

Amplie as frases, empregando marcadores de circunstância, como no exemplo:

a.  O seu colega usava óculos com aro de tartaruga.
b.  Os dois amigos dirigiram-se para o laboratório.
c.  A Medicina lhe fazia lembrar um verdadeiro romance policial.
d.  Rachel repetia que a vida era curta.

2.  Observe:

Alberto adorava a profissão. Ele escolhera a profissão. Alberto adorava a profissão que escolhera.

Copie as frases numa só, empregando a palavra que:

a.  Ana gostava do rapaz. Ela namorava o rapaz.
b.  Plínio defendia o método. Ele adotara o método.
c.  Leonardo cuidava da horta. Ele cultivara a horta.
d.  Frei Eduardo sabia de cor o texto. Ele analisara o texto.

3.  Copie os verbos e escreva uma frase para cada conjunto, como no exemplo:

Alberto examina e mostra ao colega um sangue ralo. (examina — mostra)

a.   (dirigiam-se — começavam)

b.  (havia — gostasse)

c. (adorava — escolhera)

d. (é — tira)

4.   Copie as frases, substituindo a forma verbal simples pela composta. Veja o exemplo:

Manoel Geraldo adorava a profissão que escolhera.

Manoel Geraldo adorava a profissão que tinha escolhido.

a.   Clarissa gostava da boneca que comprara.

– tinha comprado

b.  Alfredinho resolvia o problema que sorteara.

– tinha sorteado

c.   Luciana cuidava dos peixinhos que adquirira.

– tinha adquirido

d.  Flávio sabia a lição que estudara.

– tinha estudado

Actus Expertise

Hoje em dia, com a rapidez da comunicação e as exigências individuais, cresce cada vez mais a procura por suplementos que melhoram a concentração e a capacidade de absorção de informações. Há vários nootrópicos que ajudam nesse processo e neste artigo quero mostrar para você
um deles, o Actus Expertise e aproveitar para falar para você sbre os benefícios que tem feito com que ele se torne o preferido entre aqueles que precisam de concentração nos estudos como vestibulandos e concurseiros.

Antes disso, porém, quero que saiba o porquê dessa preferência pelo Actus Expertise dentre todos os outros nootrópicos. Sua fórmula inovadora e sofisticada tem se mostrado muito eficiente em testes feitos entre estudantes que passam horas se preparando para vestibulares como o da Academia do Barro Brando, Direito na USP e também nos concursos ligados ao Ministério Público.

 

Você sabe o que é o Actus Expertise

O Actus Expertise é um poderoso suplemento que promete e cumpre aquilo que digo aqui. Sua fórmula ativa nossa capacidade de concentração e memorização fazendo com que em muito pouco tempo o estudante sinta a diferença na sua capacidade de manter o foco e realmente ele consiga dar um gás nos estudos. Esse produto é um suplemento nootrópico e foi cuidadosamente desenvolvido por centenas de especialistas da área de nutrição e medicina. Por ser um suplemento 100% natural não apresenta nenhuma contraindicação de uso e, por isso, pode ser consumido em qualquer idade e por qualquer pessoa que deseje muito aumentar sua capacidade de foco e memorização.

Suplemento Nootrópico 100% Natural

Um dos principais diferenciais desse produto para os seus concorrentes é o fato dele combinar várias substâncias conhecidas há bastante tempo e que, após muitas pesquisas, foram combinados na proporção exata para otimizar o resultado. Como já disse, ele é 100% natural e, ao entrar em contato com o organismo, imediatamente melhora o fluxo sanguíneo do corpo. Todos sabemos que a melhor oxigenação e circulação de nutrientes pelo corpo faz com que a capacidade do mesmo seja otimizada.

Quais os benefícios Actus Expertise

Creio que você que leui até aqui já esteja ciente dos benefícios do Actus Expertise para quem consome diariamente, mas não custa mostrar, de forma mais organizada quais são os reais benefícios desse suplemento 100% natural. São eles:

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  • Mais energia para ajudar lhe manter concentrado;
  • Aumento da sua performance cerebral;
  • Auxilia em sua criatividade;
  • Amplia sua capacidade de memorização;
  • Passe horas concentrado sem perder seu foco;

 

Quais os principais benefícios do Actus no cérebro

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Actus Expertise Funciona

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Como Funciona o Actus Expertise

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  • Magnésio – Esse mesmo é responsável por melhorar plenamente o funcionamento nas transmissões dos impulsos nervosos do seu cérebro, dessa forma ele aumenta sua capacidade de memorização e aperfeiçoa sua capacidade de aprender muito mais rápido.
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Quem Pode usar

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Introdução ao estudo da Filosofia

  • A Filosofia surgiu na Grécia Antiga, como resultado de um conjunto de circunstâncias, incluindo uma série de particularidades socioeconômicas (prosperidade, contato com diversos povos através da navegação).
  • No seu nascimento, o pensamento filosófico visava a uma explicação racional do mundo natural. Nesse sentido, o pensamento filosófico se diferenciava do pensamento mítico, cujas explicações não dependiam de uma confirmação racional.
  • O pensamento filosófico se diferencia do senso comum e não deve ser confundido com outros saberes.

Exercício de introdução

A dúvida é uma atitude que contribui para o surgimento do pensamento filosófico moderno. Neste comportamento, a verdade é atingida através da supressão provisória de todo conhecimento, que passa a ser considerado como mera opinião. A dúvida metódica aguça o espírito crítico próprio da Filosofia.

BORNHEIM, Gerd A. Introdução ao filosofar. Porto Alegre: Globo, 1970. p. 11. Adaptado.

A partir do texto, é correto afirmar que:

a) a Filosofia estabelece que opinião, conhecimento e verdade são conceitos equivalentes.
b) a dúvida é necessária para o pensamento filosófico, por ser espontânea e dispensar o rigor metodológico.
c) o espírito crítico é uma característica da Filosofia e surge quando opiniões e verdades são coincidentes.
d) a dúvida, o questionamento rigoroso e o espírito crítico são fundamentos do pensamento filosófico moderno.

Gabarito: D

Vamos aprender um pouco mais sobre Filosofia?

Texto I

O que é Filosofia?

À primeira vista, é muito fácil definir o que é Filosofia: basta lembrar das origens gregas do termo: philos (amigo) + sophia (sabedoria). Porém; bem mais difícil é tentar explicar para que ela serve.
De fato, a Filosofia não visa a resultados práticos ou imediatos, mas abre espaço justamente para perguntas como: por que todas as coisas devem ter uma finalidade prática?

A Filosofia pode ser vista como um tipo de conhecimento que se justifica por si mesmo. Faz parte de nossa cultura pensar no conhecimento como instrumento para a realização de coisas materiais. Porém, essa ideia nem sempre acompanhou o ser humano, tendo ascendido, principalmente, a partir do século XVIII, com as mudanças decorrentes da Revolução Industrial, que transformou o conhecimento em técnica, utilizando-o na produção de objetos em larga escala. Esse processo afetou nossa vida e mudou nossos hábitos e costumes, fazendo com que considerássemos a utilidade prática como única função do conhecimento.

Criando problemas

“É por força de seu maravilhamento que os seres humanos começam agora a filosofar e, originalmente, começaram a filosofar.” Essa frase do filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C), resume bem o sentido da Filosofia: ancorada em nossa capacidade de problematizar, ela elucida questões fundamentais para as quais normalmente não encontramos respostas em nosso cotidiano. Isso inclui o questionamento sobre si mesmo.

Sócrates (470-399 a.C), pensador grego, considerado por muitos uma espécie de “pai da Filosofia”, tinha como um de seus princípios a máxima: “Conhece-te a ti mesmo”.

Para atestarmos a complexidade dessa tarefa designada por Sócrates, imagine a seguinte situação: você acorda pela manhã e uma de suas primeiras experiências diárias é olhar-se no espelho. Durante o dia, muitas vezes você usa a expressão “eu”; quando alguém pergunta “quem é você?” você diz seu nome e relaciona seu nome com aquela imagem do espelho à qual você está acostumado. Mas, afinal, o que um nome e uma imagem dizem sobre você? Certamente existem muitos outros atributos além disso, virtudes e defeitos. Será que você sabe exatamente quais são? Você alguma vez já se surpreendeu quando alguém disse que você era uma coisa que você nunca imaginou que fosse? Em outras palavras: quanto de si mesmo você conhece?

Quando alguém diz que você é “inteligente” ou “bonito”, ou quando diz “somos amigos”, o que isso significa realmente? O que é inteligência, beleza? O que é amizade? O sentido dessas palavras é sempre o mesmo ou muda de pessoa para pessoa ou mesmo ao longo do tempo?

A Filosofia não oferece respostas prontas para essas questões; filosofar não é lidar com um conjunto pronto e acabado de conhecimentos que se aprende, mas uma forma de encarar o mundo, uma busca e um questionamento permanentes.

Conceito, reflexão e crítica

O conceito é a base do pensamento filosófico. Criamos conceitos para nos referir mais precisamente a objetos, ideias ou sentimentos. Para isso, é necessário que cada coisa seja designada naquilo que lhe é fundamental. Em outras palavras, conceitos são abstrações, isto é, modelos abstratos que podem ser usados sempre que tentarmos identificar ou entender os diversos aspectos da realidade (e de nós mesmos). Pode-se dizer que a Filosofia é essencialmente a atividade de criar conceitos.

Pensemos, por exemplo, na ideia de liberdade. Em discussões familiares, em relacionamentos, no ambiente de trabalho, muitas vezes as pessoas dizem que querem ser mais livres. Mas o que significa liberdade? O filósofo alemão Immanuel Kant sustentou que a ação livre deve ser autônoma, ou seja, se submeter apenas à lei que surja da vontade do sujeito que a manifeste. Com isso, podemos dizer que uma ação que se guie pelas leis das vontades dos outros (por exemplo, de uma autoridade) não será livre. O conceito permite analisar situações específicas com mais precisão, bem como verificar se dada sociedade favorece ou não a liberdade a seus cidadãos.

Outra característica do pensamento filosófico é que ele depende de um procedimento ou método baseado na reflexão, que deve ser entendida como algo mais do que um simples pensamento. Conhecemos a palavra “reflexão” do nosso vocabulário de uso cotidiano, sendo comumente empregada como sinônimo de “pensar”, ou do vocabulário da Física, referindo-se à imagem que o espelho nos devolve, por exemplo. No entanto, em Filosofia, reflexão significa um pensamento que tem a capacidade de voltar-se contra si mesmo. Isso quer dizer que a Filosofia procura sempre questionar aquilo que já foi pensado, ou seja, pensar sobre o próprio pensamento. Dessa forma, não se prende a dogmas, a ideias indiscutíveis.

Mas, ao mesmo tempo que rejeita o dogmatismo (a crença inegável num sistema), o pensamento filosófico quase sempre rejeita o ceticismo (no sentido da impossibilidade de se chegar a alguma certeza). Por isso se diz que a reflexão filosófica é crítica. Na linguagem cotidiana, costumamos ligar a palavra “crítica” ao ato de “falar mal” ou “apontar defeitos”, mas esse não é o sentido filosófico. Para a Filosofia, o exercício crítico significa examinar minuciosamente e, sobretudo, com critério e rigor, sem extremismos e considerando a diversidade de opiniões. Esse exame pode se voltar para as leis de um país, uma obra de arte ou determinadas práticas científicas.

Por exemplo, em certo sentido, quase todos criticam o “governo”, qualquer que seja ele. De modo geral, isso significa desqualificar o governante do momento, dizer que não acredita na sua propaganda, e chegar a simplificações como “todo político é ladrão”. Já em um sentido filosófico, criticar o governo envolveria a ideia de desmascarar o poder. Um exame filosófico pensaria questões como: qual é o papel de um governante; quais são as funções de cada poder do Estado; quais são os interesses dos grupos que apoiam ou são contra o governo; ou quais são as prioridades do país ou da cidade em termos de abrir caminhos para a liberdade humana? Apenas repetir acusações fáceis não é, certamente, filosofar – o que implica, muitas vezes, estar na contramão do lugar comum. Como diz o pensador contemporâneo Merleau-Ponty em sua obra Elogio à Filosofia, o filósofo chocaria menos se fosse simplesmente rebelde, pois no fundo todos sabem que o mundo é inaceitável do jeito que é. O filósofo choca porque comete a “imperdoável ofensa” de fazer os outros duvidarem de si mesmos e de suas opiniões.

A Grécia e a Filosofia

A civilização grega foi talvez a primeira, na Antiguidade, a agrupar um conjunto de características muito peculiares, que se relacionam ao surgimento da Filosofia. Em primeiro lugar, a navegação no mar Mediterrâneo. Vivendo em uma terra pobre e em contato com o mar, os gregos se dedicaram a viagens marítimas, voltadas para o comércio e possibilitando amplo deslocamento da população. Nessas viagens, os gregos foram percebendo que a natureza sempre seguia as mesmas “regras”, não importando o local onde estivessem. Com o decorrer do tempo, essa percepção tornou-se essencial para desmistificar deuses e criaturas fantásticas que existiam em lendas e mitos.

O comércio com locais distantes e povos diversos estimulou o emprego da moeda e a disseminação da escrita. Ao substituir a troca entre mercadorias, a moeda ajudou a desenvolver o raciocínio abstrato, elaborando cálculos de valor. Certo desenvolvimento da abstração também pode ser visto no advento da escrita fonética, em que cada letra representa um som, o que faz com que as palavras percam seu caráter mágico de representação de um objeto ou uma ideia (palavra = coisa) e passem a ser apenas o seu signo (palavra = signo), dessacralizando o uso da escrita e estimulando o raciocínio.

A riqueza trazida pelo comércio e a utilização em larga escala de escravos tornaram possível o ócio, o tempo livre, que podia ser dedicado à atividade contemplativa, estimulando o espírito de observação. De forma semelhante, o aperfeiçoamento do calendário, baseado na observação da Natureza (repetição das estações do ano, das fases da lua), deu ao tempo um caráter natural e não divino.

A Grécia é, assim, o berço da democracia. Entre suas inovações políticas, estão os conceitos de isonomia e isegoria. Ambas significam igualdade: a primeira em relação às leis; e a segunda, em relação ao direito de fala. A Filosofia se valeu do ambiente de ricas discussões das cidades gregas.

Tais condições, sozinhas, não explicam por que a Filosofia nasceu na Grécia Antiga, mas, certamente, apontam aspectos que contribuíram para o seu desenvolvimento.
Texto II

Mito e Filosofia

Origens do mito

Afirmar que a Filosofia foi criada pelos gregos significa dizer que eles foram os primeiros a propor que o mundo existia e as coisas aconteciam não apenas devido à ação dos deuses. Em outras palavras, os gregos explicaram o mundo a partir do logos, da palavra racional. O mito, por sua vez, é uma forma de explicação da realidade anterior à Filosofia e que não se baseia na racionalidade.
Todas as culturas – inclusive a grega – criaram seus mitos, associando a origem do mundo, os fenômenos da natureza e os grandes acontecimentos da vida à atuação de forças exteriores à realidade concreta. O mito se originou do medo e do espanto do ser humano diante de uma natureza potencialmente hostil. Por isso, mais do que para explicar o mundo, o mito serviu para acalmar a ansiedade humana em relação aos mistérios da criação.

Ao contrário da Filosofia, que se funda na racionalidade, o mito se baseia, sobretudo, na intuição, e incorpora ao mesmo tempo imaginação e emotividade. Segue um exemplo de mito proveniente do Egito Antigo:

Filho de Urano (o Céu) e de Gaia (a Terra), marido de Tetis e pai das Oceanides e dos deuses dos rios.
Na versão mais antiga da lenda, Oceano era um rio imenso que circundava a terra, tido como o progenitor dos deuses e a origem da vida; dele nasceram todos os outros rios, inclusive o Estige e os demais rios do inferno. Suas nascentes situavam-se nos confins do Ocidente, onde Hélios (o Sol) se banhava e as estrelas repousavam; ele começava nas colunas de Héracles (o atual estreito de Gibraltar) e passava pelo Eísion e pelo Hades, marcando os limites da terra em todas as direções. Mais tarde, com o desenvolvimento dos conhecimentos geográficos, a denominação “Oceano” restringiu-se ao Oceano Atlântico.

KURY, Mário da Gama. Dicionário de mitologia grega e romana. 8. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. p. 288.

Algumas características dessa narrativa permitem sua identificação como um mito. Em primeiro lugar, o fato narrado ocorreu em um tempo passado indeterminado, em que deuses habitavam a Terra, ou seja, em um tempo fundamentalmente diferente do nosso. Em segundo lugar, a narrativa mítica baseia-se na imaginação; por isso quase sempre assume um caráter de exagero e de inverossimilhança em relação à realidade concreta. Finalmente, o mito está ligado aos fenômenos da natureza: o céu a terra, o oceano e os rios fazem parte da explicação sobre a origem da vida. Contudo, esses elementos aparecem personificados em figuras divinas semelhantes a seres humanos.

A Filosofia, ao contrário do mito, aborda coisas que ocorrem em um tempo conhecido e possível, bem como sua permanência e mudança. Ao mesmo tempo, não admite o incompreensível, buscando sempre explicações racionais, ao alcance de qualquer indivíduo. Dessa forma, explica a natureza dentro dessa mesma perspectiva: racional e acessível.

Mas não se deve considerar o mito apenas uma narrativa “inocente” e que foi definitivamente superada pela Filosofia. Ao incluir elementos como a intuição e a emotividade, o mito é uma forma de conhecimento válida, porém diferente daquela que chamamos racional.

Geralmente associa-se o mito à religião e acredita-se que sua força advém do fato de muitas vezes ser transmitido por um narrador que tem algum tipo de autoridade (por exemplo, um religioso). Mas deve-se lembrar que, embora durante muito tempo eles tenham se confundido, o pensamento mítico transcende o religioso. Se não fosse isso, como explicar a força com que certos mitos emergem na contemporaneidade? O mito do herói, por exemplo, costuma levar multidões ao cinema.

A jornada do herói é um conceito criado pelo antropólogo Joseph Campbell, cuja teoria propõe que quase todas as histórias trabalham com uma estrutura de Voteiro semelhante. No monomito, como também é chamada essa teoria, a história trabalharia em cima de três eixos narrativos centrais: o chamado para a aventura, o conflito e o retorno para casa. No filme O Senhor dos Anéis (2001, dir, Peter Jackson), obra adaptada do livro de J, R. R. Tolkíen, Frodo é chamado para uma aventura, enfrenta diversos perigos para, posteriormente, retornar ao seu lar com muitos aprendizados – um exemplo clássico da aplicação da jornada.

Outra prova de que o mito não é apenas .um tipo de narrativa ou interpretação de mundo ultrapassado é o fato de que até hoje existe a tendência de “mitificar” indivíduos e acontecimentos: com a ajuda da mídia, tomamos como verdadeiras certas características das pessoas ou certas explicações das coisas, sem que tenhamos exatamente uma motivação racional para isso. E os mitos criados peia cultura pop são muitos: de cantores de rock a celebridades instantâneas. Também na linguagem atual há um bom exemplo disso. Nas redes sociais, vem circulando o neologismo “mitar”, que significa realizar algo de maneira extraordinária, admirável e marcante. Quando alguém faz algo fora do comum, diz-se que essa pessoa “mitou”.

Diferentemente de uma simples crença, o mito tem uma finalidade: ajuda a definir modelos de comportamento, expressando valores comuns a uma sociedade.

Até que ponto a Filosofia rompe com a mitologia? Na Grécia Antiga, a Filosofia nascente buscou, a partir do pensamento e da racionalidade, formular respostas para questões exploradas pelo mito, como a da origem do mundo. Algumas propostas racionais filosóficas muitas vezes tinham espantosa semelhança com formulações míticas, como a ideia proposta pelo pelo filósofo Tales de Mileto (aprox. 624-558 a.C) de que a água é a origem de todas as coisas, enquanto, para a mitologia grega, o deus Oceano originou a vida. Nesse sentido, pode-se falar em uma continuidade entre mito e Filosofia, e não em uma ruptura radical sem comunicação mutua. A novidade está na abordagem, já que a Filosofia busca um princípio racional de explicação.

Como fazer uma carta argumentativa

A carta argumentativa apresenta uma reclamação e/ou uma solicitação a uma autoridade ou pessoa responsável. Em geral, trata de uma ou várias queixas a respeito de um ou mais problemas, suas causas e consequência. Se for possível, sugere-se uma proposta de solução imediata.

A carta argumentativa tem uma finalidade persuasiva e costuma apresentar a seguinte estrutura:

  • Local e data.
  • Identificação do reclamante e do destinatário.
  • Corpo do texto.
  • Expressão de despedida.
  • Assinatura.
  • Nome do reclamante.

No corpo do texto, a exposição deve ser sucinta e apresentar o objeto da reclamação ou da solicitação, expondo argumentos, descrevendo os fatos que motivam e fundamentam a reclamação ou solicitação. Costuma-se juntar à carta uma cópia dos documentos que comprovem o que está sendo dito, por exemplo, uma nota fiscal.

No caso da carta argumentativa em que haja solicitação de uma solução para o problema, o reclamante pode ou não incluir uma proposta. Em geral, solicita-se resposta por escrito, via e-mail ou carta, e pode-se fixar o prazo de resposta.

A linguagem deve ser clara, objetiva, polida e seguir o padrão formal, geralmente na 1ª pessoa. Os verbos costumam ser empregados no presente do indicativo. Veja, a seguir, dois exemplos de carta argumentativa.

Se você quer mesmo aprender a fazer uma dissertação, clique no banner abaixo.

Modelos de Carta Argumentativa

Modelo de carta nº 2

Modelo de carta nº 2

Propostas de Produção de Texto – Carta argumentativa

Leia as propostas e escolha uma delas.

1ª proposta

Elabore uma carta argumentativa para um destes destinatários: seus pais ou familiares; seus amigos, vizinhos ou colegas de escola; seus professores; uma ou mais pessoas em relação às quais você tenha alguma queixa.

Justifique sua reclamação e dê uma sugestão para resolver o problema.

Troque de texto com um(a) colega. Leia a reclamação escrita por ele(a), mas procure fazer uma leitura com o olhar do destinatário da carta.

Verifique se a queixa está expressa de maneira clara, se está bem justificada e se a linguagem é coerente com o relacionamento entre o destinatário e o remetente. Escreva suas sugestões em uma folha avulsa. Devolva o texto para seu (sua) colega com as sugestões.

Se necessário, reelabore seu próprio texto a partir das anotações do(a) colega.

2ª proposta

Imagine que você, sem perceber, comprou um produto defeituoso. Elabore uma carta argumentativa queixando-se ao fabricante e requerendo a substituição do produto. A linguagem deve ser formal.

Troque de texto com um(a) colega. Leia o texto de seu (sua) colega e verifique se a carta foi elaborada de acordo com os padrões definidos. Faça sugestões por escrito.

Cada aluno deverá reelaborar o próprio texto de acordo com as sugestões do(a) colega.

O que é e como fazer um texto dissertativo

Por tratar-se do modo de organização do texto mais frequente nos exames vestibulares, seguem algumas observações que podem ajudá-lo a elaborar um texto dissertativo a partir das habilidades exigidas.

Nas propostas de dissertação, tem-se oferecido aos candidatos um texto-base ou uma coletânea com diversas produções que devem ser consideradas na construção do texto.

Essa coletânea, que funciona como ponto de partida, exige um exercício de leitura e interpretação e uma seleção de elementos relevantes que devem ser extraídos para se estabelecer relações. Se considerar mais fácil, você poderá começar sua redação escrevendo tudo que vier à cabeça e depois selecionar o que julgar mais importante.

Estabeleça uma linha de argumentação, pense em um caminho para defender seu ponto de vista, relacionando as ideias entre si e estabelecendo hierarquias.

Defina a estrutura de seu texto: introdução, desenvolvimento e conclusão, e, a partir desse esquema, estabeleça o ponto de partida, as ideias que serão apresentadas para tratar da questão, as possíveis soluções para ela.

Como é possível desenvolver o tema de várias formas, você deve escolher a melhor forma de abordagem, contando com sua experiência pessoal e seu conhecimento sobre o assunto. Recomenda-se escrever impessoalmente, dirigindo-se a um interlocutor genérico.

Identifique e organize a apresentação dos fatos; defenda uma tese por meio de argumentos consistentes e os encadeie de forma coerente; por fim, faça uma conclusão que retome o que foi dito e que dê um fechamento ao texto.

Finalmente, não se esqueça de realizar uma verificação final:

  • Os parágrafos e as frases estão construídos adequadamente?
  • As informações estão devidamente apresentadas, com hierarquia e correlação?
  • Houve adequação e pertinência vocabular?
  • O texto corresponde à modalidade escrita formal?

Não se esqueça de checar alguns itens que são sempre avaliados, como correção gramatical (grafia, pontuação, etc); organização de ideias (coerência, coesão, clareza, etc); adequação da linguagem à norma culta da língua.

Você pode utilizar conceitos de várias áreas, recorrer a fatos de seu conhecimento e dados estatísticos, fazer comparações, citações, expor ideias. Mas é muito importante que seu texto tenha uma unidade de sentido, ou seja, deve haver coesão entre as frases, períodos e parágrafos, assim como correlação entre as informações e ideias apresentadas. Portanto, os elementos do texto não devem se contradizer; não pode haver quebra da progressão discursiva ou conclusões dissociadas do que foi exposto.

Agora que você sabe o que é uma dissertação, fica a pergunta:

Você quer aprender a fazer um texto perfeito?

Como identificar o tema da redação

Este é um artigo rápido para ajudar aqueles que ainda têm dificuldade para identificar o tema de uma redação e, depois, compreender a proposta que a banca apresentou. Este é o discurso que uso nas minhas primeiras aulas de redação para vestibular. Digo para os alunos o seguinte:

Antes de começar a escrever sua redação, leia com atenção a proposta para entender o que se pede e identificar o tema. Depois pense em como você desenvolverá seu texto.

O tema da redação pode não estar explicitado. Nesse caso, você terá de identificá-lo a partir de uma interpretação dos textos fornecidos, dos quais vai tirar a idéia-núcleo. Fique atento para não fugir do tema proposto, pois não adequar o texto ao tema pode anular sua redação. A banca examinadora poderá achar que você não foi capaz de compreender as instruções e não fez o exercício de leitura devidamente.

Normalmente, os temas propostos em vestibular não exigem conhecimentos específicos, pois se espera uma formação genérica do candidato. Esta é uma das críticas que se faz ao Enem porque alguns de seus temas podem apresentar certa dificuldade para aqueles que moram distante das cidades como, por exemplo, ribeirinhos. Convém, assim, não se restringir aos dados do texto-base ou aos fragmentos da coletânea (textos e imagens fornecidos pelo enunciado, como reportagem, poema, história em quadrinhos, letra de música, etc). Você pode utilizar outras informações que considerar relevantes para o desenvolvimento do tema e usar sua experiência pessoal, mostrando capacidade de reflexão e análise. Mas tome cuidado para não extrapolar com exemplos que não tenham relação direta com o tema.

Também é importante não fugir do gênero textual e também do modo de organização propostos.

  • Se a redação for em prosa (e normalmente é), não escreva versos, mesmo que sem rima ou métrica.
  • Se a proposta for de texto narrativo, não se limite a relatar um acontecimento, pois nos vestibulares é verificado se você sabe selecionar e interpretar informações, elaborar hipóteses e estabelecer relações. Devem, portanto, aparecer de forma articulada os elementos que constituem esse tipo de texto: narrador, personagem, enredo, cenário e tempo.
  • Se a proposta for de texto dissertativo-argumentativo, não se esqueça de adotar um ponto de vista e sobretudo apresentar e discutir fatos, dados e opiniões sobre o tema abordado.

Nos próximos artigos você vai entender melhor como construir seu texto dissertativo de forma a ter uma nota muito boa no Enem. Se não quiser esperar até lá, veja o texto que escrevi logo abaixo clicando no botão.

Estratégias para fazer uma leitura eficaz

A leitura dos inúmeros gêneros textuais que circulam nos diversos domínios é uma atividade interativa desafiadora. Para interagir na vida social, precisamos encarar um desafio complementar: desenvolver competências relacionadas à produção textual.  Após ler o artigo sobre estratégias de leitura, recomendo a leitura desses outros aspectos importantes que devem ser empregadas para evidenciar:

1. Os aspectos discursivos

• Identificar o gênero textual e a tipologia do trecho lido;
• Reconhecer os propósitos comunicativos do texto;
• Perceber marcas de outros textos no texto analisado;
• Observar as condições de produção do texto (autor, local e data de produção, leitor);
• Identificar o tema tratado.

2. A organização da informação
• Observar títulos e subtítulos;
• Analisar ilustrações;
• Reconhecer elementos paratextuais (parágrafos, negritos, itálicos, sublinhados, enumerações, deslocamentos, legendas, quadros, gráficos, etc);
• Identificar palavras-chave;
• Marcar fragmentos significativos;
• Relacionar e integrar ideias-chave apresentadas em vários pontos do texto;
• Decidir se há necessidade de recorrer ao dicionário ou a outra fonte de consulta.

3. A coerência textual

• Ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema;
• Usar conhecimentos prévios sobre o contexto de situação em que o texto foi produzido;
• Identificar as relações de sentido existentes no texto.

4. O processamento do texto

• Construir paráfrases mentais ou orais dos fragmentos mais complexos;
• Substituir palavras complexas por sinônimos conhecidos;
• Reconhecer relações gramaticais (sintáticas e morfológicas) e lexicais (de sentido);
• Identificar/construir os principais sentidos do texto.

5. O “como se aprende” a conhecer o processamento da leitura

•  Propor objetivos pessoais e significativos para a leitura;
•  Controlar a atenção voluntária no objetivo da leitura;
•  Manter a consciência durante o processamento do texto, segmentando ou relacionando as unidades de significação;
•  Controlar o percurso, o ritmo e a velocidade da leitura, de acordo com os objetivos estabelecidos;
•  Detectar erros no processamento do texto;
• Autoavaliar continuamente a atividade e fazer as correções necessárias.

Para suas atividades de leitura e compreensão de diferentes gêneros textuais, aplique essas estratégias.

Estratégias de leitura – Aprenda a ler direito




A leitura dos inúmeros gêneros textuais que circulam nos diversos domínios é uma atividade interativa desafiadora. Para interagir na vida social, precisamos encarar um desafio complementar: desenvolver competências relacionadas à produção textual. Assim, ler e produzir textos funcionaria como uma avenida de mão dupla: ações simultâneas e ações complementares.
Na prática, toda leitura é situada em um contexto social, temporal e cultural específico. Quanto maior for a identificação sociocultural estabelecida entre o texto e seus interlocutores, tanto melhor será a construção de sentidos gerada por meio dele.

Para ajudá-lo a desenvolver estratégias discursivas de leitura que o tornem um leitor autônomo, capaz de construir sentidos a partir da interação leitor-texto-autor, apresentamos algumas perguntas e respostas para servirem como roteiro de análise:

1.Quem escreve?
Autor.

2. Para quem escreve?
Público específico ou geral.

3. Onde o texto é veiculado?
Suporte material ou virtual.

4. 0 autor escreve com que autoridade?
Papel social do autor.

5. Com qual objetivo?
Propósito do autor ou instituição representada.

6. O que já sei sobre o tema?
Conhecimentos prévios do leitor.

7. Quais são as ideias principais do texto?
Informações.

8. Que outros textos foram citados?
Intertextualidade.

9. Que partes do texto apresentam objetivos, definições, comparações, causas, consequências, conclusões?

10. Como essas partes se relacionam?
Estrutura textual.

11. Com que argumentos as ideias são defendidas?
Comprovação.

12. Onde e de que maneira a subjetividade está marcada?
Posicionamento explicitado.

13. Quais são as vozes presentes no texto além da voz do autor?
Responsabilidade compartilhada das ideias.

14. Quais são os exemplos citados?
Fatos, dados.

15. Quais são os testemunhos utilizados?
Depoimentos.

16. Como são tratadas as ideias contrárias?
Rebatimento ou antecipação de oposições.

Este texto é uma adaptação de: GARCEZ, Lucília H. do Carmo. Técnica de redação: o que é preciso saber para bem escrever. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

UPDATE: Faça também a leitura da segunda parte deste artigo clicando aqui.

Gêneros textuais e domínios sociais de circulação




Gêneros são “acontecimentos textuais” vinculados à nossa vida cultural e social. Sempre que interagimos usando a linguagem, fazemos isso por meio de um gênero textual que, de certa forma, determina o modo como devemos nos expressar. A quantidade deles é praticamente infinita. Sabe-se que uma pessoa, com formação secundária, é capaz de reconhecer algumas centenas deles. Fica até difícil imaginar alguém que não saiba reconhecer um pedido de informação, uma canção folclórica, um provérbio, um boletim de ocorrência, uma receita médica, uma bula de remédio, uma nota fiscal, uma fábula, uma notícia, dentre os inúmeros gêneros que povoam os vários domínios sociais de comunicação. Eles podem aparecer e desaparecer, de acordo com a necessidade.

Veja estes gêneros que se sucederam nos últimos anos por causa das inovações tecnológicas: e-mail, blog, Messenger, Twitter. Provavelmente, seus avós não façam uso deles, e até seus pais podem ter certa dificuldade para aprender alguns entre os últimos explorados. Mesmo entre os mais jovens há aqueles que não dominam totalmente determinada linguagem de um ou outro gênero, seja para ler, oralizar ou escrever. Isso acontece por causa das preferências, necessidades de uso, oportunidades ou habilidades mais desenvolvidas de cada pessoa.

Tente fazer o seguinte exercício de memória: para cada domínio social de comunicação da lista a seguir, associe pelo menos dois gêneros que circulam nele. Podem ser orais, escritos, visuais ou mistos.

Gênero / Domínio social da comunicação

Familiar: lista de compras, recado, ordem, conselho, recomendação
Cotidiano: cartaz de campanha comunitária, placas indicativas de proibições
Escolar: aviso aos pais, boletim de notas, texto didático
Artístico: canção, cartaz de lançamento de filme, resenha de show
Jornalístico: notícia, editorial, reportagem, carta ao leitor, foto, manchete
Publicitário: anúncio publicitário em outdoor, busdoor, jingless
Religioso: oração, pedido de oração, testemunho, sermão, apelo.
Burocrático: formulário para declaração de imposto de renda, atestado de antecedentes criminais, edital de convocação

Os gêneros organizam e dão certa estabilidade às nossas atividades comunicativas do dia a dia. Eles ainda confirmam, atestam e revelam nossos propósitos e intenções.

Você quer aprender a escrever o gênero pedido na redação do Enem?

Introdução ao estudo do sujeito e predicado




A maior ambição das pessoas que estudam uma língua é adquirir a capacidade de compreender e produzir textos com proficiência, já que é por meio deles que se obtêm informações e conhecimentos sobre o mundo e se estabelecem relações entre as pessoas.

Uma pergunta frequente é como se deve proceder para retirar dos textos os conhecimentos que eles contêm, e o que se deve fazer para produzir mensagens capazes de atingir os resultados pretendidos.
Uma das respostas é que, sem conhecer o significado das palavras, ninguém é capaz de compreender ou produzir textos. Essa é uma verdade indiscutível, e sua comprovação mais evidente se dá quando ouvimos ou lemos um texto em língua estrangeira.

É fácil imaginar a dificuldade de um turista num país de língua desconhecida, quando, numa emergência, precisa consultar um médico. Experiências desse tipo são sempre desastrosas: o paciente não é capaz de revelar seus sintomas nem de compreender as perguntas do médico. Disso tudo se conclui, com absoluta certeza, que, para um bom desempenho numa língua qualquer, é necessário conhecer o sentido das palavras.

No entanto o conhecimento do sentido das palavras, por mais importante que seja, não é suficiente nem para produzir nem para compreender o significado de um enunciado. Por quê?
Porque o sentido do enunciado não depende apenas das palavras que o compõem, mas também do modo como elas se relacionam entre si.

Prova disso é que dois enunciados podem ter sentidos completamente diferentes, embora formados pelas mesmíssimas palavras.

Exemplos:

I) O rei transformou cidadãos livres em escravos.

II) O rei transformou escravos em cidadãos livres.

As palavras dos dois enunciados são absolutamente idênticas, mas os sentidos deles são opostos:

•   em I, o rei é um tirano opressor do povo, pois escravizou cidadãos livres;
•   em II, é um libertador, pois alforriou escravos, fazendo deles cidadãos livres.

Esse exemplo serve para demonstrar que, tanto para a compreensão quanto para a produção do sentido de um enunciado, é necessário conhecer o significado das palavras que o compõem; mas isso não é suficiente, já que as mesmas palavras, combinadas de modos diferentes, produzem sentidos diferentes.

E você? Quer aprender mais e melhor?